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domingo, março 25, 2012

cinco poemas de Federico García Lorca



Flor

O magnífico salgueiro
da chuva caía.

Oh a lua redonda
sobre as ramagens brancas!

***

Despedida

Se eu morrer,
deixai a varanda aberta.

O menino come laranjas.
(Da minha varanda vejo-o.)

O ceifeiro ceifa o trigo.
(Da minha varanda sinto-o.)

Se eu morrer,
deixai a varanda aberta!

****

Alma Ausente


Não te conhece o touro ou a figueira,
nem cavalos nem formigas de tua casa.
Não te conhece o menino ou a tarde,
porque tu morreste para sempre.

Não te conhece o lombo da pedra,
nem o cetim negro onde tu destroças.
Não te conhece tua lembrança muda
porque tu morreste para sempre.

O Outono chegará com búzios,
uva de névoa e montes agrupados,
mas ninguém quererá olhar teus olhos
porque tu morreste para sempre.

Porque tu morreste para sempre,
como todos os mortos que há na Terra,
como todos os mortos que se esquecem,
num monte enorme de cães apagados.

Não te conhece ninguém. Não. porém, eu canto-te.
Canto para depois teu perfil e tua graça.
A madurez insigne do teu conhecimento.
Teu apetite de morte e o gosto de sua boca.
A tristeza que teve tua valente alegria.

Tardará muito tempo a nascer, se nascer,
um andaluz tão claro, tão rico de aventura.
Canto sua elegância com palavras que gemem
e lembro uma brisa triste entre as oliveiras.


****

Poema Duplo do Lago de Éden
(A Eduardo Ugarte) :
        "O nosso gado pasta, o vento espira." — Garcilaso de la Vega
Era a minha voz antiga
ignorante dos densos sumos amargos.
Adivinho-a a lamber-me os pés
sob os frágeis fetos molhados.

Ai voz antiga do meu amor!
Ai voz da minha verdade!
Ai voz de minhas costas abertas,
quando todas as rosas me brotavam da língua
e a relva não conhecia a impassível dentadura do cavalo!

Estás aqui a beber meu sangue,
a beber meu humor de menino passado,
enquanto meus olhos se quebram no vento
com o alumínio e as vozes dos bêbados.

Deixar-me passar a porta
onde Eva come formigas
e onde Adão fecunda peixes deslumbrados.
Deixar-me passar, homenzinhos dos cornos,
o bosque dos espreguiçamentos
e dos saltos alegríssimos.

Eu sei o uso mais secreto
que tem um velho alfinete oxidado
e sei o horror de uns olhos acordados
sobre a superfície concreta do prato.

Mas não quero mundo nem sonho, voz divina,
quero a minha liberdade, meu amor humano
no recanto mais escuro da brisa que ninguém queira.
Meu amor humano!

Esses cães marinhos perseguem-se
e o vento espreita troncos descuidados.
Oh voz antiga, queima com tua língua
esta voz de lata e de talco!

Quero chorar porque me dá gana,
como choram os meninos do banco mais atrás,
porque não sou um homem, nem um poeta, nem uma folha,
mas um pulso ferido que ronda as coisas do outro lado.

Quero chorar ao dizer o meu nome,
rosa, menino e abeto na margem deste lago,
para dizer minha verdade de homem de sangue
matando em mim a troça e a sugestão do vocábulo.

Não, não. Eu não pergunto, eu desejo.
Voz minha libertada que me lambes as mãos.
No labirinto de biombos é meu corpo nu o que recebe
a lua de castigo e o relógio sob a cinza.

Assim falava eu.
Assim falava quando Saturno parou os comboios
e a bruma e o Sonho e a Morte andavam a buscar-me.
Andavam a buscar-me
ali onde mugem as vacas que têm patinhas de pagem
e onde flutua meu corpo entre os equilíbrios contrários.


****

Madrigal à Cidade de Santiago

Chove em Santiago,
meu doce amor.
Camélia branca do ar,
nas trevas brilha o sol.

Chove em Santiago
na noite escura.
Ervas de prata e sono
cobrem a oca lua.

Olha a chuva na rua,
queixa de pedra e cristal.
Olha no vento desmaiado
sombra e cinza do teu mar.

Sombra e cinza do teu mar,
Santiago, longe do sol;
água de manhã antiga
treme no meu coração.



Federico García Lorca, Obra Poética, Lisboa: Relógio D'Água, 2007: 191, 207, 417, 471-3, 549

terça-feira, setembro 28, 2010

Desafio em Setembro


(em dia de receber Livro, de José Luís Peixoto, das mãos da Marta)

E bem, primeiro mês de trabalho com nova carga horária. E custa, pois claro, e ainda vai ficar pior. Mas a verdade é que, contrariamente às previsões, lá me tenho aguentado a nível de desafios culturais. Consegui ir a Santiago (com a Marta-Mim e a Simona, seguido dos livros 93 e 94), fui ao teatro, e adorei o espectáculo com Ana Bustorff, e a um musical pop com textos de valter hugo mãe, mas outras coisas ficaram pelo caminho - sobretudo o meu curso de Galego, que queria mesmo frequentar... 11 livros, pequenos, sim, mas muito bons, quase todos. Mia Couto (92) em textos circunstanciais que não deixam de ser muito bonitos, finalmente o Bartleby (95 - esperava mais, sim, mas assim mesmo é qualquer coisa) e outros clássicos como a famosa casa trágica (97), a preciosidade azarada da procura de uma vida melhor (100) e a Amazónia eivada de literatura (101). Ainda tempo para o alternativo, embora com diferentes resultados (98 e 99). Tempo ainda para continuar com os filmes (ainda falta um pouco para atingir os 183) e para The Tudors - genial.



livros:

91. F. de Fiama, Fiama Hasse Pais Brandão, Teorema, 100p.***
92. Pensageiro Frequente, Mia Couto, Caminho, 136p.*****
93. Leyendas del Camino de Santiago, Los Cadernos de Urogallo, 60p.****
94. El Camino de Santiago, Los Cadernos de Urogallo, 44p.***
95. Bartleby Escrita da Potência, Giorgio Agamben (inclui Bartleby, O Escrivão, Melville), Assírio & Alvim, 120p.****
96. Novas Histórias ao Telefone, Gianni Rodari, Teorema, 96p.****
97. A Casa de Bernarda Alba, Federico García Lorca, Europa-América, 144p.****
98. Maurice, E. M. Forster, Cotovia, 288p.****
99. Heliogabalo, Antonin Artaud, Assírio & Alvim, 150p.***
100. A Pérola, John Steinbeck, Europa-América, 124p.*****
101. O Velho que Lia Romances de Amor, Luis Sepúlveda, Porto Editora, 128p.*****



filmes:

152. An Education, Lone Scherfig*****
153. Inglorious Basterds, Quentin Tarantino***
154. Casablanca, Michael Curtiz****
155. 3x3 e Momentos, Nuno Rocha****
156. The Ugly True, Robert Luketic****
157. Killers, Robert Luketic***
158. Spread, David Mackenzie**
159. Lesbian Vampire Killers, Phil Claydon****
160. Shrek Forever After, Mike Mitchell***
161. Invictus, Clint Eastwood****
162. Robin Hood, Ridley Scott***
163. The Ghost Writer, Roman Polanski***
164. Tempestade Tropical, Ben Stiller***
165. A Papisa Joana, Sonki Wortmann****
166. George e o Dragão, Tom Reeve***
167. Velvet Goldmine, Todd Haynes****



outros:

The Tudors, temporadas três e quatro, em dois dias de descanso, sem conseguir parar - 18 episódios grandinhos! Obrigado S. por me passares estes episódios que faltavam e, sim, podes agradecer ter-ta apresentado há um ano. Ficam-me personagens interessantes com as desempenhadas por Henry Cavill, Jeremy Northan, Jonathan Rhys Meyers, Emmanuel Leconte, Jamie Thomas King, Natalie Dormer, Maria Doyle Kennedy, Joss Stone, Annabele Wallis, Joely Richardson, entre outras. Muito sangue e morte, sexo, mentiras e conspirações, religião, amor e opulência.*****

E pronto, também continuei a ver Anatomia de Grey, Sobrenatural e Chuck.

domingo, janeiro 30, 2011

Desafio: 01

(se não fosse pelo muito trabalho que tenho, já tinha concluído este post há muito. e fica assim, sem introdução, sem reflexão, sem foto. não há tempo para tudo quando se tem tanto para fazer!)

livros:

1. Romance do Grande Gatão, Lídia Jorge, D. Quixote, 46p.*****
2. Antologia, Arnaldo Antunes, Quasi, 264p.*****
3. Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Rui Costa e André Sebastião, Exodus, 144p.****
4. A Catedral do Mar, Ildefonso Falcones, Bertrand, 832p.*****
5. Marina, Carlos Ruiz Zafón, Planeta, 260p.*****
6. Superfície. Toda Poesia, Maria Ângela Alvim, Assírio & Alvim, 160p.**
7. Noites Brancas, Fédor Dostoievski, Europa-América, 144p.****
8. A Caminho de Santiago, Ana Saldanha, Caminho, 92p.***
9. O Pobre de Santiago, Graça Pina de Morais, Antígona, 168p.****
10. Pessoa, Wordsong, 101 noites, 112p.****


filmes:

1. Corrida para a Montanha Mágica, Andy Fickman***
2. Anjos e Demónios, Ron Howard****
3. Adaptation, Spike Jonze****
4. O Dia em que a Terra Parou, Scott Derrickson***
5. Capote, Bennett Miller****
6. Micmacs, Jean-Pierre Jeunet*****
7. Frozen, Adam Greene***(*)
8. Run! Bitch Run!, Joseph Guzman*
9. Not Forgotten, Bror Soref*
10. Ligeia, Michael Staininger**
11. Nine Dead, Chris Shadley***
12. Sherlock Holmes, Guy Ritchie****
13. A Town Called Panic, Stéphane Aubier e Vincent Patar****
14. Vertige, Abel Ferry***(*)
15. Trick'r Treat, Michael Dougherty***
16. The Unborn, David S. Goyer***
17. The Reeds, Nick Cohen***(*)
18. Legion, Scott Charles Stewart****
19. Os Amores de Astrea e Celadon, Eric Rohmer****
20. Red Victoria, Tony Brownrigg***(*)
21. Doghouse, Jake West****
22. All the Boys Love Mandy Lane, Jonathan Levine***
23. How to Train Your Dragon, Dean DeBlois e Chris Sanders*****
24. Centurion, Neil Marshale***(*)
25. Prince of Persia: the sands of time, Mike Newell****
26. Terra Sonâmbula, Teresa Prata****
27. Clash of Titans, Louis Leterrier****(*)
28. Percy Jackson and the olimpians, Chris Columbus***(*)
29. Vantage Point, Pete Travis***(*)
30. Cairo Time, Ruda Nadda*****
31.The Road, John Hillcoat****(*)
32. 9, Shane Acker****(*)
33. Shortbus, John Cameron Mitchell***
34. Sete dias e uma vida, Stephen Herek***

outros:
mini-série Sherlock (RTP2)*****
teatro: Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente, Salomé, de Oscar Wilde****
concerto: Manuel Cruz - Foge Foge Bandido

segunda-feira, setembro 06, 2010

Santiago de Compostela

amanhã, outra vez, em Santiago, como esperado.
Saltinho para comprar doces, postais e, sobretudo, ver.
Rápido, porque interessa apoiar a MIM :)

sábado, março 15, 2008

Fado da Procura

Não é bem a mesma coisa, mas a ideia é a mesma. Tenho andado desencontrado de tudo e de todos. Quebrar as rotinas é muito bom, sempre gostei, mas agora às vezes deixa-me extenuado o incerto. Mas também me deixam extenuado os imprevistos que me forçam a voltar à rotina de que vou gostando às vezes. Pronto, nó no cérebro. Não sei se escrevi as coisas como queria. Mas não me apetece procurar outra forma de o fazer.


Primeiro foi a Denise - esperava encontrar-me em Lisboa quando eu ainda estava em Poiares, e eu pensava encontrá-la no Porto aquando da Melopeia de Afectos, mas nessa altura eu teria de estar em Lisboa. Quando ia de Lisboa para o Porto acontecia a Marcha da Indignação dos Professores, e a Denise já não estava na Invicta.


No Porto desencontrei-me da minha função principal: ajudar a Consti a estudar História da Língua II. Outras actividades mais urgentes dela impediram. E fui fazendo companhia nessas actividades comerciais. Ganho sempre quando estou com ela: não me refiro ao Chá Coração da Terra que me ofereceu, ou às bolachas fantásticas, mas sim às trocas intelectuais. E à presença dos gatos, claro (tirei muitas fotos com o telemóvel... nesta dá para ver alguns dos 28 gatos, e também o telefone lá de casa, o gato amarelo - o meu favorito).



Agora a Milai. Era suposto voltar ao Porto, mas a data do exame da Consti mudou, e surgiram outras complicações. Ia ver uma peça a partir do Mia e do Agualusa em Vila do Conde e passar a noite na casa da minha madrinha com alguns amigos dela. Mas é Páscoa, o meu pai faz parte da comissão de festas e enfim... a família faz também, claro. Poderemos estar juntos noutra altura, mas já não será bem igual.

Por fim, desencontrado até no trabalho científico. Não ando com a dissertação para a frente e baralhei datas de envio de resumos para congressos. Descobri ontem que o prazo para o Congresso Internacional sobre Narrativa e Diáspora Portuguesa (1928-2008) acabava hoje... Lá inventei uma coisa à pressa, ontem à noite e hoje de manhã... chamar-se-á: «Um longo caminho nas cores da alma: representação dos portugueses na obra de Mia Couto»... (já revi as outras datas)...

Ainda mais por fim, lá se foi a vontade de ir a Santiago de Compostela. Nem podia ser de outra maneira... (Imagem: Santiago de Compostela, imagem do claustro da Sé de Braga)

E porque gosto muito e tem tudo a ver, ou quase (como disse no início): Fado da Procura, de Ana Moura. Gosto da letra, da música, da voz... e não só... e tem-me acompanhado todos os dias, muitas vezes...

sexta-feira, novembro 30, 2012

Desafio 12:11

novembro... mês de alheamento. este foi. Fui ver «O Profissional» pelo Centro Dramático Galego no Theatro Circo, uma interessante reflexão sobre os conflitos na Sérvia, em galego, claro, pois é preciso ouvir, também, para poder falar. O resto foram livros e filmes, como de costume. Bem como o acompnhar das séries «The Big Bang Theory», «The Walking Dead», «Once upon a time» e «Downton Abbey», as quatro eleitas das muitas que andam por aí mas que não consigo acompanhar...   

livros:

112. Castelos de Cartão, Almudena Grandes, D. Quixote, 160p.*****
113. Os Ares Difíceis, Almudena Grandes, D. Quixote, 562p.*****
114. Cemitério de Elefantes, Dalton Trevisan, Relógio D’Água, 94p.**
115. Um Beijo de Colombina, Adriana Lisboa, Temas e Debates, 174p.*****
116. Ao Rés da Terra, António Borges Coelho, Caminho, 104p.****
117. A Aurora dos Bem-Aventurados, Louis Gardel, Bizâncio, 110p.***(*)
118. Os Ciganos, Sophia de Mello Breyner Andresen e Pedro Sousa Tavares, Porto Editora, 64p.*****
119. A Casa de Papel, Carlos María Domínguez, Asa, 80p.*****
120. Cronicando, Mia Couto, Caminho, 194p.*****
121. E Se Obama Fosse Africano e Outras Interinvenções, Mia Couto, Caminho, 214p.*****
122. Os Poemas Possíveis, José Saramago, Caminho, 190p.****(*)
123. Provavelmente Alegria, José Saramago, Caminho, 100p.***
124. Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, José Saramago, Caminho, 136p.****
125. O Livro Branco, Jean Cocteau, Assírio & Alvim, 104p.***


filmes:

296. The Awakening, Nick Murphy****
297. Un été brûlant, Philippe Garrel***
298. Alatriste, Agustín Diaz Yanes**
299. Bramadero, Julián Hernández*
300. Obsluhoval jsem anglického krále, Jirí Menzel*****
301. World Trade Center, Oliver Stone***(*)
302. The Shining, Stanley Kubrick****
303. Cockneys vs Zombies, Mattias Hoene****(*)
304. Abraham Lincoln: Vampire Hunter, Timur Bekmambetov***(*)
305. Wuthering Heights, Peter Korminsky****(*)
306. Wuthering Heights, Coky Ciedroyc***(*)
307. Wuthering Heights, Andrea Arnold***
308. Guest House Paradiso, Adrian Edmondson****
309. Al final del camino, Roberto Santiago****
310. The Good Night, Jake Paltrow****
311. El Bola, Achero Mañas****(*)
312. Desert Flower, Sherry Hormann****(*)
313. Perfect Criature, Glenn Standring**(*)
314. Outlander, Howard McCain***(*)
315. The Experiment, Paul Scheuring***(*)
316. Savage Grace, Tom Kalin**(*)
317. Gomorra, Matteo Garrone***
318. Alpha Dog, Nick Cassevetes**(*)
319. Safety not guaranteed, Colin Trevorrow****(*)
320. Red Riding Hood, Catherine Hardwicke***(*)
321. 30 Minutes or Less, Ruben Fleischen****
322. Cesare deve morire, Paolo Taviani, Cittorio Taviani****
323. New York, I Love You, Faith Akim (entre outros)****
324. The Dark Knight Rises, Christopher Nolan****
325. Brave, Mark Andrews, Brande Chapman***(*)
326. ParaNorman, Chris Butler, Sam Feu***(*)
327. New Year's Eve, Gerry Marshall***(*)
328. Vamps, Amy Hackerling***(*)
329. The Ruins, Carter Smith***(*)
330. Mother and Child, Rodrigo García****
331. The Loved Ones, Sean Byrne**(*)
332. Linhas de Wellington, Valeria Sarmento****
333. Paraísos Artificiais, Marcos Prado***
334. Chernobyl Diaries, Bradley Parker****
335. Judas Kiss, J. T. Teponapa**(*)
336. The First Grader, Justin Chadwick*****
337. V/H/S, Matt Bettinelli-Olpin (e outros)***
338. Detachment, Tomy Kaye*****
339. Los amantes del círculo polar, Julio Medem*****
340. Another gay movie, Todd Stephens***
341. Another gay sequel: gays gone wild, Todd Stephens**(*)
342. Resident Evil: Retribution, Paul W. S. Anderson****(*)
343. The Bourne Legacy, Tony Gilroy****
344. Thale, Aleksander Nadaas***

sexta-feira, outubro 19, 2012

Galego, dia 1.


 «O que em Portugal é dialectal é padrão na Galiza. E o que é dialectal na Galiza é padrão em Portugal».
 
 

 A UM é uma confusão e pronto. Cheguei mais do que a tempo, mas não havia maneira de encontrar a sala. Encontrei antes uma ex-aluna ;) Afinal, a sala indicada era «proibida» para os simples mortais... era uma sala de arrumações. Voltas e mais voltas, até me decidir ir ao Babelium e lá me disseram para procurar o «Gabinete de Gestão do Complexo Pedagógico I». Medo. Lá descobri a sala, tinha sido erro e arranjaram uma à pressa.

O grupinho parece simpático. Trabalhei mais com um rapaz que estuda Matemática e Computação. Sim, sou o único de Letras, pelo que percebi, o que pode vir a ser interessante. A formadora é... espetacular. Quase in love, claro.

Aprendemos a escrever em cinco minutos, a falar em dez. Muita eficiência. Ahahah. Obrigado, curso feito. Pois sim...

E pronto, deixo-vos uns versinhos de minha autoria, com as palavras de hoje, a assinalar a ocasião:

«unha bágoa se solta sobre a morriña
cando un bico me toca o corazón»
 
 


 
 
Diz a Lídia para ouvir os Luar na Lubre e diz muito bem. Enviou-me estes dois, mas há mais no youtube. A ver se, com tempo, os vou conhecer melhor.
 
 
 
 
 
p.s. - Todo eu me sinto galego, hoje. já ia para Santiago comer feuchos sentado nas escadas laterais da catedral!

segunda-feira, setembro 27, 2010

Gosto. Não Gosto. (versão professor)

Gosto de livros - filas e pilhas deles nas estantes, no chão, nos sofás. Não gosto de certos livros, aqueles que ainda não pude comprar. Gosto de ir para o descampado apanhar amoras, antecipando o gozo de as comer frescas. Gosto de fruta, não gosto do pó. Gosto das pessoas que gostam de fruta, mas não de a descascar, embora descascar pessoas seja interessante. Gosto de gatos, das suas almofadas nas patas e seu dorso de veludo. Não gosto de cães, sua aspereza e língua que acompanha o latir. Gosto de ajudar, de ser útil. Gosto de procrastinar. Gosto das manhãs claras e cheias, das noites com estrelas onde me vejo em inicial, não gosto das tardes inúteis. Gosto de teatro, de filmes e de música que mexe com as emoções. Não gosto de perder tempo. Gosto de bibliotecas e de jardins. Não gosto de cozinhar nem mesmo de comer. Gosto de falar do que é importante e do que não interessa aos outros, mas há-de interessar. Não gosto de demagogia e de manipulação. Gosto de palavrar e de inventar códigos. Não gosto de moluscos nem de marisco. Não gosto de futebol porque é o desporto-rei. Gosto de remar contra a maré só porque sim. Gosto da diferença. Gosto de Maio e da sua poesia. Gosto do cheiro dos livros, dos cravos. Gosto de coisas velhas ao lado de coisas novas. Não gosto de pessoas ocas e medíocres. Gosto de Santiago de Compostela e do Porto como de mim. Não gosto dos três F de Portugal - só de certo Fado. Gosto de Deolinda e de Ana Moura. Gosto de certa Lisboa. Gosto de água, de batidos, de chá a toda a hora. Gosto de Sophia, de Sena, de Pessoa, de Saramago e de tantos outros. Gosto do gel de banho de flor de laranjeira e do champô de mel e karité. Não gosto de sair obrigado, de multidões e de gente sem os meus interesses. Gosto de aprender. Gosto do dúbio, do nebuloso, mas também da exactidão da expressão. Gosto de beijar. Não gosto de fazer compras, mas adoro as feiras do livro. Gosto de férias, do Verão, do calor cheio. Gosto de rio e de praia e de comer churros à beira deles. Gosto de concepções disfóricas e distopias. Gosto de gostar, mas às vezes cansa - gostar todos os dias cansa. Gosto de ler nos fins de tarde da minha terra com vista para o Marão. Gosto de fazer de conta que escrevo alguma coisa que valha a pena ler. Gosto de chocolate e do leite-creme da minha mãe. Gosto de comboio e do rio Douro. Gosto da minha família e dos meus amigos. Gosto de chuva e de trovoada. Gosto mais de gostar do que de não gostar...

domingo, julho 25, 2010

Meu dia


Santiago, meu nome, minha origem, minha cidade-lar. Metaforicamente, claro.
Porque hoje é o dia, e Xacobeo só daqui a 11 anos.




A sério, porquê? Em vez de em Setembro, devia ir já :)


segunda-feira, janeiro 11, 2010

T., ou o eu que se des/en/cobre

Por transmissão . Aqui fica. Com duplos sentidos, claro.



1. O gato não morreu, eu, eu. Ainda cá anda, a miar de manhã à tarde, às vezes parece aos outros que fala Grego ou Árabe, de tal maneira parece dizer coisas estranhas. À noite é mais a cantoria para proquios (bem, alguns vizinhos já deram sinais de ter ouvido).

2. Girassol - mas ao contrário. Ou como um girassol que, no meio dos outros, preferisse ver o espaço subitamente iluminado. Ou, mais linearmente, o girassol que rema contra a maré.

3. Trovoada. Vem poucas vezes, mas quando vem, assusta. E em algumas é devastador. Ter nascido em Maio não foi acidente.

4. Doce-chocolate, com variações: de branco a negro em cinco segundos. Com extras quando necessário, de preferência avelãs, mais pequenas mas certeiras. Não é gémeos de signo por acaso.

5. Livros - a sua vida não daria nenhum, nem nenhum filme. Tentou escrever, e quase fez três livros, entretanto praticamente perdidos pelo gosto do alheio de alguém. Lê-os desalmadamente, tendo noção de que acabarão com ele (atenção ao duplo sentido) - ou talvez se prolonguem numa outra vida. Mas ainda assim. Seus descendentes não serão para os ler.

6. The One - perfume de agora, mostra a sua personalidade egocêntrica, genial, acima da média e, sobretudo, muito modesta.

7. Bartleby - ou a mania da procrastinação, ou do «deixa para amanhã aquilo que podes fazer hoje, o atraso iluminar-te-á». Mas com tudo pronto, investigado e pensado, que depois o fazer se fará.

8. Solitário - aquela jarra para uma flor só. Às vezes dá para duas. Experimente-se o malmequer, é capaz de dar, em vez dos amores-perfeitos... ou vice-versa.

9. Compasso - de um lado marca, do outro pica. Aos círculos, é como gosta de dizer e fazer as coisas, quando elas o incomodam ou vão incomodar alguém. Outras vezes, do nada, acompanha-se de uma régua.

10. Santiago - do nome ao sítio, a marca. Da origem do meu ser: ascendentes, nomes e patronímico. E talvez esta dimensão angelical que muitos lhe atribuem hiperbolicamente. É uma mais uma vertente da sua face criativa.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O suficiente para a frente,


não é, Sandra?
(visto em Santiago)

domingo, outubro 25, 2009

desafio em Outubro

Espacio para la lectura, Santiago de Compostela

Em tempo de trocar de casa - finalmente, embora não por ter demorado a procura, pois a única que fui ver me atraiu logo - tempo também para arrumar esta outra casa, a virtual. Não tenciono voltar cá nos próximos tempos, pelo menos para escrever: os testes acumulam-se, a preparação de aulas sobre obras integrais, a mudança e adaptação. Assim, antecipo já o desafio/sugestões, que não são muitas, concedo, porque a viagem, a Diana e o trabalho deixaram-me cansado (que já estava, da conclusão da dissertação). Mas isto vai animar e já só falta um livro para terminar o desafio :)

Livros:

96. Enciclopedia da Estória Universal, Afonso Cruz, Quetzal, 134p.*****
97. Ética Para Um Jovem, Fernando Savater, D. Quixote, 160p.****
98. Anões e Pigmeus da Pátria, Adulcino Silva, Erasmos, 94p.*
99. Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Mário de Carvalho, Caminho, 320p.*****

Santiago de Compostela

Vista geral, a partir do jardim Carlomagno.


Tinha prometido, cumpro em parte: só imagens, sem grande relato. Há coisas ficam mais guardadas do que reveladas na memória pessoal. E para não priveligiar umas em função de outras, ficam no caderno pessoal do tempo. E as imagens, por vezes, falam por si. Algumas, das cerca de 200. Acrescento só que não me importava de morar lá, uns tempos. Mas mesmo nada.


As lojas das recordações e afins... perdição nos doces e nos típicos.


San Martín Pinario - muito interessante.




Catedral do meu Sant'Iago.


Vieira no chão... muitas por todo o lado!
P.S. - mais fotos aqui.

terça-feira, outubro 13, 2009

brevemente

os relatos de Santiago e do concerto de Diana Krall... isto anda tudo atrasado, pois o tempo, que existe, não chega para tudo, porque ando muito cansado...

sábado, dezembro 08, 2007

50. A luz, os olhos e o poema


Nos olhos do gato, iluminando a noite da escrita do poeta, podia ler-se, ouvir-se, sentir-se. A vela terminava em últimos suspiros de luz, consumida. E o poeta, via das coisas mais pequenas, vivia das basicidades elementares. Na casa escura preenchida de sombras dançantes, o silêncio era quebrado pela luz do gato, que parecia dizer ao poeta para aproveitar o resto da luz da vela, ou então a luz dos seus olhos, enquanto não adormecia. O poeta leu as horas nos seus olhos e pegou na pena. Em tempos já escrevera sobre isso, mas agora aquilo que parecia realmente real, com sentido, não o conseguia tornar em palavras. O outro já o dissera muito bem: «Ó cousas; todas vãs, todas mudaves, /Qual é tal coração qu’em vós confia? /Passam os tempos, vai dia trás dia,/ Incertos muito mais que ao vento as naves». Era tudo, um soneto que não se importava de ter escrito. E afinal tudo passa, já diziam os clássicos. Heraclito e o seu rio de constante corrida e fuga, não passante segunda vez pelo mesmo leito, e a irrecuperável vida passada, a dos montes brancos, das rosas, das rosas e do vinho do tegúrio de Horácio… E as estações, sempre volvendo, como que negando tudo…
Nos olhos atentos do gato, fitos na luz da vela ainda, o poeta lê que as coisas mudam, bem como o próprio homem que as vê e as muda ao mesmo tempo. Talvez só o gato fique igual, nas suas sete vidas imortais e transmigre para outro lado. A mãe já lhe dissera coisas, coisas que eram como pontos de partida. Às vezes, a fala de alguém é um ponto de partida para escrever - «Fez o tempo outra volta», «São voltas que o mundo dá», «uns choram pelo passado e outros pelo presente». Mas faltava alguma coisa. Ou existia alguma coisa que o impedia de escrever. E, no entanto, queria. E só agora fazia realmente sentido falar assim, disto, do perpétuo Inverno e da infindável dor, as únicas coisas não mudáveis. Enquanto a vela se extinguia sem retorno, o gato espreguiçou-se e deslocou-se para a frente do poeta, iluminando a noite. O poeta observava-o, admirando com inveja a sua agilidade e elegância estudadas. Sabia o que queria dizer, sabia como, mas não escrevia. Um ligeiro desconforto de estar mal sentado impedia-o de se abstrair.
Nos olhos do gato leu então: «Nasce o Sol, e não dura mais que um dia». E disse-lhe «Lá virá então a fresca Primavera:/Tu tornarás a ser quem eras dantes, /Eu não sei se serei quem dantes era». O gato saltou então do seu corpo de nevoeiro embrulhado e pousou no álbum que lhe dera Sá de Miranda, com poemas de língua muito parecida com a sua, que copiara em Itália. O poeta abriu-o e à sua frente deslizaram as palavras de um homem de Santiago. E apesar da certeza do amor ali expressa e da falta de angústia manifesta, a última estrofe chamou-o com força:

Todalas cousas eu vejo partir
do mund’ en como soían seer,
e vej’ as gentes partir de fazer
ben que soían, tal tempo vos ven,
mais non se pod’ o coraçon partir
do meu amigo de me querer ben

Pero que ome part’ o coraçon
das cousas que ama, per bõa fe,
e parte s’ ome da terra ond’ é
e parte s’ ome du gran prol ten,
non se pode parti-lo coraçon
de meu amigo de me querer ben

Todalas cousas eu vejo mudar,
mudan s’ os tempos e muda s’ o al,
muda s’ a gente en fazer ben ou mal,
mudan s’ os ventos e tod’ outra ren,
mais non se pod’ o coraçon mudar
de meu amigo de me querer ben

E na sua cabeça um ritmo começou a bater. As palavras foram surgindo; uma vida parecia prestes a nascer da sua mão. Olhou profundamente nos olhos do gato, agradecido. Leu ainda, antes de começar, na luz do futuro dos olhos: «Viva o Parnaso, que desde a sua fundação até hoje não se escreveu soneto igual a este. Pesa mil arrobas de majestade, de elegância e de imagens e de belezas… Só sabe dizer isto com tal limpidez e eficácia quem o tem muito bem trilhado com profundíssima ponderação. E tão comentado e apreciado será que até histórias sobre a sua génese se inventarão».
- Mas só nós dois saberemos a verdadeira – disse-lhe o poeta.
E esquecido das dores e da sua falha, inteirou-se e deu à luz dos olhos do gato a sua letra certa e segura:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
….
Lá fora despontava já o dia e o gato pôde então fechar os olhos.
(ainda precisa de revisão e tal, mas não resisti a publicá-lo. e já só faltam duas histórias para acabar o livro...)

quinta-feira, abril 27, 2006

santiago


houve quem tivesse ido. eu não. fiquei em poiares a preparar aulas que depois correram mal. mas já me ofereceram uma caneca e mandaram-me fotos. esta é uma das fotos do chão que eu não pisei, a chuva que não me molhou, dos reflexos que não presenciei. mas vejo-os, e são tão bonitos...