sábado, maio 30, 2009

desafio em maio


E continua o desafio, que, apesar do ritmo ter abrandado, não parece, ainda, comprometido. 55 livros em 5 meses, é bom. Cedi finalmente a ler o Equador, segui para crónicas, por causa da vinda do Ricardo Araújo Pereira ao colégio e por causa de outros à espera, poesia porque não pode faltar, sendo o Saúl Dias um presente de aniversário, e o Sem Sangue porque tinha de ler alguma coisa no autocarro, esquecera-me de trazer um livro e aquele saía com a revista «Sábado» nesse fim-de-semana. Seguem-se Saramago e Luísa Dacosta, entre outros.

48. Equador, Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro, 528p.****
49. Poemas Escolhidos (1990-2007), Fernando Pinto do Amaral, Visão, 112p.***
50. «Ficções 8», dir. de Luísa Costa Gomes, 166p.*****
51. Pif-Paf, Millôr Fernandes, O Independente, 190p.*****
52. Coração Acordeão, Alexandre O'Neill, O Independente, 190p.****
53. Boca do Inferno, Ricardo Araújo Pereira, Tinta da China, 296p.*****
54. Sem Sangue, Alessandro Baricco, Sábado, 158p.***
55. Tarde Azul, Júlio Saúl Dias, Bonecos Rebeldes, 186p.****

Outras sugestões:

Filmes:
O Leitor, de Stephen Daldry, com Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes*****
Mamma Mia!, de Phyllida Lloyd, com Meryl Streep, Colin Firth****
Frost/Nixon, de Ron Howard, com Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon*****
Número 23, de Joel Schumacher, com Jim Carrey**

Festas para o último fim-de-semana de Maio:
Mercado Romano em Braga
Festa de Serralves
Feira do Livro do Porto
Feira dos Minerais na FCUP

quinta-feira, maio 28, 2009

O livro dos dias (breve selecção de Maio - e final)

Desisti do projecto. Por falta de ser. Enfim...

1. Sabemos quase sempre que somos melhores do que os outros e piores do que gostaríamos de ser. Ou é ao contrário? Mas o que interessa ser, se não somos reconhecidos nisso pelos outros? Desisto - sou a desistência em consciência - mas só daqui a meses. Há que sobreviver até à data limite.
Depois virão tempos
ainda
piores.

2. É Ma É La é Ri é A: Malária! Viva a Malária! Vamos! Private jock sem piada nenhuma. Mas que nos fez rir como se fôssemos tolos. A desgraça da vida leva-nos a desejar Moçambique. Para acordar, para fugir, para viver. Ou morrer - pois ela está por lá!

5. Preciso que a minha cama seja mais do que eu.

6. Pequena visão da floresta
peito onde dorme a fera
coração (que vai dar no mesmo).

7. Propostas indecentes
RE: um pouco tarde para propostas indecentes. Talvez noutra altura. (eram já 23:50:16)

10. O coração é aquilo que queremos fazer dele, disse um aluno. E o meu coração apertado alargou-se de espanto. E achou-se sozinho, mas a pulsar. Tem dias.

A nossa música, Borboletras!



para além dos segredos que também os jardins são, sobre o amor e outros, e do amor que a amizade também é. o resto está escrito no caderno que podes ler amanhã. e nos gestos e nas palavras do quotidiano.

Obrigado. Sem ti, o jardim já seria apenas ruína...

«Run», ou o «mudar-me definitivamente»

Ouvi na rádio a versão nova. E lembrei-me da versão antiga. São diferentes, concedo. Mas ambas têm as suas virtudes. E tenho-as ouvido ultimamente, muito. Uma a seguir à outra. Só porque o fim se aproxima, a passos largos. Gosto em especial de «To think I might not see those eyes/Makes it so hard not to cry/And as we say our long goodbye/I nearly do».




terça-feira, maio 26, 2009

da existência

Ainda gostava de saber a razão de toda a gente me falar no msn só quando estou a ouvir músicas de Natal.

E dizem, normalmente, «isso já passou». Mas estamos em Maio e eu ouço. E não poderia ser «ainda falta muito»? Ou o tradicional «o Natal é quando um homem quiser»?

Não me apetece o Natal, nem nada, mas às vezes apetece-me outro tipo de música, diferente da do dia-a-dia, que traga a nostalgia e a alegria ao mesmo tempo. Acompanhada pelos meus berros, pois claro.

segunda-feira, maio 25, 2009

excertos de «O mundo não passa de mundo»

III. 7. O Grito

A poetisa veio ter connosco, convidando-nos para nos juntarmos ao grupo que lá dentro se ia formando no sofá e nas cadeiras dispostas em círculo para a ouvir. Foi nesse momento, de repente, que o grito ecoou pela praia e ressoou pela casa, como se estivéssemos a ouvir um búzio. Todos ouviram e traduziram em silêncio a espera por alguma reacção que se seguisse. Ao fundo da praia, perto do mar, a mulher que tinha passado por nós, vinha a correr, desvairada, chorando. Eu e a mulher do piano acordámos da letargia e descemos as escadas.

III. 8. Borboletras

Era uma vez um homem que escrevia apenas por fragmentos. Coisas pequenas, se bem que muitas vezes profundas, concisas. Há quem ache que as duas coisas estão intimamente ligadas, mas nem sempre. De qualquer modo, os seus escritos compunham-se de fragmentos: frases breves, às vezes não sendo mesmo frases gramaticais, no sentido estrito, ou apenas letras desenhadas pelo prazer de as escrever, sem significarem nada, mas eram sempre pequenas preciosidades, fruto do acaso, da vida, se bem que muitas vezes apenas da interior; escritos a qualquer momento do dia ou do sono, interrompido a custo para a escrita que se poderia perder na manhã seguinte se não acontecesse naquele momento; sobre tudo o que lhe interessava ou causava espécie.

III. 11. Manual de sobrevivência a um coração partido

Na deslocação, revi a minha comunicação sobre um livro medieval recentemente descoberto pelo meu professor numa biblioteca privada e em cuja edição eu estava envolvido. Um livro interessantíssimo sobre a forma de sobreviver a males de amor, em espécie de manual didáctico. Após várias entradas frescas ou mais conhecidas pelo vulgo, o autor anónimo deixava bem claro, no final: «As receitas que i poderam haver, seerá frol quem no mais tender, ca a seu golpe nom pode durar arma». E era sobre este final, de uma certa desesperança na resolução dos casos com a ajuda do próprio manual, que eu ia falar no congresso. Por experiência própria, pois então.

III. 13. O exílio

Doía-lhe aquela existência e não conseguia perceber como poderia sobreviver no seu próprio espaço, voltar a ser o que era. É que estando ela no seu lugar de sempre, como se poderia sentir em exílio? O exilado é aquele que está morto para a sua terra, em parte, pelo menos, e ela sentia-se assim, morta na sua terra, como que exilada antes desta ser sua e fosse apenas um reflexo e algo que nunca poderia realmente existir – a vida.

III. 15. Deus como romancista

Cá fora, vestiu o casaco rapidamente, e circulou, para não se deixar chorar. Mas chorou, a andar, como se fosse um mendigo sem casa – e era-o, naquele momento, sem a melhor casa da vida, a casa dos verdadeiros amigos que nos abrigam o mais importante: o gosto que têm de nós. E ele via-se assim, de repente, sozinho numa rua que não costumava frequentar, com casas que lhe pareciam vazias de vida, embora fossem bonitas. E, por fim, achou a entrada de uma casa onde se sentar e perder-se durante algum tempo. Nada do que se passou a seguir interessa a ninguém. Dos seus vinte e cinco anos de pouca experiência, o professor não sabia o que era perder um amigo de forma tão voluntária. Nem nunca saberia, de facto.

aniversário

Cansado.

Ofereceram-me uma televisão para eu não me deitar tão cedo, para me fazer companhia. Foi uma prenda de anos. Resmunguei, pois claro. E além dos boxers (tamanho acima, enfim), de um livro (poesia de Saúl Dias), de uma carta, um postal, dinheiro, bolos, Expiação com primos, mensagens e chamadas e beijos (que aproveito para agradecer), recebi, um pouco por todo o lado, um número novo na minha conta pessoal.

Agora tenho 26 anos e uma televisão no quarto de cá. Ontem liguei-a para ouvir falar de medos e morte, e para choramingar com a Izzy. Hoje, são quase nove horas, tenho 26 anos e estou pronto para ir dormir.

Ideias...

P.S - E não era esta a companhia de que eu precisava.

Adenda: ao menos já tenho resposta para aqueles questionários tão típicos, quando me perguntarem «Qual foi o pior presente que te ofereceram?» Escrevi coisas bem piores sobre o assunto no meu caderninho actual, mas é melhor não partilhar.

domingo, maio 10, 2009

um poema de Fernando Pinto do Amaral

para a Inês

Aprende o infinito, recupera
a distraída bússula da alma
pouco a pouco sonâmbula, o exausto
sabor da tua vida enquanto é mais
que um recado de lume no teu corpo,
que a promessa da febre no teu sangue,
e a prende sobretudo a suspender
o tempo quando abraça quem morreu
só pra ressuscitar dentro de ti
ao cumprir a memória incandescente
dos dias que o amor transforma em meses,
dos meses que o amor transforma em anos,
dos anos que o amor rasga e entrega
ao rosto azul do céu e destes versos.

sábado, maio 02, 2009

III. 5. Amores imperfeitos



Tinha orgulho no seu jardim. Havia nele flores de várias espécies, recolhidas por várias gerações de que se sentia a herdeira espiritual. Tratava dele como se fossem filhos que não podia ter e conversava com elas como se houvesse resposta às coisas que lhes dizia. Quando uma planta morria, sepultava-a debaixo de outras, como que a perpetuá-la nelas, de modo a que nunca se faltassem. Eram lindas e toda a gente as elogiava na variedade, nas cores, no perfume, na perfeição. Um dia, acordou e viu que a cada um dos amores-perfeitos faltava uma pétala. Sorriu de ironia, a seguir apeteceu-lhe chorar, mas não o fez. Fechou a janela para não se ver e cismou para não emurchecer.

O que é aquilo?


É bonito, possibilita reflexão, e é grego.
Visto aqui.

E é melhor vê-lo lá, porque aqui não aparece a imagem toda... :(

quinta-feira, abril 30, 2009

O livro dos dias - (breve selecção de Abril)

3. Tenho de voltar a ouvir, insistentemente, «I get along without you very well» (versão Diana Krall). Mas sem o final, pois parte-me cada vez mais em mil fragmentos de nada...

9. Somos nós também aquilo que somos? O que não queremos ser? O que queremos e não conseguimos? Onde começa e termina o ser e o querer? Ou o não ser e o não querer? ___________ O Sol hoje nada pode esclarecer.

14. «P´ra frente é que é caminho». Ou para trás, ou para os lados. Qual frente? Estamos a falar de espaço ou de tempo?
16. A genialidade é uma questão de tempo e de espaço.

17. Custa-me a solidão dos dias, ao contrário do hábito. Dos dias que vivo e que tinha projectado diferentes, contigo. O que custa não é a solidão, é ver-te sem ter-te, é depois não te ver chegar a casa, e ter-te apenas na memória. Face ao vazio e à loucura: as palavras ou o silêncio da solidão.

19. Eu não preciso de saber de nada do mundo. Eu sou um mundo e já me chego!

23.
I get along without you very well
I get along without you very well
I get along without you very well
I get along without you very well
I get along without you very well
I get along without you very well
I get along without you very badly
I get along with(out) you very well
I (don't) get along without you very well

24. Já não havia estrada, apenas um muro. E para além dele era impossível ver.

domingo, abril 19, 2009

desafio em abril

Bibliotèque, Vieira da Silva


Do imenso tempo inicial das férias das Páscoa ainda em Braga ao tempo curto com a família e com o regresso atarefado, foi isto que li. O João Aguiar autografado foi leve e empolgante, outros foram bons enquanto momentos de leitura, outros muito bons e intensos, como o Richard Yates e a Agustina (que mais uma vez me desconcerta, com um livro onde me seduziram sobretudo algumas construções frásicas). E depois há um chamado o remorso de baltazar serapião, que não cumpriu as minhas expectativas em relação à inovação da linguagem tão apregoada (não me pareceu muito experimental nem arrojado - mas talvez isso seja das minhas leituras rosianas, coutianas, luandinas, ondjakianas ou, no mesmo eixo temporal medieval, do Pedro Eiras), mas incomodou-me enquanto livro, história, e seduziu sobretudo pela irrupção do fantástico retratado, em alguns casos, como real habitual.

39. O Priorado do Cifrão, João Aguiar, Porto Editora, 384p****
40. O Profeta, Kahlil Gibran, Europa-América, 94p****
41. Revolutionary Road, Richard Yates, Civilização, 286p*****
42. Uma migalha na saia do universo (antologia da poesia neerlandesa do séc. XX), org. de Gerrit Komrij, Assírio & Alvim, 144p***
43. Mal por Mal, F. Scott Fitzgerald, Teorema/FNAC, 72p***
44. Contos negros para os filhos dos brancos, Blaise Cendrars, Teorema, 94p***
45. As Pequenas Memórias, José Saramago, Caminho, 150p***
46. Os Meninos de Ouro, Agustina Bessa-Luís, Focus, 316p****
47. o remorso de baltazar serapião, valter hugo mãe, Círculo de Leitores, 190p.****(*)


Outras:
Wall-E*****
Awake***
Slumdog Billionaire****
P.S. I Love You****

terça-feira, abril 14, 2009

Ada Plays - Gabriel Yared

de um dos meus filmes favoritos, uma das minhas músicas. tão bonita que faz chorar...

terça-feira, março 31, 2009

(bem) na minha mão - Susana Félix

Porque faz cada vez mais sentido. Mesmo depois do que aqui já disse. Sobretudo o refrão, impagável: «enquanto vergo, não parto/ enquanto choro, não seco/ enquanto vivo, não corro/ à procura do que é certo» (todos reparámos nos pares antitéticos e todos sabemos do que se fala no final).

sábado, março 28, 2009

O livro dos dias - (breve selecção de Março)

5. Primeira frase, em muitas das últimas, que não é sobre ti, ou para ti. Ou então não...

6. O comprazimento da dor. O gostar de sofrer. Não é isso que quero mas às vezes parece que sim. É como se nada valesse realmente a pena e o melhor seria fugir e ler, apenas, até a morte chegar e levar-me para uma biblioteca eterna. Mas não é de livros que preciso, T., é de ti. do teu assoar discreto, do riso tão próprio, dos olhos inquietos. É por eles, pela falta deles e de tudo que sofro. Não podes ser da amizade, tens de ser também do amor, do meu amor - isso já és, falta o resto...

8. «O meu Guano desapareceu, fiquei muito triste... e o Rafa: ó Rita, não fiques triste, o Guano só morreu e depois volta.» - A sabedoria das crianças!

9. Esses botões desapertados, por esquecimento, em lugar tão crítico, bastariam para encher a minha mão. Mas não para saciar o que tu sabes que também termina em ão.

10. Deus é realmente um romancista dos ranhosos. E o resto é silêncio, pois então.

14. E não é que voltou mesmo! O meu primo Rafael afinal sabe mesmo destas coisas. E ainda comentou «Foi às meninas»!

19. E «enquanto eu não reclamo a dor dos dias» e a morte não toma conta dessa reclamação, continuarei aqui, à espera...

27. «É para dizer que em parte a minha vida está ligada à tua e tens que cuidar de ambas - agora não tens outra saída senão viver eternamente.» Marta
embora "eternamente" seja demasiado para mim...

29. «A ouvir o silêncio que a ausência da tua voz, do teu abraço... de ti... traz até a mim...» (roubado ao Tozé - frase do msn)

30. Face ao vazio e à loucura: as palavras.

31. Pergunto-me quantas vezes te terás lembrado de mim hoje. Nenhuma, ou uma ou outra, por acidente. Pois eu apenas uma; ao acordar lembrei-me da tua ausência real... e nunca mais apaguei de mim o desejo de ti.

terça-feira, março 24, 2009

desafio em março


Do tempo apertado, sem tempo quase, entre os afazeres de final de período sem vontade, e o fantasma da dissertação, e o fantasma da minha própria vida... fez-se este conjunto de leituras. Gradual, demorado no caso do Vale Abraão (brilhante, mas denso e não me apanhou na melhor fase), enquanto que os seguintes, a partir de Um Crime no Expresso do Oriente, me apanharam na fase do tudo preparado até ao final das aulas, o matar o tempo que devia ser para a dissertação. E continuo a ler, como um maluco. E ainda bem, porque soube-me muito bem percorrer As Cidades Invisíveis, ler as histórias com bichos, ou chegar à conclusão que O Resto é Silêncio. E o que mais virá, diria o meu pai se lesse isto.

25. O Beijo da Palavrinha, Mia Couto, Caminho, 30p.*****
26. Fanny Owen, Agustina Bessa-Luís, Público/Mil Folhas, 224p.****
27. Crime no Expresso do Tempo, Luísa Ducla Soares, Lisboa Editora/Civilização, 80p.****
28. Sonetos Luxuriosos, Pietro Aretino, Guerra & Paz, 96p.***
29. Só de Amor, Maria Teresa Horta, Frente e Verso/Visão, 80p.***
30. Vale Abraão, Agustina Bessa-Luís, Planeta DeAgostini, 306p.*****
31. Um Crime no Expresso do Oriente, Agatha Christie, RBA, 240p.*****
32. Raízes do Porvir, Domingos Florentino (Marcolino Moco), Universitária, 84p.***
33. Sem Título e Bastante Breve e Outros Poemas, Al Berto, Assírio & Alvim/FNAC, 32p.***
34. O Resto é Silêncio, Augusto Monterroso, Oficina do Livro, 200p.*****
35. As Batalhas no Deserto, José Emílio Pacheco, Oficina do Livro, 88p.****
36. «Ficções de bichos», direcção de Luísa Costa Gomes, 160p.*****
37. As Cidades Invisíveis, Italo Calvino, Biblioteca Sábado, 180p.*****
38. Falar Verdade a Mentir, Almeida Garrett (ilustrações de João Caetano), Porto Editora, 60p.****


Recomendam-se ainda Milk e Changeling - dois filmes muito bons.

domingo, março 22, 2009

Revolutionary Road - algumas pequenas pérolas


April Wheeler: Come on, tell me the truth, Frank. Remember that? We used to live by it. You know what's so good about the truth? Everyone knows what it is, however long they've lived without it. No one forgets the truth, Frank, they just get better at lying.



April Wheeler: So now I'm crazy because I don't love you, right? Is that the point?

Frank Wheeler: No! Wrong! You’re not crazy, and you do love me. That’s the point, April.

April Wheeler: But I don’t. I hate you. You were just some boy who made me laugh at a party once, and now I loathe the sight of you. In fact, if you come any closer, if you touch me or anything, I think I’ll scream.

Frank Wheeler: Oh, come on, stop this April. [He touches her for an instant and she screams at the top of her lungs before walking away. He chases after her] Fuck you, April! Fuck you and all your hateful, goddamn - [He breaks a chair against a wall]

April Wheeler: What are you going to do now? Are you going to hit me? To show me how much you love me?

Frank Wheeler: Don’t worry, I can’t be bothered! You’re not worth the trouble it would take to hit you! You’re not worth the powder it would take to blow you up. You are an empty, empty, hollow shell of a woman. I mean, what the hell are you doing in my house if you hate me so much? Why the hell are you married to me? What the hell are you doing carrying my child? I mean, why didn’t you just get rid of it when you had the chance? Because listen to me, listen to me, I got news for you - I wish to God that you had!


John Givings: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

*********
Não transcrevo um dos melhores momentos do diálogo: a revelação da infidelidade dele e a reacção dela. Fica para ser visto, que é bem melhor. Um grande filme, sobre tudo o que já se disse por aí sobre ele, sobre a inutilidade, a futilidade, o sentir-se preso a um quotidiano que oprime e não permite ser-se maior, vivo, do desejo da mudança e da realização, do ser-se especial e não sentir-se desse modo... Eu próprio já devo ter dito da banda sonora (que ouço amiudadamente), das interpretações (e de uma grande Kate Winslet), da fotografia, do guarda-roupa, da direcção artística, do guião...
O que vai abaixo é só para quem viu:
No final, o desfecho inevitável de April foi acidente ou suicídio? Quando vi no cinema fiquei mais convencido pela primeira hipótese, mas agora, ao ver novamente em casa, parece-me que há uma certa tendência para a segunda. E ainda gosto mais do filme assim, ambíguo...

sábado, março 21, 2009

Dia da poesia, ó T!


Porque é dia de poesia (supostamente):
«andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada»
e «falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior»,
como diz Fernando Assis Pacheco, acrescentando:
«hoje os versos são para entenderes».
Se é que me faço entender pelas palavras dos outros.

(isto não é um poema, é uma sms com versos de Fernando Assis Pacheco - o poema completo pode ser lido aqui. E esta é também a entrada do Livro dos Dias de hoje)

domingo, março 15, 2009

In Memoriam

Simples, como deveria ser, apesar de tarde. Com umas músicas dos nossos Radiohead, que me apresentaste e me fizeste apreciar. Talvez não sejam as tuas favoritas, acho que a tua era «Creep», não me lembro bem (isto da memória tem destas coisas), mas estas são as minhas. Não te preocupes que não te sigo, nem eu estou preocupado, agora, com o ter-te sugerido um caminho.


E obrigado pela caixa, pelo barco com a carta (apesar de não ter gostado de tudo o que lá escreveste), pelo livro O Resto é Silêncio que lerei o mais depressa possível. Obrigado sobretudo por teres partilhado comigo uma amizade - breve, mas a sério. E talvez um dia nos possamos ver.

As minhas favoritas, além de «No Surprises»:

«High and dry» e «Karma Police».

Ano Agustina


Parece que escolhi bem o ano para ler, finalmente, os livros de Agustina que estavam nas estantes. Não foi bem escolher, aliás. Era para ter sido já no ano passado, mas passou e não foi. E era para ter sido aquando do Honoris Causa em que tive o provilégio de ser o transportador das suas insígnias. E a presença frequente dela na minha faculdade, e o facto de viver perto da minha residência (nos tempos do Porto), sempre me despertaram para a sua leitura...

No início deste ano, a Denise disse-me que era giro eu escrever um artigo para a «Textos E Pretextos», para o número dedicado à escritora. Pois até era, mas eu só tinha lido A Sibila há muitos anos e não compreendera; Dentes de Rato e não era a minha praia; Aquário e Sagitário e não saberia o que dizer dele. Então, a Flora, muito amavelmente, ofereceu-me O Comum dos Mortais e emprestou-me As Fúrias. E deixei os que tinha em casa por ler. Escolhi ler As Fúrias, por ser mais pequeno (em tempo de trabalho e com prazos...) e adorei. Pensei: que andei a fazer para adiar a leitura de Agustina? Escrevi o artigo, veremos se é publicado.

Entretanto já li Fanny Owen, que é também muito bom, e ando perdido pelo Vale Abrãao (mas vai lentamente, não é uma boa altura). Seguir-se-ão O Comum dos Mortais e Os Meninos de Ouro. Mas mais poderão fazer parte da minha biblioteca em breve.

Disse que era um bom ano para estas leituras porque este é o Ano Agustina. Assim mesmo, segundo o JL ou IC. A «Ler» já lhe dedicou um número, que a Flora também me ofereceu, e vêm aí exposições, um filme de João Botelho, a reedição da obra e disponibilização para leitura no IC, conferências, colóquios, ciclos de cinema... Uma excelente oportunidade para conhecer a obra de um dos melhores escritores portugueses vivos.

excerto do artigo - «As Fúrias em "sede absurda de ruína"»

«Fica antes uma sugestão de suspensão, de ruína não totalmente concretizada, como se fosse possível um ressurgimento de que é símbolo a «energia» acima referida, ou ainda a salamandra negra referida no final do romance, a salamandra cuja vida se coloca em hipótese, mas «sem ética possível e sem transcendência» (Bessa-Luís, 1977, 179). No entanto, a configuração que se apresenta não pode deixar de se considerar como disfórica e sem solução, uma vez que o espaço, agora transformado em lugar, segundo a distinção estabelecida por Michel de Certeau, não parece deixar lugar a uma nova transformação. Mas isso não se afirma como certo, pois há na sua obra, e nesta também, uma vacilação das certezas, um romper do esperado, e tudo é possível, como a contradição – um dos pactos que o leitor de estabelecer de início com a obra de Agustina, a fim de a pretender conhecer um pouco melhor, como afirma, exemplarmente, Lídia Jorge: «o contraditório é o chão do pensamento. Quem não entender essa raiz profunda terá dificuldade em compreender a obra que produziu» (Jorge, 2009, 53). Mesmo da destruição pode nascer a criação – ainda que ficcional e de papel.»