sábado, junho 07, 2008

Geleia de Tangerina

Isto tem sido de loucos. Algumas visitas na exposição, muitas leituras, passeios por Lisboa, exame do IC, e coisas outras....

Mas o interessante foi participar numa feira de doçaria. Pois é, e não como visitante, mas como vendedor. Foi em Caldas de São Jorge, concelho de Santa Maria da Feira. Fui ajudar a Consti na sua primeira exposição como Companhia do Açúcar - e com a minha simpatia e charme natural ;)lá vendi uma quantidade significativa de pastéis de Tentúgal, queijadas de Tentúgal, barquinhos, broas doces, broas de chila e amêndoa, barrigas de freiras, pinhas de Montemor, esspigas de Montemor, e sei lá mais bem o quê. O sítio é muito bonito, com as termas, o rio, as árvores - mas o rio está poluído e nem tudo funcionou às mil maravilhas... Predominaram as barracas de doces, claro, mas também de algum artesanato (tapetes como os que eu faço, e coisas ao estilo da Patrícia e da Natacha, que podem ver um pouco aqui, entre outras). Por lá provei algumas coisitas, e como ia para Lisboa e não para casa não comprei nada, excepto um frasco de geleia de tangerina (ainda havia espaço na mochila que levei para o pôr, ao lado dos chás que a Consti me ofereceu como prenda de aniversário e do meu exemplar de Expiação, que lhe tinha emprestado há uns meses). Tangerina porque sim. Experimentei vários (a barraca deles era mesmo ao lado), mas foi o que mais me agradou: com a casca e tudo, come-se e parece que estamos mesmo a comer uma tangerina! Fresco, com um contraste entre o doce e o amargo da casca - fantástico. E vem lá debaixo, ó Denise, de Loulé. De uma tal A Farrobinha. Ainda pudemos assistir aos fantásticos concertos de Ricardo Azevedo, animações dos dias da criança, música sempre repetida de Trovante, Avó Cantigas e Mafalda Veiga e, para melhorar, uma actuação celta (não vi as tunas, sexta-feira eu não fui)... Tudo organizado por um grupo de jovens chamado Juventude Inquieta.
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quarta-feira, junho 04, 2008

Instituto Camões: eterno retorno?

Texto curto porque estou na biblioteca e tenho de ir para casa e assim.

Lá fui uma vez mais tentar a minha sorte. Abusei dela, devo confessar, porque só estudei hoje de manhã. No ano passado ainda passei no exame escrito, mas este ano... O Grupo I era longo e confuso: um texto de um chinês, outro de um norueguês e outro de um espanhol. Recontos de um conto de José Rogrigues Miguéis que ouviram ler. Desta vez não havia perguntas, era para analisar no geral, tendo em conta alguns tópicos vagos do enunciado, mas menos direccionado do que no ano anterior. O segundo grupo, que deixei para o fim (e só escrevi duas páginas muito inventadas) tinha duas opções para escolher uma: A) um texto sobre o ensino de PLE e PL2: práticas, modelos, contextos ou B) um texto sobre língua e cultura interligadas. Escolhi a B). O Grupo III tinha também duas hipóteses, mas, curiosamente, marcadas com 1. e 2., o que mosta muita coerência na organização da prova, mas isso também não interessa nada, e não é por aí que vem mal ao mundo. A 1. era sobre museus e exposições e Portugal e seu incremento, e para falar de uma exposição que tivéssemos visto e que nos tivesse agradado ou coisa assim. A 2. era para falar de um artista português (não da literatura) que tivesse na sua obra preocupações políticas, sociais ou ecológicas. Escolhi a 1. e falei da Consistência dos Sonhos - de que serve ser monitor lá se não para estas coisas também?
Mas sem grandes esperanças (leia-se sem grande vontade??). Logo se verá.

segunda-feira, junho 02, 2008

literaturas africanas em questão


Para a Denise


As Literaturas africanas dos países que foram colonizados por Portugal são normalmente designadas por: «Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa» e/ou «Literaturas Africanas de Língua Portuguesa», de modo semelhante ao que acorre noutros países africanos então colonizados. A primeira designação foi a da «Expressão», embora ainda antes ocorressem outras como «Literatura Ultramarina» ou «Literaturas Portuguesas do Ultramar» (ao gosto de Amândio César, além de que a própria Censura não admitia o uso de «africanas» em relação à Literatura com muita facilidade), onde cabiam as ditas africanas sem qualquer distinção quanto às ideologias, cosmovisões ou pontos de vista dos seus autores, seus livros, suas matérias (ou seja, incluída a Literatura Colonial, a única realmente valorizada então, com algumas excepções).

Manuel Ferreira, um dos primeiros e dos maiores especialistas nestes assuntos, começou por usar «Expressão», como nos célebres livrinhos laranja da Biblioteca Breve: Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa (1977, 2 vols), em que faz um estudo panorâmico, distinguindo a literatura dos colonos da dos percursores e da dos autores nacionais africanos (nacionais nem sempre igual a nacionalistas, felizmente). Academicamente, em 1974, surgiu a primeira cadeira destas literaturas em Portugal, apelidada de «Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa» na Faculdade de Letras de Lisboa, e assim se chamou noutras universidades, mas, por exemplo, no Porto, recentemente alterou-se a designação para «Língua». A mudança em Manuel Ferreira dá-se na década de oitenta: no livro O Discurso no Percurso Africano (Plátano, 1989) passa a usar a «Língua» como alternativa, e já antes em 1983 a usou na Bibliografia das literaturas africanas de língua portuguesa (com Gerald Moser). Essa mudança de designação, que se tem vindo a implantar e a tornar-se como a mais consensual ultrapassa outras que também surgiram, como as «Literaturas Africanas Lusófonas», consideradas como tendo contaminações ideológicas oriundas do discurso colonial, ou «Literaturas Africanas de Expressão Oficial Portuguesa», o que só por si é uma evidente redundância. Manuel Ferreira explica (em O Discurso no Percurso Africano) que «expressão» pode ser entendida (e daí a necessidade de mudança) como um conteúdo (visto como portugalidade, lusitanidade e colonialidade), embora «expressão» também signifique tão simplesmente o contexto verbal, o meio pelo qual, ou seja, apenas o significante e não o significado, já que este está contido na expressão «Africanas» (e por isso os africanos não hesitaram em utilizá-la, como Mário de Andrade e Francisco José Tenreiro na Poesia Negra de Expressão Portuguesa de 1953), embora a língua leve consigo conteúdo, modelando e absorvendo, mas sem alterar a natureza do conteúdo.

Só para referir outros estudiosos destas literaturas: Alfredo Margarido reúne os seus ensaios sobre a designação de Estudos sobre Literaturas das Nações Africanas de Língua Portuguesa (1980), Pires Laranjeira prefere «Língua» embora use «Expressão» no seu manual da Universidade Aberta (pois é o nome da disciplina que prevalece), Inocência Mata, José Carlos Venâncio, Cristina Pacheco, Ana Mafalda Leite, Alberto Carvalho, entre outros, usam sempre nos seus livros e artigos a palavra «Língua», assim como estudiosos africanos, que defendem ter assim uma maior distinção e determinação do real conteúdo destas literaturas, como se a designação lhes reconhecesse a autonomia: «Língua» porque é mais directa, menos ambígua, menos polémica, embora de uma língua portuguesa que sabemos ser diferente da portuguesa europeia, com regras que receberam influências directas das línguas locais (o neo-português de que fala a Tia Adoptada). Além disso, e apesar de não haver antes uma tradição de escrita nas línguas africanas, isso não impede que ela não possa acontecer, como acontece em alguma literatura escrita em crioulo ou mesmo em kimbundo, embora o Português continue a ser a língua de expressão preferencial, até porque permite um público leitor mais vasto .
A verdade é que dizer «Literaturas Africanas» é insuficiente porque estão englobas as cinco literaturas (de Cabo Verde, de Angola, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe e da Guiné) mais todas as outras das restantes nações africanas. Assim, embora «Expressão» seja correcta, penso que «Língua» pode evitar mal-entendidos por pessoas que não percebam que ela significa aqui enunciado, manifestação, declaração e sim conteúdo, matéria europeia.

Espero ter-me explicado bem e satisfeito o pedido!

sábado, maio 31, 2008

Sugestões de Maio

Finalmente prontas as sugestões de Maio - sem grande tempo e paciência para as categorias lá de baixo... mas ainda assim ficam aí, para quem quiser aproveitar.

Livros:

1 – A Bíblia (Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias), Paulus ***

argumentos: acabei o Antigo Testamento. Muitos livros, mas pequenos. Repetem algumas das ideias anteriores, mas há uma maior presença nestes da universalidade da fé, do tom messiânico, da necessidade de restauração que substitui o discurso do castigo e da consolação. Surge Satanás (Zc, 3, 1) e surgem as ruínas (tema que me é tão caro) em quase todos eles.


2 – Há monstros debaixo da cama?, Bill Watterson, Gradiva *****


3 – Ensaio Sobre a Lucidez, José Saramago, Caminho*****
4 - Objecto Quase, José Saramago, Caminho****
5 – Discursos de Estocolmo, José Saramago, Caminho****
6 – A Estátua e a Pedra, Caminho****

argumentos: continua a minha saga (agradável) da leitura de livros de Saramago, por culpa da exposição, ou com a desculpa da exposição, que lá os fez subir na minha lista mental. Ensaio Sobre a Lucidez foi um dos poucos livros da minha vida que deixei por ler: há quatro anos, quando saiu, li os dois primeiros capítulos e disse para mim que não era ainda tempo de o ler. E ainda bem, porque agora dei-lhe mais valor: gostei muito do clima de consciência política dominadora, de estado de sítio, da sensação de revolta ou de ironia que provoca no leitor… e tudo a partir daquelas situações extraordinárias comuns na obra do autor. Gostei ainda bastante por ir buscar personagens de o Ensaio Sobre a Cegueira, um dos meus livros favoritos, não só do Saramago mas de todos… Mais: «os humanos são universalmente conhecidos como os únicos animais capazes de mentir, sendo certo que se às vezes o fazem porque perceberam a tempo que essa era a única maneira ao seu alcance de defenderem a verdade.»p.50. Objecto Quase é um livro de contos muito interessante, seis em que gostei muito de quatro, a saber: «Cadeira», «Refluxo», «Coisas», «Centauro». Experimentalismo, um certo tom de sobrenatural ou até ficção científica. Mais: «Nós, homens, somos frágeis, mas, em verdade, temos de ajudar a nossa própria morte.»p.21. Discursos de Estocolmo reúne os dois textos que escreveu para a aceitação do Prémio Nobel, em 1998, assim como A Estátua e a Pedra é um discurso do autor reflectindo sobre a sua obra. Muito bons para conhecer melhor o homem e o escritor.


7 – A Poesia de Carlos de Oliveira, Manuel Gusmão, Seara Nova/Comunicação****

argumentos: poeta fundamental no século XX, além de romancista, é nesta edição criteriosamente estudado por Manuel Gusmão. Apesar de ter gostado muito de alguns poemas, o que mais me seduziu nesta edição foi exactamente a apresentação crítica, as notas, as sugestões para análise literária que Manuel Gusmão propõe, com rigor e profissionalismo. Leitura tão apurada que me resolveu a cabeça e orientou para a minha própria dissertação.


8 – José Saramago. A Consistência dos SonhosCronobiografia, Fernando Gómez Aguilera, Caminho****

argumentos: obra organizada para acompanhar a exposição com o mesmo nome. Um livro muito bem estruturado e documentado com fotografias, excertos de entrevistas, citações de livros, material esse que algum do que se pode apreciar na dita exposição. É, no fundo uma descrição cronológica da vida e da obra de Saramago. Inclui também uma parte dedicada à exposição e sua abertura em Espanha.

9 – Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto, Bertrand*****

argumentos: romance magistral do jovem escritor. Dorido, intenso, estranho. Muito bom. Conta a história de uma família, na voz do «patriarca» que já morreu e na voz de um dos seus filhos, Francisco Lázaro, inspirado no atleta português que em 1912 morreu na prova de Maratona, ao quilómetro trinta, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo. As suas vozes vão alternando em capítulos, mostrando curiosas semelhanças nos acontecimentos da vida de um e de outro, enquanto se conta também a vida da mãe e das irmãs da personagem Francisco, dias antes da tragédia. Destaque para a organização dos capítulos do atleta por quilómetros, que resulta numa novidade interessante, beneficiada pelo discurso propositadamente memorialístico e de pensamento no momento da corrida. Mais: «Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão, é-me impossível fugir de mim próprio.»p.135; «- Não choras. Eu vou dormir a sexta com a avó, mas volto ontem. Está bem? Volto às setenta e quarenta horas.»p.176; «perguntávamo-nos qual de nós morreria primeiro. Era uma angústia que nos atingia.»p.303.


10 – A Loja dos Suicídios – Jean Teulé, Guerra & Paz****

argumentos: Vi-o no sítio da FNAC e pensei logo: tenho de o ler. E lá o comprei na Feira do Livro. Uma pequena pérola do humor negro: «A sua vida foi um fracasso? Connosco, a sua morte será um sucesso!». Isso mesmo, uma loja que tem tudo o que é preciso para um suicídio eficaz. Um desfilar de personagens e possíveis suicídios, uns conseguidos, outros não. A loja é gerida por uma família toda ela vocacionada para o ramo macabro, menos um menino, o filho mais novo, que tenta mudar as mentalidades e o negócio da família. Surpreendente, engraçado, de leitura rápida (li na viagem de autocarro Lisboa – Porto…). Mais: «- Alan!... Quantas vezes será preciso dizer? Não se diz «Até à vista» aos fregueses que saem daqui. Diz-se «Adeus», pois nunca mais voltam. Quando é que vais perceber isso?»p.11 – já dá para ter uma ideia do que é esta loja e esta família!


11 – O Gosto Solitário do Orvalho seguido de O Caminho Estreito – Bashô, Assírio & Alvim****

argumentos: depois de ter lido o livro na edição mais antiga no mês passado, encontrei na Feira do Livro a edição actual, que além dos poemas inclui um relato de viagem do autor, que permite conhecer melhor o seu carácter e as condições/motivos para a escrita de alguns dos seus hai kai. Mais: «os meses e os dias são viajantes da eternidade. Assim como o ano que passa e o ano que vem»p.57;

Hoje o orvalho
apagará o teu nome
do meu chapéu (p.97)


12 – O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel - JRR Tolkien, Europa-América*****
13 – O Senhor dos Anéis: As Duas Torres - JRR Tolkien, Europa-América*****

argumentos: e lá comecei finalmente a saga. O primeiro volume foi lido em três dias vorazes e incansáveis: as muitas diferenças do livro e do filme compeliam-me a ler sempre mais, porque apareciam coisas que não estavam no filme e queria ver como as opções pelos responsáveis da adaptação respeitavam ou não o livro (não o livro em si, claro, acções e personagens e tal, mas o espírito, se assim quisermos). Conclui que sim, apesar de tudo. E resultam as duas com propriedade e com muito interesse. Gostei muito, portanto. Porque se a história já me era conhecida, pude aprofundar melhor os sentidos, as relações. O segundo volume levou um pouco mais de tempo, mas também gostei muito, pelos mesmos motivos. Mas neste caso o filme é mais próximo do livro, embora se desvie para outras questões e perspectivas. E uma personagem que acho muito interessante, e já aqui o disse, é Faramir, tem aqui um papel maior do que no segundo filme. Talvez um dia fale desta personagem e porque ela me interessa. E como eu adoro estes livros que constroem mundos alternativos e especiais e assim por aí fora, literatura fantástica, se quisermos, estou mortinho por ler o terceiro volume.


Música:

Katie Melua*****
Há uns tempos a Consti fez-me ouvir os três álbuns da menina que de georgiana passou a britânica. Uma voz doce, uma capacidade vocal e impresiva muito interessante, músicas que andam entre o jazz e o blues. E além disso, muito bonita a mulher. São os discos três muito bons: Call off the search (2003), Piece by Piece (2005) e o mais recente Pictures (2007). Vale a pena ouvir as 36 musicas de enfiada, das quais se destacam: «The Closest thing to crazy», «Call off the search» e «Crawling up a hill» do primeiro, «Nine million bicycles», «I cryed for you», «Spiders' web» e «Shy boy» do segundo, e «If you were a sailboat» e «If the lights go out» do mais recente - canções que foram avanços dos álbuns e que foram sendo sucessos um pouco por todo o mundo. Eu, que gosto mais do Piece by Piece, destaco ainda: «My aphrodisiac is you» e «I blame it on the moon» do primeiro, «Piece by Piece», «Halfway up the hindu kush», «Thank you, stars», «Just like heaven», «I do believe in love» do segundo, e «Dirtu Dice», «What I miss about you» e «In my secret life» do terceiro.

Tv:

Destaque breve para o regresso de Lost à RTP1. Adoro esta série e está a ficar cada vez mais empolgante com a saída futura da ilha de seis personagens - têm aparecido já momentos das suas vidas no futuro (em relação ao momento principal da história, ainda na ilha). Na Dois: tenho visto a Britcom, programa que vejo já há vários anos, com momentos de maior interesse do que outros, dependendo das séries. Agora tem o Na tua ausência, sobre uma família complicada e hilariante, o que acontece na outra série A minha família, ainda mais complicada e mais hilariante. Também na Dois: a série Chuck, estreada há pouco, que combina humor e acçãom espionagem e azelhice! Voltando à RTP1: estreou há pouco Os Contemporâneos, um programa de humor com Bruno Nogueira, Carla Vasconcelos, Dinarte Branco, Eduardo Maceira, Gonçalo Waddington, Maria Rueff, Nuno Lopes e Nuno Markl (gosto muito no Markl, da Rueff e do Nuno Lopes). Link para um momento do programa (há mais no youtube) em que se fala de póneis!!!


Cinema:
(filmes já velhos, sim, mas só agora os vi...)

King Kong**** - a versão de Peter Jackson, com Adrien Brody, Naomi Watts e Jack Black. Muito interessante.
Desmundo** - com Simone Spoladore, Osmar Prado e Caco Cioler. Passado nos inícios da colinização do Brasil, uma história de uma mulher que tem de se casar com um colono... e enfins...
Pânico a Bordo*** - eu gosto da Jodie Foster e ela faz bem estes papéis desesperados. E gostei, pronto.
Proof, entre o génio e loucura**** - de John Madden, com Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis. Sobre a loucura e a genialidade. Bastante interessante, e com uma Paltrow ao melhor nível.
Morte em Veneza** - não gostei muito do livro, e também não do filme. Mas pronto, são obras importantes. Ninguém morre por os conhecer, mas também o contrário é verdade.
Antes que o tempo mude** - cinema português, porque não? Má escolha, talvez. Filme de Luis Fonseca com Mónica Calle, Mónica Garnel, Manuel de Freitas, João Mota, Carlos Vieira, Albano Jerónimo. Estranho, muito parado, muito despidos... e sem verdadeiro interesse...


Exposição:

A Consistência dos Sonhos, pois claro. Está disponível até 27 de Julho. Para mais informações: ver sugestões do mês de Abril.

Outros:

Feira do Livro - Lisboa e Porto.
Fui à de Lisboa, pois então. E apesar de coisas que me parecem menos bem, gostei e comprei muitas coisas, incluindo africanos editados nos anos 70, como o meu Arlindo Barbeitos...


Destaque ainda, como forma de pequena homenagem, para a vida e morte de Sidney Pollack, aos 73 anos de idade. Actor, produtor e realizador, deixa-nos um trabalho importante em filmes como Tootsie, África Minha (com o qual recebeu o Oscar de Melhor Realizador), Sabrina, Iris, Cold Mountain, A Intérprete, Michael Clayton.

sexta-feira, maio 23, 2008

23 de Maio

23 de Maio é o 143º dia do ano no calendário gregoriano (144º em anos bissextos). Faltam 222 para acabar o ano.

Eventos históricos
1179 - O Papa Alexandre III emite a bula Manifestis Probatum em que reconhece Portugal como Reino independente.
1430 - Joana d'Arc é capturada pelos borgonheses e entregue aos ingleses.
1535 - O português Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, funda a cidade de Vila Velha, cujo nome original era Vila do Espírito Santo.
1555 - Paulo IV eleito Papa.
1563 – Paulo III autoriza a criação do Tribunal da Inquisição do Santo Ofício.
1568 - A Holanda declara independência da Espanha.
1788 - A Carolina do Sul se torna o oitavo estado dos EUA.
1618 - A Segunda Defenestração de Praga precipita a Guerra dos Trinta Anos.
1805 - Napoleão Bonaparte é coroado Rei da Itália, com a Coroa de Ferro da Lombardia, na Catedral de Milão.
1813 - O líder Sul-Americano da independência Simón Bolívar entra em Mérida, à frente da invasão da Venezuela, e é proclamado El Libertador.
1830 - Inaugurado o primeiro ramal ferroviário para transporte de passageiros das Américas, ligando as cidades norte-americadas de Baltimore e Ohio.
1844 - Em Shiráz, Siyyid Ali Muhammad, o Báb, declara-se portador de uma Mensagem enviada por Deus, vindo a ser Precursor de Bahá'u'lláh.
1846 - O México declara guerra aos Estados Unidos. É a Guerra Mexicano-Americana.
1873 - Fundação da Polícia Montada do Canadá.
1911 - Inauguração da Biblioteca Pública de Nova Iorque.
1929 - É lançado o primeiro desenho animado falado de Mickey Mouse, The Karnival Kid.
1930 - O dirigível Graf Zeppelin faz sua primeira viagem ao Brasil.
1932 - No Brasil são mortos cinco estudantes paulistas (Miragaia, Martins, Dráusio, Camargo e Alvarenga). Surge a sigla "MMDCA" utilizada como bandeira pelos paulistas.
1945 - Heinrich Himmler, braço direito de Adolf Hitler e líder da GESTAPO comete suicídio na prisão.
1949 - Estabelecimento da República Federal da Alemanha.
1969 - A banda The Who lança Tommy, a primeira ópera rock.
1979 - Greve dos jornalistas do Estado de São Paulo, Brasil.
2003 - Fato científico: nasce o primeiro clone de um cervo, Dewey.

Nascimentos
1052 - Rei Felipe I da França (m. 1108).
1707 - Carl Lineu, botânico (m. 1778).
1741 - Andrea Luchesi, compositor italiano (m. 1801).
1810 - Margaret Fuller, jornalista e feminista norte-americana (m. 1850).
1834 - Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês (m. 1890).
1865 - Epitácio Pessoa, presidente brasileiro (m. 1942).
1887 - Thoralf Skolem, matemático norueguês.
1891 - Pär Lagerkvist, escritor sueco, vencedor do Prêmio Nobel (m. 1974).
1908 - Annemarie Schwarzenbach, escritora suíça
1924 - Hilton Gomes, jornalista e locutor brasileiro, apresentador do primeiro noticiário do país.
1933 - Othon Bastos, actor brasileiro.
1945 - José Agripino Maia, político brasileiro.
1946 - Antipapa Gregório XVII, de seu nome Clemente Domínguez y Gómez (em Espanha).
1951 - Anatoly Karpov, jogador de xadrez russo.
1970 - Bryan Herta, piloto norte-americano de corridas.
1972 - Rubens Barrichello, piloto brasileiro de Fórmula 1.
1974 - Jewel, cantora norte-americana.
1980 - Theofanis Gekas, futebolista grego.
1983 – Tiago Aires, génio português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2030 e da Paz de 2031. Recusou o da Medicina por não se sentir com ela relacionado.

Falecimentos
1125 - Henrique V da Germânia (n. 1081).
1304 - Jehan de Lescurel, poeta e compositor.
1498 - Girolamo Savonarola, frade dominicano italiano (executado) (n. 1452).
1523 - Ashikaga Yoshitane, Shogun japonês (n. 1466).
1670 - Ferdinando II de Medici, Grão Duque da Toscana (n. 1610).
1701 - Captain Kidd, pirata escocês (n. 1645).
1857 - Augustin Louis Cauchy, matemático francês (n. 1789).
1886 - Leopold von Ranke, historiador alemão.
1906 - Henrik Ibsen, dramaturgo e poeta norueguês(n. 1828).
1931 - Roque Callage, escritor brasileiro (n. 1888).
1934 - Bonnie & Clyde são mortos numa emboscada policial, em Bienville Parish, Louisiana.
1945 - Heinrich Himmler, oficial alemão e comandante das SS durante a Segunda Guerra Mundial (n. 1900).
1956 - Gustav Suits, poeta estoniano (n. 1883).
1963 - August Jakobson, escritor estoniano (n. 1904).
1966 - Manuel da Conceição Afonso, um dos presidentes do Sport Lisboa e Benfica.
1984 - Milton Corrêa Pereira, bispo católico (n. 1919).
1986 - Sterling Hayden, ator estadunidense (n. 1916).
1999 - Jerônimo Mazzarotto, bispo católico (n. 1898).
2005 - Arrelia, palhaço brasileiro.

Feriados e eventos cíclicos
Brasil - São Paulo - Dia do Soldado Constitucionalista.
Brasil - Espírito Santo - Dia da Colonização do Solo Espírito-santense.


Em wikipédia, com alguns acrescentos. Duvido de algumas datas e tal, mas tudo bem.

Obrigado a todos os que telefonaram, mandaram sms, mensagens no hi5, no msn, em emails, enfim... e em especial à família que veio quase em peso ver-me apagar de um só sopro as 25 velas deste ano. Quem nãos e lembrou ou assim não faz mal. Agradeço também as palavras da Denise no seu blog, mais uma vez. Algumas prendas depois (as outras serão, como de costume, adquiridas por mim na Feira, e depois apresento as contas e tal...), e alguma fruta: duas fotos: o bolo que a minha irmã gentilmente fez - bolo mármore (um pouco aldrabado, com nozes lá dentro, coberto por doce de pêssego e ornamentado com morangos da horta, pêssegos de lata e cerejas oferecidas - sim, aquelas coisas pretas são cerejas e não azeitonas!!!); e o que mais havia - sumo de laranja, champanhe, salada de fruta (morango, ananás, pêssego) e coquinhos. Pouco, sim, mas eu já estou velho para estas coisas e lá arranjei maneira de pôr toda a gente a comer fruta ;)

domingo, maio 18, 2008

Zélia Gattai 1916/2008

Zélia Gattai (São Paulo, 2 de Julho de 1916 — Salvador, 17 de Maio de 2008). Escritora e fotógrafa, envolvida na militância política durante quase toda a vida. Esteve casada cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até à sua morte, em 2001. Não li nada dela, mas fica a lembrança devida neste blogue a quem se dedica às letras.

Obra: Anarquistas Graças a Deus, 1979 (memórias), Um Chapéu Para Viagem, 1982 (memórias), Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983, Senhora Dona do Baile, 1984 (memórias), Reportagem Incompleta, 1987 (memórias), Jardim de Inverno, 1988 (memórias), Pipistrelo das Mil Cores, 1989 (literatura infantil), O Segredo da Rua 18, 1991 (literatura infantil), Chão de Meninos, 1992 (memórias), Crônica de Uma Namorada, 1995 (romance), A Casa do Rio Vermelho, 1999 (memórias), Cittá di Roma, 2000 (memórias), Jonas e a Sereia, 2000 (literatura infantil), Códigos de Família, 2001, Um Baiano Romântico e Sensual, 2002.

excerto:
«Um dia ouvi mamãe combinando com papai a minha ida para a escola (...). Eu estava com quase oito anos; havia aprendido todas as letras do alfabeto (...). Lia frases inteiras. – Já está na hora – mamãe dizia e repetia. – Já passou até da hora. Dona Carolina mandou um recado ontem, quer saber se vamos deixar a menina continuar analfabeta para o resto da vida (...). Realmente, ela não tinha pensado que passara o tempo de matricular sua filha na escola. A menina era tão sabida, aprendia com facilidade, sem ninguém ensinar... Quanto mais tarde fosse à escola, melhor: menos tempo de escravidão entre quatro paredes, de humilhações e castigos corporais aplicados pelas professoras, hábito da época: bolos nas mãos, puxões de orelhas, joelhos sobre grãos de milho ou de feijão atrás de uma porta (...). Havia o exemplo de Olguinha: no primeiro dia em que foi à escola assistiu ao espancamento de um colega. No dia seguinte recusou-se a voltar. Não queria arriscar, não estava disposta a suportar brutalidades. Havia um ano que dona Josefina pelejava para que a menina retornasse aos estudos, sem resultado. Olga começava a suar frio, sempre que falavam em escola, entrava em pânico. Cláudio também regressara várias vezes da aula, de orelhas vermelhas, joelhos inchados. Com Tito, acontecera chegar em casa trazido pelo servente da escola, seguro pela orelha (...). Minha professora não batia nos alunos nem os punha de joelhos sobre o milho ou feijão; tentava manter a disciplina da classe utilizando-se de réguas – mantinha sobre a mesa pelo menos uma dezena de réguas, todas enfileiradas – que atirava na cabeça da criança faltosa, com uma técnica muito especial: segurava numa das pontas da régua, fazia pontaria e... jamais errava o alvo».

Zélia Gattai, Anarquistas, graças a Deus. 30. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 300-4

informações recolhidas na wikipédia.

3 poemas de Carlos de Oliveira

Canto

I

Cantar
é empurrar o tempo ao encontro das cidades futuras
fique embora mais breve a nossa vida

II

Tu, coração, não cantes menos
que a harmonia da terra,
nem chores mais
que as lágrimas dos rios.

**

Estrelas

O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza. As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam, porém.
Chamo um astrólogo amigo:
"Então?"
"O céu parou. É o fim do mundo."
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
"Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão."
Sigo o conselho: as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.

***

Sobre o lado esquerdo

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: “o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração”.

A Poesia de Carlos de Oliveira, apresentação crítica, selecção, notas e sugestões para análise literária de Manuel Gusmão, Seara Nova/Comunicação, p. 116, 127, 131

sexta-feira, maio 09, 2008

Por Lamego

Hoje de manhã acompanhei o meu pai a Lamego. Porque ele tinha de lá ir, e eu aproveitei para ver Lamego sem ser na grande festa da Senhora dos Remédios. E confirmei a ideia que tinha: é uma cidade bonita, onde poderia viver se tivesse rio ou mar... Algumas fotos mostram-a, embora falte a escadaria da Senhora dos Remédios - que é visível da minha terrinha, ou antes, as luzes, à noite, fazendo um percurso encantatório no meio de um monte - mas ficam algumas das coisas que mais me entusiasmam.

Teatro Ribeiro Conceição

Banco de um jardim, onde há painéis de azulejos interessantes, como este que representa as cortes de Lamego

Torre do Castelo

Ele estava ali perto... mas ainda não foi desta...

Claustro da Sé

Claustro da Sé - outra pesperctiva

A Sé (1129) vista do Castelo

Edifícios bonitos abundam, com outros velhos, mas também eles interessantes, e construções muito modernas, com bastante bom gosto...

II 19. L37R45 ^ 3



Os números são letras.
José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia

UM D14 R3P4R31 QU3 4O L3R 3U N4O L14 M35MO. 3R4 MU17O 357R4NHO O QU3 3U F4Z14, 3 3U P3N54V4 M35MO QU3 3574V4 4 L3R. 2 L14 MU17O5 ROM4NC35, M45 QU4NDO CH3G4V4 4O F1M, P3G4V4 NOU7RO 3 O COM3Ç4V4 4 L3R, R3P4R4V4 QU3 J4 N40 M3 L3MBR4V4 D3 N4D4 DO QU3 L3R4. 4 PR1NC1P1O P3N531 QU3 POD14 53R PORQU3 4ND4V4 C4N54DO OU PORQU3 O L1VRO N4O FOR4 4551M 74O 1N73R3554N73, M45 D3PO15 P3RC3B1 QU4L 3R4 O PROBL3M4. OU M3LHOR, S3M P3RC3B3R O PORQU3, P3RC3B1 O QU3. 3 QU3 3NT4O 3U 4O L3R F4Z14 GRUPO5, CONJUNTO5 D3 L37R45. JUN74V4-45 7R35 4 7R35, 53MPR3, M35MO QU3 71V3553 D3 1R ROUB4R L37R45 45 P4L4VR45, 45 FR4535, 4O P4R4GR4FO 53GU1N73. 53MPR3, 7R35 4 7R35. 3 45 V3Z35, PORQU3 4 CON74 N4O D4V4 C3R7O, L4 JUN74V4 O5 PON7O5, 45 V1RGUL45 3, CUMULO DO5 CUMULO5, O5 4C3N7O5. PORQU3 O NUM3RO 7R35, N4O 73NHO FORM4 D3 O 54B3R. J4 D1553 QU3 N4O 531 45 C4U545 D3574 357R4N4 FORM4 D3 N4O L3R. M45 74LV3Z PORQU3 7R35 3 4 CON74 QU3 D3U5 F3Z, O NUM3RO DO 54GR4DO, D4 P3RF31Ç4O, OU, PORQU3 N4O H4 DU45 53M 7R35, DO 4B5OLU7O. M45 N3573 C45O, 4 L317UR4 QU3 3U F4Z14 N4O 3R4 N4D4 D155O, N3M POD14 53R, J4 QU3 UM4 51MPL35 FR453 COMO: O C3U 3 GR4ND3 3 C4B3M N3L3 7OD45 45 COR35, 3U L14 OC3 U3G R4M D33 C4B 3MN 3L3 7OD 454 5CO R35, OU 53J4, N4O L14 V3RD4D31R4M3N73, PORQU3 O5 OLHO5 4P3N45 P4554V4M P3L45 L37R45 53M 45 D35COD1F1C4R COMO 3L3M3N7O5 D3 P4L4VR45, 3 35745 3L3M3N7O5 D3 UM4 FR453, D3 UM 3NUNC14DO QU4LQU3R. 4551M CORR1 L1VRO5 3 L1VRO5 53M M3 4P3RC3B3R D3 QU3 N4O O5 L14. OU 74LV3Z L3553, PORQU3 N3M 53MPR3 3573 35QU3M4 D45 7R35 L37R45 FUNC1ON4V4, 3R4 5O 45 V3Z35. M45 P4R4 UM L317OR 3R4 MU17O M4U, QU4N7O M415 P4R4 UM 35CR17OR, COMO 3U. 53 7UDO D31X4V4 D3 F4Z3R 53N71DO N45 P4G1N45 35CR1745, D3 QU3 V4L3R14 35CR3V3R? 3 D31X4R; 74O 51MPL35 QU4N7O 155O. M45 H4 M4L35 QU3 V3M POR B3M, M35MO QU4NDO V33M M4L 3 4 7R1PL1C4R. P4R4 UM 4R71574 D45 P4L4VR45 4 D357RU1Ç4O 1MPL1C4 4 5U4 MOR73, M45 53 5OUB3R R373-L45, 4D4P74-L45, MOLD4-L45, CON53GU3 M4N73R-53 V1VO 47R4V35 D3L45. 3 4551M, 3MBOR4 N4O R35OLV3NDO POR COMPL37O O M3U FR4C455O D3 L317UR4, QU3 POR V3Z35 M3 4554L74V4 M35MO QU4NDO L14 UM 51MPL35 RO7ULO D3 UM P4CO73 D3 4ÇUC4R OU O NOM3 D3 UM4 RU4 NUM M4P4 D3 C1D4D3, CONV3NC1ON31 UM4 NOV4 FORM4 D3 35CR3V3R P4R4 M1M M35MO. 3X1G14 UM C3R7O 35FORÇO D3 H4B17U4Ç4O, QU3 FO1 F4C1L D3 OB73R, 3 UM4 3X4C71D4O 4 PR1M31R4, PORQU3 R3L3R 53R14 M415 COMPL1C4DO 3 N1NGU3M M3 G4R4N714 QU3 3U N4O L3553 4O5 7R35, 4O CUBO, 4O5 CONUN7O5, 7R3VO D4 5OR73 1MP3RF317O, O QU3 POD3R14 53R 41ND4 M415 C47457ROF1CO L3R M473M471C4M3N73 UM4 35CR174 QU3 J4 3R4 3L4 CON57RU1D4 COM L37R45. FO1 4 FORM4 D3 CON71NU4R 4 35CR3V3R. O5 NUM3RO5 54O L37R45 3 P3RC3B3M-53 B3M. O5 CONJUN7O5 N4O, N4O F4Z3M 53N71DO. 3 3M BU5C4 D3573 PRO551GO 4 M1NH4 35CR174, FUNG1NDO DO BR4NCO 3 DO V4Z1O. M45 H4 M4L35 QU3 V3M POR B3M, M35MO QU4NDO V33M M4L 3 4 7R1PL1C4R. P4R4 UM 4R71574 D45 P4L4VR45 4 D357RU1Ç4O 1MPL1C4 4 5U4 MOR73, M45 53 5OUB3R R373-L45, 4D4P74-L45, MOLD4-L45, CON53GU3 M4N73R-53 V1VO 47R4V35 D3L45. 3 4551M, 3MBOR4 N4O R35OLV3NDO POR COMPL37O O M3U FR4C455O D3 L317UR4, QU3 POR V3Z35 M3 4554L74V4 M35MO QU4NDO L14 UM 51MPL35 RO7ULO D3 UM P4CO73 D3 4ÇUC4R OU O NOM3 D3 UM4 RU4 NUM M4P4 D3 C1D4D3, CONV3NC1ON31 UM4 NOV4 FORM4 D3 35CR3V3R P4R4 M1M M35MO. 3X1G14 UM C3R7O 35FORÇO D3 H4B17U4Ç4O, QU3 FO1 F4C1L D3 OB73R, 3 UM4 3X4C71D4O 4 PR1M31R4, PORQU3 R3L3R 53R14 M415 COMPL1C4DO 3 N1NGU3M M3 G4R4N714 QU3 3U N4O L3553 4O5 7R35, 4O CUBO, 4O5 CONUN7O5, 7R3VO D4 5OR73 1MP3RF317O, O QU3 POD3R14 53R 41ND4 M415 C47457ROF1CO L3R M473M471C4M3N73 UM4 35CR174 QU3 J4 3R4 3L4 CON57RU1D4 COM L37R45. FO1 4 FORM4 D3 CON71NU4R 4 35CR3V3R. O5 NUM3RO5 54O L37R45 3 P3RC3B3M-53 B3M. O5 CONJUN7O5 N4O, N4O F4Z3M 53N71DO. 3 3M BU5C4 D3573 PRO551GO 4 M1NH4 35CR174, FUNG1NDO DO BR4NCO 3 DO V4Z1O.
´
para a mancha ficar direita tive de mudar o tipo de letra e fazer uma alteração no título, que para quem não saiba, como eu não sabia, o ^ lê-se como potência, ou seja: letras ao cubo (em vez de pôr o 3 lá em cima, sozinho - porque aqui não fica!!!

quarta-feira, maio 07, 2008

II 18. A cidade



O espírito arrebatou-me e levou-me para a porta oriental do Templo de Javé, isto é, a porta que dá para Oriente.
Ez, 11, 1

Subia o íngreme caminho em direcção à entrada oriental da cidade. Levava consigo apenas a sua sombra escura, despida. Das ameias mais próximas era visível o seu esforço na caminhada, pelo passo cambaleante e o corpo meio curvado, mas não era visível a pele queimada e crestada, os pés esfolados, os olhos cobertos de rios de sangue, o rosto coberto de suor e pó que se tornavam barro modelado de figura humana. De homem. De homem sem roupa e sem alma. Mas ninguém o viu chegar à porta oriental porque toda a cidade fora convidada para o casamento do Princípe-Futuro-Rei. A cidade acordara já pronta do trabalho da véspera, limpa e embelezada pelos panos bordados e flores colhidas nos campos em redor. Servia-se então um banquete de honra a toda a população, incluindo os vigias, menos ele, vigilante mais distante que avisa dos perigos antes de todos os outros através de fumo, fogo, sons ou o que for mais conveniente. Dessa vez o mais conveniente foi a corrida que o invasor lhe concedera, após o ter privado de tanta coisa que o Homem considera dignas. A corrida era excessiva ao seu estado de irmanação com o solo. Mas o vigia dos longes não se preocupava já consigo nem com a vergonha de estar nu e nu ir aparecer em frente de toda a gente ou ter de contar o que lhe fez o invasor, mas sim em contar o que ele iria fazer à cidade toda. Subiu o íngreme caminho e chegou à porta oriental; estava fechada. Com a pouca força que ainda tinha bateu-lhe e chamou para dentro. De lá não obteve resposta, apenas o barulho normal que faz uma cidade numa festa real, aproveitando a altura para alimentar corpo e alma. Arrastou-se ainda pelo círculo das muralhas, procurando a porta seguinte, pensando que em alguma delas teria de estar alguém para dar o alerta. Mas também na outra não estava ninguém. Mas a sua força interior parecia ser maior que o estado em que se encontrava e conseguiu chegar à terceira porta, também ela encerrada na sua madeira forte e impenetrável. Na linha do horizonte, entre os arbustos despidos e a terra seca, o invasor vinha já. O seu horror dominou-o por momentos. O cansaço, os nervos, o desânimo, a impotência. Lá de dentro vinham risos, gargalhadas, falas e música ao fundo. Ouvia-se também o tinir dos talheres na louça. Sentia-se o cheiro da carne assada. Também o vigia dos longes sentiria o cheiro de carne na cidade em chamas e ouviria os gritos e o choro dos sobreviventes, se entretanto não se tivesse irmanado do chão e nele se entregasse, imperfeito.

segunda-feira, maio 05, 2008

Reitoria da Universidade do Porto

A Reitoria da Universidade do Porto, a dos leões, a que eu conheci primeiro como a Faculdade de Ciências da minha irmã (e onde ainda ontem ela cartolou - mas disso falarei a seguir), a que depois vivi como local de trabalho do EILC de Agosto e de Janeiro (a semana incial de cada mês de trabalho era lá, a preparar tudo para o bom funcionamento do curso). Adoro aquele edifício: pesado, forte, grande, austero, labiríntico. Quando saia de lá ao fim de cada dia de trabalho, cansado e mortinho por chegar a casa, não conseguia impedir-me de me sentir orgulhoso de trabalhar ali (ainda que por poucos dias, mas quem passava e me via sair às seis não sabia disso, mas também não sabia que eu trabalhava ali...).

Agora, após o dia de ontem em que os finalistas de Ciências puderam usar o espaço pela última vez para a sua festa de cartolação, no fantástico Salão Nobre (onde estive ao lado de Agustina e recebemos e nos despedimos dos alunos dos diferentes EILC), na escadaria que leva à entrada, na praça dos leões, o edifício está arder. E agora que já sei que não há vítimas, importo-me com tudo o que está lá guardado, além da sua beleza e valor - real e simbólico.


Ficam algumas fotos que tirei com o meu tlm do mês de Janeiro e de Agosto (as de ontem ainda não tenho): a clarabóia do escadario, as escadas escondidas de que tanto gosto, o interior do edifício, salão nobre, fachada...




p.s. - entretanto parece estar tudo controlado e não haver grandes danos. ao menos isso!

sexta-feira, maio 02, 2008

Calvin, Hobbes e Eu

A primeira vez que ouvi falar do Calvin & Hobbes andava no sétimo ano. A professora de então faláva-nos da banda desenhada e o exemplo que deu foi umas tiras do Bill Watterson. Lembro-me de que uma pergunta do manual partia de uma notícia sobre o cancelamento das suas aventuras. E eu respondi que não me importava muito, já que não gostava de banda desenhada. Tinha já a mania do pseudo-intelectualismo (não com estas palavras, claro) e dedicava-me a tentar ler As Viagens na Minha Terra e quase todo o Júlio Dinis (era o que havia na estante dos meus pais, além de outras coisas um pouco más). Depois foi no décimo e no décimo primeiro, com os livros de filosofia, que comecei a gostar - também, qualquer coisa era melhor do que ouvir as profs que tive. Mas aquilo não era qualquer coisa, era mesmo fixe! Seguiram-se os jornais do Público, durante toda a faculdade. Agora li finalmente um livro: Há monstros debaixo da cama, da Gradiva. Algumas das histórias já conhecia, outras não. E ri-me como um tulinho, outras vezes pensei a sério. É isso que existe de bom nesta banda desenhada: ri-se e pensa-se um bocadinho. E embora eu seja do bem (private joke) e me identifique mais com o Hobbes (afinal eu sou também um felino), não posso de deixar de achar piada à imaginação, à loucura, às dúvidas, às maldades do Calvin. E seguir-se-ão outros, qualquer dia. Deles, mas também do Astérix (que conheço melhor dos filmes), da Mafalda (de que a Consti gosta muito) e do meu herói de sempre, porque não é um herói cheio de poderes extraordinários, o Tintim. E embora continue com a mania do pseudo-intelectualismo, isto também cabe nele - pena ser já tão tarde. Mas lá diz o ditado... e eu concordo.

Uma tira do referido livro, aqui em Inglês:

quinta-feira, maio 01, 2008

Artes

Ter amigas que fazem coisas giras com a sua imaginação, as mãos, alguns materiais e muito talento dá nisto: um post em que tenho de falar de uma série de criações. E fica bem no dia de hoje, dia das maias na porta e dia do trabalhador.
Começo pela Patrícia que faz isto há mais tempo, pelo que sei. Tem dois sítios de divulgação: o blogue e o flickr. O primeiro mais dedicado às suas meninas (em fimo), acompanhadas de histórias ou poemas, e de músicas, o segundo mais abrangente: as meninas, os wip, as bonecadas e as bijuterias. Sempre com muito bom gosto e ternura (que outra palavra usar para os gatinhos ali em baixo?). Ficam aqui algumas fotos só para aliciar:




E agora a Natacha. Tem dois sítios de divulgação, também: o blogue e hi5. As criações da Natacha são mais adornos femininos que acalentam a alma, como refere no seu blogue, onde também justifica o Ropica Pnefma, de um tratado de João de Barros, cuja tradução é mercadoria da alma. Adornos como pulseiras, pregadeiras, brincos, colares... Ficam aí alguns exemplos da colecção de Primavera para as deusas que se querem embelezar mais ainda:


segunda-feira, abril 28, 2008

Sugestões de Abril

Desta vez é diferente: tentei reduzir os argumentos, em grupos que se reenviam para textos anteriores onde os referi, ou não, porque este mês abusei. Bem, não sei se pode dizer que ler muito e tal é um abuso, mas enfim… E este mês mais cedo, não sei se poderei depois fazer um post desta envergadura daqui a uns dias...


Livros:

1 – A Bíblia (Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias), Paulus ***

argumentos: continua a saga, com mais ou menos sacrifício ou prazer. Daniel e a cova dos leões, ou frases brutais como: «Gostavas de receber a paga de prostituta em qualquer eira de trigo.» (Os 9, 1) ou a hilariante frase «O espírito arrebatou-me e levou-me para a porta oriental do Templo de Javé, isto é, a porta que dá para Oriente.» (Ez, 11, 1). Mais do mesmo, um pouco repetitiva a ideia…


2 – Doze Casamentos Felizes, Camilo Castelo Branco, Parceria ***

argumentos: não me entusiasma o escritor, mas lá li por sugestão da Prof.ª Annabela Rita, num curso queirosiano. São doze histórias sobre casamentos, ou o antes deles, na maioria. E felizes, pois claro. Mais: «As mulheres, se não tivessem estas adoráveis esquisitices, pouco mais valeriam que os homens», p.88. E com passagens engraçadas: «havia uma Ximena, da qual ele contava uma tragédia mais horrível que o nome»p.58, lê-se bem e pode servir de companhia numa viagem.


3 – O Prazer da Leitura, A. A. V. V., Teorema/FNAC****

argumentos: livro que celebra o dia do livro. Dez contos por €4.00. Não gostei de todos, mas em lá, dos que gostei, João Aguiar, Lídia Jorge, Nuno Júdice, Manuel Jorge Marmelo, Filipa Melo, Francisco José Viegas, Rui Zink, e ainda Maria Teresa Horta, Luísa Costa Gomes e Mário Cláudio. Alguns dos contos falam da relação das pessoas com a leitura, com os livros, com as palavras. Mais: «Um escritor deve sempre acreditar que o seu romance irá salvar o mundo. Senão para que escreve ele? Se um livro não é feito para salvar o mundo, então mais vale, se calhar, nem o começar a escrever. O mundo já está tão cheio de maus romances… E até de bons romances. O mundo não precisa de mais livros.»p.214 (Rui Zink).


4 – A Voz Fagueira de Oan Timor, Fernando Sylvan, Colibri ****
5 – A Casa, a Escuridão, José Luís Peixoto, Temas e Debates****
6 – Túmulo de Heróis Antigos, Paulo Teixeira, Caminho ***
7 – Panfleto (Poético), António Cardoso, Plátano ***
8 – Economia Política, Poético, António Cardoso, Plátano ***
9 – O Gosto Solitário do Orvalho, Bashô, Assírio & Alvim ****

argumentos: muita poesia este mês – livros pequenos, claro está. Não comento um a um, mas destaco o do Peixoto e o do Fernando Sylvan. Poemas de todos eles nos links dos títulos. Ficam aqui alguns do Bashô, que li enquanto a Denise lia a Teresa Veiga:

separados pelas nuvens
dois patos selvagens
dizem-se adeus

*

admirável aquele
cuja vida é um continuo
relâmpago


10 – Eu Vim Para Ver a Terra, Maria Ondina (Braga), Agência-Geral do Ultramar *****

argumentos: o livro sobre o qual falarei no colóquio sobre Macau, se for seleccionado. Livro de crónicas, ao estilo colonial mas sem preconceitos ou ideologias imperialistas. Muito bonitas as crónicas sobre Angola, dorida a crónica sobre Goa, muito interessantes as referentes a Macau, cinzentas e tristes, em profundo contraste com as de Angola. Uma escritora que me parece irá fazer parte das minhas leituras futuras. Mais: «De avião as viagens têm sempre aquele carácter atraiçoada de pressa que é a chaga aberta do nosso século. Chegar depressa é com certeza envelhecer cedo, é, de qualquer modo, não ter tempo para ver, em para desejar, nem para sonhar. É estragar o prazer fascinante da viagem, seja ela a viagem de Luanda a Nova Lisboa ou, simplesmente, a viagem da vida.» p.46.

11 – Doutoramento Honoris Causa de Agustina Bessa-Luís e Eugénio de Andrade, FLUP****

argumentos: pronto, só porque eu apareço lá, numa foto, ao lado da Agustina e do então Reitor. Mas tem textos muito interessantes, dos novos Doutores, mas também das elogiadoras: Fátima Marinho descreve a obra em geral de Agustina, Maria João Reynaud fala de alguns lugares de Eugénio.


12 – As Intermitências da Morte, José Saramago, Círculo de Leitores*****
13 – Deste Mundo e do Outro, José Saramago, Caminho****
14 – Manual de Pintura e Caligrafia, José Saramago, Caminho *?*

argumentos: A Consistência dos Sonhos, a exposição do Saramago onde eu sou guia (às terças e sextas, às duas horas), obrigou-me a uma séria preparação. E a preparação passa também pela leitura de outras obras do autor – uma excelente oportunidade e desculpa para os livros dele que estavam cá em casa passassem à frente de outros… O primeiro, que li em dois dias, conta a história de um país onde não se pode morrer, de repente, e depois a história da própria morte apaixonada por um músico que de alguma forma conseguiu escapar ao momento da sua morte já fixado… Muito bom, com reflexões sobre o próprio romance e conversas com o leitor - um dos meus favoritos. Mais: «falar consigo é o mesmo que ter caído num labirinto sem portas, Ora aí está uma excelente definição da vida»p.205. Não resisto a citar ainda: «Os provérbios estão constantemente a enganar-nos, concluiu o cão»p.212.
Deste Mundo e do Outro, um conjunto de crónicas dos anos sessenta, tem textos belíssimos, outros nem tanto, mas ainda assim parece-me que muito do que ali se fala será mais tarde o húmus da sua escrita: as estátuas e os olhos, a morte, as injustiças, os sonhos e as estrelas… Mais: «A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver»p.40
Manual de Pintura e Caligrafia - ainda estou a ler, mas não estou a gostar tanto como dos outros... mas pode melhorar ainda. Ou não.



TV:
Prison Break** + Joan of Arcadia**** – RTP 1
A Guerra**** – Dois:

Prison Break (terceira temporada) acabou agora, mas parece que continua. Por mim, já tinha acabado na segunda. Não gostei desta, não me prendeu como as outras duas, que chegava a discutir com a Sandra e a Rita. Já A Missão de Joan era a minha série de sábado à tarde. E de repente desapareceu, para dar às tantas da noite durante a semana – episódios que não deram de tarde, parece-me. É uma série sem grande pretensiosismo, mas é gira por isso, pelos adolescentes e seus problemas e pela figura de Deus que aparece nas mais variadas figuras – e vai ensinando, fazendo reflectir.

Nas noites da Dois: passou a série A Guerra, que já tinha passado na RTP 1. Mais uma vez não vi na totalidade – mas vai sair em dvd com um jornal, não sei é qual. É uma excelente série documental sobre a guerra colonial – de libertação – do ultramar, de acordo com as várias perspectivas. E aparece lá o poeta que estudo na minha dissertação, Arlindo Barbeitos.


Música:

Mariah Carey: E=MC2***** o novo álbum da diva do r&b. Melhor que o anterior, parece-me, o multi-platinado e multi-premiado The Emancipation of Mimi, embora não tenho temas tão fortes como «We belong together», «It's like that» ou «Fly Like a Bird». Mas «Touch my body» já rendeu o 18.º n.º1 da Billboard (ultrapassando Elvis Presley), e «Bye Bye», o novo single, entrou para o n.º23 esta semana. E o álbum entrou directamente para o n.º 1. Sucesso garantido num disco que repete a fórmula vencedora do anterior, mas globalmente mais conseguido, com ritmos dançáveis, algumas baladas r&b, pop e soul. Destaco, das 14 canções: «I Stay in Love», «Side Effects», «I’ll be lovin’U long time», «Thanx 4 Nothnig», «For the Record», «Bye Bye», «I wish you well» (algumas estão no youtube, videos não oficiais ou actuações ao vivo). Mais topos nos tops e prémios parece-me que vêm a caminho. E gosto, porque parece que ao ouvi-la me mantenho mais jovem...


Cinema:

Sem grandes comentários, os filmes que vi este mês e que recomendo:
Melhor do que sexo**** - muito íntimo, quem o ver e souber da minha experiência actual percebe porque gosto deste filme. De Jonathan Teplitzky, com Susie Porter e David Wenham.
Astérix e Obélix nos Jogos Olímpicos**** - para rir é do melhor. Talvez não tão bom como o da Missão Cleópatra, mas ainda assim. O Brutos é que fica muito mal retratado, coitado.
Manderlay**** - a continuação de Dogville. De Lars von Trier, mas sem a Nicole Kidman. Mais uma vez para pensar porque é desconcertante e extraordinário.
Klimt*** - confesso que adormeci, estava cansado e deu muito tarde. Mas fui um dos filmes da RTP 1 de domingo à noite, que agora são dedicadas ao cinema europeu. Com John Malcovich.


Exposições:

A Consistência dos Sonhos*****

argumentos: a exposição da Fundação César Manrique sobre a vida e a obra de José Saramago, agora no Palácio da Ajuda, na Galeria de Pintura de Luís. Uma exposição com muitas pinturas (Graça Morais, David de Almeida, José Santa-Bárbara), fotografias (Carlos Relvas) documentos, jornais, epistolografia, manuscritos, edições portuguesas e estrangeiras, projecções com recurso a inteligência artificial (Charles Sandison), sistemas audiovisuais, objectos pessoais do autor e até a reconstituição do seu espaço de escrita, com a mesa e a máquina de escrever originais. É uma exposição para se demorar algum tempo - as visitas guiadas limitam-se a 45 minutos. Espero que a vejam, porque vale a pena! Ficam aqui os horários e acessos (mesmo se não for comigo, vale a pena, os meus colegas são extraordinários - alguns).

segunda-feira, abril 21, 2008

Carta aos humanos

Vi-te nascer.
Vi-te voar nos olhos das gaivotas
enquanto fazias castelos de areia
e o mar os levava como oferta ao Sol no fim do dia.
Vi-te rebolar feliz pelos campos verdes
e brincar com as pedras dos rios.
Vi-te contente e por ti sorria.

Não te verei morrer.
Vi-te pintares o céu de fumo
e puseste-te a brincar às bombas
e em vez de castelos davas a morte ao mar.
Vi-te cortar árvores sem rasgão
e nos rios os restos de má educação.
Vi-te contente e por ti e por ti eu chorava
pois nada mais farás assim que acabares de me matar.

Sou alguém que deseja o melhor para ti,
neste dia de tristeza,
a Natureza.


poema do meu primo Claúdio para um trabalho de Língua Portuguesa 7.º ano. Ajudei a escrever, a organizar e em algumas expressões... de maneira a que ele entendesse (espero eu) algumas especificidades do texto em verso e do uso de uma linguagem mais metafórica ou não...

sábado, abril 19, 2008

Aula de Cultura Portuguesa III – 13/01/04

continuo a rir após tantos anos...
Numa folha arrancada de um caderno meu, perdida no meio do mesmo oitavo volume de Pensamentos Ligeiros, as conversas escritas entre Mari. e A. V. (manter um certo anonimato porque nunca se sabe…) e eu estava no meio e ia passando o caderno ora a uma ora a outra. A não perder:

A. V.: Zé Povinho = Guerra Junqueiro – tem tudo a ver!!!

A. V.: Publicidade: Suicídio? Qual suicídio! Vem já à aula de Cultura Portuguesa e a morte é instantânea! Acredita!
Mari: Tá mto fixe! Ele estava a falar em doido… mas não sei quem será o doido. É 1 questão mto filosófica… Ele ou nós? Que ainda vimos às aulas…

(depois de um poema escrito por mim na aula)
Mari: para o Tiago! Boa Tiago! Tens de ver mais vezes a cult. Port. E até talvez marcar umas aulas extras… faz bem à tua inspiração!!! ;)

«Eu amo o Ferro Rodrigues e o Paulo Portas» - Rui
A. V.: Realmente são pessoas adoráveis. Eu amo o P. Tav. Ele põe-me fora de órbita, isto é, não sei em que planeta estou!!!

A. V.: Enciclopédias?! Não compre! Venha já a uma aula de cult. Portuguesa e passe rapidamente de Zé Povinho para Eça de Queirós! O dicionário mais completo em cultura. Garanto-lhe!! E se telefonar já, habilita-se a ganhar nada mais nada menos que um exame a 10 de Fevereiro!
Mari: Eu não quero telefonar já!!
A. V.: Não há problema! Telefone depois e ganha outro exame em Setembro!
Mari: Obrigadinha! ;) Deixa-me adivinhar… e anda há 1 bónus para quem tem estatuto. Com exame em Dez, ou dps em Set.
A. V.: Minha cara amiga, há sempre 1 bónus: pode mudar para outra cadeira e aí ainda terá a felicidade de ter muitos exames!!

Mari: eu tenho um grande anúncio: quer redimir-se da sua vida pecadora? Falta às aulas? Não trata bem a sua amiga Mari? Tem uma doença e deseja morrer imediatamente? Caros amigos daqui para o inferno é a nossa especialidade.
Em apenas uma aula de cultura portuguesa pode conseguir tudo isso… ou morre ou mata-se! Com a oportunidade de caso não seja eficaz a aula ter sempre à sua disposição 1 fantástico exame! Não perca é já dia 10 de Fevereiro!

Calinadas ou frases verídicas encontradas

– isto de ver os cadernos em que se registam estas coisas da vida dão-nos surpresas e trazem lembranças inesperadas (…). Pergunto-me se isto não será uma forma de procrastinação, mas neste momento tenho tudo pronto, excepto eu para a deslocação. E a dissertação, claro…

«o amor é verde e uma vaca comeu-o!» - eu
«É tão bom ser livre, correr pelos prados verdes, bater numa vaca e cair na relva!» - eu
«mato-me ou mato-me» - Su (um clássico que ficou para sempre)
«o estogamo» - Milai
«os filhos da mão» - eu
«Quando a li peça pela primeira vez...» - Marta (pois ééé)

João Damasceno

Corria o ano de 2004. Eu e a Patrícia estávamos numa feira do livro na FLUP. E a Celine (tenho saudades da Celine que nã vejo há muito - e do verso «as crianças são papéis ao vento» inventado numa outra feira, da UP), no meio daquilo tudo, descobriu um livro chamado Retrato do Artista Quando Jovem aos Pés da Rainha Santa Isabel de um tal de João Damasceno. Poemas. E gostei de dois, na altura, que copiei e encontrei hoje perdidos num guardanapo guardado num 8 volume dos meus Pensamentos Ligeiros… Aqui ficam:

4 ordens de fuzilamento:

2.ª
Apontem-se canhões nucleares
ao firmamento

fuzilem-se as estrelas

3.ª
Encostem-se as montanhas
e os rios
os planaltos, os vales
a um muro de tijolo
e cal

vendem-se-lhes os olhos

fuzilem-se

quinta-feira, abril 17, 2008

depois da procrastinação...

tenho andado ocupado, mas ainda assim deu para comentar um outro blog e enviar uns emails a amigos. ocupado porque ando a ler muito sobre Saramago para a exposição, porque andei a ler sobre Maria Ondina Braga para fazer o resumo para o Colóquio Macau na Escrita, Escritas de Macau (ainda falta rever artigo de Guimarães Rosa para Berlim e resumo de outro sobre ele para o colóquio sobre a memória), e ainda escrevi mais uns contos... e agora é só para dizer que vou ter de recusar o TETRA porque há um impedimento legal de estar a trabalhar noutra coisa enquanto sou bolseiro. e assim fico com a exposição, o EILC em Agosto e depois logo se vêm, ou IC ou bolsa de doutoramento (tenho mesmo de apressar a minha entrada no CLEPUL), se correr bem a coisa, ou como recurso, o voluntariado em Moçambique.


para as meninas que gostam de procrastinar, vejam lá se começam a participar em colóquios e coisas do género. é bonito e fica bem no curriculo. têm aqui alguns exemplos de actividades. e de revistas on-line onde publicar sobre literaturas em língua portuguesa: sarará e crioula. e ah, a Consti acabou o curso, já foi há umas semanas, mas lembrei-me agora. mas como é teimosa, vai fazer melhoria de teoria da literatura e de história da língua, e eu acho bem.


entretanto acabou o E=MC², vou ver se ainda faço mais alguma coisa antes do jantar...

domingo, abril 13, 2008

Paulo Teixeira e Caspar David Friedrich

Mais leituras desinteressadas que dão a ilusão de adiar problemas, decisões, partidas e chegadas. Mas desta vez quis fazer bem, ver a inspiração dos poemas - diz na última página do livro, e lá fui procurar na internet as pinturas. Já conhecia algumas, outras não. Gostei de três poemas, fica aqui um e uma parte de outro. O outro fica para a próxima Páscoa. E as outras pinturas de que gostei muito podem ser vistas neste sítio.



Mulher à janela


Ela queria tomar o partido do visível,
a visão como vela armada para a viagem,
tensa como a corda do arco
na suspensão do gesto inocente sobre a seta.
Debruçada, num ofício de corpo presente,
viu passar toda a blandícia na brisa.


Agora recolhe-se ao copo facetado
de que uma só face dá para o mundo
como a alma no azul escuro de um vitral,
o vinho quente no fundo de um cálice:
o quarto onde guarda o estojo da sua vida
com o sombreamento do dia no soalho.


Exasperada pela cintura de gelo da vidraça,
para onde declina lentamente a face,
estenderia o braço se o ser em cada coisa
lhe fosse dado tocar: o mundo
de que ela fosse mais que o alto-relevo
fixo para sempre na moldura da janela.



O Viandante sobre o mar de névoa

(...)

II

Ele subiu acima da murmuração e da bruma
e do que amadurece à flor da terra
inculta, seguindo a pista dos animais
na neve, com paixão e pavor na subida
no primeiro segundo patamar
gravou a quietação prometida;
foi acima do último cantão povoado,
por montes nimbados como ilhas,
fundear a alma nesta enseada
onde ver é tudo à transparência do ar.

(...)

Paulo Teixeira, Túmulo de Heróis Antigos, Caminho, p.9, 26