Canção entregue ao nada
Hoje venho oferecer esta tristeza às coisas
No gesto esquivo de não as desejar.
Pôs na minha alma como o sol nas frias lousas
A vida o gosto de esplandecer em recusar.
São-me alheias estas margens onde corre
O destino que aos dados aos deuses eu lancei.
O que me dói é ver que tudo morre
Noutras mãos em gestos que tracei.
****
Cantos de Safo para Átis
V
Lentos meus gestos desenham o seu rosto
Rasgando a escuridão da sua ausência.
E o meu cantar enleia-se no gosto
De a cantar em distância e em transparência.
***
Venho simplesmente dizer
que uma laranja é uma laranja
e comove saber que não é ave
se o fosse não seriam ambas
uma só coisa volátil e doce
de que a ave é o impulso de partir
e a laranja o instinto de ficar.
Não sei de nada mais eterno
do que haver sempre uma só coisa
e ela ser muitas e diferentes
e cada coisa ternamente ocupar
só o espaço que pode rodeada
pelo espaço que a pode rodear.
Sei que depois de laranja
a laranja poderá ser até
mesmo laranja se necessária
mas cada vez que o for
sê-lo-á rigorosamente
como se de laranja fosse
a exacta fome inadiável.
De ser laranja gomo a gomo
o íntimo pomo como se enternece
e não cabe em si de amor
embriagada de saber
que a sua morte nos será doce.
Apesar de ter gostado de outros, estes são os mais interessantes para mim. e depois, não sobram assim tantos como isso. não gostei da necessidade estranha e permanente da rima e das imagens estrambóticas... mas quem sou eu...
quinta-feira, outubro 18, 2007
quinta-feira, setembro 13, 2007
agosto II - imagens verídicas
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Foto da porta do meu ex-aparamento. digno de receber um professor de portuguêz dezempregado!!!
agosto
Não é fácil escrever sobre este mês de Agosto no Porto. Mas vou tentar, como prometido à Denise. Foi muita coisa, intensa, que talvez sirva de material de base para um conto que escreverei entretanto que rouba um verso e meio a Alexandre O’Neill, o poeta que lia durante esses tempos, «As mil e uma noites de solidão e medo». Comecemos pelo início, ou seja, a Rosi e a sua tese de Linguística Portuguesa sobre A anáfora nominal (trabalhada com alunos do 7.º ano, a partir de «No Moinho» de Eça de Queirós e textos de «National Geographic»). Foi uma demanda inexplicável, contra o tempo, com imprevistos terríveis, como o «pc dar o pau» no dia de véspera da entrega da dissertação – atrasou um pouco a entrega, mas conseguimos, porque estava guardada na pen… Entretanto já foi defendida, com sucesso (ontem!!!).
Revi a Marisa, encontros imprevistos e rápidos, sempre no metro… E a Ana Cabral, pela FLUP. E a Celine, a Susana Melgaço, a Lídia, a Rute – todas cada vez mais lindas, e o Roberto… Muitas conversas pelo msn com a Sandra, Milai e Bruna… muitas e nem sempre fáceis… Café com a Marta, Patrícia e Guilherme. Almoço interessante com Constantina, Mário, Ivo, Marta, Patrícia e Guilherme. O costume, mas diferente.
Saldos: de roupa e de livros (Feira do Livro da Bertrand – fraquinha…, e Feira do Livro e do Material Escolar do Mercado Ferreira Borges, onde comprei 31 livros e um caderno por 40€…).
Depois o apartamento partilhado com amigos e não só, onde muito aconteceu, e se calhar não deveria, e se calhar até devia, para chegar a conclusões que se calhar naufragaram entretanto, ou não. Mas como não sou pessoa muito pensadora, as coisas flutuam ainda por aí, meias esquecidas. Mas serviu para escrever uma mão cheia de contos para o meu livrinho (Composto de Mudança) e para a história de fazer o funeral mental… que resultou, até que houve uma ressurreição, por assim dizer, que me estragou um pouco os planos de ontologia da palavra e da mente, mas enfim, o que está morto, morto pode voltar a ser. E foi a morte do artista, ou antes, da artista: Madonna. Para mim está bem enterrada, para já. Redescobri algumas coisas dos Madredeus, foi bem. Mas a Mariza voltou a ocupar o lugar… que nunca perdeu, realmente. Quem se perdeu foi eu, no último dia, em que me aconteceu uma… mas que eu não conto, foi daquelas de anedotas, como ir carregado no metro para ia apanhar o comboio, dar conta que falta o telemóvel e voltar para trás, sabendo que não se tem a chave de casa e se tem de esperar que algum dos colegas volte… e em vez do comboio das cinco, apanha-se o das dez… pronto, já contei…
O trabalho: no início foram três dias loucos na Reitoria, onde conheci uma menina muito interessante, física e psicologicamente, cabo-verdiana ;). Afiei imensos lápis, fiz dossiers, tirei cópias, distribui folhetos de Coimbra, Braga, Porto, Gaia, Aveiro, Guimarães… Enviei emails, fiz compras, fiz arranjos equilibristas com bandeiras de todos os países da Europa para a sessão de abertura, enfim. Tudo em prole do IELC – Intensive Erasmus Language Course, para sessenta meninos e meninas (alguns mais velhos do que eu, mas enfim) que vieram a prender Português. Durante o resto do mês, prestei apoio no que pude e o melhor que pude aos alunos (dúvidas linguísticas, localizações: procurar casa, encontrar sítios e ruas, metro, comboio, autocarros, feiras e, pasmem, casas de meninas – mas isto eu não sabia…), acompanhá-los, com a guia, a Marta Villares, nas visitas pelo Porto – baixa e monumentos como Palácio da Bolsa e Igreja de São Francisco e caves de Gaia (6 e 10 de Agosto), Guimarães – castelo, Paço dos Duques e centro histórico (17 de Agosto), Braga – Bom Jesus, Sé e centro histórico (24 de Agosto) e Serralves (31 de Agosto). E apoio às extraordinárias formadoras: Ana Isabel, Ana Paula e Débora (power point, fotocópias, acetatos e retroprojectores, impressões, entrevistas, vídeos…). Enfim, às vezes uma estafa por ter de andar de um lado para o outro, outras vezes uma calmaria arrasadora. Tinha uma sala de 40 computadores com ligação à Internet e assim ia ocupando os tempos mortos. Os miúdos eram espectaculares. E ficam na memória da ternura alguns: Greta, Sara, Giulia, Alex, Simone, Valentina (italianos), Estefânia, Pablo (espanhóis), Muhammet, Fatih, Belkis (turcos), Vera, Kate (alemãs), Tomasz, Hubert (polacos), entre outros… No fim foi difícil despedir-me de todos, alunos, formadoras e Rosi. É que os laços criam-se... e ficam…
Do meu caderno (Pensamentos Ligeiros – vol.13, que mantenho desde os catorze anos, tipo diário/registos vários/poemas meus e de outros e afins…) posso transcrever que a «A primeira noite foi estranha, claro. Choveu e água bateu forte no plástico e no vidro da marquise» - o meu quarto tinha contacto directo com a única parte da casa com janela para o exterior - «conversa até tarde, muito, sobre muitas coisas – sobre nós de vez em quando, de fugida». Mas sobre isto não vou revelar mais, só no tal conto.
Já o disse, as leituras foram poucas. Mas agora em Setembro (agora que já acabei todos os trabalhos de mestrado) posso vingar-me e é o que estou a fazer. Contos Outra Vez, de Luísa Costa Gomes é extraordinário, seguem-se Olhos Verdes, também dela, Na berma de nenhuma estrada do eterno Mia Couto, acompanhados pela Bílbia, Poesia Completa de Natália Correia, e depois se verá.
Revi a Marisa, encontros imprevistos e rápidos, sempre no metro… E a Ana Cabral, pela FLUP. E a Celine, a Susana Melgaço, a Lídia, a Rute – todas cada vez mais lindas, e o Roberto… Muitas conversas pelo msn com a Sandra, Milai e Bruna… muitas e nem sempre fáceis… Café com a Marta, Patrícia e Guilherme. Almoço interessante com Constantina, Mário, Ivo, Marta, Patrícia e Guilherme. O costume, mas diferente.
Saldos: de roupa e de livros (Feira do Livro da Bertrand – fraquinha…, e Feira do Livro e do Material Escolar do Mercado Ferreira Borges, onde comprei 31 livros e um caderno por 40€…).
Depois o apartamento partilhado com amigos e não só, onde muito aconteceu, e se calhar não deveria, e se calhar até devia, para chegar a conclusões que se calhar naufragaram entretanto, ou não. Mas como não sou pessoa muito pensadora, as coisas flutuam ainda por aí, meias esquecidas. Mas serviu para escrever uma mão cheia de contos para o meu livrinho (Composto de Mudança) e para a história de fazer o funeral mental… que resultou, até que houve uma ressurreição, por assim dizer, que me estragou um pouco os planos de ontologia da palavra e da mente, mas enfim, o que está morto, morto pode voltar a ser. E foi a morte do artista, ou antes, da artista: Madonna. Para mim está bem enterrada, para já. Redescobri algumas coisas dos Madredeus, foi bem. Mas a Mariza voltou a ocupar o lugar… que nunca perdeu, realmente. Quem se perdeu foi eu, no último dia, em que me aconteceu uma… mas que eu não conto, foi daquelas de anedotas, como ir carregado no metro para ia apanhar o comboio, dar conta que falta o telemóvel e voltar para trás, sabendo que não se tem a chave de casa e se tem de esperar que algum dos colegas volte… e em vez do comboio das cinco, apanha-se o das dez… pronto, já contei…
O trabalho: no início foram três dias loucos na Reitoria, onde conheci uma menina muito interessante, física e psicologicamente, cabo-verdiana ;). Afiei imensos lápis, fiz dossiers, tirei cópias, distribui folhetos de Coimbra, Braga, Porto, Gaia, Aveiro, Guimarães… Enviei emails, fiz compras, fiz arranjos equilibristas com bandeiras de todos os países da Europa para a sessão de abertura, enfim. Tudo em prole do IELC – Intensive Erasmus Language Course, para sessenta meninos e meninas (alguns mais velhos do que eu, mas enfim) que vieram a prender Português. Durante o resto do mês, prestei apoio no que pude e o melhor que pude aos alunos (dúvidas linguísticas, localizações: procurar casa, encontrar sítios e ruas, metro, comboio, autocarros, feiras e, pasmem, casas de meninas – mas isto eu não sabia…), acompanhá-los, com a guia, a Marta Villares, nas visitas pelo Porto – baixa e monumentos como Palácio da Bolsa e Igreja de São Francisco e caves de Gaia (6 e 10 de Agosto), Guimarães – castelo, Paço dos Duques e centro histórico (17 de Agosto), Braga – Bom Jesus, Sé e centro histórico (24 de Agosto) e Serralves (31 de Agosto). E apoio às extraordinárias formadoras: Ana Isabel, Ana Paula e Débora (power point, fotocópias, acetatos e retroprojectores, impressões, entrevistas, vídeos…). Enfim, às vezes uma estafa por ter de andar de um lado para o outro, outras vezes uma calmaria arrasadora. Tinha uma sala de 40 computadores com ligação à Internet e assim ia ocupando os tempos mortos. Os miúdos eram espectaculares. E ficam na memória da ternura alguns: Greta, Sara, Giulia, Alex, Simone, Valentina (italianos), Estefânia, Pablo (espanhóis), Muhammet, Fatih, Belkis (turcos), Vera, Kate (alemãs), Tomasz, Hubert (polacos), entre outros… No fim foi difícil despedir-me de todos, alunos, formadoras e Rosi. É que os laços criam-se... e ficam…
Do meu caderno (Pensamentos Ligeiros – vol.13, que mantenho desde os catorze anos, tipo diário/registos vários/poemas meus e de outros e afins…) posso transcrever que a «A primeira noite foi estranha, claro. Choveu e água bateu forte no plástico e no vidro da marquise» - o meu quarto tinha contacto directo com a única parte da casa com janela para o exterior - «conversa até tarde, muito, sobre muitas coisas – sobre nós de vez em quando, de fugida». Mas sobre isto não vou revelar mais, só no tal conto.
Já o disse, as leituras foram poucas. Mas agora em Setembro (agora que já acabei todos os trabalhos de mestrado) posso vingar-me e é o que estou a fazer. Contos Outra Vez, de Luísa Costa Gomes é extraordinário, seguem-se Olhos Verdes, também dela, Na berma de nenhuma estrada do eterno Mia Couto, acompanhados pela Bílbia, Poesia Completa de Natália Correia, e depois se verá.
Casamento da Joana
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Com o João, que ainda não conhecia. A primeira da minha geração, da fornada de 1983. Pelo menos das mais chegadas… Foi na igreja de São Miguel de Lobrigos, uma igreja pequena e bonita com uma talha dourada velha. Estava linda a nossa Joaninha. Não como sempre, mas mais especial. O padre a arrastar os rrrrrrr e os leitores a despacharem as leituras bíblicas em três tempos foram acompanhados por um brilhante coro. O copo d’água foi no Hotel Régua Douro, com uma vista extraordinário sobre o rio. Havia de tudo, como é costume nos casamentos. Destaque para o creme de legumes, o bolo gelado, a mousse de frutos silvestres, as frutas, os mini-salgadinhos, bola, crepes (bom, isto foi do que comi e mais gostei…). Com música ao vivo, quase tipo casamento à americana, mas com músicos muito bons, com muitas fotografias, leilão da gravata do noivo e enfins. Resta desejar as maiores felicidades possíveis e força para os momentos menos bons. E ela merece!!!
terça-feira, setembro 04, 2007
3 poemas de Alexandre O’Neill
- talvez os meus favoritos, agora...
A meu favor
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou numa noite qualquer.
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
*
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas e inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou numa noite qualquer.
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
*
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas e inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
*
O quarto
Aqui dormi.
Aqui sonhei.
Aqui me masturbei.
Da parede,
o mesmo azul do mapa
me convida.
Mas não fui de «longada».
De lombada em lombada,
quanta estante corrida!
segunda-feira, setembro 03, 2007
excerto de uma conversa no msn com a sandra...
tiago diz:
as minhas epígrafes do trabalho:
tiago diz:
«Poesia é bem o que dificilmente se pode descrever ou definir…»
Ana Hatherly, Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, s/d, p.76
«Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.»
Fernando Pessoa/Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 1998,
as minhas epígrafes do trabalho:
tiago diz:
«Poesia é bem o que dificilmente se pode descrever ou definir…»
Ana Hatherly, Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, s/d, p.76
«Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.»
Fernando Pessoa/Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, 1998,
tiago diz:
título:
tiago diz:
Poesia, Linguagem Poética e Lírica: em torno de conceitos (in)definíveis
sandra diz:
gostei particularmente de Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.»
tiago diz:
Assim, todas as definições que se possam tecer em torno destes conceitos deverão ter em conta condicionantes extra-literárias e o próprio objecto que se pretende trabalhar, para evitar equívocos e falhas, embora sejam sempre redutoras, porque:
Definir seja o que for é criar ao definido a possibilidade de ser precisamente algo diferente do que se diz na definição. Ou seja, é criar-lhe perspectivas de não o ser, de se exceder e transgredir.
título:
tiago diz:
Poesia, Linguagem Poética e Lírica: em torno de conceitos (in)definíveis
sandra diz:
gostei particularmente de Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.»
tiago diz:
Assim, todas as definições que se possam tecer em torno destes conceitos deverão ter em conta condicionantes extra-literárias e o próprio objecto que se pretende trabalhar, para evitar equívocos e falhas, embora sejam sempre redutoras, porque:
Definir seja o que for é criar ao definido a possibilidade de ser precisamente algo diferente do que se diz na definição. Ou seja, é criar-lhe perspectivas de não o ser, de se exceder e transgredir.
tiago diz:
e esta é a conclusão
tiago diz:
na p.17
tiago diz:
(mais três paginas de bibliografia...)
sandra diz:
q lindo
e esta é a conclusão
tiago diz:
na p.17
tiago diz:
(mais três paginas de bibliografia...)
sandra diz:
q lindo
sandra diz:
tecer es aranhiço???
tiago diz:
n percebi...
tiago diz:
ah... já percebi
tiago diz:
sim, eu teço mt, como a penélope só que ela esperava o ulisses e ele voltou
tiago diz:
eu sou o próprio
tiago diz:
tulisses...
tiago diz:
espero e volto, continuamente, a mim, de mim,
tiago diz:
em mim
tiago diz:
sempre solitário a bordar a mortalha com que me envolverei ao morrer
tiago diz:
lol
tiago diz:
eu agora estava em delírio poético
sandra diz:
uauuuuuuuuuu
tiago diz:
pois ééééééé
sandra diz:
aproveita e faz uma camisola para moi
tiago diz:
está bem
tiago diz:
tens preferência no material?
tiago diz:
podem ser lágrimas ou preferes sangue das veias dos pulsos?
tecer es aranhiço???
tiago diz:
n percebi...
tiago diz:
ah... já percebi
tiago diz:
sim, eu teço mt, como a penélope só que ela esperava o ulisses e ele voltou
tiago diz:
eu sou o próprio
tiago diz:
tulisses...
tiago diz:
espero e volto, continuamente, a mim, de mim,
tiago diz:
em mim
tiago diz:
sempre solitário a bordar a mortalha com que me envolverei ao morrer
tiago diz:
lol
tiago diz:
eu agora estava em delírio poético
sandra diz:
uauuuuuuuuuu
tiago diz:
pois ééééééé
sandra diz:
aproveita e faz uma camisola para moi
tiago diz:
está bem
tiago diz:
tens preferência no material?
tiago diz:
podem ser lágrimas ou preferes sangue das veias dos pulsos?
sexta-feira, agosto 31, 2007
Mariza - Ó gente da minha terra
No site de mariza podem ver-se três video-clips e e um making of. a não perder. http://www.mariza.com/
quinta-feira, agosto 30, 2007
Mariza ao vivo no Porto

Mariza veio o Porto para um concerto memorável. «É indiscritível o que estou a sentir. É o primeiro concerto que dou que tem esta atitude». Foi assim que se dirigiu a um público extasiado, após ter cantado «Loucura». Também ninguém sabia como descrever o que começava a sentir... nem o que sentiu durante toda a noite! Beleza, emoção, um arrepio prolongado por todo o corpo e toda a alma. Excelente o concerto que Mariza deu esta terça-feira à noite (28 de Agosto 2007), no Pavilhão Rosa Mota (e não na Cordoaria, como estava marcado, devido às ameaças climatéricas). Acompanhada pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa e mais três músicos, encantou e arrepiou até às lágrimas, mas também fez rir e dançar. Ao longo de todo o concerto, também soube afagar o ego regional da cidade (passando pelo «Porto Sentido» de Rui Veloso e Carlos Tê em registo de fado, cantado com a ajuda do público, que também se esmerou em «Barco Negro» e em «Nem às paredes confesso»). O público vibrou e transmitiu essa vibração em consonância com a de Mariza. Um espectáculo perfeito. Muita gente, mesmo, desde os sete anos aos oitenta. Muitos adolescentes e jovens, obviamente seduzidos pela excelência de Mariza e a sua capacidade de mudar, reinventar, afastar-se de estereótipos e banalizações. De salientar, sobretudo, as belíssimas interpretações de «Loucura», «Maria Lisboa» e «Ouça lá ó senhor vinho» (os ritmos mais mexidos), «Montras», «Há uma música do povo» (entre a contenção e o excedência de emoção), «Barco Negro» (com uma versão alternativa preenchida com batuques e luzes quase de discoteca), «Primavera» (o público ia deitando a casa abaixo), «Ó Gente da Minha Terra» (o delírio final)... Pena ter só cantado duas («Primavera» e «Há uma música do povo») das minhas sete favoritas («Poetas», «Por ti», «Deserto», «Caravelas», «Há palavras que nos beijam»)... Um espectáculo extraordinário, de música, de canções, de palavras, de sentimentos, de vida...
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Libertei-me, obviamente, da espécie de preconceito que tinha em relação a Mariza ao vivo - sempre gostei mais de ouvir gravação em estúdio do que ver os dvd. Pois bem, depois do «Concerto em Lisboa», as coisas mudaram um bocadinho, e depois deste concerto, em que realmente foi ao vivo e eu estava lá, já não quero outra coisa! Ficou a promessa de um regresso em breve para um espectáculo ao ar livre, na Cordoaria!
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Lista das canções interpretadas:
1.Loucura
2.Chuva
3.Maria Lisboa
4.Montras
5.Há uma música do povo
6.Barco Negro
7.Meu fado Meu
8.uma guitarrada (mariza ausente)
9.Duas lágrimas de orvalho
10.Cavaleiro monge
11.Recusa
12.Transparente
13.Feira de castro
14.Ouça lá ó senhor vinho
14.Ouça lá ó senhor vinho
15.Primavera
encore:
16.Porto sentido
17.Lá vai maria (sem microfone)
18.Nem às paredes confesso
19.Ó gente da minha terra
20.Ouça lá ó senhor vinho (outra vez)
quarta-feira, agosto 29, 2007
Alberto de Lacerda
Morreu Alberto de Lacerda, uma das grandes vozes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX português. como sempre, a melhor homenagem é deixar o poeta falar, como sempre.
Ilha de Moçambique
Desfeitos um por um os nós sombrios,
Anulada a distancia entre o desejo
E o sonho coincidente como um beijo,
Exalei mapas que exalaram rios.
Terra secreta, continentes frios,
Ardei à luz dum sol que é rumorejo
Para lá do que eu sou, do que eu invejo
Aos elementos, aos altos navios!
Trouxe de longe o palácio sepulto,
A cobra semimorta, a bandarilha,
E esqueci poços, prossegui oculto.
Desdém que envolve por completo a quilha,
Sou bem o rei saudoso do seu vulto,
Vulto que existe infante numa ilha.
http://www.iplb.pt/pls/diplb/!get_page?pageid=402&tpcontent=FA&idaut=1717589&idobra=&format=NP405&lang=PT
segunda-feira, agosto 27, 2007
Eduardo Prado Coelho
Morreu Eduardo Prado Coelho (Lisboa, 29 de Março de 1944 — Lisboa, 25 de Agosto de 2007). Escritor, professor universitário, colaborador de uma série de jornais e revistas e publicou uma crónica semanal no jornal Público. Escreveu inúmeros e importantíssimos livros e ensaios, dos quais se destacam: O Reino Flutuante (1972), Os Universos da Crítica (1983, versão da sua tese de doutoramento), A Mecânica dos Fluídos (1984), A Noite do Mundo (1988), os dois volumes do diário Tudo o que não escrevi (1992 e 1994), O Cálculo das Sombras (1997), A Razão do Azul (2004) e Nacional e Transmissível (2006). Um dos nomes mais importantes da cultura portuguesa nas últimas décadas, incontornável no estudo da literatura. Todos lhe estamos agradecidos.
mais informação:
as crónicas no jornal Público:
sexta-feira, agosto 24, 2007
Explicação das Coisas
4 poemas do meu último livro de poesia, ainda em construção, Explicação das Coisas:
Explicação dos Montes
Procuro a luz e o calor
E a fuga do fundo. Cresço
Como se fosse vida o que trago.
Mas só em milhares de anos
Chegarei a metade do caminho.
*****************
Explicação do Mundo (selon Plotino)
Existe desde sempre porque é autónomo.
Existe porque é exigido por e subordinado à
Eternidade.
Não sabe o que quer, mas quer infinitamente.
*********************
Explicação do Rio
Vontade de ser grande
De correr ou de fugir do nada.
Vontade de me afogar ou fundir.
Vontade de ver mais e mais longe
E morrer, contigo.
************************
Explicação ténue do suicídio
Defendia-me da morte todos os dias.
Mas hoje achei que não valia a pena continuar.
Explicação dos Montes
Procuro a luz e o calor
E a fuga do fundo. Cresço
Como se fosse vida o que trago.
Mas só em milhares de anos
Chegarei a metade do caminho.
*****************
Explicação do Mundo (selon Plotino)
Existe desde sempre porque é autónomo.
Existe porque é exigido por e subordinado à
Eternidade.
Não sabe o que quer, mas quer infinitamente.
*********************
Explicação do Rio
Vontade de ser grande
De correr ou de fugir do nada.
Vontade de me afogar ou fundir.
Vontade de ver mais e mais longe
E morrer, contigo.
************************
Explicação ténue do suicídio
Defendia-me da morte todos os dias.
Mas hoje achei que não valia a pena continuar.
quinta-feira, agosto 23, 2007
poema de arlindo barbeitos
corvos de ronda
não sabem
quem matou o antílope
cor de vento listrado de chuva
e
pombos verdes
de vôo redondo
não sabem
por que o homem tatuado
caiu no feitiço das coisas de longe
in: Nzoji
(é este o famoso poema de que usurpei os últimos dois versos paar me definir face às literaturas africanas...)
não sabem
quem matou o antílope
cor de vento listrado de chuva
e
pombos verdes
de vôo redondo
não sabem
por que o homem tatuado
caiu no feitiço das coisas de longe
in: Nzoji
(é este o famoso poema de que usurpei os últimos dois versos paar me definir face às literaturas africanas...)
Matem a madonna, por favor

Eu até gostava dela, a sério. e ainda gosto de certas coisas. apesar do pouco jeito para cantar, inicialmente, mas dava espectáculo. para Evita ela aprendeu melhor a colocar a voz e tornou-se bem melhor, como se vê no extraordinário álbum Ray of Light (continuo a dizer, o único que vale a pena possuir, além de uma ou outra música, posteriores ou não, como Beautiful Stranger...). das tours, nem falo. teve o seu auge com a Drowned World Tour e com a The Re-Invention Tour. e pronto. longos e velhos tempos. madonna morreu como artista em 2004. a sua última tour (The Confessions Tour) é um relfexo do seu último álbum (Confessions on the dance floor): muito mau! nada de novo trouxe, a não ser uma não novidade ou mudança, que era o constante na sua carreira. Hung Up foi um sucesso (merecido, até pela melodia dos ABBA), mas o resto é mau, muito, desde Sorry (irritante à brava) até Jump (parola). Mas o pior mesmo é o dvd da tourné. conheço umas pessoas que estão sempre a ver/ouvir/tentar cantar - e conseguem tornar aquilo ainda pior. nada daquilo me parece verdadeiramente interessante no contexto da carreira de Madonna. acho que está esgotado o conceito, pelo menos por agora, neste trabalho. e depois, como é possível não se notar que o seu visual não é um decalque de uma fase de Kylie Minogue, exactamente antes desta se retirar um pouco por motivos pessoais? demasiado óbvio...
matem a madonna, por favor, ou pelo menos não a deixem ir cada vez mais baixo. ou então matem quem vive comigo e se põe a babar em frente da televisão até à meia noite, adorando-a como nunca adoraram ninguém... é capaz de ser mais eficaz, para o meu caso...

P.S. - é agora que alguém do lobby gay me mata...
Novo P.S. (em Março de 2008): como me assinalaram, corrigi Hung Up (estava Hang Up), falha minha. Não levem este post tão a sério! É fruto de circunstâncias plausíveis que estão subentendidas, ou não. Mas mantenho-o. Palavra por palavra. Mas não era bem da Madonna que eu estava a falar...
quarta-feira, agosto 22, 2007
Agosto

Em agosto a vida parece crescer exponencialmente, pelo menos na minha terrinha. os emigrantes chegam e arrasam com a paz e o sossego normal. acaba-se o silêncio das noites. na verdade, não são só eles, é mesmo do tempo, e de todos (praticamente) estarem de férias e fazerem de todas as noites uma festa contínua, mesmo que as noites sejam um bocadito para o frias (mas eu sou suspeito...). cá no Porto está muito mais gente, claro. mas menos do que durante o ano, parece-me. e tenho visto muita gente com sacos de compras e de toalhas ao ombro e de cestas de piquenique. é agosto, é verdade, mas não sinto falta de praia nem de piscina, nem do acostumado rio. nem de ficar ao sol (nunca gostei, mas este ano, na única ida ao rio, até gostei...). posso sentir, quanto muito, falta de estar mais com os meus primos, ou daquela sensação de acordar cedo de manhã fresca e passar o dia a ler romances enormes (foi no verão que li o Lobo Antunes, a Ana Karenina, As Mil e Uma Noites, e seria este o mês em que leria so Sinais de Fogo e a História Trágico-Marítima, mas enfim, tive de escolher obras mais pequenas e portáteis, mas nem assim consigo ler muito: a Poesia Completa do Alexandre O´Neill vai a meio, O Livro do Desassossego de Pessoa nem a meio vai, os dois livros de contos programados, um de Mia Couto (Na berma de nenhuma estrada), outro de Luísa Costa Gomes (Contos outra vez), estão completamente encerrados, esmagados pelos livros e fotocópias dos trabalhos de mestrado que tenho de entregar em Setembro. salvou-se ao menos Orlando de Virginia Woolf, que li (e adorei). mas agosto é assim um mês em que costumo estar eu e os livros e pouco mais. um mês de reflexão interior. mas este ano, foi quase todo o ano assim. então, para ser diferente (muito eu gosto de ser diferente) passo agosto a trabalhar, longe de tudo o que foi este ano: sem solidão, sem grandes livros e leituras, sem o silêncio e o frio de Poiares. mas em setembro, se nada acontecer entretanto, volto ao mesmo. e não sou menos feliz por isso. só que de outra maneira.
quinta-feira, agosto 16, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
Primavera

Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida!
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações –
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um ar infinito onde o arado
Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta?
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos?
Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera?
Ruy Cinatti
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida!
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações –
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um ar infinito onde o arado
Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta?
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos?
Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera?
Ruy Cinatti
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