Mia Couto, na Centésima Página, para falar do novo livro, Jesusalém. Ok, admito, durante muito tempo pensei que era Jerusalém - e achei estranho, porque Gonçalo M. Tavares teve muito sucesso com um livro com este título e assim, tão próximo, parecia-me excessivo... e até pensei que por causa disso o romance tivesse recebido o título de Antes de Nascer o Mundo, no Brasil, mas não foi por isto, então... Sei que comecei a lê-lo, enquanto esperava que me dissessem se continuava ou não no colégio (e sim, continuo), e estou a adorar (só não adorei a ideia de continuar com a minha turma no secundário e de, por razões técnicas, não continuar com a minha turma de segundo ciclo...); não era para ler já, queria esperar pelas férias para apreciar melhor e ler antes tudo o que me falta ler do antes. Mas o Mia vem cá falar hoje e apetece-me ouvi-lo sabendo um bocadinho do que se trata. É muito bom, a fazer lembrar o Terra Sonâmbula e O Outro Pé da Sereia, e a fugir ao anterior, Remédios de Deus e do Diabo - pelo menos para já, o que é bom (e vou ter Estudo Acompanhado...).
sexta-feira, julho 17, 2009
segunda-feira, julho 13, 2009
segunda-feira, julho 06, 2009
III. 29. E pur si muove
Sentia-se triste como uma casa sem móveis.
Flaubert, Madame Bovary
Os móveis enchiam o espaço interior, e cada um de nós tropeçava, batia, não vivia nele, porque tomavam conta de nós de forma opressiva. Não havia vazio, nem silêncio. E cada um de nós seguiu o seu rumo. Depois, aos poucos, desbaratadas no vento as lembranças e as palavras, queimados que foram os gestos, ficámos sós, eu e a casa. E embora a solidão não doa, entristece. Como a casa sem ti. E perante a minha imobilidade, a minha descrença do vazio que nos tornámos, ela age por mim: de cada vez que olho pelas janelas apercebo-me da mudança como se estivesse num comboio, do que vem e do que ficou para trás, e sempre que me sento no alpendre tenho novas paisagens para apreciar. É a sua forma de ser mais do que uma casa e de me ajudar. Mas alguns sentimentos não se mudam ao mudar-se uma casa, em todos os sentidos.
Mimarte - Festival de Teatro de Braga
30 de Junho, As Justiceiras, de Aristófanes, por Teatro ao Largo (Vila Nova de Mil Fontes), encenação de Steve Jonhston - a encenação da comédia parece roçar um pouco, talvez, a revista portuguesa. O texto clássico foi adaptado aos tempos actuais (qual Ágora, a Junta de Freguesia é que é importante, ou o problema dos brasileiros e dos romenos ou ucranianos...), com música e interacção com o público, com alguma coisa que me fez duvidar um pouco do bom gosto, mas isso sou eu, porque toda a gente gostou muito e deu para rir também com qualidade. ***(*)
1 de Julho, Paisagens em Trânsito, de Patrick Murys, por Circolando (Porto), encenação de Patrick Murys - uma peça estranha, sem falas (algumas onoamtopeias e outros sons), repesentada por um único actor e, por vezes, fantoches - um real, um outro encarnado pelo actor, num cenário que recria linhas de comboio, mas também estábulos e tudo o que quisermos imaginar, e malas, muitas malas. Diz o programa é que é sobre o exílio, memórias, e muitas interrogações - é o que o espectador faz, muitas interrogações! ****
2 de Julho, Afonso Henriques, de António José Saraiva, por O Bando (Palmela), encenação de João Brites - uma peça mais direccionada para o público infantil, mas que agradou a todos. A história do primeiro rei português, suas guerras, dúvidas, paixões, num ritmo marcado pelo divertimento, pela música... Muito bom!****(*)
4 de Julho, Agamémnon, de Ésquilo, por Grupo Thíasos do IEC - Fac. Letras (Coimbra), encenação de Lia Nunes - peça do XI Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico, recupera a primeira parte da Oresteia, centrada no regresso de Agamémnon depois da guerra de Tróia, e a recepção que dele é feita por sua mulher infiel, Clitemnestra, que aqui é representada por duas actrizes, para transmitir melhor o carácter dúbio da mulher enganadora. Gostei bastante, em especial do Corifeu. ****(*)
5 de Julho, Édipo Rei, de Sófocles, por Grupo de Teatro Clássico ESAD (Málaga, Espanha), encenação de Andreu - não tinha lido o texto (ao contrário do anterior, mas já li, entretanto) mas sabia a história, o qu enão sabia é que ia ver uma representação tão extraordinária: a intensidade trágica da dúvida que pode aniquilar um homem é levada ao extremo: suor, lágrimas, baba (e tenho dúvidas quanto ao ranho) surgem não muito depois da pela ter começado e mantêm-se... e o coro ajuda. Grande desempenho de Chico García como Édipo, mas todos estiveram bem. Destaque ainda para o Coro - excepcional. *****
6 de Julho, Teatroclip, Tin.bra (Braga), encenação de Sónia Sousa, - a pior crítica é não haver crítica... pronto, eu quase cortei os pulsos com o representação de pequenos quadros da vida de uma vila separados por músicas de Amália, mas até gostei da actriz alcoólica, e de uma ou outra saída mas, no geral, foi de bradar aos céus... comédia fácil, com trocadilhos e tiradas demasiado previsíveis, e as entradas e saídas quebravam o que quer que fosse possível existir de interessante. E pareceu-me tãooooo longooooo. **
7 de Julho, Ibéria, a louca história de uma península, por Peripécia Teatro (Vila Real), direcção de José Carlos Garcia - depois de adiado por causa da chuva (no dia 27 de Junho), voltaram e ainda bem. Uma comédia a sério sobre episódios da Península Ibérica, desde as guerras entre os dois países e com os mouros, aos pastorinhos de Fátima, passando pos Inês de Castro (muito bem contada a história), Camões e Cervantes, Aljubarrota (os actores eram pães que relatavam o que acontecia aos espanhóis), Tordesilhas (fantástica a ideia da marcação de território como os animais)... Dois actores e uma actriz fazem de tudo, do início ao fim: reis, rainhas, guerreiros, pães, pastorinhos, papa... tudo centrado neles, sem grandes artifícios técnicos além do excelente trabalho corporal em cena. Destaque ainda para a cena do anel em D. Constança - fantástico! Muito bom, a encerrar. ***** (com Virgínia, Marta e Rui Pedro)
P.S. - para mais informação, fotos, vídeos, ver o links em cada um dos títulos.
sexta-feira, julho 03, 2009
Para a Marta e para a Virgínia - Parabéns!
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas (Editora Nova Fronteira, 2005)

borboleta é um ser irrequieto.
para vestes usa pólen.
tem um cheiro colorido
e babas de amizade.
descola por ventos
e facilmente aterriza em sonhos.
borboleta tem correspondência directa
com a palavra alma.
para existir usa liberdades.
desconhece o som da tristeza
embora saiba afogá-la.
usa com afinidades
o palco da natureza.
nega maquilhagens isentas
de materiais cósmicos. como digo:
pó-de-lua, lápis solar
castanho-raíz, cinzento-nuvem.
borboleta dispõe de intimidades
com arco-íris
a ponto de cócegas mútuas.
para beijar amigos e vidas ela usa olhos.
borboleta é um ser
de misteriosos nadas.
Ondjaki, Há Prendisajens com o Xão (Caminho, 2004)
sexta-feira, junho 26, 2009
desafio em junho

Vieira da Silva, mais uma Bibliotèque
56. A Maresia e o Sargaço dos Dias, Luísa Dacosta, Asa, 78p.*****
57. Luísa Dacosta - entre Sílabas de Luz, Asa, 78p.****
58. Natal com Aleluia, Luísa Dacosta, Asa, 78p.*****
59. O Leitor, Bernhard Schlink, Asa, 144p.*****
60. A Jangada de Pedra, José Saramago, Caminho, 350p.*****
61. À noite as estrelas descem do céu, João Pedro Mésseder, Campo das Letras, 60p.****
62. Versões - Mundos (d)escritos em Português, vários autores, CIC - Portugal/autonomia 27, 166p.***
63. A Ovelha Negra e outras fábulas, Augusto Monterroso, Angelus Novus, 120p.*****
64. «Ficções 9», direcção Luísa Costa Gomes, Tinta Permanente, 148p.***
65. Uma Aventura na Amazónia, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 240p.***(*)
66. O menino que não gostava de ler, Susanna Tamaro, Presença, 40p.****
67. Poesia, Eugénio de Andrade, Fundação Eugénio de Andrade, 660p.****(*)
Filmes:
You don't mess with Zohan*** (pelo ridículo, pelo Adam Sandler, pela Mariah Carey...)
RocknRolla**** (pelo déjà vu - pessoal - não total...)
Sobreviventes***(*)
Happy Feet****(*)
segunda-feira, junho 22, 2009
III. 19. Conto levemente erótico
Olharem-se era apenas o início, pois o olhar ensinava-os sobre as mãos e sobre a pele. E as mãos ensinavam-nos a ver melhor. E depois do olhar, as bocas percorriam-se com uma falta de algo que só os corpos pudessem mitigar. As mãos procuravam-se, exactas de tempo, exactas na procura do improviso, no imprevisto dos corpos reagentes. Procuravam-se e encontravam-se nas planícies, nas florestas. Perdiam-se e achavam-se, cheias, para novamente se perderem e, cheias de saudade, voltarem a encontrar-se. E depois das mãos e das bocas, todo o restante corpo, um contra o outro, explorando-se na pele, nos pêlos, no sangue latejante, como se o tempo não chegasse, como se a vida pudesse ser sempre aquilo, como se as coisas se reduzissem a ambos tornados unos, perdidos nas palavras sussurradas, gemidas, balbuciadas, até os corpos se soltarem novamente e apenas se abraçarem, enquanto entram num outro mundo, sem consciência.
Acordar-se era tarefa do sol na janela ou do despertador. E era nascer para a consciência da individualidade e da solidão. A cama estava desfeita, ele talvez um pouco molhado ainda, mas só. Porque nada do que se passava era real, apenas fruto do desejo presente e das memórias do passado – viventes ambas nesses tempos, funcionantes de modo imperfeito no presente, mas sem esperança de projecção no futuro. E era certo que depois, no banho, haveria de chorar, mas só no banho, para que as lágrimas não se notassem, nem para ele. E que, em outras noites, olhar-se era apenas o início, pois o olhar ensinava-o sobre a mão e sobre a pele e a mão ensinava-o a ver melhor. E depois do olhar a boca ficava expectante do momento em que tivesse de soltar-se em prazer. Sem tempo, sem espaço de vida a mitigar, a inexactidão do mecânico, ainda assim cheio de saudades da pele, dos pêlos, do sangue latejante, do tempo em que a vida podia ser apenas aquilo, as coisas fossem unas de ambos, em que as palavras tinham o poder de trazer um ao outro em segundos de ser.
Até ao dia em que desaprendesse de amar: os olhos recusassem a ver, as mãos a descobrir, a pele a sentir, as palavras a criar. Ou talvez não fosse ainda tarde nesse dia, se os sonhos e a solidão pudessem funcionar como reservatório de emoções. E um dia, ao acordar com o sol a dourar-lhe o corpo extenuado, talvez não precisasse de chorar, pois teria aprendido alguma coisa que o levaria a ser diferente, mesmo sendo o mesmo.
Deolinda, enfim!
quarta-feira, junho 10, 2009
Dois poemas de Luísa Dacosta
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
A Maresia e o Sargaço dos Dias, Porto: Edições Asa, 2002
dois poemas de Saúl Dias

terça-feira, junho 09, 2009
Adeus (+ poema, só porque sim)
Entre nós não há apertos de mão. Isso é para os outros. Ou só nos dias de cerimónia: aniversários, primeiras saudações formais, despedidas e regressos para/de férias. E agora não será diferente, apesar das quebras. Estenderemos as mãos e as palavras serão as mesmas, puídas, gastas, apesar do pouco uso entre nós. Ainda não sei se para sempre, se apenas até Setembro, dir-nos-emos adeus. Não como o do poema, embora tu desses um poema que nunca escrevi e que nunca te daria num cartão. Entre nós não há mãos que cheguem - o artifício não me cai. Não esquecerei o momento breve em que tas guardei nas minhas, só para vermos temperaturas. E quem diz mãos diz olhos, risos, palavras. Chega o momento do adeus a passos largos - adeus simbólico, porque já o dissemos há muito. E pois que terminamos. O que se diz a quem se ama sem se poder falar do amor por proibição?
09-06-09
*****
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Mas isso era no tempo dos segredos,
Já gastámos as palavras.
Não temos já nada para dar.
Adeus.
Eugénio de Andrade, Poesia
terça-feira, junho 02, 2009
Forma Breve 6
sábado, maio 30, 2009
desafio em maio

E continua o desafio, que, apesar do ritmo ter abrandado, não parece, ainda, comprometido. 55 livros em 5 meses, é bom. Cedi finalmente a ler o Equador, segui para crónicas, por causa da vinda do Ricardo Araújo Pereira ao colégio e por causa de outros à espera, poesia porque não pode faltar, sendo o Saúl Dias um presente de aniversário, e o Sem Sangue porque tinha de ler alguma coisa no autocarro, esquecera-me de trazer um livro e aquele saía com a revista «Sábado» nesse fim-de-semana. Seguem-se Saramago e Luísa Dacosta, entre outros.
48. Equador, Miguel Sousa Tavares, Oficina do Livro, 528p.****
Outras sugestões:
Filmes:
Festas para o último fim-de-semana de Maio:
quinta-feira, maio 28, 2009
O livro dos dias (breve selecção de Maio - e final)
1. Sabemos quase sempre que somos melhores do que os outros e piores do que gostaríamos de ser. Ou é ao contrário? Mas o que interessa ser, se não somos reconhecidos nisso pelos outros? Desisto - sou a desistência em consciência - mas só daqui a meses. Há que sobreviver até à data limite.
Depois virão tempos
ainda
piores.
2. É Ma É La é Ri é A: Malária! Viva a Malária! Vamos! Private jock sem piada nenhuma. Mas que nos fez rir como se fôssemos tolos. A desgraça da vida leva-nos a desejar Moçambique. Para acordar, para fugir, para viver. Ou morrer - pois ela está por lá!
5. Preciso que a minha cama seja mais do que eu.
6. Pequena visão da floresta
peito onde dorme a fera
coração (que vai dar no mesmo).
7. Propostas indecentes
RE: um pouco tarde para propostas indecentes. Talvez noutra altura. (eram já 23:50:16)
10. O coração é aquilo que queremos fazer dele, disse um aluno. E o meu coração apertado alargou-se de espanto. E achou-se sozinho, mas a pulsar. Tem dias.
A nossa música, Borboletras!
para além dos segredos que também os jardins são, sobre o amor e outros, e do amor que a amizade também é. o resto está escrito no caderno que podes ler amanhã. e nos gestos e nas palavras do quotidiano.
Obrigado. Sem ti, o jardim já seria apenas ruína...
«Run», ou o «mudar-me definitivamente»
terça-feira, maio 26, 2009
da existência
E dizem, normalmente, «isso já passou». Mas estamos em Maio e eu ouço. E não poderia ser «ainda falta muito»? Ou o tradicional «o Natal é quando um homem quiser»?
Não me apetece o Natal, nem nada, mas às vezes apetece-me outro tipo de música, diferente da do dia-a-dia, que traga a nostalgia e a alegria ao mesmo tempo. Acompanhada pelos meus berros, pois claro.
segunda-feira, maio 25, 2009
excertos de «O mundo não passa de mundo»
III. 8. Borboletras
Era uma vez um homem que escrevia apenas por fragmentos. Coisas pequenas, se bem que muitas vezes profundas, concisas. Há quem ache que as duas coisas estão intimamente ligadas, mas nem sempre. De qualquer modo, os seus escritos compunham-se de fragmentos: frases breves, às vezes não sendo mesmo frases gramaticais, no sentido estrito, ou apenas letras desenhadas pelo prazer de as escrever, sem significarem nada, mas eram sempre pequenas preciosidades, fruto do acaso, da vida, se bem que muitas vezes apenas da interior; escritos a qualquer momento do dia ou do sono, interrompido a custo para a escrita que se poderia perder na manhã seguinte se não acontecesse naquele momento; sobre tudo o que lhe interessava ou causava espécie.
III. 11. Manual de sobrevivência a um coração partido
Na deslocação, revi a minha comunicação sobre um livro medieval recentemente descoberto pelo meu professor numa biblioteca privada e em cuja edição eu estava envolvido. Um livro interessantíssimo sobre a forma de sobreviver a males de amor, em espécie de manual didáctico. Após várias entradas frescas ou mais conhecidas pelo vulgo, o autor anónimo deixava bem claro, no final: «As receitas que i poderam haver, seerá frol quem no mais tender, ca a seu golpe nom pode durar arma». E era sobre este final, de uma certa desesperança na resolução dos casos com a ajuda do próprio manual, que eu ia falar no congresso. Por experiência própria, pois então.
III. 13. O exílio
Doía-lhe aquela existência e não conseguia perceber como poderia sobreviver no seu próprio espaço, voltar a ser o que era. É que estando ela no seu lugar de sempre, como se poderia sentir em exílio? O exilado é aquele que está morto para a sua terra, em parte, pelo menos, e ela sentia-se assim, morta na sua terra, como que exilada antes desta ser sua e fosse apenas um reflexo e algo que nunca poderia realmente existir – a vida.
III. 15. Deus como romancista
Cá fora, vestiu o casaco rapidamente, e circulou, para não se deixar chorar. Mas chorou, a andar, como se fosse um mendigo sem casa – e era-o, naquele momento, sem a melhor casa da vida, a casa dos verdadeiros amigos que nos abrigam o mais importante: o gosto que têm de nós. E ele via-se assim, de repente, sozinho numa rua que não costumava frequentar, com casas que lhe pareciam vazias de vida, embora fossem bonitas. E, por fim, achou a entrada de uma casa onde se sentar e perder-se durante algum tempo. Nada do que se passou a seguir interessa a ninguém. Dos seus vinte e cinco anos de pouca experiência, o professor não sabia o que era perder um amigo de forma tão voluntária. Nem nunca saberia, de facto.
aniversário
Agora tenho 26 anos e uma televisão no quarto de cá. Ontem liguei-a para ouvir falar de medos e morte, e para choramingar com a Izzy. Hoje, são quase nove horas, tenho 26 anos e estou pronto para ir dormir.
Ideias...
P.S - E não era esta a companhia de que eu precisava.
Adenda: ao menos já tenho resposta para aqueles questionários tão típicos, quando me perguntarem «Qual foi o pior presente que te ofereceram?» Escrevi coisas bem piores sobre o assunto no meu caderninho actual, mas é melhor não partilhar.
domingo, maio 10, 2009
um poema de Fernando Pinto do Amaral
Aprende o infinito, recupera
a distraída bússula da alma
pouco a pouco sonâmbula, o exausto
sabor da tua vida enquanto é mais
que um recado de lume no teu corpo,
que a promessa da febre no teu sangue,
e a prende sobretudo a suspender
o tempo quando abraça quem morreu
só pra ressuscitar dentro de ti
ao cumprir a memória incandescente
dos dias que o amor transforma em meses,
dos meses que o amor transforma em anos,
dos anos que o amor rasga e entrega
ao rosto azul do céu e destes versos.