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quinta-feira, novembro 25, 2010

Desafio em Novembro


: isto é cada vez mais difícil, o cansaço instala-se e o descanso não tem sido suficiente para que ele desapareça efectivamente dos espaços que me formam enquanto corpo e ser pensante. Quase exaurido, com uma vontade louca de mandar meia dúzia de outros dar uma curva ao bilhar grande e mudar radicalmente de vida. Mas enfim, há laços e compromissos. E o meu compromisso comigo mesmo em ser bom, o melhor possível, dentro dos meus limites (ilimitados), impele-me a continuar a necessidade de ler, ver filmes, teatro (A Cabeça de Baptista, de que não gostei particularmente), séries, concertos (Rodrigo Leão e Cinema Ensemble), coisas dessas. Mas o décimo segundo é-me exigente, o décimo deixa-me desalentado, o terceiro ciclo sabe-me a coisa sem fim que já se viu e não acrescenta. Mas deixemos as lamúrias - nem me interessam de facto, e aqui ficam sugestões de coisas bonitas e boas que vivi este mês. Destaque muito para Mário de Carvalho, de quem já tinha lido Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto e Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde - que adorei ler há uns anos -, e de quem decidi ler os outros oito livros que tinha, e ainda bem que o fiz: ironia, humor, reflexões metalinguísticas e metaliterárias, uma enorme erudição e profundo conhecimento do humano, escrita(s) admirável(eis), mesmo ao meu estilo. Ainda.

Livros:
111. O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana, Mário de Carvalho, Caminho, 264p.***
112. A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Mário de Carvalho, Bis/Leya, 96p.****
113. Fabulário, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.***
114. Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano, Mário de Carvalho, Caminho, 136p.*****
115. Apuros de Um Pessimista em Fuga, Mário de Carvalho, Caminho, 80p.***
116. Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina, Mário de Carvalho, Caminho, 228p.*****
117. A Sala Magenta, Mário Carvalho, Caminho, 176p.****
118. A Arte de Morrer Longe, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.*****
119. Diário da Vida de Um Mocho II, João Lobo, Calígrafo, 172p.**
120. a invenção do amor e outros poemas, Daniel Filipe, Presença, 76p.****


filmes:
190. I Love You, Phillip Morris, Glenn Ficarra e John Requa**** (medinho, Ewan genial)
191. Magnitude Máxima, ???**
192. Scoop, Woody Allen***** (de morrer a rir!)
193. Okuribito - A partida, Yojiro Takita***** (tão belo e comovente)
194. José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes***** (já não tenho mais lágrimas possíveis)
195. Virgin Territory, de David Leland**** (acho bem)
196. Letters to Juliet, de Gary Winick***** (pela beleza de tudo)
197. Harry Potter e os Talismãs da Morte, David Yates***** (óptimo início para o fim)
198. À Noite no Museu 2, Shawn Levy***

séries:
além de continuar (acabou ontem) a ver Chuck, de ver o fim de Sobrenatural, vi de enfiada duas séries estranhas (três temporadas cada), com muitas falhas, mas com pormenores engraçados, Dante's Cove e The Lair. Medinho.

domingo, outubro 25, 2009

desafio em Outubro

Espacio para la lectura, Santiago de Compostela

Em tempo de trocar de casa - finalmente, embora não por ter demorado a procura, pois a única que fui ver me atraiu logo - tempo também para arrumar esta outra casa, a virtual. Não tenciono voltar cá nos próximos tempos, pelo menos para escrever: os testes acumulam-se, a preparação de aulas sobre obras integrais, a mudança e adaptação. Assim, antecipo já o desafio/sugestões, que não são muitas, concedo, porque a viagem, a Diana e o trabalho deixaram-me cansado (que já estava, da conclusão da dissertação). Mas isto vai animar e já só falta um livro para terminar o desafio :)

Livros:

96. Enciclopedia da Estória Universal, Afonso Cruz, Quetzal, 134p.*****
97. Ética Para Um Jovem, Fernando Savater, D. Quixote, 160p.****
98. Anões e Pigmeus da Pátria, Adulcino Silva, Erasmos, 94p.*
99. Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Mário de Carvalho, Caminho, 320p.*****

domingo, junho 15, 2008

Poetas de São Tomé e Príncipe

A literatura santomense possui já uma série interessante e considerável de poetas e prosadores. Fiz uma pequena seleccção pessoal dos poetas que conheço, baseado sobretudo em No Reino de Caliban II, de Manuel Ferreira, e em alguns livros soltos. Poderia acrescentar outros, como Alda do Espírito Santo ou Maria Manuela Margarido, ou Albertino Bragança na prosa, mas estes são já um começo. E para compreender melhor a evolução desta poesia, seus temas e motivos, suas aspirações e ideologias, fica aqui um sítio que o faz bem melhor do que eu o poderia fazer.


Eu e os passeantes

Passa um inglesa,
E logo acode,
Toda supresa:
What black my God!

Se é espanhola,
A que me viu,
Diz como rola:
Que alto, Dios mio!

E, se é francesa:
Ó quel beau negre!
Rindo para mim.

Se é portuguesa,
Ó Costa Alegre!
Tens um atchim!

Costa Alegre, Versos (1916)


1619

Da terra negra à terra vermelha
por noites e dias fundos e escuros,
como os teus olhos de dor embaciados,
atravessaste esse manto de água verde
- estrada de escravatura
comércio de holandeses

Por noites e dias para ti tão longos
e tantos como as estrelas no céu,
tombava o teu corpo ao peso de grilhetas e chicote
e só ritmo de chape-chape da água
acordava no teu coração a saudade
da última réstia de areia quente
e da última palhota que ficou para trás.

E já os teus olhos estavam cegos de negrume
já os teus braços arroxeavam de prisão
já não havia deuses nem batuques
para alegrarem a cadência do sangue nas tuas veias
quando ela, a terra vermelha e longínqua
se abriu para ti
- e foste 40'L esterlinas
em qualquer estado do SUL -

Francisco José Tenreiro, Obra poética de Francisco José Tenreiro, 1967


Nova Lira – Canção

Quem embarcou no porão
Fechado a sete chaves,
Apertado entre traves,
Sem ver sol sem ver a lua?
Foi o preto!

Quem deixou a terra,
-filho ingrato que fugiu
ao pai e à mãe que não mais viu,
p’ra ir acabar como um cão?
Foi o preto!

Quem a mata derrubou,
E cavou e semeou
E co’a sua mão de bruto
Cuidou, recolheu o fruto?
Foi o preto!

Quem fez o ‘senhor ’– o patrão;
Lhe tirou da vida aflita
Lhe deu senhora bonita
E importância e situação?
Foi o preto!

Marcelo Veiga, in: Poetas de São Tomé e Príncipe (1963)


Caminhos

Amanhã,
Quando as chuvas caírem,
As folhas gritarem d’esperança
Nos braços das árvores,
Os homens se esquecerem de seus passos incertos,
A força do Sol e da Lua vergastarem,
Implacavelmente,
O resto da terra,

Amanhã,
Quando a força dos rios
Derramar o seu sangue na lonjura dos campos,
O ventre faz flores amadurecerem de filhos,
As pedras do caminho se calarem de dor,
As faces dos homens sorrirem de novo,
As mãos dos homens se apertarem de novo,
Amanhã,
Irei de passadas longas
Pelos caminhos largos e certos,
Irei de passadas longas
Sem coração de conóbia
Ou cintas de panos com bênçãos de Deus,
Irei pelos tenebrosos caminhos da vida,
Irei,
De tam-tam
em
tam-tam,
Irei
Desafiar os mais trágicos destinos,
À campa de Nhana, ressuscitar o meu amor.
Irei.

Tomaz Medeiros, in: Cultura (II – 1959)

Descoberta

Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
Aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.

Conceição Lima, in: Vozes Poéticas da Lusofonia

quarta-feira, março 12, 2008

Dois poemas de Manuel da Fonseca

Sete Canções da Vida

Quarta
Depois que nossos pés andaram toda a terra,
cruzaram caminhos, devassaram florestas, escalaram montanhas
e volveram sangrentos riscando as estradas do mundo;
depois que o mar é um murmúrio azul de águas fáceis
e se foi o mistério que havia nas distâncias,
evaporado como espuma na quilha dos navios;
depois que nossas mãos mergulharam na noite milenária,
tocaram luas mortas, revolveram estrelas
e enfim! acenaram escorrendo luz de sóis:
- por que não vamos colher os frutos que nós semeámos?
porque não vamos, irmãos, porque não vamos?!

**************

Adormecer

Vai vida na madrugada fria.

O teu amante fica,
na posse deste momento que foi teu,
amorfo e sem limites como um anjo;
a cabeça cheia de estrelas...
Fica abraçado a esta poeira que o teu pé levantou.
Fica inútil e hirto como um deus,
desfalecendo na raiva de não poder seguir-te!


Poemas Completos, Portugália Editora, p.11, 147

quarta-feira, maio 10, 2006

Inventário das Coisas Sós (pequenos excertos de uma grande obra ainda por escrever)

No início era o verbo, assim dizem. Deus, sozinho no seu poder, cria o universo, as estrelas e planetas em redor delas, satélites em redor deles. Nesses planetas, ou pelo menos num deles, cria uma série vidas que culmina no homem. Há quem diga que tudo foi criado para o homem, que na altura era apenas Adão, o grande nomoteta da história. Mas na verdade, ou na minha, Deus fez tudo por um acto egoísta e um pouco louco de destruir a sua solidão infinita. Pouca sorte teve, pois logo teve de expulsar os seus novos amigos porque estes se portaram menos bem. No meio disto tudo não sei onde ficam os anjos nem as outras pessoas que são Deus: uma pessoa trina não pode sentir-se só… mas nem todas as Pessoas são compreensíveis às luzes da lógica e da matemática.




Todos os degraus da escada sentiram o seu peso e se prestaram como encosto para as costas curvadas pela avidez ainda, mas cada vez menos, cega de ler nitidamente. Por vezes rangiam como se lhes custasse ou então como se se condoessem com situação tão estranha. E também eles, todos seguidos uns aos outros, permitindo reinventar constantemente o mito de Ícaro, numa versão mais segura, se sentiam sozinhos porque nunca estavam no mesmo plano para poderem ser-se iguais. E, no fundo, o soalho de madeira era apenas uma escada cujos degraus tinham conseguido superar o estado de desigualdade e unir-se solidamente. Ou o contrário – talvez no início tudo fosse conjunto e só com o passar dos tempos as coisas se transformaram e se tornaram sós.


Naquela noite os livros pareciam respirar. Por entre as cortinas brancas, algumas esfarrapadas, os seus sussurros eram cicios mornos, estranhos, roçando as orelhas, a nuca, o pescoço. Deitado no chão, Alberto sentiu uma súbita tentação de volúpia, um desejo de ternura, de contacto, de entrega e abandono de si. As mãos, tantas vezes vazias, enchiam-se agora de desejo satisfeito, a pouco e pouco. Cá fora, as folhas agitavam-se com o vento nocturno e algumas amoras mais maduras caíam no chão.

domingo, abril 01, 2012

Desafio 12: 3

Livros:

23. Obra Poética, Federico García Lorca, Relógio D’Água, 694p.****
24. Se eu fosse um Livro, José Jorge Letria e André Letria, Pato Lógico, 60p.*****
25. No Vórtice da Noite, Adalberto Alves, Argusnauta, 128p.***
26. O Jardim das Delícias, Fernando Pinheiro, Calígrafo, 128p.***
27. Contos Gregos, António Sérgio, Sá da Costa, 64p.****
28. Purosexo.com, Dennis Cooper, Bico de Pena, 208p.**
29. Uma Aventura no Sítio Errado, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 180p.***
30. Senilidade, Italo Svevo, Público/Mil Folhas, 192p.***(*)
31. Manual para Amantes Desesperados, Paula Tavares, Caminho, 38p.****
32. A Roma Antiga e o Império Romano, Michael Kerrigan, Livros e Livros/BBC, 96p.****
33. Arte Greco-Romana, Susanna Sarti, Scala, 256p.*****

Filmes:

59. The Girl with the Dragon Tattoo, David Fincher****
60. The Iron Lady, Phyllida Lloyd***(*)
61. Ricky, François Ozon***(*)
62. 50/50, Jonathan Levine*****
63. Kung Fu Panda 2, Jennifer Yuh***(*)
64. Anonymous, Roland Emmerich***(*)
65. Blacklight, Fernando Fragata***(*)
66. The Jane Austen Book Club, Robin Swicord***(*)
67. Bridesmaids, Paul Feig****
68. Barry Lyndon, Stanley Kubrick****
69. A Dangerous Method, David Cronenberg***
70. The Adventures of Tintin, Steven Spielberg****(*)
71. Chico e Rita, Fernando Trueba (...)***(*)
72. The Fall, Tarsen Singh****(*)
73. The Grey, Joe Carnahan**(*)
74. My Week With Marilyn, Simon Curtis*****
75. J. Edgar, Clint Eastwood***(*)
76. Testosterone, David Moreton***
77. Main Street, John Doyle***
78. Stolen Lives, Anders Anderson****
79. Albert Nobbs, Rodrigo García***(*)
80. Delicatessen, Jean-Pierre Jeunet*****
81. Cars, John Lasseter, Joe Ranft****
82. Transporter 3, Olivier Megaton***
83. Tristam Shandy: A Cock and Bull Story, Michael Winterbottom****(*)
84. La Dolce Vita, Federico Fellini****

Outros:
Março foi mês para concertos diferenciados, como o da Banda de la Escuela Municipal de Música de Medina del Campo, a fim de marcar a geminação entre Braga e Medina del Campo em torno das celebrações pascais, o de Os Capitães da Areia, na FNAC, enquanto estava a ver livros e tal, depois parei lá um pouco a ver a atuação, e o genial concerto, no Theatro Circo, de Marco Rodrigues e de Mafalda Arnauth (primeiro ele, depois ela, depois ambos juntos):




Algumas exposições, também. Primeiro, com a minha irmã, fui a Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?, sobre Anne Frank, no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, recriando o espaço de um campo de concentração para, através de painéis, contar a história e o testemunho do Holocausto. Vi ainda O Mundo dos Dinossauros, no Porto, com minha irmã, Milai, Áurea e Ricardo, que nos pareceu um pouco... ridícula... Por fim, Ele vai passar por ti! Olha-O!, uma exposição dos alunos de artes do colégio, na Casa dos Crivos, com fotografia e pintura sobre a Páscoa - muito boa!
Nas séries, vi episódios soltos de  Big Time Rush, uma série juvenil engraçadinha, mas é só isso, engraçadinha. E vi, de enfiada, entusiasmado, mas por vezes a pensar «porquê???», Downton Abbey, de que gostei bastante, não fossem algumas situações excessivas, aparecimentos sem consequências a não ser tornar a série mais longa, como se a ideia inicial de ser uma minissérie não fosse afinal válida. Mas, ainda assim, vale muito a pena!

sábado, fevereiro 04, 2012

gatos


Perante a beleza

O gato não é um simples animal
é um pedaço de Deus mas mais divino
sem aquelas horrendas histórias de incestos
dilúvios punições e outras derivações.
O gato não come nem bebe
ele apenas ingere para não ser notado
pois da última vez que o não fez acharam-no o Diabo
ou que ajudava as bruxas nos seus afazeres.
Quando anda pelos telhados quentes
é um bailado com uma música que só ele escuta
as ondas vêm e vão como num oceano
mas elas são quentes e terminam em garras.
O gato não morre mesmo depois das suas sete vidas
vai para o paraíso rasgar sofás e miar à Lua
e de vez em quando é visível nos raios de Sol
que nos batem no rosto e então
temos de fechar os olhos.

****


Em Roma, os gatos são múltiplos e têm um templo.
Lá, todos lhes levam alimentos como antiga oferenda.
Desconfio que são os deuses todos em forma visível.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Poema de Natal, 2010


Natal de 1972

Neste comércio festivo que há dois mil anos quase
perdura mal cobrindo remendadamente
o solstício do Inverno e os deuses sempre vivos
de cuja falsa morte o mundo paga em crimes,
como em vileza humana, o medo que escolheu
quando ao claror da aurora rósea e livre
de viver como os deuses e com eles
preferiu a lei e a ordem projectadas
na sombra em sombras da caverna obscura
e desejou o mal em preço de ser-se homem —
tudo o que em milhares de anos é tribal
congrega-se feliz num doce rebolar-se
da traição de que fomos contra a vida.
Tão vil que levou séculos a inventar
um deus assassinado para desculpá-la,
e fez dele o comércio das famílias
que cortam no peru as raivas de existirem,
beijando-se visguentas, comovidas,
tal como têm babado os pés dos deuses,
ah não eles mesmos mas imagens vãs
que não resplendam da grandeza humana.
Alguma vez teremos o dinheiro
para comprar de novo o Paraíso,
em vez de prendas para o sapatinho?
O Paraíso aqui — aquele que venderam
no começar do mundo. E que nos trocam
por outros no futuro ou nos aléns,
agora, aqui, aberto a todos, claro
- um sol sem fim nos bosques ou nas praias,
uma nudez sem morte nos corpos sem alma.


Jorge de Sena, in: Natal... Natais - Oito séculos de Poesia sobre o Natal, antologia organizada por Vasco Graça Moura (Público, 2005:275)

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Composto de Mudança

Já está, completo e escrito, o meu pequeno livro de contos. 52 histórias, escritas ao ritmo de uma por semana, mais ou menos, durante este ano, fruto de um desejo-promessa de fim de ano de 2006 como forma de garantir alguma sanidade mental. Recuperei algumas antigas (*), mas quase todas são novas, e as que não são passaram-no a ser, de tão remodeladas que foram. Acabei mais cedo do que o previsto, porque houve algumas fases de súbita inspiração ou disponibilidade para isso, e aproveitei, para compensar alguma fase menos produtiva. Mas estão prontos. Seguir-se-á outro projecto, futuramente. A árvore já foi plantada, o livro escrito. Quase realizei o mais importante da vida de um homem… Falta... faltam mais livros!

Alguns contos aparecem aqui no blog, se bem que nem sempre no seu “estado final”:

1. Magnífico caos
2. A casa dos corações partidos
3. Estória de amor pouco comum
4. Auto(r)fagia
5. Formas de morrer-se
6. A palavra gato morde
7. Uma gaivota
8. A peça (*)
9. Sonho… ilusão… retorno
10. A estória nenhuma
11. Engatinhar-se
12. Iniciação (*)
13. Hero (*)
14. Eva (*)
15. Composto de mudança
16. Monónimo (*)
17. Maias
18. Um dia extraordinário na vida de Eduardo Afonso
19. Pais (*)
20. A eternidade
21. Caro Alberto Caeiro (*)
22. Revisitação (*)
23. O que o tempo faz (*)
24. O falso turista
25. A fotografia
26. A casa de chá
27. Pedagogia (*)
28. O deus, as escadas e o pijama
29. A meio caminho para lado nenhum
30. A casa das raposas
31. Primavera
32. Teoria das cores
33. Roteiro da perdição
34. 3g de açúcar
35. As pequenas grandes dores
36. Os finalistas
37. Pelos meus olhos
38. A ronda da noite
39. Casamento: nó e mousse de frutos silvestres
40. O prodígio de Nossa Senhora das Neves
41. Na volta do homem
42. O piolhoso
43. Sobre o mesmo barco (*)
44. Confiança e reconhecimento
45. Trazer a chuva
46. Miaugente
47. Chá para um
48. Noites de amor e de música
49. Tudo sobre os comboios
50. A luz, os olhos e o poema
51. Baixa no Natal
52. 7 vidas ou o regresso do gato

segunda-feira, outubro 24, 2005

Notas de um estagiário de Português, para os outros estagiários seus colegas, amigos e simpatizantes.

Primeiro: isto não segue uma estrutra lógica ou organizada. É assim que o estágio nos deixa, às vezes. Isto é uma espécie de texto-coisa meio híbrido, sem planemamento nem revisão – ou seja, o oposto daquilo que ensinamos e defendemos como essencial nos trabalhos dos nossos alunos.


Segundo: estágio, nestes moldes actuais (2005/2006) é um grande pónei (vá, façam o gesto a acompanhar a expressão). Para já. Não há informações de parte nenhuma e cada orientador vai fazendo como quer, apalpando às escuras. E isto é como o sexo: há bons e maus guias de exploração do terreno. Só uma coisa é certa: não há remuneração nem subsídios para ninguém...

Terceiro: os colegas do núcleo foram, obviamente, escolhidos unanimamente de entre 21 candidatos ao lugar de parceiros de mim para o pseudo-trabalho...

Quarto: a escola é problemática, tem alunos difíceis, com dificuldades e necessidades óbvias. Mas há de tudo, como em todas as escolas. Mas é necessário destacar a nossa turma do sétimo ano onde todos os problemas se conjugam: não sabem ler, nem escrever, nem portar-se na sala,... de brinco na orelha, de boné – de um lado, ou umas peixeiras do outro lado, com a mania que sabem muito daquilo... e a média da idade ronda os catorze-quinze anos... (!)

Quinto: o trabalho, para já, tem sido do pior – mas já começa a ser reconhecido. Grande liberdade em relação ao sétimo ano, o que se traduz em criatividade, originalidade... mais trabalho. Sim, era muito mais fácil escolher os textos já sugeridos pelo programa e pronto...

Sexto: a gaivota entra pela janela. Mas também o gato. E as pombas. Meu Deus, parece um jardim zoológico, em que não faltam os camelos e os burros ;) Perto do mar é normal que tudo tenha uma outra vida – e o seu encanto especial.

Sétimo: reuniões estranhas, grandes palhaçadas. Mas salva-se a orientadora: tem jeito para a coisa (palavra que não deve ser usada, demasiado imprecisa e vaga, já dizia a nossa querida I.M.Du.).

Oitavo: e só não escrevo uma carta de expectativas porque há coisas mais importantes para fazer, tipo, discutir exercícios para explicar a diferença entre há e à (com acento grave, claro).

Nono: bem-vindos ao pior ano das nossas vidas. Ou talvez não...


(escrito na segunda semana de estágio...)

sexta-feira, maio 23, 2008

23 de Maio

23 de Maio é o 143º dia do ano no calendário gregoriano (144º em anos bissextos). Faltam 222 para acabar o ano.

Eventos históricos
1179 - O Papa Alexandre III emite a bula Manifestis Probatum em que reconhece Portugal como Reino independente.
1430 - Joana d'Arc é capturada pelos borgonheses e entregue aos ingleses.
1535 - O português Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, funda a cidade de Vila Velha, cujo nome original era Vila do Espírito Santo.
1555 - Paulo IV eleito Papa.
1563 – Paulo III autoriza a criação do Tribunal da Inquisição do Santo Ofício.
1568 - A Holanda declara independência da Espanha.
1788 - A Carolina do Sul se torna o oitavo estado dos EUA.
1618 - A Segunda Defenestração de Praga precipita a Guerra dos Trinta Anos.
1805 - Napoleão Bonaparte é coroado Rei da Itália, com a Coroa de Ferro da Lombardia, na Catedral de Milão.
1813 - O líder Sul-Americano da independência Simón Bolívar entra em Mérida, à frente da invasão da Venezuela, e é proclamado El Libertador.
1830 - Inaugurado o primeiro ramal ferroviário para transporte de passageiros das Américas, ligando as cidades norte-americadas de Baltimore e Ohio.
1844 - Em Shiráz, Siyyid Ali Muhammad, o Báb, declara-se portador de uma Mensagem enviada por Deus, vindo a ser Precursor de Bahá'u'lláh.
1846 - O México declara guerra aos Estados Unidos. É a Guerra Mexicano-Americana.
1873 - Fundação da Polícia Montada do Canadá.
1911 - Inauguração da Biblioteca Pública de Nova Iorque.
1929 - É lançado o primeiro desenho animado falado de Mickey Mouse, The Karnival Kid.
1930 - O dirigível Graf Zeppelin faz sua primeira viagem ao Brasil.
1932 - No Brasil são mortos cinco estudantes paulistas (Miragaia, Martins, Dráusio, Camargo e Alvarenga). Surge a sigla "MMDCA" utilizada como bandeira pelos paulistas.
1945 - Heinrich Himmler, braço direito de Adolf Hitler e líder da GESTAPO comete suicídio na prisão.
1949 - Estabelecimento da República Federal da Alemanha.
1969 - A banda The Who lança Tommy, a primeira ópera rock.
1979 - Greve dos jornalistas do Estado de São Paulo, Brasil.
2003 - Fato científico: nasce o primeiro clone de um cervo, Dewey.

Nascimentos
1052 - Rei Felipe I da França (m. 1108).
1707 - Carl Lineu, botânico (m. 1778).
1741 - Andrea Luchesi, compositor italiano (m. 1801).
1810 - Margaret Fuller, jornalista e feminista norte-americana (m. 1850).
1834 - Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês (m. 1890).
1865 - Epitácio Pessoa, presidente brasileiro (m. 1942).
1887 - Thoralf Skolem, matemático norueguês.
1891 - Pär Lagerkvist, escritor sueco, vencedor do Prêmio Nobel (m. 1974).
1908 - Annemarie Schwarzenbach, escritora suíça
1924 - Hilton Gomes, jornalista e locutor brasileiro, apresentador do primeiro noticiário do país.
1933 - Othon Bastos, actor brasileiro.
1945 - José Agripino Maia, político brasileiro.
1946 - Antipapa Gregório XVII, de seu nome Clemente Domínguez y Gómez (em Espanha).
1951 - Anatoly Karpov, jogador de xadrez russo.
1970 - Bryan Herta, piloto norte-americano de corridas.
1972 - Rubens Barrichello, piloto brasileiro de Fórmula 1.
1974 - Jewel, cantora norte-americana.
1980 - Theofanis Gekas, futebolista grego.
1983 – Tiago Aires, génio português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2030 e da Paz de 2031. Recusou o da Medicina por não se sentir com ela relacionado.

Falecimentos
1125 - Henrique V da Germânia (n. 1081).
1304 - Jehan de Lescurel, poeta e compositor.
1498 - Girolamo Savonarola, frade dominicano italiano (executado) (n. 1452).
1523 - Ashikaga Yoshitane, Shogun japonês (n. 1466).
1670 - Ferdinando II de Medici, Grão Duque da Toscana (n. 1610).
1701 - Captain Kidd, pirata escocês (n. 1645).
1857 - Augustin Louis Cauchy, matemático francês (n. 1789).
1886 - Leopold von Ranke, historiador alemão.
1906 - Henrik Ibsen, dramaturgo e poeta norueguês(n. 1828).
1931 - Roque Callage, escritor brasileiro (n. 1888).
1934 - Bonnie & Clyde são mortos numa emboscada policial, em Bienville Parish, Louisiana.
1945 - Heinrich Himmler, oficial alemão e comandante das SS durante a Segunda Guerra Mundial (n. 1900).
1956 - Gustav Suits, poeta estoniano (n. 1883).
1963 - August Jakobson, escritor estoniano (n. 1904).
1966 - Manuel da Conceição Afonso, um dos presidentes do Sport Lisboa e Benfica.
1984 - Milton Corrêa Pereira, bispo católico (n. 1919).
1986 - Sterling Hayden, ator estadunidense (n. 1916).
1999 - Jerônimo Mazzarotto, bispo católico (n. 1898).
2005 - Arrelia, palhaço brasileiro.

Feriados e eventos cíclicos
Brasil - São Paulo - Dia do Soldado Constitucionalista.
Brasil - Espírito Santo - Dia da Colonização do Solo Espírito-santense.


Em wikipédia, com alguns acrescentos. Duvido de algumas datas e tal, mas tudo bem.

Obrigado a todos os que telefonaram, mandaram sms, mensagens no hi5, no msn, em emails, enfim... e em especial à família que veio quase em peso ver-me apagar de um só sopro as 25 velas deste ano. Quem nãos e lembrou ou assim não faz mal. Agradeço também as palavras da Denise no seu blog, mais uma vez. Algumas prendas depois (as outras serão, como de costume, adquiridas por mim na Feira, e depois apresento as contas e tal...), e alguma fruta: duas fotos: o bolo que a minha irmã gentilmente fez - bolo mármore (um pouco aldrabado, com nozes lá dentro, coberto por doce de pêssego e ornamentado com morangos da horta, pêssegos de lata e cerejas oferecidas - sim, aquelas coisas pretas são cerejas e não azeitonas!!!); e o que mais havia - sumo de laranja, champanhe, salada de fruta (morango, ananás, pêssego) e coquinhos. Pouco, sim, mas eu já estou velho para estas coisas e lá arranjei maneira de pôr toda a gente a comer fruta ;)

sexta-feira, março 11, 2011

três poemas de David Mourão-Ferreira

Inscrição sobre as ondas

Mal fora iniciada a secreta viagem,
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que o deus me segredou.


**

Itinerário Grego

I

Há sempre na vigia uma ilha que oscila
entre a gola do Mar e o turbante do céu

Mas de todas somente a que se chama Ítaca
parece a rapariga à espera de eu ser eu


***

Os Sinais

I

Olhar de frente o Sol Assim se aprendem
as letras iniciais da Solidão


David Mourão-Ferreira, Obra Poética, Lisboa: Presença, 1988: 27, 210, 251

domingo, setembro 24, 2006

A Intertextualidade em actividades de leitura orientada na aula de língua materna

É amanhã que eu e a Su, a minha querida colega de estágio e amiga, sobretudo, vamos apresentar o nosso trabalho de seminário deste ano, na FLUP. fomos escolhidos para este dia especial para os novos estagiários. e aqui fica um cheirinho muito pequeno do nosso trabalho, mas só as epígrafes - que melhor maneira de falar de intertextualidade se não ir aos textos e deixá-los falar!!!



“A escrita que estava gravada naquelas tábuas era da mão de Deus, que ali tinha escrito os seus dez mandamentos, e tinha-os escrito duas vezes para marcar a sua importância, (…)”

Êxodo, XXXII-16


“is a fashionable term, but almost everybody who uses it understands it somewhat differently”

Heinrich F. Plett, Intertextuality


“a intertextualidade é entretecida pelo diálogo de vários textos, de várias vozes e consciências”.

Aguiar e Silva, Teoria da Literatura


“Mas nem assim deve entender-se que é possível e legítimo falar de intertextualidade, sempre que (e apenas porque) uma vaga semelhança eventualmente aproxima dois textos”

Carlos Reis, O Conhecimento da Literatura


“«Mas esta frase não me soa a novidade. Aliás, toda esta passagem, parece-me que já a li». É claro: são temas que se repetem, o texto é tecido por estes vaivéns, que servem para exprimir o flutuar do tempo. És um leitor sensível a estes requintes, tu, sempre pronto a captar as intenções do autor, não te escapa nada.”

Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante

domingo, dezembro 07, 2008

Alçada Baptista, 1927/2008

Descobrem-se assim as coisas. Estava a abrir o email e aparece a notícia. Reconheço que nunca me disse nada nem nunca li nada do senhor, mas quando escritor morre, mesmo ficando o que de mais importante escreveu (em princípio), fica sempre o lamento por aquilo que não chegou a ser escrito.
Advogado e escritor, publicou ensaios, crónicas, romances e ficção, cujas características princípiais estão as narrativas imaginárias e as memórias pessoais, o interior do Homem, o afecto, a mulher...

Obra:

Documentos Políticos (crónicas e ensaios) (1970)
Peregrinação Interior I - Reflexões sobre Deus (1971)
O Tempo das Palavras (1973)
Conversas com Marcello Caetano (1973)
Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança (1982)
Os Nós e os Laços (romance) (1985)
Catarina ou a Sabor a Maçã (1988)
Tia Suzana, Meu Amor (romance) (1989)
O Riso de Deus (romance) (1994)
A Pesca À Linha, Algumas Memórias (1998)
A Cor dos Dias (2003)

O segundo, o terceiro, o quinto e o último parecem interessantes, só pelo título. Informação recolhida aqui e aqui.

Palavras do autor:

«- Essa é uma das minhas dúvidas: um homem e uma mulher não podem viver na dialéctica e muito menos nesta pedagogia doméstica de se ensinarem como é que um quer o outro. O futuro não vai conhecer a dialéctica e o amor entre duas pessoas tem que ser o nosso ensaio de futuro, pelo menos aquele que nos é mais acessível. Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade. Não pode ser outra coisa, se quisermos acabar com este espectáculo triste em que todos andamos metidos. Eu só aceito catástrofes naturais: os tremores de terra, as inundações, as secas, os ciclones, a morte. Não posso aceitar esta destruição domiciliária dos sentimentos e da vida pela vontade deliberada dum homem e duma mulher que é o que se anda pr'aí a viver com o nome de amor...»

de Os Nós e os Laços

sexta-feira, julho 17, 2009

Hoje, Mia Couto

Mia Couto, na Centésima Página, para falar do novo livro, Jesusalém. Ok, admito, durante muito tempo pensei que era Jerusalém - e achei estranho, porque Gonçalo M. Tavares teve muito sucesso com um livro com este título e assim, tão próximo, parecia-me excessivo... e até pensei que por causa disso o romance tivesse recebido o título de Antes de Nascer o Mundo, no Brasil, mas não foi por isto, então... Sei que comecei a lê-lo, enquanto esperava que me dissessem se continuava ou não no colégio (e sim, continuo), e estou a adorar (só não adorei a ideia de continuar com a minha turma no secundário e de, por razões técnicas, não continuar com a minha turma de segundo ciclo...); não era para ler já, queria esperar pelas férias para apreciar melhor e ler antes tudo o que me falta ler do antes. Mas o Mia vem cá falar hoje e apetece-me ouvi-lo sabendo um bocadinho do que se trata. É muito bom, a fazer lembrar o Terra Sonâmbula e O Outro Pé da Sereia, e a fugir ao anterior, Remédios de Deus e do Diabo - pelo menos para já, o que é bom (e vou ter Estudo Acompanhado...).

quinta-feira, novembro 13, 2008

um poema de Tamara Kamenszain

Gentios

Deus escreve a diferença
no espelho da desordem genética
se me olho desconto meu duplo
se te vejo acrescento tua metade.
Diferença idêntica
faz rir de tanto nos parecermos
área à semita judia o ário
loucos soltos fechados juntos
protegidos sob a intempérie sem fio
como animais ante seu próprio enterro
pelos restos do campo.
Nesse lugar descampado
nesse perímetro que nos concentrava
eu sou aquela que morreu por ti
e por tua gentileza ainda sou
a que te deixou
---------------morrer.
Deus nos arquivará distintos
sem seu livro dos parentescos
no velho eu você no novo
dois testamentos na fossa comum
e depois
--------que nos identifiquem.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Grandes Portugueses

o programa da rtp está a tentar eleger o maior português de sempre. há quem diga que é d. afonso henriques, embora na altura portugal ainda não existisse, outros acham que é vasco da gama, embora tenha tido a necessidade de partir daqui para a índia. pronto, agora a sério. as listas são um grande pónei, que têm nomes que valha-me Deus, sobretudo se virmos os que faltam. por exemplo, tem Maria de Medeiros e Joaquim de Almeida mas não tem o Herman José, tipo... Tem Eugénio de Andrade mas não Sophia ou Ruy Belo. E Salazar no meio disto tudo? mas parece que a lista é apenas um início e que irá sendo construída aos poucos (não se admirem se aparecer o Tino de Rans (ou Rãs) ou o Claúdio Ramos).

agora mais a sério, o maior português... não é muito difícil. eu, claro que não, até porque sou muito pouco português de temperamento. não. o Pessoa, claro. se não foi o maior, pelo menos foi muitos, pelo menos 27, entre os quais: Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alexander Search, A. A. Crosse, Chevalier de Pas, Charles Robert Anon, H. M. F. Lecher, António Mora, Vicente Guedes, Barão de Teive, Jean Seul, Bernardo Soares...

sexta-feira, julho 07, 2006

Lista de Livros para as Férias

Como vem sendo uso, aqui estou eu a divulgar a lista de livros para as férias de Verão. Como já começaram (desde o famoso dia 31 de Maio…) alguns deles já foram lidos, outros esperam nas estantes e na mesinha de cabeceira (que tem sempre cinco, ao contrário do número três aconselhado pela minha Luz Inspiradora), e outros tentam imiscuir-se pelo meio, e bem gostaria, mas o tempo foge sem deixar hipótese de satisfação. No entanto, são quatro meses de muitas leituras, devem ter algum resultado, além do prazer… Assim, já li:

1- Um Estudo em Vermelho – Arthur Conan Doyle
2- O Aleph – Jorge Luís Borges (fantástico: os labiritos, os tigres, os livros… a juntar ao deserto, o infinito e o jogo de xadrez…)
3- Todos os Nomes – José Saramago (muito bom, mas não o melhor. Só para quem gosta de Saramago a sério)
4- 4 Contos de Puchkin
5- Novelas do Defunto Ivan P. Bélkin – Puchkin
6- Metade da Vida – Francisco José Viegas (é poesia, e alguns poemas são muito bonitos)
7- Satíricon – Petrónio
8- O Rapaz de Bronze – Sophia
9- Fim de Partida – Samuel Beckett
10- Três Contos de Máximo Gorki
11- O Código da Vinvi – Dan Brown (sim, li finalmente e até gostei de algumas coisas, mas tem muitos póneis, claro)
12- A Noite de Natal – Sophia
13- Anais de Pena Ventosa – Pedro Eiras (potente, fantástico, maravilhoso – com algumas partes um pouco secas – mas fala de tudo: Deus e Igreja, amor, Idade Média, Portucale e passagem a Porto, a vida, a solidão, a amizade. Cheio de intertextualidades dissimuladas ou identificadas. Realista e fantástico. Numa palavra: esmagador!)

Espero ler até ao final de Setembro:

14- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
15- O Fantasma dos Canterville e Outros Contos – Oscar Wilde
16- Mrs. Dalloway – Virgínia Woolf
17- Gargântua. Pantagruel – Rabelais
18- O Outro Pé da Sereia – Mia Couto
19- Macandumba – Luandino Vieira
20- Felicidade – Will Fergunson
21- Confissões de Narciso -Autran Dourado
22- A Ilha do Dia Antes – Umberto Eco
23- O Senhor Ventura – Miguel Torga
24- O Monte dos Vendavais – Emily Bronte
25- Bíblia: o Novo Testamento (é mais pequeno, para começar…)
26- Alegria Breve – Vergílio Ferreira
27- Poesia – Manuel Alegre
28- Poesia I, II, III – Fernando Pessoa
29- Poesia – Álvaro de Campos
30- O Futuro em Anos Luz (antologia de poesia portuguesa do séc. XX)

Imiscuições (eu sei que a palavra não existe mas é possível):

31- A Ciranda de Pedra – Lygia Fagundes Telles
32- A Vida Verdadeira de Domingos Xavier – Luandino Vieira
33- A Casa Velha das Margens – Arnaldo Santos
34- Sinais de Fogo – Jorge de Sena
35- Dom Casmurro – Machado de Assis
36- O Outono do Patriarca – Gabriel Garcia Márquez

quinta-feira, maio 25, 2006

o que faz falta (trabalho de seminário a partir de uma crónica de M L Lepecki)

O que faz falta

O que faz falta, para Maria Lúcia Lepecki, nestas questões de poesia no ensino secundário, é deixar a poesia ser poesia: “superfície e profundidade”, “mistério”, “musicalidade”, “representações e significados”.
O que faz falta é uma verdadeira metodologia do ensino da poesia. Não só no ensino secundário e obviamente. Já no ensino básico os alunos lêem uns poucos poemas, tendo ainda a ideia de que os poetas não são “umas pessoas muito normais” e que “os poemas são textos difíceis”. E os professores partilham da opinião, colocam os poetas de lado e continuam com o texto narrativo. Até que os alunos chegam ao ensino secundário e são confrontados com Sophia, Torga, Eugénio, Herberto ou Al Berto nos seus poemas ligeiramente mais difíceis e as dificuldades aumentam, bem como o desinteresse e o “desprazer”.
Interessante e necessário será motivar os alunos desde muito cedo para a fruição estética da língua, do poema na sua componente verbal: sons, ritmos, cadências, rimas, repetições, prolongando a infância onde já se contactou com trava-línguas, lenga-lengas e adivinhas. E conduzir os alunos gradualmente para o jogo que a poesia encerra em si, para a poesia visual, para os poemas tradicionais, para os grandes poetas nas suas composições mais simples (aparentemente), de sabor medieval, até. E começar também, de forma provocatória, a desmistificar a poesia: todas as palavras são permitidas, tudo é assunto para a poesia, “tudo é tempo de poesia”. E então surgem os grandes temas, acompanhados de metáforas, comparações, imagens, hipérboles: vida, amor e morte – e todos os assuntos a eles ligados.
Introduzir os alunos na “cidade da poesia” é possível recorrendo ao desafio, “ao mistério” e à “questão de superfície e de profundidade”. Mostrar que um poema pode ser interpretado de diversas formas, dependendo da leitura que se faz dele – individual ou colectiva, contextualizada ou descontextualizada, analítica ou expressiva. A poesia é para ser lida (ou comida), mas em voz alta, com todas as técnicas que se aconselham: boa colocação de voz, volume adequado, expressividade, respeito pelo ritmo, acento de determinadas palavras-chave. E reler, muitas vezes, até que o poema fique em nós, sempre pronto a ser activado em qualquer altura. E reler novamente até que a sua forma e estrutura se justifiquem por si mesmas, tudo comungue de uma unidade própria que poderá ser destruída por uma outra forma de unidade, vista por outro leitor, mas que não deixa de ser a nossa forma, com todas as virtudes e falas inerentes. E só assim o poema será dito, ou antes, passado aos alunos. Só pela técnica do jogo ou pela técnica do encantamento podemos seduzir os alunos para os mistérios da poesia.
Na prática docente, isso poderá ser difícil. Das aulas que observei no sétimo ano, as adivinhas e trava-línguas seduziram os alunos, “A Nau Catrineta” também teve os seus efeitos positivos, mas “Chuva Fina” de Cecília Meireles foi já um choque para o qual os alunos não estavam preparados. Poesia próxima deles, com as inquietações deles funciona melhor. Nas aulas de reforço, pude trabalhar com alguns o ritmo do Hip Hop de Boss AC em “Que Deus” por confronto temático com “Os Senhores da Guerra” dos Madredeus – e a sedução foi de outro género. Foi sedução efectiva.
No décimo segundo ano, em que o programa e o fantasma do exame final não permitem perdas de tempo, nota-se uma difícil abertura e compreensão da poesia de Pessoa. Ainda me lembro de tentar dar o poema “Pobre e velha música” de Pessoa, em que tentei demonstrar, entre outras coisas, a importância da escolha das palavras que, alteradas, mudam todo o sentido do texto: e era apenas o caso de uma preposição “inocente”. Ou Alberto Caeiro (anti-poeta) de que os alunos gostaram, o “senhor estranho” que vê as coisas como elas são, sem inventar para elas realidades outras. E os alunos aperceberam-se de que convivem com a poesia no dia-a-dia, que nasceram com ela, pois entendiam as refutações do “senhor estranho” e viam outra realidade: a que está diante dos seus olhos.
Mistério e jogo, sedução e encantamento: duas abordagens diferentes, auxiliadas pela fruição, que se devem complementar para atrair o maior número de alunos possível, porque se a poesia “não se diz”, ela está nas ruas, expectante.

domingo, setembro 04, 2011

As palavras mais belas do mundo




motivado pelo espírito de «a minha palavra favorita», que vai pontuar o início deste ano letivo dos alunos do secundário (finalmente), fica aqui a lista das palavras mais bonitas do mundo, de acordo com a revista Kulturaustausch, que já tinha até motivado um conto, entretanto perdido...


Em primeiro lugar surge uma palavra turca, YAKAMOZ, que significa: reflexo da lua na água.

Em segundo lugar: hu lu: dormir, respirando profundamente, da China.

A terceira palavra seleccionada é volongoto: caótico; numa língua africana de uma região do Uganda.

Quarto lugar encontra-se oppholdsvaer: a luz do dia depois da chuva; assim se diz na Noruega.

No quinto lugar lê-se madala: graças a Deus; língua africana Hausa.

No sexto, a portuguesíssima saudade: nostalgia (e muito mais que agora não cabe aqui esmiuçar).

No sétimo lugar colocam perekotipole: o corredor do deserto, segundo o que se diz na Ucrânia.


Nota: os critérios eram relacionados com o significado (e a sua intraduzibilidade), mas também com o significante.