
o esplendor das suas longínquas pálpebras.



Sobre ela, escreveu Jorge Reis-Sá um breve, mas notável, post.
Deixo eu também, como nos comentários que vi por aí, um poema de Daniel Faria. Já o coloquei aqui uma vez, fica novamente:
Explicação da Ausência
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer – fosse abertura –
E a saudade é tudo ser igual.
«Ah, como é triste morrer quando há tantos livros que ainda li!»
M. Menendez y Pelayo
«O livro: amigo dos seus amigos, confidente e confessor, companheiro das insónias, recreio na solidão.»
S. J. Alvarez
«Tudo no mundo é feito para acabar por converter-se num livro.»
Stéphane Mallarmé
«O universo é um imenso livro»Mohydin Ibn-Arabi


Voltar a Tormes foi reencontrar os espaços de dois anos seguidos, com um de intervalo para este. e reencontrar as pesoas e as memórias - das que lá se reviram e das que se encontram noutros espaços, com outras pessoas.
20 de julho - fui cedo para a Ermida. Na estação conheci o Muamba (Angola, Univ. de Lisboa) e ao chegar ao meu quarto deste ano (piso de baixo da Casa do Túnel) conheci o Fábio (Brasil, Univ. de Évora), com quem partilhei o espaço. Um quarto com duas camas, vista para a linha de comboio e para a casa principal da Quinta. Conversei muito com o Fábio, na esplanada, sobre literatura, sobretudo, e também sobre Florbela Espanca (objecto da dissertação dele - e eu, para espicaçar e ser do contra - dizia que ela não era propriamente literatura, mas enfim). Ao jantar foram-se conhecendo mais pessoas, muitas. E no dia seguinte, outras: o Manuel, que se revelou um excelento leitor, a Tina (Madeira) mulher de força, a Helena (Porto, a ser orientada pela minha madrinha de curso) minha «esposinha», já que é a Rosinha de A Ilustre Casa de Ramires e eu sou o Gonçalo Ramires - brincadeira de atribuir nomes das personagens do Eça a alguns dos participantes, a Tânia (Porto) com quem falei de várias coisas, a Aldinida (Brasil) amigona já do ano de 2006, a fazer «doutorado» sobre Inês de Castro nos romances contemporâneos, o David (Salamanca), a Joana (Barcelona - a estudar lá...), a Flávia (Timor, Univ. Porto), a Paula (Coimbra - e conhece a minha aldeia porque tem lá família!), a Michelle (Brasil) e a sua história verídica do rato, a Andreia (Brasil), a Carolina (Brasil) com quem muito conversei sobre tudo e nada, e outros, muitos...
21 de julho - Após uma noite terrível em que não preguei olho por causa da infiltração que estava a cair em cima da minha cama, do calor e do ressonar do Fábio, tomamos o pequeno-almoço habitual e fomos para a Fundação. Início das sessões com Isabel Pires de Lima (Univ. Porto), seguida de Monica Figueiredo (Brasil, Univ. Federal do Rio de Janeiro) e Ana Luísa Vilela (Univ. Évora). Sobre o tema apelativo: «Mulheres: sedução e desejo». Cada uma com o seu estilo próprio, todas com muitas coisas interessantes a partilhar. Isabel Pires de Lima fez uma contextualização, biografia, bibliografia, a professora Monica Figueiredo falou de «O século XIX ainda não terminou» e a professora Ana Luísa Vilela falou de alguns aspectos ideológicos das mulheres n'Os Maias. Depois do curso, tempo livre na Ermida, para piscina, novas conversas, novos contactos.
22 de julho - Após nova noite sem dormir, agora por causa só da sinfonia vocal/nasal do Fábio, o dia começou com Isabel Pires de Lima a terminar questões do dia anterior, Ana Luísa Vilela falou de mulheres como Maria Monforte, Miss Sara, Raquel Cohen e afins, Monica Figueiredo explorou as mulheres de O Crime do Padre Amaro. Depois tivemos a visita à casa-museu da Fundação, tuo explicadinho pela Drª Sandra, e à noite jantámos na Fundação, com uma recriação do século XIX e o famoso arroz de favas, a canja, a galinha assada e o assombroso leite-creme. Durante o jantar houve ainda uma encenação feita pela Filandorra da chegada de Jacinto e seu amigo a Tormes, a partir de A Cidade e as Serras. A minha mesa estava muito (demasiado?) animada: histórias muito engraçadas iluminaram o jantar mais intensamente do que os candeeiros a petróleo!
23 de julho - Após uam noie curta, mas bem dormida, já que usei o «anti-fábio» (assim apelidado pela Paula), ou seja, uns tampões que a Carolina me deu para eu conseguir dormir, estudámos o Eros e a Ausência n'Os Maias com a professora Ana Luísa, o desejo no conto »Singularidades de Uma Rapariga Loura» e em O Crime do Padre Amaro e respectivas ilustrações feitas por Paula Rego, com a professora Isabel Pires de Lima, e a professora Monica falou-nos de O Primo Basílio e A Ilustre Casa de Ramires. Passeio para ver o cemitério onde estão sepultados os restos mortais de Eça de Queirós e jantar no Casarão, após muitas voltas que afectaram alguns de nós; lá houve a surpresa do costume: o trio a tocar acordeão, ferrinhos e tambor. Foi fraca a recepção. Alguns (eu incluído) ainda esboçaram um comboio, mas sem adesão dos outros. Leitura colectiva do conto «José Matias», em voz alta, ao ar livre, nos bancos da quinta, à noitinha.
24 de julho - Problemas de sono resolvidos (ou quase). Isabel Pires de Lima termina o conto e aborda um outro, «No Moinho». Ana Luísa Vilela avança e termina com Maria Eduarda e com «A Gramática Erótica d'Os Maias». Seguiu-se uma visita a Resende para ver o mosteiro de Sanat Maria de Cárquere, mas fomos também a Ancede ver um mosteiro que está a ser recuperado. À noite tivemos um beberete na eira da Fundação, seguido de um concerto com peças de Offenbach pela Orquestra do Norte, dirigida por José Ferreira Lobo e com a prticipação da soprano Delphine Doriola e do violoncelista Yoel Cantori. Foi muito bom e concorrido, apesar do frio... A deusa apareceu deslumbrante nessa noite, no seu vestido roxo... falo de uma senhora de Évora...
25 de julho - Dia chuvoso após a noitada (ou quase, já que para mim foi só até à 1h20). mais cedo, para termos tudo controlado, fomos trabalhar com a professora Monica Figueiredo as personagens d' Os Maias,e depois a professora Isabel Pires de Lima terminou «No Moinho» e trabalhou o «José Matias». Diplomas entregues, almoço desfeito, partimos para a estação de comboio, uns na direcção do Porto, eu nna direcção da Régua... Ficam novas experiências, conhecimentos, amizades, colegas... E continua a valer a pena cá voltar!
Lista de frases/provérbios e outras coisas dignas de registo:
«Onde Judas perdeu as botas» Aldinida, sabedoria popular
«Fortemente elegante» Tina, para o Fábio se auto-caracterizar
«Excessos de fofura» Aldinida, sobre banhitas que se acumulam na barriga
«Onde o vento faz a curva» Carolina, sabedoria popular
«És mesmo do contra» Fábio, sobre mim
«Da hora, mano» Carolina, com os dois polegares levantados e ostensivos
«Deixa estar, o veterinário mandou não contrariar» Aldinida, sabedoria popular
«Fazer um chá» Aldinida (não ouso traduzir esta expressão, é demasiado sexual para o conteúdo deste blogue