
domingo, janeiro 20, 2008
Apaixonado...

sexta-feira, janeiro 18, 2008
testes rádio comercial
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A Denise seria a Abelha Maia caso fosse um desenho-animado. Eu optei por fazer o teste de saber com quem deveria fazer um dueto. Há vários testes em Rádio Comercial, bem engraçados. Extrovertido não me parece muito, depende das situações e do tempo com que estou com as pessoas... Original, talvez já tenha sido mais. Quanto ao resto, acho que deve ser verdade. Tenho muita gente a dizer «Tu és estranho» ultimamente... E eu gosto...
terça-feira, janeiro 15, 2008
a minha palavra favorita
Mas também há as outras, as que nos causam repulsa só de as formularmos. No seminário todos estivemos de acordo em relação a carrasco, escarro...
quarta-feira, janeiro 09, 2008
apaixonado...
e ouvir-se em:
http://www.rodrigoleao.pt/
terça-feira, janeiro 08, 2008
Mundos em diálogo
Os Dois Irmãos de Germano Almeida e Quantas Madrugadas Tem a Noite de Ondjaki
Pretende-se explorar as relações de representação do Direito, numa perspectiva de índole comparatista e dos legal studies, na medida em que ambos os romances colocam questões éticas, morais e de ordem prática de uma forma problematizadora, porque mais importante do que dar respostas é a formular questões importantes que se pode chegar a uma prática por parte dos estudiosos do Direito. Em Os Dois Irmãos (Cabo Verde), de um escritor que é também um advogado, reflecte, a partir de um caso verídico da sua prática profissional, sobre a tensão entre o direito positivo e o direito consuetudinário, decorrente de práticas relacionadas com heranças coloniais e permanência de costumes e valores, que colocam a personagem principal num conflito que o parece transcender, bem como as dificuldades da prática do direito em determinadas comunidades por desadequação, desrespeito, falta de credibilidade, também presentes em Quantas Madrugadas Tem a Noite, de Ondjaki (Angola). Estes dois romances problematizam, recorrendo ao humor e à ironia, a existência de leis de estado adoptadas do colonizador sem haver uma adaptação, que se pretende discutida e cuidada, à realidade em que se inserem. Assim, e não deixando de ter inegáveis qualidades artístico-literárias que os colocam como marcos importantes no contexto de cada uma das literaturas nacionais correspondentes, estes romances podem e devem ser lidos também como reflexão mais ou menos sistematizada sobre o papel do Direito através da ficção literária.
domingo, janeiro 06, 2008
Luíz Pacheco - 1925-2008
mais em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Pacheco
excerto:
«Domingo de manhã fui com a Amada para a praia nos rochedos junto do mar vi pela primeira vez o seu corpo nu feito espuma e onda. Ficamos calados (como quem esta só) escondidos de todos à beira-água (como quem a ama, apetecendo-a como os suicidas), o seu corpo cheirava a maresia (cheiraria?). Numa grande doidice de beijos e carícias leves beijei seus pés de espuma macia... em lírica, diria: pés de sereia; em realística, diria: pés de virgem (feia); em novelística, da antiga, diria: pés de deusa brinca-brincando na areia; em novelística, novíssima: patitas catitas de centopeia..., beijei seus pés; por ali mesmo a comecei a beijar. Caprichos de libertino: o corpo da Amada ficou lá nos rochedos à beira-água onda infatigável desfeito liquefeito brisa de maresia pairando no bafo quente do ar e eu guardo no meu quarto na minha colecção mais um sexo de donzela conservado em álcool e memória, numa mistura fácil de três por dois, tintos.»
quarta-feira, janeiro 02, 2008
2008: desejos e compromissos
2. ler mais, ou melhor
3. arranjar emprego (no Porto ou no IC)
4. fazer o interrail
5. saúde e felicidades para os meus familiares e amigos
6. escrever o livro de contos e o romance
7. fazer exercício físico todos os dias
8. publicar alguns artigos de literatura
9. preencher o coração
10. passar mais tempo com os amigos
11. mimar mais o meu físico
12. estar mais atento (a tudo e nada)
segunda-feira, dezembro 31, 2007
dual
tenho à minha espera o batido de frutas...
quinta-feira, dezembro 27, 2007
T-ARTE

As minhas duas primeiras criações artísticas vulgo "tapetes". O primeiro, para experiência e aprendizagem, é grande, azul e preto e fica a matar no chão do meu quarto, entre a cama e a escrivaninha. O segundo, mais pequeno um bocado, foi mais uma brincadeira com as cores e os trapos que me arranjaram: roxo, branco e preto. Já foi para a minha prima Rita, que se tomou de amores por ele. É viciante, terapêutico e ao menos faz-se alguma coisa útil ou bonita. Um dia destes volto a outro. Como a Particia, também eu dou nome às minhas criações. O primeiro, apesar de não ser propriamente teia (o processo é o uso de uma tela e de pedaços de pano que se vão atando sucessivamente, com nós...), chama-se Penélope, obviamente. Pela ideia de texto e pelas relações afectivas para com a figura (já que eu sou o Tulisses..., mas não só). O segundo é de outra região e, não sei se pela sugestão da cor roxa da capa do livro e do tapete, se da pureza e do oculto, pareceu-me correcto chamar-se Diadorim. E pronto, talvez ainda surjam por aí algumas Noíto, Ariadne, Ana Karenina, Lueji ou as fiandeiras de Wyrd... quinta-feira, dezembro 20, 2007
Composto de Mudança
Alguns contos aparecem aqui no blog, se bem que nem sempre no seu “estado final”:
1. Magnífico caos
2. A casa dos corações partidos
3. Estória de amor pouco comum
4. Auto(r)fagia
5. Formas de morrer-se
6. A palavra gato morde
7. Uma gaivota
8. A peça (*)
9. Sonho… ilusão… retorno
10. A estória nenhuma
11. Engatinhar-se
12. Iniciação (*)
13. Hero (*)
14. Eva (*)
15. Composto de mudança
16. Monónimo (*)
17. Maias
18. Um dia extraordinário na vida de Eduardo Afonso
19. Pais (*)
20. A eternidade
21. Caro Alberto Caeiro (*)
22. Revisitação (*)
23. O que o tempo faz (*)
24. O falso turista
25. A fotografia
26. A casa de chá
27. Pedagogia (*)
28. O deus, as escadas e o pijama
29. A meio caminho para lado nenhum
30. A casa das raposas
31. Primavera
32. Teoria das cores
33. Roteiro da perdição
34. 3g de açúcar
35. As pequenas grandes dores
36. Os finalistas
37. Pelos meus olhos
38. A ronda da noite
39. Casamento: nó e mousse de frutos silvestres
40. O prodígio de Nossa Senhora das Neves
41. Na volta do homem
42. O piolhoso
43. Sobre o mesmo barco (*)
44. Confiança e reconhecimento
45. Trazer a chuva
46. Miaugente
47. Chá para um
48. Noites de amor e de música
49. Tudo sobre os comboios
50. A luz, os olhos e o poema
51. Baixa no Natal
52. 7 vidas ou o regresso do gato
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Diversão sem fim... e nervos

quarta-feira, dezembro 12, 2007
Poema de Natal - Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Fernanda Botelho: 1926/2007
As meninas foram banhar-se no ribeiro, brincando e cantando com a alegria própria da idade. Dera-lhes para ali! Atrás de uma árvore de tronco grosso, viu-as refulgentes de nudez e de beleza, o jovem filho do tabelião, que por ali passava as suas férias, vindo da tabelionice da cidade do Porto, também pode ser a de Lisboa.
Eram felizes, jovens, bonitos. E ambos economistas. O Boss não gostou de os ver de mãos dadas, vinham eles dos lavabos, para onde ele, o Boss, se dirigia, já de a desabotoar a braguilha. O Boss não era feliz, nem jovem, nem bonito, simplesmente economista e outrotanto casado.
As Coordenadas Líricas
Desviou-se o paralelo um quase nada
e tudo escureceu:
era luz disfarçada em madrugada
a luz que me envolveu
A geométrica forma de meus passos
procura um mar redondo.
Levo comigo, dentro dos meus braços,
oculto, todo o mundo.
Sozinha já não vou. Apenas fujo
às negras emboscadas.
Em cada esfera desenho o meu refúgio
— as minhas coordenadas.
sábado, dezembro 08, 2007
50. A luz, os olhos e o poema
Nos olhos do gato, iluminando a noite da escrita do poeta, podia ler-se, ouvir-se, sentir-se. A vela terminava em últimos suspiros de luz, consumida. E o poeta, via das coisas mais pequenas, vivia das basicidades elementares. Na casa escura preenchida de sombras dançantes, o silêncio era quebrado pela luz do gato, que parecia dizer ao poeta para aproveitar o resto da luz da vela, ou então a luz dos seus olhos, enquanto não adormecia. O poeta leu as horas nos seus olhos e pegou na pena. Em tempos já escrevera sobre isso, mas agora aquilo que parecia realmente real, com sentido, não o conseguia tornar em palavras. O outro já o dissera muito bem: «Ó cousas; todas vãs, todas mudaves, /Qual é tal coração qu’em vós confia? /Passam os tempos, vai dia trás dia,/ Incertos muito mais que ao vento as naves». Era tudo, um soneto que não se importava de ter escrito. E afinal tudo passa, já diziam os clássicos. Heraclito e o seu rio de constante corrida e fuga, não passante segunda vez pelo mesmo leito, e a irrecuperável vida passada, a dos montes brancos, das rosas, das rosas e do vinho do tegúrio de Horácio… E as estações, sempre volvendo, como que negando tudo…
Nos olhos atentos do gato, fitos na luz da vela ainda, o poeta lê que as coisas mudam, bem como o próprio homem que as vê e as muda ao mesmo tempo. Talvez só o gato fique igual, nas suas sete vidas imortais e transmigre para outro lado. A mãe já lhe dissera coisas, coisas que eram como pontos de partida. Às vezes, a fala de alguém é um ponto de partida para escrever - «Fez o tempo outra volta», «São voltas que o mundo dá», «uns choram pelo passado e outros pelo presente». Mas faltava alguma coisa. Ou existia alguma coisa que o impedia de escrever. E, no entanto, queria. E só agora fazia realmente sentido falar assim, disto, do perpétuo Inverno e da infindável dor, as únicas coisas não mudáveis. Enquanto a vela se extinguia sem retorno, o gato espreguiçou-se e deslocou-se para a frente do poeta, iluminando a noite. O poeta observava-o, admirando com inveja a sua agilidade e elegância estudadas. Sabia o que queria dizer, sabia como, mas não escrevia. Um ligeiro desconforto de estar mal sentado impedia-o de se abstrair.
Todalas cousas eu vejo partir
do mund’ en como soían seer,
e vej’ as gentes partir de fazer
ben que soían, tal tempo vos ven,
mais non se pod’ o coraçon partir
do meu amigo de me querer ben
Pero que ome part’ o coraçon
das cousas que ama, per bõa fe,
e parte s’ ome da terra ond’ é
e parte s’ ome du gran prol
non se pode parti-lo coraçon
de meu amigo de me querer ben
Todalas cousas eu vejo mudar,
mudan s’ os tempos e muda s’ o al,
muda s’ a gente en fazer ben ou mal,
mudan s’ os ventos e tod’ outra ren,
mais non se pod’ o coraçon mudar
de meu amigo de me querer ben
E na sua cabeça um ritmo começou a bater. As palavras foram surgindo; uma vida parecia prestes a nascer da sua mão. Olhou profundamente nos olhos do gato, agradecido. Leu ainda, antes de começar, na luz do futuro dos olhos: «Viva o Parnaso, que desde a sua fundação até hoje não se escreveu soneto igual a este. Pesa mil arrobas de majestade, de elegância e de imagens e de belezas… Só sabe dizer isto com tal limpidez e eficácia quem o tem muito bem trilhado com profundíssima ponderação. E tão comentado e apreciado será que até histórias sobre a sua génese se inventarão».
- Mas só nós dois saberemos a verdadeira – disse-lhe o poeta.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
….
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Manuel Rui, Rioseco - dois fragmentos
Eu estou muito longe. Também nunca hei-de estar perto de nada, porque quando isso me acontece, sinto, por dentro, uma vontade de me afastar para longe.
Explicação do Medo
E não voltou a ser visto no seu andar vistoso.
Vestia calças de ganga e camisola amarela com uma bandeira
Pouco cabelo, olhos do tamanho das varandas
De onde via o mundo em movimento.
Desapareceu de seus pais, de sua vida
Perante o olhar indiferente dos outros.
Esperou-se o tempo necessário e nada.
Rapto, fuga, acidente, morte sem aviso prévio,
Como quase todas as mortes que nos ceifam da vida
Que amamos acima da nossa própria…
Desapareceu de sua vida própria, mesmo que vivo,
Tendo talvez uma outra vida não planeada com o mesmo amor
Mas ainda assim uma vida, um outro ser.
Desapareceu e suas coisas são lembranças
Que não se podem apagar nem arrumar numa caixa.
Desapareceu e pode andar por aí.
Desapareceu.
Desapareceram com o tempo e os anos as esperanças
Nem sempre as últimas a morrerem.
Perdidos na sua casa, nas suas coisas,
Os pais falam às coisas e ensinam a lição às paredes,
Às vezes, embalam almofadas e fazem cócegas aos livros…
Quando dão por si, estão incapacitados para amar
E indisponíveis para a vida futura.
Também eles desaparecerão, gritando de raiva.
sábado, dezembro 01, 2007
um-seis-um
E passo-a a outras escritas de nível: Gimane, Rascunhos-Ana, Pensamentos Blogueados, Fuga de Pensamentos e É a Bidinha. Só têm de pôr a vossa citação no vosso blogue, mesmo que não faça nenhum sentido… e passar para mais cinco pessoas! Depois avisem qual a citação que lhes calhou! A minha é extraordinária, melhor seria impossível. calhou-me tal coisa que nem sei o que pode significar.
Aqui fica:
«Se, pois, se.»
«A benfazeja», Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, 4.ª reimpressão a partir da 5.ª edição/1.ª edição especial, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005 (1962)
Casimiro de Brito, Ode & Ceia
Encosto-me ao tempo
Quando chego a casa
o deserto é outro
Abro a janela
recordo que houve sol
invento braços no corpo das sombras
e a noite me encontra
silencioso e fácil
à beira do sono.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Memorial...

Em memória de dois gatos que me morreram este ano. O primeiro, uma coisa pequenina de semanas, todo preto só com os pés brancos como se fossem sapatos, muito amistoso, mas que dois cães estúpidos não pouparam. O segundo, um gato tigrado parecido com o Guano, o da minha tia, mas muito mau. Morreu provavelmente envenenado; descobri-o na casa das maçãs, batatas e cebolas, ainda vivo… E em saúde do outro gato, aquele que há cerca de um mês ajudei a sair de um silvado. Com pena minha, a minha mãe não mo deixou trazer para casa e ficou junto aos dois restaurantes de Poiares. Quando lá passo com a minha mãe e a minha tia, à noite, quando vamos dar a volta diária, aparece às vezes, mas já não mia como antes, desesperado É preto, todo imensamente preto, até os olhos. Tal igual o gato que ontem, depois do outro gato ter morrido, no meio da nossa volta, veio ter comigo, miando e roçando-se nas minhas pernas… Podia ser ele se não estivesse tão crescido. nenhum destes gatos foi meu, mas como não me deixam ter nenhum, todos eles me pertencem
eles se reintegram
no ronronar da eternidade.
suas almas saem de fininho
atrás de algum de rato.
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.
- se somem – é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.

