A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaço e tempo,
nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?
Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)
Ana Luisa Amaral. Imagias
segunda-feira, março 20, 2006
quarta-feira, março 15, 2006
A peça
(apesar de não estar trabalhado, revisto, alterado ou o que for... e porque a Su e a Consti gostaram muito...)
Tinha chegado há pouco tempo a casa quando chegou embrulhado num plástico transparente com folhas desenhadas a branco. Era um vaso com uma planta, cujo nome ainda hoje desconheço, de flores cor-de-rosa claro com riscos e manchas mais escuras.
Sim, eram para mim. Não havia qualquer hipótese de confusão, de troca, engano, erro ou confusão de morada ou de identificação: lá estava a minha rua, número e o meu nome. Mas mais nada. Nenhum cartão com a assinatura de tão inesperado presente. O moço que o transportava também nada podia adiantar, que veio apenas entregar, mas podem ser de uma admiradora secreta, disse-me, com um sorriso de quem já está habituado a situações como aquela. Mas eu não estava e, aparvalhado, entrei na sala com as flores, o plástico, o meu nome, a minha morada e sem o cartão inexistente, tudo ao mesmo tempo.
Sentei-me, olhando-as. Só então devo ter de facto reparado no plástico, nas folhas brancas e numa grande fita vermelha, até exagerada e ligeiramente pirosa, que envolvia o vaso e o plástico. E nenhuma informação de destinador. Peguei nela, pu-la na varanda e fechei a porta sobre ela.
Primeira questão: quem me mandou a planta? Segunda: porquê? Era óbvio que teria sido a minha namorada, mas estando ela a quarenta quilómetros de distância… Bem, nada a impedia de a encomendar, bastava telefonar, dar a morada e pronto. E aconteceu assim, provavelmente. Mas não. Ou pelo menos ela nada confirmou quando eu lhe telefonei e agradecer e a perguntar porque não tinha assinado nem dizia nada, ela que sempre fora muito eloquente para bilhetes, cartas e postais de namoro. Era a segunda questão que eu tentava responder: não tanto o porquê, até porque o amor não necessita de justificações para as suas demonstrações, mas sobretudo por que não se tinha identificado. Grande problema: jurou afincadamente, perante a minha suspeita e insistência, que não tinha sido ela e até fez uma cena de ciúmes pelo telefone, que andava alguma interessada em mim e que eu já devia ter dado algum encorajamento para estar a receber uma planta no dia dos namorados. Eu nem me lembrava que era dia de S. Valentim, dia muito bem apanhado pelo comércio para incentivar a uma espécie de consumo em franca expansão. Foi a pedra de toque: fula comigo por eu desconfiar dela e por ela desconfiar já de mim, e eu chateado com a situação toda, cortamos a comunicação por ali, sem marcação prévia de novo contacto.
Vim novamente à varanda. A planta sorria com suas flores de pétalas soltas ao vento ligeiro de Fevereiro. É engraçada: com caules castanho-vermelho suave, muitas folhas em forma de pequenos corações, e as flores no cima, como se fossem chapéus de plumas de senhoras que olham para o chão que pisam delicadamente.
Não tendo sido a Joana, quem? Haveria alguém interessado em mim? Ou alguém que quereria destruir a nossa relação, dando motivos de desconfiança à Joana? Então só podia ser alguém que me conhecesse bem, que soubesse a minha morada e o meu nome completo! Mas logo de seguida foram as questões vitais que irromperam das pétalas trocistas: serás capaz de tomar conta de nós? E eu não respondi trocistamente, porque poderia não ter-lhes respondido sequer, ou dizer-lhes que tinha mais que fazer do que tratar de flores e plantas. Mas não. Quem mandou isto não gostaria que eu as deixasse morrer… Mas talvez por isso não mandou um animal, com receio… Preocupado, sim é o termo, pensei que pode um homem fazer sozinho num apartamento para permitir que a planta continue a viver? Recordei as plantas da minha Mãe, o trabalho esforçado por um crescimento e florescimento perfeitos, tal como tudo em que a minha Mãe punha a mão e podia controlar. Assim, pensei que esta planta era de rua. Pus um prato debaixo dela (normal, de cozinha, porque não tinha dos outros) e reguei-a. Fechei suavemente a porta da varanda, com alguns escrúpulos de a deixar sozinha ao frio de Fevereiro… Mas, caramba, é uma planta… Mas quem nos garante que as plantas não sofrem e não têm frio como os animais?
No dia seguinte a Joana telefonou. Queria saber da planta ou melhor, se já sabia alguma coisa de quem ma enviara. A resposta não lhe agradou mas notei na sua voz uma certa tranquilidade satisfeita quando lhe disse que mesmo não sabendo quem ma deu, ia tomar conta dela.
Aquela tranquilidade satisfeita fez-me suspeitar novamente que fora ela. Para me pôr à prova? Tentar saber de alguém que pudesse estar interessado em mim ou eu em alguém?
Mas foi ao fim da tarde, quando estava já a caminho de casa, ao ver um cartaz a anunciar uma peça de teatro e ao constatar que já não ia ver um espectáculo há muito tempo e que a última vez tinha sido com a Joana, que me lembrei da famosa cena final que a ela adorou: uma personagem oferece uma planta a outra, dizendo-lhe que a relação deles dependeria daquela planta: se a planta vivesse só com os seus cuidados, significava que já estaria pronta para passar para um nível mais avançado: cuidar de outra pessoa numa relação a dois. Desconfiei novamente da Joana e da sua tranquilidade satisfeita aquando da minha frase “vou tomar conta dela”.
Telefonei-lhe logo a dizer que vou ver uma peça no mesmo teatro onde fomos ver a outra, lembras-te? Aquela da planta que marcava o compasso de espera da relação amorosa entre as personagens principais? Sim, essa, que nós achámos muito interessante por não sabermos a conclusão. E mais nada. Da sua fala, tom, velocidade e palavras nada pude avaliar.
Nessa noite, conduzi até à casa da minha Mãe. Cá fora, as plantas com ou sem flores mostravam que o tempo pouco passara por ali. Beijei-a e serviu-me do seu chá, enquanto a brindava com um vaso de flores cor-de-rosa claro com riscos e manchas mais escuras, embrulhado num plástico transparente com folhas desenhadas a branco. Mas sem a grande fita vermelha, exagerada e ligeiramente pirosa, a envolver o vaso e o plástico.
Tinha chegado há pouco tempo a casa quando chegou embrulhado num plástico transparente com folhas desenhadas a branco. Era um vaso com uma planta, cujo nome ainda hoje desconheço, de flores cor-de-rosa claro com riscos e manchas mais escuras.
Sim, eram para mim. Não havia qualquer hipótese de confusão, de troca, engano, erro ou confusão de morada ou de identificação: lá estava a minha rua, número e o meu nome. Mas mais nada. Nenhum cartão com a assinatura de tão inesperado presente. O moço que o transportava também nada podia adiantar, que veio apenas entregar, mas podem ser de uma admiradora secreta, disse-me, com um sorriso de quem já está habituado a situações como aquela. Mas eu não estava e, aparvalhado, entrei na sala com as flores, o plástico, o meu nome, a minha morada e sem o cartão inexistente, tudo ao mesmo tempo.
Sentei-me, olhando-as. Só então devo ter de facto reparado no plástico, nas folhas brancas e numa grande fita vermelha, até exagerada e ligeiramente pirosa, que envolvia o vaso e o plástico. E nenhuma informação de destinador. Peguei nela, pu-la na varanda e fechei a porta sobre ela.
Primeira questão: quem me mandou a planta? Segunda: porquê? Era óbvio que teria sido a minha namorada, mas estando ela a quarenta quilómetros de distância… Bem, nada a impedia de a encomendar, bastava telefonar, dar a morada e pronto. E aconteceu assim, provavelmente. Mas não. Ou pelo menos ela nada confirmou quando eu lhe telefonei e agradecer e a perguntar porque não tinha assinado nem dizia nada, ela que sempre fora muito eloquente para bilhetes, cartas e postais de namoro. Era a segunda questão que eu tentava responder: não tanto o porquê, até porque o amor não necessita de justificações para as suas demonstrações, mas sobretudo por que não se tinha identificado. Grande problema: jurou afincadamente, perante a minha suspeita e insistência, que não tinha sido ela e até fez uma cena de ciúmes pelo telefone, que andava alguma interessada em mim e que eu já devia ter dado algum encorajamento para estar a receber uma planta no dia dos namorados. Eu nem me lembrava que era dia de S. Valentim, dia muito bem apanhado pelo comércio para incentivar a uma espécie de consumo em franca expansão. Foi a pedra de toque: fula comigo por eu desconfiar dela e por ela desconfiar já de mim, e eu chateado com a situação toda, cortamos a comunicação por ali, sem marcação prévia de novo contacto.
Vim novamente à varanda. A planta sorria com suas flores de pétalas soltas ao vento ligeiro de Fevereiro. É engraçada: com caules castanho-vermelho suave, muitas folhas em forma de pequenos corações, e as flores no cima, como se fossem chapéus de plumas de senhoras que olham para o chão que pisam delicadamente.
Não tendo sido a Joana, quem? Haveria alguém interessado em mim? Ou alguém que quereria destruir a nossa relação, dando motivos de desconfiança à Joana? Então só podia ser alguém que me conhecesse bem, que soubesse a minha morada e o meu nome completo! Mas logo de seguida foram as questões vitais que irromperam das pétalas trocistas: serás capaz de tomar conta de nós? E eu não respondi trocistamente, porque poderia não ter-lhes respondido sequer, ou dizer-lhes que tinha mais que fazer do que tratar de flores e plantas. Mas não. Quem mandou isto não gostaria que eu as deixasse morrer… Mas talvez por isso não mandou um animal, com receio… Preocupado, sim é o termo, pensei que pode um homem fazer sozinho num apartamento para permitir que a planta continue a viver? Recordei as plantas da minha Mãe, o trabalho esforçado por um crescimento e florescimento perfeitos, tal como tudo em que a minha Mãe punha a mão e podia controlar. Assim, pensei que esta planta era de rua. Pus um prato debaixo dela (normal, de cozinha, porque não tinha dos outros) e reguei-a. Fechei suavemente a porta da varanda, com alguns escrúpulos de a deixar sozinha ao frio de Fevereiro… Mas, caramba, é uma planta… Mas quem nos garante que as plantas não sofrem e não têm frio como os animais?
No dia seguinte a Joana telefonou. Queria saber da planta ou melhor, se já sabia alguma coisa de quem ma enviara. A resposta não lhe agradou mas notei na sua voz uma certa tranquilidade satisfeita quando lhe disse que mesmo não sabendo quem ma deu, ia tomar conta dela.
Aquela tranquilidade satisfeita fez-me suspeitar novamente que fora ela. Para me pôr à prova? Tentar saber de alguém que pudesse estar interessado em mim ou eu em alguém?
Mas foi ao fim da tarde, quando estava já a caminho de casa, ao ver um cartaz a anunciar uma peça de teatro e ao constatar que já não ia ver um espectáculo há muito tempo e que a última vez tinha sido com a Joana, que me lembrei da famosa cena final que a ela adorou: uma personagem oferece uma planta a outra, dizendo-lhe que a relação deles dependeria daquela planta: se a planta vivesse só com os seus cuidados, significava que já estaria pronta para passar para um nível mais avançado: cuidar de outra pessoa numa relação a dois. Desconfiei novamente da Joana e da sua tranquilidade satisfeita aquando da minha frase “vou tomar conta dela”.
Telefonei-lhe logo a dizer que vou ver uma peça no mesmo teatro onde fomos ver a outra, lembras-te? Aquela da planta que marcava o compasso de espera da relação amorosa entre as personagens principais? Sim, essa, que nós achámos muito interessante por não sabermos a conclusão. E mais nada. Da sua fala, tom, velocidade e palavras nada pude avaliar.
Nessa noite, conduzi até à casa da minha Mãe. Cá fora, as plantas com ou sem flores mostravam que o tempo pouco passara por ali. Beijei-a e serviu-me do seu chá, enquanto a brindava com um vaso de flores cor-de-rosa claro com riscos e manchas mais escuras, embrulhado num plástico transparente com folhas desenhadas a branco. Mas sem a grande fita vermelha, exagerada e ligeiramente pirosa, a envolver o vaso e o plástico.
26 de Fevereiro de 2006
o meu porto
coisas
é só para dizer, caso reparem no "contador" e no seu número pequenito, que o coloquei ontem.. ou foi anteontem? não sei, já. eu que sempre me orgulhei de dominar tão bem o tempo já nem sei a quantas ando. mas isso é temporário ;) em Maio recupero a minha vida (ou não). de qualquer maneira, até arranjo tempo para vir aqui e ler alguns livros fantásticos, ir com a MIM aos alfarrabistas, assistir a conferências de poesia francesa moderna e contemporânea, and so on.
segunda-feira, março 13, 2006
Aquela Nuvem

(Na praia. O menino aprende a linguagem das nuvens.)
Aquela nuvem
parece um cavalo…
Ah! Se eu pudesse montá-lo!
Aquela?
Mas já não é um cavalo,
é uma barca à vela.
Não faz mal.
Queria embarcar nela.
Aquela?
Mas já não é um navio,
é uma Torre amarela
a vogar no frio
onde encerraram uma donzela.
Não faz mal.
Quero ter asas
para a espreitar da janela.
Vá lancem-me no mar
Donde voam as nuvens
Para ir numa delas
Tomar mil formas
Com sabor a sal
- labirinto de sombras e de cisnes
no céu de água-sol-vento-luz concreto e irreal…
José Gomes Ferreira, Poeta Militante, Publicações D. Quixote
(foto do filme O Fabuloso Destino de Amélie)
Festival RTP da Canção
Mais um festival português, muito parvo e polémico.
A música que ganhou (de uma forma muito pouco estúpida, diga-se) foi “Coisas de nada” (tipo…) das Non Stop. Uma música muito Spice ou ABBA, sei lá, simples, feita mesmo só para festival eurovisão (em que a qualidade musical nem sempre, ou muito raramente, significa vitória). A outra música que teve também 22 pontos, “sei quem sou (Portugal)” da Vânia era também bastante dançável, mais portuguesa, embora com um refrão um pouco estranho… Não admira, portanto, que a audiência gritasse durante o resto da cermónia: VÂNIA, VÂNIA… como é que as Non Stop vão representar Portugal se “democraticamente” foram escolhidas pelo júri (cinco pessoas!) e não pelo povo (que com certeza foram mais de cinco…)
As melhores músicas, pela interpretação e originalidade eram “Durmo com pedras na cama” (embora ela não tenha cantado tão bem como esperado) e “Ir mais além” (a dos transmontanos poderia fazer sucesso…) e “As minhas guitarras”, um fadinho suave (que podia mostrar Portuga)l também poderia ser uma boa opção (nós até somos conhecido por ele, tipo, Mariza...). Já se viu que quem ganha o festival é quem mistura um pouco da mdernidade com um pouco das tradições do seu país (tipo: a música da Grécia do ano passado, e a nossa melhor música foi “O meu coração não tem cor”, da Lúcia Moniz, que tinha uma letra bem nacional e uns cavaquinhos muito lusos…).
A música que ganhou (de uma forma muito pouco estúpida, diga-se) foi “Coisas de nada” (tipo…) das Non Stop. Uma música muito Spice ou ABBA, sei lá, simples, feita mesmo só para festival eurovisão (em que a qualidade musical nem sempre, ou muito raramente, significa vitória). A outra música que teve também 22 pontos, “sei quem sou (Portugal)” da Vânia era também bastante dançável, mais portuguesa, embora com um refrão um pouco estranho… Não admira, portanto, que a audiência gritasse durante o resto da cermónia: VÂNIA, VÂNIA… como é que as Non Stop vão representar Portugal se “democraticamente” foram escolhidas pelo júri (cinco pessoas!) e não pelo povo (que com certeza foram mais de cinco…)
As melhores músicas, pela interpretação e originalidade eram “Durmo com pedras na cama” (embora ela não tenha cantado tão bem como esperado) e “Ir mais além” (a dos transmontanos poderia fazer sucesso…) e “As minhas guitarras”, um fadinho suave (que podia mostrar Portuga)l também poderia ser uma boa opção (nós até somos conhecido por ele, tipo, Mariza...). Já se viu que quem ganha o festival é quem mistura um pouco da mdernidade com um pouco das tradições do seu país (tipo: a música da Grécia do ano passado, e a nossa melhor música foi “O meu coração não tem cor”, da Lúcia Moniz, que tinha uma letra bem nacional e uns cavaquinhos muito lusos…).
O filme vai repetir-se, só que desta vez na Grécia, e com outras personagens…
ninguém percebeu também qual o motivo para se ter ouvido a música do ano passado na íntegra, quando das outras poucas cantadas, que fizeram um determinado percurso na nossa cultura, só o foram durante trinta segundos ou coisa assim...
sexta-feira, março 10, 2006
Tradução muito livre de um passo da Ilíada (Livro IV, V-422-6)
Sobre as praias sonoras as vagas do mar
Movem-se
Umas após outras.
E logo se quebram, em terra,
Frementes.
E em torno dos promontórios
Engrossam e sobem muito alto
Cuspindo a espuma marinha.
Movem-se
Umas após outras.
E logo se quebram, em terra,
Frementes.
E em torno dos promontórios
Engrossam e sobem muito alto
Cuspindo a espuma marinha.
quase um ano
quase um ano de postagens, ou de blog, ou de coisas que vão sendo aqui mostradas, às vezes.
quase um ano.
quase um ano de muitas coisas e boas ou não.
e para que isto não seja estúpido ou lamechas,
ficamos por aqui.
quase um ano.
quase um ano de muitas coisas e boas ou não.
e para que isto não seja estúpido ou lamechas,
ficamos por aqui.
sexta-feira, março 03, 2006
teatro
fomos ao teatro com o 12.º ano. Felizmente Há Luar! foi a peça.
comentário sábio de uma aluna da escola: "Felizmente há luar, se não os gatos não miavam".
sempre é melhor do que fcar a dormir, como fizeram alguns alunos.
comentário sábio de uma aluna da escola: "Felizmente há luar, se não os gatos não miavam".
sempre é melhor do que fcar a dormir, como fizeram alguns alunos.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Ode aos livros que não posso comprar
Hoje, fiz uma lista de livros,
e não tenho dinheiro para os poder comprar.
É ridículo chorar falta de dinheiro
para comprar livros,
quando a tantos ele falta para não morrerem de fome.
Mas também é certo que eu vivo ainda pior
do que a minha vida difícil,
para comprar alguns livros
-- sem eles, também eu morreria de fome,
porque o excesso de dificuldades na vida,
a conta, afinal certa, de traições e portas que se fecham,
os lamentos que ouço, os jornais que leio,
tudo isso eu tenho de ligar a mim profundamente,
através de quanto sentiram, ou sós, ou mal-acompanhados,
alguns outros que, se lhe falasse,
destruiriam sem piedade, às vezes só com o rosto,
quanta humanidade eu vou pacientemente juntando,
para que se não perca nas curvas da vida,
onde é tão fácil perdê-la de vista, se a curva é mais rápida.
Não posso nem sei esquecer-me de que se morre de fome,
nem de que, em breve, se morrerá de uma fome maior,
do tamanho das esperanças que ofereço ao apagar-me,
ao atribuir-me um sentido, uma ausência de mim,
capaz de permitir a unidade que uma presença destrói.
Por isso, preciso de comprar alguns livros,
uns que ninguém lê, outros que eu próprio mal lerei,
para, quando se me fechar uma porta, abrir um deles,
folheá-lo pensativo, arrumá-lo como inútil,
e sair de casa, contando os tostões que me restam,
a ver se chegam para o carro eléctrico,
até outra porta.
40 Anos de Servidão, Jorge de Sena
e não tenho dinheiro para os poder comprar.
É ridículo chorar falta de dinheiro
para comprar livros,
quando a tantos ele falta para não morrerem de fome.
Mas também é certo que eu vivo ainda pior
do que a minha vida difícil,
para comprar alguns livros
-- sem eles, também eu morreria de fome,
porque o excesso de dificuldades na vida,
a conta, afinal certa, de traições e portas que se fecham,
os lamentos que ouço, os jornais que leio,
tudo isso eu tenho de ligar a mim profundamente,
através de quanto sentiram, ou sós, ou mal-acompanhados,
alguns outros que, se lhe falasse,
destruiriam sem piedade, às vezes só com o rosto,
quanta humanidade eu vou pacientemente juntando,
para que se não perca nas curvas da vida,
onde é tão fácil perdê-la de vista, se a curva é mais rápida.
Não posso nem sei esquecer-me de que se morre de fome,
nem de que, em breve, se morrerá de uma fome maior,
do tamanho das esperanças que ofereço ao apagar-me,
ao atribuir-me um sentido, uma ausência de mim,
capaz de permitir a unidade que uma presença destrói.
Por isso, preciso de comprar alguns livros,
uns que ninguém lê, outros que eu próprio mal lerei,
para, quando se me fechar uma porta, abrir um deles,
folheá-lo pensativo, arrumá-lo como inútil,
e sair de casa, contando os tostões que me restam,
a ver se chegam para o carro eléctrico,
até outra porta.
40 Anos de Servidão, Jorge de Sena
Para a Susana

Parabéns, lá lá lá (já te cantamos duas vezes na aula)
E já te escrevi uma carta muito gira que até fala de coesão e coerência textual.
E já vais com sorte, não é toda a gente que tem dedicatórias escritas por um futuro prémio... Camões (para já ficamos por aqui...).
Mas como sou uma pessoa excepcional e fixe (como diriam os nossos índios), ainda te deixo uma imagem (era uma animação, mas não fica a mexer-se...) que está qualquer coisa. bjs
7.º D da Boa Nova
a nossa querida turma do 7.º D já tem um blog! Dinamizado por nós, meros professores estagiários não remunerados. tudo é escolhido por eles, nós só gerimos e ajudamos a manter o decoro... vão a:
Carnaval


Há anos que para mim Carnaval significa Veneza. Ainda mais este ano, depois de ter dado a descrição de Veneza aos miúdos (Cavaleiro da Dinamarca) e de os ter posto a escrever páginas de diário imaginadas, a partir de uma pesquisa na internet e em folhetos turísticos e após um plano de viagem registado numa agenda. E aumenta aquele gostinho amargo de ainda não lá ter ido, pelo menos fisicamente...
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
terça-feira, fevereiro 14, 2006
vão a:
http://www.t2comvaranda.blogspot.com/
a sério, e vejam a versão primeira de "hung up", agora cantada por Madonna. está demais!
a sério, e vejam a versão primeira de "hung up", agora cantada por Madonna. está demais!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
pérola de sabedoria recolhida por um estagiário algures entre porto e leça...
"consciente ou inconscientemente eles pensam que nós..."
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
professores e nós nas notícias...
"Olhar o futuro com pessimismo
Ainda são estagiários, mas como planeiam fazer do ensino o futuro, Susana Duarte e Tiago Aires recebem esta medida com desagrado. Para Susana Duarte, alargar a validade dos concursos «não vai resolver os problemas dos professores». «Quem ficar colocado longe de casa tem que aguentar os três ou quatro anos, porque se desistir perde o lugar». Um problema grave, numa altura em que as colocações já não chegam para todos.
Tiago Aires considera que a medida «é uma faca de dois gumes». «Pode ser benéfica para as escolas e para os professores», mas «quando um professor estiver num sítio onde não quer, acaba por não dar o seu melhor, o que é prejudicial para os alunos».
Métodos de colocação que fazem os futuros professores olhar para o futuro com «pessimismo»".
Tiago Aires considera que a medida «é uma faca de dois gumes». «Pode ser benéfica para as escolas e para os professores», mas «quando um professor estiver num sítio onde não quer, acaba por não dar o seu melhor, o que é prejudicial para os alunos».
Métodos de colocação que fazem os futuros professores olhar para o futuro com «pessimismo»".
in: Professores: alargar concurso é prolongar ausências
2005/12/13, Portugal Diário, IOL, por: Marta Sofia Ferreira e Sara Marques
2005/12/13, Portugal Diário, IOL, por: Marta Sofia Ferreira e Sara Marques
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