sábado, julho 19, 2008

palavras africanas

Texto que escrevi ao Luandino, no caderninho do nosso encontro...

À «hora das quatro horas» é que sabe bem a dor [que] purifica a beleza». A dor da descoberta difícil do prazer de ler, do «ser e não ser, ao mesmo tempo», das palavras que são «um búzio ressoando nos [m]eus ouvidos»…
«Para poder pôr» as palavras, «primeiro pergunta-se saber» que marca deixou Luandino em mim?
Primeiro: o nome que me acompanha sempre na boca de alguns amigos, por causa do «Pedro Caliota» (uma das minhas estórias favoritas) todos me chamam «Mau-Miau» («o gato não miava, era só gordachucho, se chamava é o Mau-Miau.»).
Segundo: a beleza das coisas vistas de forma desigual, «tal igual» a ninguém.
Minhas palavras. Se dão bonitas, se são feias, os que sabem ler é que dizem. Mas juro que é assim e não admito ninguém que duvide.

(recuperando estruturas e expressões de: João Vêncio, Luuanda, Macandumba )– 06/06/05


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Um beijinho de parabéns à Ana Luísa, com as palavras africanas de que tanto gostamos:

«Ali defronte, abriam-se aos olhos de Ruca as vagas que rebentavam lá em baixo. "Sim, vão matar." Que mistério era aquela grandeza de espuma branca, eriçando o mar?
- Vocês não gostavam de ser onda?
- Deve ser bom. Assim por cima da água nem é preciso saber nadar. Quem me dera ser onda! - E Beto abria os braços.
- Mas Ruca - considerou Zeca -, não se pode ser onda. Ainda se uma pessoa fosse entrava com essa força do mar onde a gente queria. Onda ninguém amarra com corda.»

Manuel Rui, Quem me dera ser onda, 6.ª edição de Lisboa, Edições Cotovia, 2001, p.60

quinta-feira, julho 17, 2008

3 poemas de Carlos Nejar

LIMITE

Meus mortos, somos ligados
ao mesmo monte.
Porém, o que nos separa
é o estar adiante.

Não vos atinjo
e esta distância
é que me torna cativo.

Há um invólucro apenas
a ser quebrado.
Meus mortos,
há um invólucro apenas
e os meus sonhos vastos.
****

DEUS NÃO É A PALAVRA DEUS

Deus não é a palavra Deus
e andorinha,
a palavra andorinha.

Há um poço
que não entra
na palavra poço.

O amor, na palavra amor.
E Deus é tudo isso.
****

O Guitarrista Cego, Goya


O CEGO DA GUITARRA (GOYA)

Cego com os olhos
e morto. Cegos
os ouvidos. Cegos os olhos
de remota lembrança.
Nariz adunco e morto.
Chapéu entornado
E morto. Sob a capa,
Mortalha. Morto
morto morto.

Mas a guitarra
salta, a guitarra
letrada e casta
jorra e alegria
de um povo
em torno.

A guitarra é o cego.
A guitarra é o cego.
A guitarra tem os olhos
acesos.


Antologia Poética de Carlos Nejar, organizada por António Osório, Pergaminho, p.55, 98, 159

segunda-feira, julho 14, 2008

I'll Be Lovin' U Long Time + umas coisas

Porque tem tudo a ver. O título, e outras coisas. e porque gosto. Gostamos. Espécie de música do par ou assim... Quem sabe percebe o que quero dizer. E não é só por ser da minha Mariah...

****

Há uns tempos dizia eu à Denise que um dia eu é que iria precisar de uns miminhos. E pimba, ela escreve «Um baobá para o TUlinho». E tempos depois bem pecisava, e quem se apercebeu lá mos deu, à sua maneira. Entre a recusa da bolsa de Teatro, sem qualquer outra coisa financeira em vista, a não ser uns concursos com muito poucas probabilidades de conseguir, para Timor e Guiné, ou uma bolsa de doutoramento para a/o quais não tinha a menor preparação/disposição para concorrer, ainda com o mestrado por acabar... entre a recusa, dizia eu, e a partida no meu coração no avião (ok, um pouco foleiro, eu sei) e a minha ficada, houve momentos muito bons.

Os últimos tempos em Lisboa foram do melhor, com a presença da Patrícia e da Marta no curso livre sobre José Saramago. Os almoços, o eléctrico, as fotos (que ainda não tenho, mas terei)... Mas também a FIA, com a Inês (minha prima), onde me diverti bastante e falei muito com a Natacha que estava a fazer negócio... Mas uns dias estranhos no Porto, com encontros (Marta, Ana Verde), muitas pesquisas internéticas, passeios, compras na Springfield, e uma ida a Braga espectacular onde garanti um emprego para o próximo ano: Colégio D. Diogo de Sousa, a dar aulas de Língua Portuguesa (5.º, 7.º, 8.º e 10.º).

Mudanças súbitas que me vão alterar a vida a partir de Setembro, ou já a vão mudando hoje em dia. Segue-se Tormes, para descansar de tudo isto e encher-me de pessoas novas e mais Eça. Terceira vez lá (cf. 2005, 2006), com a Aldinida (foi também em 2006)

****

Demorei muito a escrever isto porque... sei lá...

domingo, julho 06, 2008

Diz que é uma espécie de nostalgia

ou então não. Mas deu-me para rever os meus cadernos dos Pensamentos Ligeiros, do número 1 ao número 7 (entre 1998 e 2003), à procura de alguma coisa que pudesse aproveitar para estórias do meu livro de contos deste ano, Vazio Repetido. Surgiram algumas, sim. Mas lá encontrei algumas coisas fantásticas dos tempos de EP que não partilhei ainda. Aqui ficam:


"os pobres vestem sarapilheira, os ricos vestem seda." Ar. Sar.


Numa reunião da AEFLUP, discutindo uma proposta que nos tinham feito, muito estúpida, mas que não podíamos recusar:

Bel: "Mas isso é uma punheta..."
Que: "Que nós temos de engolir..."


A estudarmos para Literatura Portuguesa I:

Su: "BAudelaire, p#$% que o pariu!"


E, finalmente, a minha versão daquela música que eu adorava (ui ui), a Menina Azul:

Viagra Azul
.
Senhor doutor
dê-me comprimidos para pinar
desde que eu a comi
que eu não consigo mais brocar

Viagra Azul, Viagra Azul...

Estou tão deprimido
sem saber que fazer
pobre e mal vestido
sem conseguir mais f...er

Viagra Azul, Viagra Azul...

E penso em ti a toda a hora
penso em ti pela noite fora
Viagra Azul, Viagra Azul...

E sexo e sexo, todas as posições e sexo,
Passear contigo na farmácia, pinar é tão bom
E a mão lá no coisa,
E a boca também,
ai é, não é, pois é...


Nota:
Milai, ainda está num desses cadernos uma alça do teu soutien, em silicone, que se estragou quando estavas na residência, no meu quarto, a preparar-te para ir para a queima, na mesma noite em que a Bruna apanhou com o isqueiro na testa e teve de ir para o INEM... Só nós...

quarta-feira, julho 02, 2008

2 poemas de Gastão Cruz


A solidão estava
aqui sobre esta praia
a solidão ainda
usa estar e nascer

na areia e na água
nestes dias de agosto
na rotina de outubro
de setembro no choro

que pode vir do sol
demasiado quente
de toda a alegria
que a luz tem neste tempo

A solidão ardia
nas páginas dos livros
e arde com um fogo
demasiado vivo

Assim se espera sobre
a areia da praia
um fogo diferente
da rotina e da água

Assim se espera um fogo
diferente da prosa
assim se espera um fogo
assim se espera a morte

Assim se espera o fogo
com a vida aprendido
assim se espera um fogo
assim se espera a vida

****

As vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste

Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida

É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto

Com os dedos no crânio despedimo-nos


Gastão Cruz, Os Nomes (1961-1974), p.105-6, 190

segunda-feira, junho 30, 2008

Sugestões de Junho


No meio de tanta coisa para fazer e tanta outra que ficou por fazer, ficam aqui as coisas boas materiais que posso partilhar convosco. Sim, porque morangos, cerejas, framboesas, rio e certas intimidades não posso partilhá-las com a maior parte de quem me vai lendo… Mas o costume está aí: livros, filmes, séries, músicas… E que cada um faça delas o melhor proveito, ou não.


Livros:

1 – A Bíblia (Evangelho Segundo São Mateus e Evangelho Segundo São Marcos), Paulus****

argumentos: início da segunda parte da Bíblia, do Novo Testamento. Gosto de várias versões sobre os mesmos acontecimentos, sobre uma mesma história. E estas são apenas duas delas. E é obrigatório pela quantidade de frases, actos, parábolas e sei lá mais o quê que saíram daqui para o comum dos dias. Só alguns exemplos: «Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.» (Mt 4, 4); «se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda» (Mt 5, 39); «Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.» (Mt 6, 24); «Não deis aos cães o que é santo, nem atireis pérolas aos porcos» (Mt 7, 6): «Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21), etc. etc.


2 – O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei, JRR Tolkien, Europa-América*****

argumentos: fim da trilogia que me empolgou, primeiro no cinema, depois nos dvds em casa, e agora, finalmente, nos livros. Dos outros dois volumes já falei aqui. Não sei o que mais dizer disto, do mundo alternativo construído, do valor da amizade, da coragem, da inteligência, de tudo, mas é o volume em que tudo se consuma e termina (e com bastantes diferenças em relação ao filme). Ficam só algumas frases: «O Destino dos homens, quer queira quer não: a perda e o silêncio.» (p.368); «O mundo está a mudar: sinto-o na água, sinto-o na terra, cheiro-o no ar. Não creio que nos voltemos a ver.» (p.279).


3 – No Reino de Caliban II, Manuel Ferreira, Plátano Editora*****

argumentos: uma antologia da poesia africana de língua portuguesa muito bem construída, com bibliografia dos autores, organizados por gerações, revistas, núcleos. Este volume em concreto apresenta a poesia angolana e a poesia são-tomense até meados dos anos setenta. Cada conjunto de poetas é apresentado por textos introdutores que ajudam a localização e contextualização dos autores e suas produções. Fundamental para perceber a evolução da poesia destes países de língua portuguesa. Da poesia de São Tomé e Príncipe – ver aqui.


4 – História do Cerco de Lisboa, José Saramago, Caminho*****

argumentos: eu já sabia que este romance se arriscava a ser um dos meus favoritos, pelas poucas coisas que lera dele para me preparar para a exposição. E não me desiludiu a leitura da história de um revisor que revê as provas de uma História do Cerco de Lisboa que decide mudar o relato, introduzindo um «Não», alterando a história da conquista de Lisboa aos mouros pelos portugueses em formação. Além desta reformulação de que tanto gosto nas histórias, é muito interessante ler a vida deste homem Raimundo, a sua relação com os outros, com o espaço, com as palavras («assim mesmo foi o mundo feito e feito o homem, com palavras» p.50). E a história de amor é das coisas mais bonitas que tenho lido («Ninguém deveria poder dar menos do que deu alguma vez, não se dão rosas hoje para dar um deserto amanhã, Não haverá deserto,» p.245). Cruzamento de planos temporais narrativos distintos, muitas intertextualidades (Eça, Balzac, Garrett, Pessoa, Dante, Camões, Camilo, Salomão…), meta-reflexões («o mistério da escrita está em não haver nele mistério nenhum» p.181), desvarios, enfim, Saramago no seu melhor. Para despertar o apetite: «Enquanto não vier o poeta D. Dinis a ser rei, contentemo-nos com o que há.» p.288 – há que se refere? Descubram, lendo!!!


5 – O Rio, Estórias de Regresso, Arlindo Barbeitos, INCM****

argumentos: um conjunto breve de histórias breves – como a poesia dele, concisa. E histórias interessantes que valem pelo insólito, pelo desfecho inesperado, mas também pela construção do texto e suas belezas íntimas. Gostei em especial de «A Bruxa», «O Carro», «O Camião de Cerveja» e «A Música». Mais: «Amaram-se, julgo que sofregamente, enquanto seres que o carácter e a geografia traziam solitários e um amor serôdio fez encontrar. Quiçá o álcool ajudou.» p.12.


6 – As Passagens do Tempo, Nuno Artur Silva, Cotovia****

argumentos: ficções breves, muito breves. Mas muito interessantes, com uma lógica própria, diferente da comum. Mais: «Os diferentes lugares do mundo estão a ser ocupados por lugares sempre iguais. Lugares sem nomes, lugares nenhuns […] esses não são os lugares no espaço, mas lugares no tempo.» p.17 ou «De pessoa para pessoa também há uma diferença horária, de minutos, segundos, menos de um segundo, quase imperceptível. Uma diferença não assinalada pelos relógios. Impossível de medir, a não ser pelo amor, sempre tão desacertado.»p.18. O livro inclui ainda uma série de fotografias de Raquel Porto.


7 – O Capote, Nikolai Gógol, Assírio & Alvim****

argumentos: um texto inovador e incontornável da literatura mundial. A história de um homem, Akáki Akákievitch, e do seu mundo cinzento, grotesco, sufocador, e do seu capote, o velho substituído pelo novo. E de um tom a lembrar-me de um certo Albert Camus. E um final surpreendente, de natureza fantástica, que rompe com toda a acção anterior… Muito bom, tão bem feito!


8 - Cães Pretos, Ian McEwan, Gradiva*****

argumentos: depois de A Criança no Tempo (um dos meus livros de eleição) e de O Sonhador (ainda não li Expiação), este Cães Pretos veio mostrar-me mais uma obra extraordinária de Ian McEwan, que se arrisca assim a entrar para a lista dos meus autores favoritos (se é que tal lista existe). História em vários compassos de um homem que perde os pais aos oito anos e adopta todos os outros como seus, incluindo os sogros, com quem vai tendo uma relação muito especial, sobretudo com a sogra, dominada pela recordação do momento que lhe mudou a vida, o encontro com os «cães pretos». Muito bom, com pormenores amorosos belíssimos. Mais: «Quando aprendemos a dar um nome a uma parte do mundo, aprendemos a amá-la.» p.68 ou «Olho para uma rapariga e avalio-a pela quantidade de June que há nela.» p.73.


TV:

Destaque para dois regressos, de séries de que já falei outras vezes e por isso fico-me por aqui. O regresso sem pausa de Anatomia de Grey***** e o regresso de O Amor no Alasca***** (apesar de Irmãos e Irmãs ter de ir embora…).


Música:

Gil do Carmo, Sisal*****

argumentos: uma voz interessante e talentosa, uma fusão entre a pop e o fado, letras poéticas e com pormenores risíveis, um trabalho pouco comum e inovador, de qualidade. Gil do Carmo, que já conhecia como letrista de Mariza e outros, com uma ou outra música por aí, em novelas, surpreendeu-me há uns tempos com uma música numa telenovela da TVI que a minha Mãe via: Ilha dos Amores. E a música era «Na Maré de Ti». E noutro sítio qualquer ouvi outra, «E se esta noite». Agora que já tenho o álbum e o ouvi inteiro, e já me tem feito companhia, destaco também: «A2», «A roda da rosa», «Chegada a casa», «Renea», «Quem me dera ser o fado»…


Cinema:

Tropa de Elite****

argumentos: um filme brasileiro de elevada qualidade, com uma filmagem turbulenta que acompanha o ritmo alucinante da vida nas favelas e dos policiais que nelas têm de intervir. Violência, idealismo, choque de visões. Um filme bastante bom, a fazer lembrar outros filmes brasileiros como Cidade de Deus, numa linha moderna sobre a violência urbana, a droga e as armas. Com Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, entre outros. Só me aborreceu a música… «O rap das armas» é uma seca…


Exposições:

A Consistência dos Sonhos – ver informações aqui.

Colecção Berardo – no Centro Cultural de Belém, com entrada gratuita. Pode ainda ver-se outras exposições, como Utopia e Le Corbusier. Eu só vi a parte da Colecção Berardo, desta vez, porque hei-de voltar, com mais tempo... E ainda hei-de falar à frente desta visita, a outros sítios de Lisboa. Mas tem coisas muito interessantes!

quinta-feira, junho 26, 2008

violetas e outras flores para a Denise

Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta

Bashô

Colhê-la, que pena!
Deixá-la, que pena!
Ah, esta violeta!

Naojo

Penetrando até ao meu quarto,
o perfume das flores
em noites de primavera
entra pela janela
com o velado luar.

Imperatriz Eifuku Mon'in

sexta-feira, junho 20, 2008

Instituto Camões - fim do eterno retorno

Por maus motivos. E pelo menos para já. Explico-me: não passei nos psicotécnicos, outra vez. E a Susana, a minha amiga destas coisas, não conseguiu também, outra vez. Não fui derrotado por uma equipa alemã, antes fosse, era bom sinal. Mas como a coisa não se deu, é preciso agora ver o que falta fazer: continuar as visitas na Exposição, andar com a dissertação para a frente, e concorrer ao doutoramento e à bolsa, concorrer a Tormes... E não volto a concorrer, pelo menos nos próximos tempos. Estou farto, a sério. E assim poderei continuar estudos, participar nas conferências em que me inscrevi e que me aceitaram/aceitarão - mas não é bem a mesma coisa...
Entretanto, andando por Lisboa e tal, vi finalmente o Palácio da Ajuda, que é muito interessante e apelativo. Estava cheio de crianças que seguiam atentamente as monitoras - o palácio tem um excelente serviço educativo, e recomenda-se a visita.

terça-feira, junho 17, 2008

Instituto Camões - eterno retorno?

Surpreendentemente passei na prova escrita e passo à segunda fase. Mas contando comigo, para as 16 vagas, estão 57 pessoas, que também conseguiram, de 161 candidatos iniciais. No ano passado os números eram mais favoráveis: 19 vagas, 165 candidatos, 36 passaram na prova escrita - mas a estatística não é tudo, diz a Sandra. E ela é a minha consultora para coisas matemáticas, por isso concordo!

segunda-feira, junho 16, 2008

Uma noite de televisão

(Fernando Pessoa)

Ontem a televisão parecia estar em consonância comigo. Ou eu com ela. Um programa espectacular de Os Contemporâneos (ou deverei escrever espetacular??? não me vão aparecer aqui dois membros da ASAE do Acordo Ortográfico e levarem-me o pc), que tiveram tempo, no meio dos directos sobre a selecção (em quatro partes), para falar da greve dos camionistas, encenar uma visita do papa a um país muito pobre, contar a sua versão dos factos sobre Amy Whinehouse no Rock in Rio (em quatro partes) e até para criar a Seleccção Nacional de Escritores (em duas partes). E a canção, também. Muito bom.

Depois foi o Câmara Clara, com uma convidada especial, Germana Tânger, que dedicou mais de 50 dos seus 88 anos a dizer poesia portuguesa pelos quatro cantos do mundo. No programa falou da sua relação com poesia e com os poetas, os que conheceu e os que não, e ainda disse «Aniversário» de cor. Dedicado mais a Fernando Pessoa, 120 anos depois do seu nascimento, mas também se falou de Almada Negreiros, Vitorino Nemésio, Sá-Carneiro, José Régio... A vantagem é que todo o programa estará disponível na internet, no sítio do programa. E vale a pena, até porque se inclui uma série de indicações bibliográficas sobre Pessoa (da sua obra, ou sobre ela - ver programa do dia 15 de Junho).

Depois foi a vez da Britcom (Na Tua Ausência e A Minha Família), foi muito muito boa. E o Onda Curta, que apresentou mais três curtas, as três bastante interessantes...


Pergunto-me se estaria muito benevolente ou se a coisa ontem me correu mesmo de feição...

domingo, junho 15, 2008

Poetas de São Tomé e Príncipe

A literatura santomense possui já uma série interessante e considerável de poetas e prosadores. Fiz uma pequena seleccção pessoal dos poetas que conheço, baseado sobretudo em No Reino de Caliban II, de Manuel Ferreira, e em alguns livros soltos. Poderia acrescentar outros, como Alda do Espírito Santo ou Maria Manuela Margarido, ou Albertino Bragança na prosa, mas estes são já um começo. E para compreender melhor a evolução desta poesia, seus temas e motivos, suas aspirações e ideologias, fica aqui um sítio que o faz bem melhor do que eu o poderia fazer.


Eu e os passeantes

Passa um inglesa,
E logo acode,
Toda supresa:
What black my God!

Se é espanhola,
A que me viu,
Diz como rola:
Que alto, Dios mio!

E, se é francesa:
Ó quel beau negre!
Rindo para mim.

Se é portuguesa,
Ó Costa Alegre!
Tens um atchim!

Costa Alegre, Versos (1916)


1619

Da terra negra à terra vermelha
por noites e dias fundos e escuros,
como os teus olhos de dor embaciados,
atravessaste esse manto de água verde
- estrada de escravatura
comércio de holandeses

Por noites e dias para ti tão longos
e tantos como as estrelas no céu,
tombava o teu corpo ao peso de grilhetas e chicote
e só ritmo de chape-chape da água
acordava no teu coração a saudade
da última réstia de areia quente
e da última palhota que ficou para trás.

E já os teus olhos estavam cegos de negrume
já os teus braços arroxeavam de prisão
já não havia deuses nem batuques
para alegrarem a cadência do sangue nas tuas veias
quando ela, a terra vermelha e longínqua
se abriu para ti
- e foste 40'L esterlinas
em qualquer estado do SUL -

Francisco José Tenreiro, Obra poética de Francisco José Tenreiro, 1967


Nova Lira – Canção

Quem embarcou no porão
Fechado a sete chaves,
Apertado entre traves,
Sem ver sol sem ver a lua?
Foi o preto!

Quem deixou a terra,
-filho ingrato que fugiu
ao pai e à mãe que não mais viu,
p’ra ir acabar como um cão?
Foi o preto!

Quem a mata derrubou,
E cavou e semeou
E co’a sua mão de bruto
Cuidou, recolheu o fruto?
Foi o preto!

Quem fez o ‘senhor ’– o patrão;
Lhe tirou da vida aflita
Lhe deu senhora bonita
E importância e situação?
Foi o preto!

Marcelo Veiga, in: Poetas de São Tomé e Príncipe (1963)


Caminhos

Amanhã,
Quando as chuvas caírem,
As folhas gritarem d’esperança
Nos braços das árvores,
Os homens se esquecerem de seus passos incertos,
A força do Sol e da Lua vergastarem,
Implacavelmente,
O resto da terra,

Amanhã,
Quando a força dos rios
Derramar o seu sangue na lonjura dos campos,
O ventre faz flores amadurecerem de filhos,
As pedras do caminho se calarem de dor,
As faces dos homens sorrirem de novo,
As mãos dos homens se apertarem de novo,
Amanhã,
Irei de passadas longas
Pelos caminhos largos e certos,
Irei de passadas longas
Sem coração de conóbia
Ou cintas de panos com bênçãos de Deus,
Irei pelos tenebrosos caminhos da vida,
Irei,
De tam-tam
em
tam-tam,
Irei
Desafiar os mais trágicos destinos,
À campa de Nhana, ressuscitar o meu amor.
Irei.

Tomaz Medeiros, in: Cultura (II – 1959)

Descoberta

Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
Aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.

Conceição Lima, in: Vozes Poéticas da Lusofonia

sábado, junho 07, 2008

Exposição de Macarena Acharán

Está na FLUL, de 5 a 12 de Junho, na Galeria de Exposições da Biblioteca, uma exposição de pintura da chilena Macarena Acharán. Gostei muito do que vi, e como sei que nem todos podem lá ir, ficam aqui algumas fotos dos quadros expostos.




Geleia de Tangerina

Isto tem sido de loucos. Algumas visitas na exposição, muitas leituras, passeios por Lisboa, exame do IC, e coisas outras....

Mas o interessante foi participar numa feira de doçaria. Pois é, e não como visitante, mas como vendedor. Foi em Caldas de São Jorge, concelho de Santa Maria da Feira. Fui ajudar a Consti na sua primeira exposição como Companhia do Açúcar - e com a minha simpatia e charme natural ;)lá vendi uma quantidade significativa de pastéis de Tentúgal, queijadas de Tentúgal, barquinhos, broas doces, broas de chila e amêndoa, barrigas de freiras, pinhas de Montemor, esspigas de Montemor, e sei lá mais bem o quê. O sítio é muito bonito, com as termas, o rio, as árvores - mas o rio está poluído e nem tudo funcionou às mil maravilhas... Predominaram as barracas de doces, claro, mas também de algum artesanato (tapetes como os que eu faço, e coisas ao estilo da Patrícia e da Natacha, que podem ver um pouco aqui, entre outras). Por lá provei algumas coisitas, e como ia para Lisboa e não para casa não comprei nada, excepto um frasco de geleia de tangerina (ainda havia espaço na mochila que levei para o pôr, ao lado dos chás que a Consti me ofereceu como prenda de aniversário e do meu exemplar de Expiação, que lhe tinha emprestado há uns meses). Tangerina porque sim. Experimentei vários (a barraca deles era mesmo ao lado), mas foi o que mais me agradou: com a casca e tudo, come-se e parece que estamos mesmo a comer uma tangerina! Fresco, com um contraste entre o doce e o amargo da casca - fantástico. E vem lá debaixo, ó Denise, de Loulé. De uma tal A Farrobinha. Ainda pudemos assistir aos fantásticos concertos de Ricardo Azevedo, animações dos dias da criança, música sempre repetida de Trovante, Avó Cantigas e Mafalda Veiga e, para melhorar, uma actuação celta (não vi as tunas, sexta-feira eu não fui)... Tudo organizado por um grupo de jovens chamado Juventude Inquieta.
~

quarta-feira, junho 04, 2008

Instituto Camões: eterno retorno?

Texto curto porque estou na biblioteca e tenho de ir para casa e assim.

Lá fui uma vez mais tentar a minha sorte. Abusei dela, devo confessar, porque só estudei hoje de manhã. No ano passado ainda passei no exame escrito, mas este ano... O Grupo I era longo e confuso: um texto de um chinês, outro de um norueguês e outro de um espanhol. Recontos de um conto de José Rogrigues Miguéis que ouviram ler. Desta vez não havia perguntas, era para analisar no geral, tendo em conta alguns tópicos vagos do enunciado, mas menos direccionado do que no ano anterior. O segundo grupo, que deixei para o fim (e só escrevi duas páginas muito inventadas) tinha duas opções para escolher uma: A) um texto sobre o ensino de PLE e PL2: práticas, modelos, contextos ou B) um texto sobre língua e cultura interligadas. Escolhi a B). O Grupo III tinha também duas hipóteses, mas, curiosamente, marcadas com 1. e 2., o que mosta muita coerência na organização da prova, mas isso também não interessa nada, e não é por aí que vem mal ao mundo. A 1. era sobre museus e exposições e Portugal e seu incremento, e para falar de uma exposição que tivéssemos visto e que nos tivesse agradado ou coisa assim. A 2. era para falar de um artista português (não da literatura) que tivesse na sua obra preocupações políticas, sociais ou ecológicas. Escolhi a 1. e falei da Consistência dos Sonhos - de que serve ser monitor lá se não para estas coisas também?
Mas sem grandes esperanças (leia-se sem grande vontade??). Logo se verá.

segunda-feira, junho 02, 2008

literaturas africanas em questão


Para a Denise


As Literaturas africanas dos países que foram colonizados por Portugal são normalmente designadas por: «Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa» e/ou «Literaturas Africanas de Língua Portuguesa», de modo semelhante ao que acorre noutros países africanos então colonizados. A primeira designação foi a da «Expressão», embora ainda antes ocorressem outras como «Literatura Ultramarina» ou «Literaturas Portuguesas do Ultramar» (ao gosto de Amândio César, além de que a própria Censura não admitia o uso de «africanas» em relação à Literatura com muita facilidade), onde cabiam as ditas africanas sem qualquer distinção quanto às ideologias, cosmovisões ou pontos de vista dos seus autores, seus livros, suas matérias (ou seja, incluída a Literatura Colonial, a única realmente valorizada então, com algumas excepções).

Manuel Ferreira, um dos primeiros e dos maiores especialistas nestes assuntos, começou por usar «Expressão», como nos célebres livrinhos laranja da Biblioteca Breve: Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa (1977, 2 vols), em que faz um estudo panorâmico, distinguindo a literatura dos colonos da dos percursores e da dos autores nacionais africanos (nacionais nem sempre igual a nacionalistas, felizmente). Academicamente, em 1974, surgiu a primeira cadeira destas literaturas em Portugal, apelidada de «Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa» na Faculdade de Letras de Lisboa, e assim se chamou noutras universidades, mas, por exemplo, no Porto, recentemente alterou-se a designação para «Língua». A mudança em Manuel Ferreira dá-se na década de oitenta: no livro O Discurso no Percurso Africano (Plátano, 1989) passa a usar a «Língua» como alternativa, e já antes em 1983 a usou na Bibliografia das literaturas africanas de língua portuguesa (com Gerald Moser). Essa mudança de designação, que se tem vindo a implantar e a tornar-se como a mais consensual ultrapassa outras que também surgiram, como as «Literaturas Africanas Lusófonas», consideradas como tendo contaminações ideológicas oriundas do discurso colonial, ou «Literaturas Africanas de Expressão Oficial Portuguesa», o que só por si é uma evidente redundância. Manuel Ferreira explica (em O Discurso no Percurso Africano) que «expressão» pode ser entendida (e daí a necessidade de mudança) como um conteúdo (visto como portugalidade, lusitanidade e colonialidade), embora «expressão» também signifique tão simplesmente o contexto verbal, o meio pelo qual, ou seja, apenas o significante e não o significado, já que este está contido na expressão «Africanas» (e por isso os africanos não hesitaram em utilizá-la, como Mário de Andrade e Francisco José Tenreiro na Poesia Negra de Expressão Portuguesa de 1953), embora a língua leve consigo conteúdo, modelando e absorvendo, mas sem alterar a natureza do conteúdo.

Só para referir outros estudiosos destas literaturas: Alfredo Margarido reúne os seus ensaios sobre a designação de Estudos sobre Literaturas das Nações Africanas de Língua Portuguesa (1980), Pires Laranjeira prefere «Língua» embora use «Expressão» no seu manual da Universidade Aberta (pois é o nome da disciplina que prevalece), Inocência Mata, José Carlos Venâncio, Cristina Pacheco, Ana Mafalda Leite, Alberto Carvalho, entre outros, usam sempre nos seus livros e artigos a palavra «Língua», assim como estudiosos africanos, que defendem ter assim uma maior distinção e determinação do real conteúdo destas literaturas, como se a designação lhes reconhecesse a autonomia: «Língua» porque é mais directa, menos ambígua, menos polémica, embora de uma língua portuguesa que sabemos ser diferente da portuguesa europeia, com regras que receberam influências directas das línguas locais (o neo-português de que fala a Tia Adoptada). Além disso, e apesar de não haver antes uma tradição de escrita nas línguas africanas, isso não impede que ela não possa acontecer, como acontece em alguma literatura escrita em crioulo ou mesmo em kimbundo, embora o Português continue a ser a língua de expressão preferencial, até porque permite um público leitor mais vasto .
A verdade é que dizer «Literaturas Africanas» é insuficiente porque estão englobas as cinco literaturas (de Cabo Verde, de Angola, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe e da Guiné) mais todas as outras das restantes nações africanas. Assim, embora «Expressão» seja correcta, penso que «Língua» pode evitar mal-entendidos por pessoas que não percebam que ela significa aqui enunciado, manifestação, declaração e sim conteúdo, matéria europeia.

Espero ter-me explicado bem e satisfeito o pedido!

sábado, maio 31, 2008

Sugestões de Maio

Finalmente prontas as sugestões de Maio - sem grande tempo e paciência para as categorias lá de baixo... mas ainda assim ficam aí, para quem quiser aproveitar.

Livros:

1 – A Bíblia (Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias), Paulus ***

argumentos: acabei o Antigo Testamento. Muitos livros, mas pequenos. Repetem algumas das ideias anteriores, mas há uma maior presença nestes da universalidade da fé, do tom messiânico, da necessidade de restauração que substitui o discurso do castigo e da consolação. Surge Satanás (Zc, 3, 1) e surgem as ruínas (tema que me é tão caro) em quase todos eles.


2 – Há monstros debaixo da cama?, Bill Watterson, Gradiva *****


3 – Ensaio Sobre a Lucidez, José Saramago, Caminho*****
4 - Objecto Quase, José Saramago, Caminho****
5 – Discursos de Estocolmo, José Saramago, Caminho****
6 – A Estátua e a Pedra, Caminho****

argumentos: continua a minha saga (agradável) da leitura de livros de Saramago, por culpa da exposição, ou com a desculpa da exposição, que lá os fez subir na minha lista mental. Ensaio Sobre a Lucidez foi um dos poucos livros da minha vida que deixei por ler: há quatro anos, quando saiu, li os dois primeiros capítulos e disse para mim que não era ainda tempo de o ler. E ainda bem, porque agora dei-lhe mais valor: gostei muito do clima de consciência política dominadora, de estado de sítio, da sensação de revolta ou de ironia que provoca no leitor… e tudo a partir daquelas situações extraordinárias comuns na obra do autor. Gostei ainda bastante por ir buscar personagens de o Ensaio Sobre a Cegueira, um dos meus livros favoritos, não só do Saramago mas de todos… Mais: «os humanos são universalmente conhecidos como os únicos animais capazes de mentir, sendo certo que se às vezes o fazem porque perceberam a tempo que essa era a única maneira ao seu alcance de defenderem a verdade.»p.50. Objecto Quase é um livro de contos muito interessante, seis em que gostei muito de quatro, a saber: «Cadeira», «Refluxo», «Coisas», «Centauro». Experimentalismo, um certo tom de sobrenatural ou até ficção científica. Mais: «Nós, homens, somos frágeis, mas, em verdade, temos de ajudar a nossa própria morte.»p.21. Discursos de Estocolmo reúne os dois textos que escreveu para a aceitação do Prémio Nobel, em 1998, assim como A Estátua e a Pedra é um discurso do autor reflectindo sobre a sua obra. Muito bons para conhecer melhor o homem e o escritor.


7 – A Poesia de Carlos de Oliveira, Manuel Gusmão, Seara Nova/Comunicação****

argumentos: poeta fundamental no século XX, além de romancista, é nesta edição criteriosamente estudado por Manuel Gusmão. Apesar de ter gostado muito de alguns poemas, o que mais me seduziu nesta edição foi exactamente a apresentação crítica, as notas, as sugestões para análise literária que Manuel Gusmão propõe, com rigor e profissionalismo. Leitura tão apurada que me resolveu a cabeça e orientou para a minha própria dissertação.


8 – José Saramago. A Consistência dos SonhosCronobiografia, Fernando Gómez Aguilera, Caminho****

argumentos: obra organizada para acompanhar a exposição com o mesmo nome. Um livro muito bem estruturado e documentado com fotografias, excertos de entrevistas, citações de livros, material esse que algum do que se pode apreciar na dita exposição. É, no fundo uma descrição cronológica da vida e da obra de Saramago. Inclui também uma parte dedicada à exposição e sua abertura em Espanha.

9 – Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto, Bertrand*****

argumentos: romance magistral do jovem escritor. Dorido, intenso, estranho. Muito bom. Conta a história de uma família, na voz do «patriarca» que já morreu e na voz de um dos seus filhos, Francisco Lázaro, inspirado no atleta português que em 1912 morreu na prova de Maratona, ao quilómetro trinta, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo. As suas vozes vão alternando em capítulos, mostrando curiosas semelhanças nos acontecimentos da vida de um e de outro, enquanto se conta também a vida da mãe e das irmãs da personagem Francisco, dias antes da tragédia. Destaque para a organização dos capítulos do atleta por quilómetros, que resulta numa novidade interessante, beneficiada pelo discurso propositadamente memorialístico e de pensamento no momento da corrida. Mais: «Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão, é-me impossível fugir de mim próprio.»p.135; «- Não choras. Eu vou dormir a sexta com a avó, mas volto ontem. Está bem? Volto às setenta e quarenta horas.»p.176; «perguntávamo-nos qual de nós morreria primeiro. Era uma angústia que nos atingia.»p.303.


10 – A Loja dos Suicídios – Jean Teulé, Guerra & Paz****

argumentos: Vi-o no sítio da FNAC e pensei logo: tenho de o ler. E lá o comprei na Feira do Livro. Uma pequena pérola do humor negro: «A sua vida foi um fracasso? Connosco, a sua morte será um sucesso!». Isso mesmo, uma loja que tem tudo o que é preciso para um suicídio eficaz. Um desfilar de personagens e possíveis suicídios, uns conseguidos, outros não. A loja é gerida por uma família toda ela vocacionada para o ramo macabro, menos um menino, o filho mais novo, que tenta mudar as mentalidades e o negócio da família. Surpreendente, engraçado, de leitura rápida (li na viagem de autocarro Lisboa – Porto…). Mais: «- Alan!... Quantas vezes será preciso dizer? Não se diz «Até à vista» aos fregueses que saem daqui. Diz-se «Adeus», pois nunca mais voltam. Quando é que vais perceber isso?»p.11 – já dá para ter uma ideia do que é esta loja e esta família!


11 – O Gosto Solitário do Orvalho seguido de O Caminho Estreito – Bashô, Assírio & Alvim****

argumentos: depois de ter lido o livro na edição mais antiga no mês passado, encontrei na Feira do Livro a edição actual, que além dos poemas inclui um relato de viagem do autor, que permite conhecer melhor o seu carácter e as condições/motivos para a escrita de alguns dos seus hai kai. Mais: «os meses e os dias são viajantes da eternidade. Assim como o ano que passa e o ano que vem»p.57;

Hoje o orvalho
apagará o teu nome
do meu chapéu (p.97)


12 – O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel - JRR Tolkien, Europa-América*****
13 – O Senhor dos Anéis: As Duas Torres - JRR Tolkien, Europa-América*****

argumentos: e lá comecei finalmente a saga. O primeiro volume foi lido em três dias vorazes e incansáveis: as muitas diferenças do livro e do filme compeliam-me a ler sempre mais, porque apareciam coisas que não estavam no filme e queria ver como as opções pelos responsáveis da adaptação respeitavam ou não o livro (não o livro em si, claro, acções e personagens e tal, mas o espírito, se assim quisermos). Conclui que sim, apesar de tudo. E resultam as duas com propriedade e com muito interesse. Gostei muito, portanto. Porque se a história já me era conhecida, pude aprofundar melhor os sentidos, as relações. O segundo volume levou um pouco mais de tempo, mas também gostei muito, pelos mesmos motivos. Mas neste caso o filme é mais próximo do livro, embora se desvie para outras questões e perspectivas. E uma personagem que acho muito interessante, e já aqui o disse, é Faramir, tem aqui um papel maior do que no segundo filme. Talvez um dia fale desta personagem e porque ela me interessa. E como eu adoro estes livros que constroem mundos alternativos e especiais e assim por aí fora, literatura fantástica, se quisermos, estou mortinho por ler o terceiro volume.


Música:

Katie Melua*****
Há uns tempos a Consti fez-me ouvir os três álbuns da menina que de georgiana passou a britânica. Uma voz doce, uma capacidade vocal e impresiva muito interessante, músicas que andam entre o jazz e o blues. E além disso, muito bonita a mulher. São os discos três muito bons: Call off the search (2003), Piece by Piece (2005) e o mais recente Pictures (2007). Vale a pena ouvir as 36 musicas de enfiada, das quais se destacam: «The Closest thing to crazy», «Call off the search» e «Crawling up a hill» do primeiro, «Nine million bicycles», «I cryed for you», «Spiders' web» e «Shy boy» do segundo, e «If you were a sailboat» e «If the lights go out» do mais recente - canções que foram avanços dos álbuns e que foram sendo sucessos um pouco por todo o mundo. Eu, que gosto mais do Piece by Piece, destaco ainda: «My aphrodisiac is you» e «I blame it on the moon» do primeiro, «Piece by Piece», «Halfway up the hindu kush», «Thank you, stars», «Just like heaven», «I do believe in love» do segundo, e «Dirtu Dice», «What I miss about you» e «In my secret life» do terceiro.

Tv:

Destaque breve para o regresso de Lost à RTP1. Adoro esta série e está a ficar cada vez mais empolgante com a saída futura da ilha de seis personagens - têm aparecido já momentos das suas vidas no futuro (em relação ao momento principal da história, ainda na ilha). Na Dois: tenho visto a Britcom, programa que vejo já há vários anos, com momentos de maior interesse do que outros, dependendo das séries. Agora tem o Na tua ausência, sobre uma família complicada e hilariante, o que acontece na outra série A minha família, ainda mais complicada e mais hilariante. Também na Dois: a série Chuck, estreada há pouco, que combina humor e acçãom espionagem e azelhice! Voltando à RTP1: estreou há pouco Os Contemporâneos, um programa de humor com Bruno Nogueira, Carla Vasconcelos, Dinarte Branco, Eduardo Maceira, Gonçalo Waddington, Maria Rueff, Nuno Lopes e Nuno Markl (gosto muito no Markl, da Rueff e do Nuno Lopes). Link para um momento do programa (há mais no youtube) em que se fala de póneis!!!


Cinema:
(filmes já velhos, sim, mas só agora os vi...)

King Kong**** - a versão de Peter Jackson, com Adrien Brody, Naomi Watts e Jack Black. Muito interessante.
Desmundo** - com Simone Spoladore, Osmar Prado e Caco Cioler. Passado nos inícios da colinização do Brasil, uma história de uma mulher que tem de se casar com um colono... e enfins...
Pânico a Bordo*** - eu gosto da Jodie Foster e ela faz bem estes papéis desesperados. E gostei, pronto.
Proof, entre o génio e loucura**** - de John Madden, com Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis. Sobre a loucura e a genialidade. Bastante interessante, e com uma Paltrow ao melhor nível.
Morte em Veneza** - não gostei muito do livro, e também não do filme. Mas pronto, são obras importantes. Ninguém morre por os conhecer, mas também o contrário é verdade.
Antes que o tempo mude** - cinema português, porque não? Má escolha, talvez. Filme de Luis Fonseca com Mónica Calle, Mónica Garnel, Manuel de Freitas, João Mota, Carlos Vieira, Albano Jerónimo. Estranho, muito parado, muito despidos... e sem verdadeiro interesse...


Exposição:

A Consistência dos Sonhos, pois claro. Está disponível até 27 de Julho. Para mais informações: ver sugestões do mês de Abril.

Outros:

Feira do Livro - Lisboa e Porto.
Fui à de Lisboa, pois então. E apesar de coisas que me parecem menos bem, gostei e comprei muitas coisas, incluindo africanos editados nos anos 70, como o meu Arlindo Barbeitos...


Destaque ainda, como forma de pequena homenagem, para a vida e morte de Sidney Pollack, aos 73 anos de idade. Actor, produtor e realizador, deixa-nos um trabalho importante em filmes como Tootsie, África Minha (com o qual recebeu o Oscar de Melhor Realizador), Sabrina, Iris, Cold Mountain, A Intérprete, Michael Clayton.

sexta-feira, maio 23, 2008

23 de Maio

23 de Maio é o 143º dia do ano no calendário gregoriano (144º em anos bissextos). Faltam 222 para acabar o ano.

Eventos históricos
1179 - O Papa Alexandre III emite a bula Manifestis Probatum em que reconhece Portugal como Reino independente.
1430 - Joana d'Arc é capturada pelos borgonheses e entregue aos ingleses.
1535 - O português Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, funda a cidade de Vila Velha, cujo nome original era Vila do Espírito Santo.
1555 - Paulo IV eleito Papa.
1563 – Paulo III autoriza a criação do Tribunal da Inquisição do Santo Ofício.
1568 - A Holanda declara independência da Espanha.
1788 - A Carolina do Sul se torna o oitavo estado dos EUA.
1618 - A Segunda Defenestração de Praga precipita a Guerra dos Trinta Anos.
1805 - Napoleão Bonaparte é coroado Rei da Itália, com a Coroa de Ferro da Lombardia, na Catedral de Milão.
1813 - O líder Sul-Americano da independência Simón Bolívar entra em Mérida, à frente da invasão da Venezuela, e é proclamado El Libertador.
1830 - Inaugurado o primeiro ramal ferroviário para transporte de passageiros das Américas, ligando as cidades norte-americadas de Baltimore e Ohio.
1844 - Em Shiráz, Siyyid Ali Muhammad, o Báb, declara-se portador de uma Mensagem enviada por Deus, vindo a ser Precursor de Bahá'u'lláh.
1846 - O México declara guerra aos Estados Unidos. É a Guerra Mexicano-Americana.
1873 - Fundação da Polícia Montada do Canadá.
1911 - Inauguração da Biblioteca Pública de Nova Iorque.
1929 - É lançado o primeiro desenho animado falado de Mickey Mouse, The Karnival Kid.
1930 - O dirigível Graf Zeppelin faz sua primeira viagem ao Brasil.
1932 - No Brasil são mortos cinco estudantes paulistas (Miragaia, Martins, Dráusio, Camargo e Alvarenga). Surge a sigla "MMDCA" utilizada como bandeira pelos paulistas.
1945 - Heinrich Himmler, braço direito de Adolf Hitler e líder da GESTAPO comete suicídio na prisão.
1949 - Estabelecimento da República Federal da Alemanha.
1969 - A banda The Who lança Tommy, a primeira ópera rock.
1979 - Greve dos jornalistas do Estado de São Paulo, Brasil.
2003 - Fato científico: nasce o primeiro clone de um cervo, Dewey.

Nascimentos
1052 - Rei Felipe I da França (m. 1108).
1707 - Carl Lineu, botânico (m. 1778).
1741 - Andrea Luchesi, compositor italiano (m. 1801).
1810 - Margaret Fuller, jornalista e feminista norte-americana (m. 1850).
1834 - Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês (m. 1890).
1865 - Epitácio Pessoa, presidente brasileiro (m. 1942).
1887 - Thoralf Skolem, matemático norueguês.
1891 - Pär Lagerkvist, escritor sueco, vencedor do Prêmio Nobel (m. 1974).
1908 - Annemarie Schwarzenbach, escritora suíça
1924 - Hilton Gomes, jornalista e locutor brasileiro, apresentador do primeiro noticiário do país.
1933 - Othon Bastos, actor brasileiro.
1945 - José Agripino Maia, político brasileiro.
1946 - Antipapa Gregório XVII, de seu nome Clemente Domínguez y Gómez (em Espanha).
1951 - Anatoly Karpov, jogador de xadrez russo.
1970 - Bryan Herta, piloto norte-americano de corridas.
1972 - Rubens Barrichello, piloto brasileiro de Fórmula 1.
1974 - Jewel, cantora norte-americana.
1980 - Theofanis Gekas, futebolista grego.
1983 – Tiago Aires, génio português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2030 e da Paz de 2031. Recusou o da Medicina por não se sentir com ela relacionado.

Falecimentos
1125 - Henrique V da Germânia (n. 1081).
1304 - Jehan de Lescurel, poeta e compositor.
1498 - Girolamo Savonarola, frade dominicano italiano (executado) (n. 1452).
1523 - Ashikaga Yoshitane, Shogun japonês (n. 1466).
1670 - Ferdinando II de Medici, Grão Duque da Toscana (n. 1610).
1701 - Captain Kidd, pirata escocês (n. 1645).
1857 - Augustin Louis Cauchy, matemático francês (n. 1789).
1886 - Leopold von Ranke, historiador alemão.
1906 - Henrik Ibsen, dramaturgo e poeta norueguês(n. 1828).
1931 - Roque Callage, escritor brasileiro (n. 1888).
1934 - Bonnie & Clyde são mortos numa emboscada policial, em Bienville Parish, Louisiana.
1945 - Heinrich Himmler, oficial alemão e comandante das SS durante a Segunda Guerra Mundial (n. 1900).
1956 - Gustav Suits, poeta estoniano (n. 1883).
1963 - August Jakobson, escritor estoniano (n. 1904).
1966 - Manuel da Conceição Afonso, um dos presidentes do Sport Lisboa e Benfica.
1984 - Milton Corrêa Pereira, bispo católico (n. 1919).
1986 - Sterling Hayden, ator estadunidense (n. 1916).
1999 - Jerônimo Mazzarotto, bispo católico (n. 1898).
2005 - Arrelia, palhaço brasileiro.

Feriados e eventos cíclicos
Brasil - São Paulo - Dia do Soldado Constitucionalista.
Brasil - Espírito Santo - Dia da Colonização do Solo Espírito-santense.


Em wikipédia, com alguns acrescentos. Duvido de algumas datas e tal, mas tudo bem.

Obrigado a todos os que telefonaram, mandaram sms, mensagens no hi5, no msn, em emails, enfim... e em especial à família que veio quase em peso ver-me apagar de um só sopro as 25 velas deste ano. Quem nãos e lembrou ou assim não faz mal. Agradeço também as palavras da Denise no seu blog, mais uma vez. Algumas prendas depois (as outras serão, como de costume, adquiridas por mim na Feira, e depois apresento as contas e tal...), e alguma fruta: duas fotos: o bolo que a minha irmã gentilmente fez - bolo mármore (um pouco aldrabado, com nozes lá dentro, coberto por doce de pêssego e ornamentado com morangos da horta, pêssegos de lata e cerejas oferecidas - sim, aquelas coisas pretas são cerejas e não azeitonas!!!); e o que mais havia - sumo de laranja, champanhe, salada de fruta (morango, ananás, pêssego) e coquinhos. Pouco, sim, mas eu já estou velho para estas coisas e lá arranjei maneira de pôr toda a gente a comer fruta ;)

domingo, maio 18, 2008

Zélia Gattai 1916/2008

Zélia Gattai (São Paulo, 2 de Julho de 1916 — Salvador, 17 de Maio de 2008). Escritora e fotógrafa, envolvida na militância política durante quase toda a vida. Esteve casada cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até à sua morte, em 2001. Não li nada dela, mas fica a lembrança devida neste blogue a quem se dedica às letras.

Obra: Anarquistas Graças a Deus, 1979 (memórias), Um Chapéu Para Viagem, 1982 (memórias), Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983, Senhora Dona do Baile, 1984 (memórias), Reportagem Incompleta, 1987 (memórias), Jardim de Inverno, 1988 (memórias), Pipistrelo das Mil Cores, 1989 (literatura infantil), O Segredo da Rua 18, 1991 (literatura infantil), Chão de Meninos, 1992 (memórias), Crônica de Uma Namorada, 1995 (romance), A Casa do Rio Vermelho, 1999 (memórias), Cittá di Roma, 2000 (memórias), Jonas e a Sereia, 2000 (literatura infantil), Códigos de Família, 2001, Um Baiano Romântico e Sensual, 2002.

excerto:
«Um dia ouvi mamãe combinando com papai a minha ida para a escola (...). Eu estava com quase oito anos; havia aprendido todas as letras do alfabeto (...). Lia frases inteiras. – Já está na hora – mamãe dizia e repetia. – Já passou até da hora. Dona Carolina mandou um recado ontem, quer saber se vamos deixar a menina continuar analfabeta para o resto da vida (...). Realmente, ela não tinha pensado que passara o tempo de matricular sua filha na escola. A menina era tão sabida, aprendia com facilidade, sem ninguém ensinar... Quanto mais tarde fosse à escola, melhor: menos tempo de escravidão entre quatro paredes, de humilhações e castigos corporais aplicados pelas professoras, hábito da época: bolos nas mãos, puxões de orelhas, joelhos sobre grãos de milho ou de feijão atrás de uma porta (...). Havia o exemplo de Olguinha: no primeiro dia em que foi à escola assistiu ao espancamento de um colega. No dia seguinte recusou-se a voltar. Não queria arriscar, não estava disposta a suportar brutalidades. Havia um ano que dona Josefina pelejava para que a menina retornasse aos estudos, sem resultado. Olga começava a suar frio, sempre que falavam em escola, entrava em pânico. Cláudio também regressara várias vezes da aula, de orelhas vermelhas, joelhos inchados. Com Tito, acontecera chegar em casa trazido pelo servente da escola, seguro pela orelha (...). Minha professora não batia nos alunos nem os punha de joelhos sobre o milho ou feijão; tentava manter a disciplina da classe utilizando-se de réguas – mantinha sobre a mesa pelo menos uma dezena de réguas, todas enfileiradas – que atirava na cabeça da criança faltosa, com uma técnica muito especial: segurava numa das pontas da régua, fazia pontaria e... jamais errava o alvo».

Zélia Gattai, Anarquistas, graças a Deus. 30. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 300-4

informações recolhidas na wikipédia.

3 poemas de Carlos de Oliveira

Canto

I

Cantar
é empurrar o tempo ao encontro das cidades futuras
fique embora mais breve a nossa vida

II

Tu, coração, não cantes menos
que a harmonia da terra,
nem chores mais
que as lágrimas dos rios.

**

Estrelas

O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza. As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam, porém.
Chamo um astrólogo amigo:
"Então?"
"O céu parou. É o fim do mundo."
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
"Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão."
Sigo o conselho: as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.

***

Sobre o lado esquerdo

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: “o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração”.

A Poesia de Carlos de Oliveira, apresentação crítica, selecção, notas e sugestões para análise literária de Manuel Gusmão, Seara Nova/Comunicação, p. 116, 127, 131

sexta-feira, maio 09, 2008

Por Lamego

Hoje de manhã acompanhei o meu pai a Lamego. Porque ele tinha de lá ir, e eu aproveitei para ver Lamego sem ser na grande festa da Senhora dos Remédios. E confirmei a ideia que tinha: é uma cidade bonita, onde poderia viver se tivesse rio ou mar... Algumas fotos mostram-a, embora falte a escadaria da Senhora dos Remédios - que é visível da minha terrinha, ou antes, as luzes, à noite, fazendo um percurso encantatório no meio de um monte - mas ficam algumas das coisas que mais me entusiasmam.

Teatro Ribeiro Conceição

Banco de um jardim, onde há painéis de azulejos interessantes, como este que representa as cortes de Lamego

Torre do Castelo

Ele estava ali perto... mas ainda não foi desta...

Claustro da Sé

Claustro da Sé - outra pesperctiva

A Sé (1129) vista do Castelo

Edifícios bonitos abundam, com outros velhos, mas também eles interessantes, e construções muito modernas, com bastante bom gosto...