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quinta-feira, outubro 14, 2010

Alberto Caeiro certeiro

Caeiro certeiro é um pleonasmo, uma verdade lapalissada. Mas ainda assim - não só na verdade geral, mas na minha. Comecei a folhear (e não desfolhar, como vejo por aí) edições, a recordar poemas e versos em que não pegava bem desde o ano de estágio (2006!) e deparei-me com este. Assim, logo de repente. E não me lembrava dele. Pronto, as lágrimas não chegaram, mas quase, porque cair a água é natural, mesmo sem saber teorias de gravidade nem razões.


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos (7-11-1915)

segunda-feira, outubro 17, 2005

carta a Alberto Caeiro (1.º trabalho de seminário)

Caro Alberto Caeiro,

Espero que a sua não-vida quase real lhe esteja a correr bem. E com isto apenas quero dizer que, apesar de toda a imaterialidade da sua existência, possa ainda andar pelos campos a ver a Natureza e conhecê-la pelo seu único lado: o de fora.
Escrevo-lhe porque preciso de dizer-lhe umas palavras de reconhecimento e, mais do que isso, de agradecimento.
Nascendo de um não-nascimento, é talvez a Pessoa que mais precisaria de ter nascido. E a sua morte de 1915, mais falsa que o seu nascimento inverdadeiro, foi uma perda irreparável para a poesia universal, que continua ainda a fazer-se de místicos que ouvem os rios terem êxtases ao luar, ou de formalistas que tentam descobrir duas árvores iguais, uma ao lado da outra, nem que para isso tenham de lhes cortar ramos, tirar alguns frutos ou tirar-lhes folhas.
Admiro-o, sobretudo, por essa visão de garça, de Atena atenta (que invejo e que às vezes finjo ter incorporada nas coisas que mal escrevo), tão patente na sua escrita. É uma escrita tão profundamente original que qualquer descuido se lhe perdoa logo. E não ligue aos comentários de um tal Fernando Pessoa, que acha que você escreve “mal o Português”. O que é o Português enquanto instrumento, quando a sua poesia é uma novidade tão fresca e saborosa? Uma língua com oitocentos anos, velha e carunchosa, não pode comportar tais versos sem a violação de algumas das suas regras…
Essa visão tão nova e especial das coisas será, talvez, fruto da sua não-vida passada numa quinta do Ribatejo – e se calhar, também, da sua instrução, que não passou da elementar. Quase dá vontade de dizer que a Natureza nunca foi apreendida por ninguém. Talvez o Alberto tenha sido o primeiro a ver o real sem a visão deturpada por medos que criaram uma série de construções filosóficas que tentam complicar a Natureza, quando, no fundo, ela é tão simples e natural como o levantar-se o vento. (Desculpe se me aproprio tanto das sua palavras, mas elas são tão exactas, apesar de tão simples, que não resisto a usá-las).
Mestre, também eu me comovo ao ler os seus versos. Uma comoção entre a nostalgia, a boa disposição e uma certa inveja: quantos poemas seus não gostaria eu de ter escrito! Fica a consolação de os ler e de serem também um pouco meus, quando os transporto na minha memória e os recordo, independentemente do lugar onde estou ou para onde vou. E por isso, por poder activar a sua visão das coisas em qualquer lugar, tenho só de lhe agradecer por esta nova perspectiva da eterna descoberta da novidade do mundo.
Deste seu imperfeito discípulo, um abraço para além da vida e da terra,

Tiago Aires

quarta-feira, novembro 02, 2011

A minha palavra favorita - Girassol



das muitas palavras que povoam a minha língua, girassol tem-me sido a mais afetiva. retorno e regresso e ciclo. ver, seguir, observar. um ser que tem como atitude seguir a luz parece ser um exemplo ignorado. razão tinha Caeiro por nele ver uma figura a elogiar - «o meu olhar é nítido como um girassol» - nítido porque cheio de luz, a luz do Sol, e ele próprio ser um olho de inexcedível beleza e rigor. o girassol foi feito para ver e estar atento, mas também para estarmos atentos a ele e para o vermos. e podemos também tocar-lhe a pupila, na rugosidade agradável da perfeição. seguir sem sair do sítio, ser do tamanho do que se vê, percorrer a distância da solidão com a vontade, o gesto. o amarelo é cópia, é propósito solar reafirmado, o verde das folhas vida que se agita e constrói em torno da luz, sol terrestre em menor tamanho. palavra justa, verbo e nome em nome, com a flor, verbo e nome em ação e essência. assim é por vezes o amor, quando nos torna girassóis uns dos outros - uns dos outros, porque de si é já o Narciso e é outra história e outra palavra bem diferentes. ou ser o oposto de tudo isto, de tudo e todos. girassol que, no meio dos outros, preferisse ver o espaço subitamente iluminado. ou, mais linearmente, o girassol que rema contra a maré.

cf. esta história das palavras favoritas.

sexta-feira, abril 04, 2008

II 14. Geografia e ontologia



Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos

Dantes o mundo era da medida do seu alcance: o que podia ver e sentir e o que podia imaginar, o que não era muito. Tudo se reduzia então à rua onde vivia toda a gente que conhecia, à escola do seu irmão, à padaria, à mercearia, à igreja e aos campos que o rodeavam. Era feliz com a sua maneira recatada de ser, enfiado em salas que lhe pareciam sem fim, entretido com a sua própria fantasia. Depois começou a questionar o mundo. Ou antes, a chatear os adultos por causa do mundo.
Por exemplo, fazia-lhe confusão as pessoas serem pequenas ao ponto de caberem na televisão ou no rádio. E como eram capazes de fazer tudo o que faziam naquele espaço tão pequeno. Depois foi percebendo que era por uma outra maneira que prendia a nossa imagem e o nosso ser completo e o dava a ver ou a ouvir através dos aparelhos ligados à corrente. E percebeu-o quando o seu pai se decidiu elucidá-lo, fazendo gravações consigo que depois pôs na televisão e no rádio. Só não percebeu depois como aquilo funcionava, a cópia ser produzida tão fielmente, e teve medo que aquilo desgastasse o seu ser verdadeiro e pediu-lhe para que não o voltasse a fazer. Enquanto ele não percebia o funcionamento das coisas eléctricas e ainda efabulava a vida das pessoas pequenas dentro delas, a sua mãe costumava dizer-lhe que não podiam ter as duas coisas ligadas ao mesmo tempo porque as pessoas não podiam fazer tudo ao mesmo tempo nem podem estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ele dizia que deviam ser outras e então ela dizia que era um desrespeito de umas com as outras, pois ninguém se entenderia nem daria o devido valor. E assim convenceu-o a desligar ou um ou outro, e em determinadas alturas a desligar quer um quer outro, porque também as pessoas precisavam de fazer ó-ó. Ele achava aquilo tudo muito estranho porque não eram uma família com muito dinheiro e não sabia se podiam pagar a muita gente para estar ali metida na televisão e no rádio deles. Mais tarde descobriu que os outros meninos também tinham televisão e rádio, e que até eram as mesmas pessoas e achou que de alguma maneira elas mudavam de casa para casa, o que já devia ser mais barato a dividir por todos, ou eram outras muito parecidas, o que não explicava o dinheiro mas resolvia o problema grave da simultaneidade (não com estes termos, claro).
Depois foram as línguas. Porque havia pessoas a falar de uma maneira que ele não percebia? É que não entendia nenhuma palavra. Ele achava que aquilo era só para irritar e obrigar as pessoas a ler as legendas. Mas ele não sabia ler e não percebia as palavras. Às vezes a mãe lia em voz alta para que ele pudesse seguir, outras vezes não. E isso deixava-o frustrado e fugia então para o seu recanto favorito, o vão das escadas que era suficientemente grande para ele entrar e suficientemente pequeno para que mais ninguém o conseguisse.
E essa era precisamente outra questão que o inquietava: o espaço. A relação dos corpos com a imensidão do vazio. Mas ainda mais, a própria imensidão lhe metia medo e por isso se refugiava em espaços exíguos. Não conseguia perceber a imensidão: para que tanto espaço se éramos tão poucos? A aldeia era grande de mais. Todos se concentravam numa única rua – depois eram os campos a perder de vista. Mais tarde viria a perceber que eram necessários para que pudessem viver. E o rio era também um mistério. De onde viria, já que ele não o via surgir de lado algum e sem fim, sempre longe do alcance da vista e das fronteiras a que se permitia ir? Mas no fundo nenhuma destas questões verdadeiramente o inquietava. Esquecia-se delas pouco depois, satisfeitas, ou não, pelos pais.
Um dia saiu de carro com os pais. Era necessário ir a um outro sítio que ele ainda não conhecia. Viu assim passarem a seu lado imensidades desconhecidas. Outros muitos carros, outras muitas casas, outras muitas pessoas. Os minutos no relógio de pulso que ainda não sabia ler completamente iam passando. Desfilavam no seu pensamento as dúvidas sobre o espaço e a imensidade. Mas ele não podia saber de longitudes e latitudes, da imensidade da Terra, seus cinco continentes, seus cinco mares e seus quatro cantos, e do infinito do universo em constante expansão. Era algo que não podia conceber, ainda. Mas ele lá teria as suas próprias explicações. Por fim, pararam. À sua frente abria-se um campo amarelo, e depois um campo azul em movimento.
- Mãe, o que é isto?
- Isto é a praia. É aqui que o rio tem fim. No mar.
- E o mar, onde tem fim?
Mas o mar não tinha fim. Pelo menos assim lhe disse a Mãe, enquanto esperavam pelo pai que fora estacionar o carro. A Mãe deu-lhe a mão e foram pisando a areia.
- O mar cheira bem.
- Cheira a novo – disse a Mãe.
Enquanto se enterravam a mãe disse-lhe um segredo, talvez o maior de todos: nada havia mais no mundo senão ele, tudo era construído por eles para o filho, para que ele pudesse ser feliz e haver mais coisas com que crescer. Línguas, outras pessoas, rádios e televisões, terras. Nada disso existia a sério senão eles os três. E daquela vez lembraram-se de criar o mar e por isso ele cheirava tão bem e a novo. Ele sorriu:
- Eu sei.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Composto de Mudança

Já está, completo e escrito, o meu pequeno livro de contos. 52 histórias, escritas ao ritmo de uma por semana, mais ou menos, durante este ano, fruto de um desejo-promessa de fim de ano de 2006 como forma de garantir alguma sanidade mental. Recuperei algumas antigas (*), mas quase todas são novas, e as que não são passaram-no a ser, de tão remodeladas que foram. Acabei mais cedo do que o previsto, porque houve algumas fases de súbita inspiração ou disponibilidade para isso, e aproveitei, para compensar alguma fase menos produtiva. Mas estão prontos. Seguir-se-á outro projecto, futuramente. A árvore já foi plantada, o livro escrito. Quase realizei o mais importante da vida de um homem… Falta... faltam mais livros!

Alguns contos aparecem aqui no blog, se bem que nem sempre no seu “estado final”:

1. Magnífico caos
2. A casa dos corações partidos
3. Estória de amor pouco comum
4. Auto(r)fagia
5. Formas de morrer-se
6. A palavra gato morde
7. Uma gaivota
8. A peça (*)
9. Sonho… ilusão… retorno
10. A estória nenhuma
11. Engatinhar-se
12. Iniciação (*)
13. Hero (*)
14. Eva (*)
15. Composto de mudança
16. Monónimo (*)
17. Maias
18. Um dia extraordinário na vida de Eduardo Afonso
19. Pais (*)
20. A eternidade
21. Caro Alberto Caeiro (*)
22. Revisitação (*)
23. O que o tempo faz (*)
24. O falso turista
25. A fotografia
26. A casa de chá
27. Pedagogia (*)
28. O deus, as escadas e o pijama
29. A meio caminho para lado nenhum
30. A casa das raposas
31. Primavera
32. Teoria das cores
33. Roteiro da perdição
34. 3g de açúcar
35. As pequenas grandes dores
36. Os finalistas
37. Pelos meus olhos
38. A ronda da noite
39. Casamento: nó e mousse de frutos silvestres
40. O prodígio de Nossa Senhora das Neves
41. Na volta do homem
42. O piolhoso
43. Sobre o mesmo barco (*)
44. Confiança e reconhecimento
45. Trazer a chuva
46. Miaugente
47. Chá para um
48. Noites de amor e de música
49. Tudo sobre os comboios
50. A luz, os olhos e o poema
51. Baixa no Natal
52. 7 vidas ou o regresso do gato

segunda-feira, outubro 16, 2006

Grandes Portugueses

o programa da rtp está a tentar eleger o maior português de sempre. há quem diga que é d. afonso henriques, embora na altura portugal ainda não existisse, outros acham que é vasco da gama, embora tenha tido a necessidade de partir daqui para a índia. pronto, agora a sério. as listas são um grande pónei, que têm nomes que valha-me Deus, sobretudo se virmos os que faltam. por exemplo, tem Maria de Medeiros e Joaquim de Almeida mas não tem o Herman José, tipo... Tem Eugénio de Andrade mas não Sophia ou Ruy Belo. E Salazar no meio disto tudo? mas parece que a lista é apenas um início e que irá sendo construída aos poucos (não se admirem se aparecer o Tino de Rans (ou Rãs) ou o Claúdio Ramos).

agora mais a sério, o maior português... não é muito difícil. eu, claro que não, até porque sou muito pouco português de temperamento. não. o Pessoa, claro. se não foi o maior, pelo menos foi muitos, pelo menos 27, entre os quais: Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alexander Search, A. A. Crosse, Chevalier de Pas, Charles Robert Anon, H. M. F. Lecher, António Mora, Vicente Guedes, Barão de Teive, Jean Seul, Bernardo Soares...

quinta-feira, maio 25, 2006

o que faz falta (trabalho de seminário a partir de uma crónica de M L Lepecki)

O que faz falta

O que faz falta, para Maria Lúcia Lepecki, nestas questões de poesia no ensino secundário, é deixar a poesia ser poesia: “superfície e profundidade”, “mistério”, “musicalidade”, “representações e significados”.
O que faz falta é uma verdadeira metodologia do ensino da poesia. Não só no ensino secundário e obviamente. Já no ensino básico os alunos lêem uns poucos poemas, tendo ainda a ideia de que os poetas não são “umas pessoas muito normais” e que “os poemas são textos difíceis”. E os professores partilham da opinião, colocam os poetas de lado e continuam com o texto narrativo. Até que os alunos chegam ao ensino secundário e são confrontados com Sophia, Torga, Eugénio, Herberto ou Al Berto nos seus poemas ligeiramente mais difíceis e as dificuldades aumentam, bem como o desinteresse e o “desprazer”.
Interessante e necessário será motivar os alunos desde muito cedo para a fruição estética da língua, do poema na sua componente verbal: sons, ritmos, cadências, rimas, repetições, prolongando a infância onde já se contactou com trava-línguas, lenga-lengas e adivinhas. E conduzir os alunos gradualmente para o jogo que a poesia encerra em si, para a poesia visual, para os poemas tradicionais, para os grandes poetas nas suas composições mais simples (aparentemente), de sabor medieval, até. E começar também, de forma provocatória, a desmistificar a poesia: todas as palavras são permitidas, tudo é assunto para a poesia, “tudo é tempo de poesia”. E então surgem os grandes temas, acompanhados de metáforas, comparações, imagens, hipérboles: vida, amor e morte – e todos os assuntos a eles ligados.
Introduzir os alunos na “cidade da poesia” é possível recorrendo ao desafio, “ao mistério” e à “questão de superfície e de profundidade”. Mostrar que um poema pode ser interpretado de diversas formas, dependendo da leitura que se faz dele – individual ou colectiva, contextualizada ou descontextualizada, analítica ou expressiva. A poesia é para ser lida (ou comida), mas em voz alta, com todas as técnicas que se aconselham: boa colocação de voz, volume adequado, expressividade, respeito pelo ritmo, acento de determinadas palavras-chave. E reler, muitas vezes, até que o poema fique em nós, sempre pronto a ser activado em qualquer altura. E reler novamente até que a sua forma e estrutura se justifiquem por si mesmas, tudo comungue de uma unidade própria que poderá ser destruída por uma outra forma de unidade, vista por outro leitor, mas que não deixa de ser a nossa forma, com todas as virtudes e falas inerentes. E só assim o poema será dito, ou antes, passado aos alunos. Só pela técnica do jogo ou pela técnica do encantamento podemos seduzir os alunos para os mistérios da poesia.
Na prática docente, isso poderá ser difícil. Das aulas que observei no sétimo ano, as adivinhas e trava-línguas seduziram os alunos, “A Nau Catrineta” também teve os seus efeitos positivos, mas “Chuva Fina” de Cecília Meireles foi já um choque para o qual os alunos não estavam preparados. Poesia próxima deles, com as inquietações deles funciona melhor. Nas aulas de reforço, pude trabalhar com alguns o ritmo do Hip Hop de Boss AC em “Que Deus” por confronto temático com “Os Senhores da Guerra” dos Madredeus – e a sedução foi de outro género. Foi sedução efectiva.
No décimo segundo ano, em que o programa e o fantasma do exame final não permitem perdas de tempo, nota-se uma difícil abertura e compreensão da poesia de Pessoa. Ainda me lembro de tentar dar o poema “Pobre e velha música” de Pessoa, em que tentei demonstrar, entre outras coisas, a importância da escolha das palavras que, alteradas, mudam todo o sentido do texto: e era apenas o caso de uma preposição “inocente”. Ou Alberto Caeiro (anti-poeta) de que os alunos gostaram, o “senhor estranho” que vê as coisas como elas são, sem inventar para elas realidades outras. E os alunos aperceberam-se de que convivem com a poesia no dia-a-dia, que nasceram com ela, pois entendiam as refutações do “senhor estranho” e viam outra realidade: a que está diante dos seus olhos.
Mistério e jogo, sedução e encantamento: duas abordagens diferentes, auxiliadas pela fruição, que se devem complementar para atrair o maior número de alunos possível, porque se a poesia “não se diz”, ela está nas ruas, expectante.

segunda-feira, março 13, 2006

pequeno poema de Alberto Caeiro



Quem tem as flores não precisa de Deus.

sexta-feira, novembro 11, 2005

aula assistida

a primeira aula assistida até correu bem, os meninos foram queridos e colaboraram (até ao minuto 70, mais ou menos, depois começaram a dispersar...); eu estava à vontade, sabia muito sobre Caeiro, mas, claro, faltou-me um pouco a pedagogia: fazê-los chegar às coisas sem eu as dizer, manter a turma toda atenta e a seguir o raciocínio, diversificar tarefas... enfim, coisas a aprender com o tempo. o início foi fantástico: dois retroprojectores, nenhum funcionava! acho que foi por causa das tomadas, estava tudo estúpido, mas resolvi a questão mais ou menos. espero sinceramente que as vossas assistências corram como a minha (ou melhor!), que já não vão mal, acho eu! Boa sorte e bom trabalho!