sábado, abril 10, 2010

súbita audição do eu 2

«I wonder if this grief will ever let me go
I feel like I am the king of sorrow
(...)
I suppose I could just walk away
Will I disappoint my future if I stay»

Sade, «King of Sorrow»

sexta-feira, abril 09, 2010

Súbita audição do eu 1

«and I'm so lonely I don't even want to be with myself anymore»
Dido, «Honestly OK»

quinta-feira, abril 08, 2010

Anaquim

Uma novidade para mim, uma banda em condições, aí abaixo acompanhada por Ana Bacalhau :), em «O meu coração». Para ouvir com atenção todo o disco, com destaque para «A Vida dos Outros» - tudo tão simples quando é a vida alheia, e eu tão miserável -, «Lusíadas», «Bocados de mim», «Monstros», com algumas referências histórico-literárias interessantes. Muito bom, mesmo em termos musicais - que será talvez o mais importante. A ver em breve :)

quarta-feira, abril 07, 2010

Barcelona

De Tossa del Mar a Barcelona, de Calella a Monserrat. Os primeiros dias de férias da Páscoa. Com os alunos. A minha Barcelona não é a mais conhecida. É esta, na voz de Jewel. Nem sequer esta, como amostra turística. Ainda bem que vi antes o Vicky Cristina Barcelona. E Carlos Ruiz Zafón me esperava ainda com suas histórias de Barcelona no inicio do século XX. Porque não fui para a ver, nem para a viver. Apenas passei por lá. Se houver uma próxima vez, pode ser que com amigos e com tempo as coisas sejam diferentes.

Tossa del Mar

Barcelona

Calella

Monserrat


"But if you could hear the voice in my heart it would tell you
I'm afraid I am alone
Won't somebody please hold me, release me"

Jewel, «Barcelona»

terça-feira, março 30, 2010

Maria Alexandre Dáskalos

Não poderás saber
que foste a breve primavera
depois de um longo inverno.
Não poderás saber
que os deuses repararam em nós
e como pagãos dançámos.
Não poderás saber
que os sonhos se espelharam
...................................em mil sóis.
E, assim não viste as pétalas
.......................da flor na bandeja do chá.

Maria Alexandre Dáskalos, Jardim das Delícias, p.44

V

contra vários indicadores
vontades do momento
e outras descoisas


chegou o quinto aniversário deste sítio.

quinta-feira, março 25, 2010

Desafio em Março


O desafio continua em bem. alguns livros - mas todos bons desta vez. coisas pequenas, pois é a velha história: o tempo voa-me mais nos finais de períodos lectivos, então se seguidos de viagens com os alunos... Ainda assim, voltei aos meus africanos - finalmente a poesia de Ondjaki, que me encheu as medidas mais do que Luandino («E Lengalengenu falou em quimbundo; e Kibaia Kinene tinha falado em latim; então viram todos que isso era sinal para pelejarem» p.12) e M. A. Dáskalos, suave. De Garrett a novidade já não me é grande, mas gostei da organização de Paula Morão e de o reler («Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele» p.81), tal como do estudo de Carlos Reis, precioso para as aulas que ando a dar, mas nunca tinha lido Adolfo Bioy Casares, e foi uma agradável descoberta («já não estou morto: estou enamorado» p.40 ou «na solidão é impossível estar morto» p.65). Outras boas descobertas foram À Espera de Godot - à espera há imenso tempo («Estragon: E se nos enforcássemos?/Vladimir: Mmm. Depois ficávamos com tesão!/ Estragon: (muito excitado): Tesão?» p.25) e A Sombra do Vento, um livro irrepreensível, sobretudo porque gira em torno do mundo dos livros («Criei-me entre livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.» p.12). Referência ainda para a interessante antologia de Luísa Dacosta, embora as suas introduções, por vezes, façam corar de sentimentalidade infantilizante e para os textos sobre Sophia que acompanham a edição especial que a Asa publicou.
Tempo ainda para ver alguns espectáculos e filmes. Está tudo por aí, no blogue. De desafio a sugestões, é só escolher.

Livros:

16. A Guerra dos Fazedores de Chuva com os Caçadores de Nuvens (Guerra para crianças), José Luandino Vieira, Caminho, 28p.****
17. Flores sem Fruto e Folhas Caídas de Almeida Garrett, Paula Morão, Editorial Comunicação, 132p.****
18. A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares, Antígona, 128p.*****
19. De Mãos Dadas, Estrada Fora, Luísa Dacosta, Asa, 160p.****
20. Jardim das Delícias, Maria Alexandre Dáskalos, Caminho, 56p.***
21. Introdução à leitura d'Os Maias de Eça de Queirós, Carlos Reis, Almedina, 184p.*****
22. A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 512p.*****
23. actu sanguíneu, Ondjaki, INALD, 20p.(?)***
24. Há prendisajens com o xão, Ondjaki, Visão/Caminho, 72p.*****
25. Materiais para confecção de um espanador de tristezas, Ondjaki, Caminho, 88p.*****
26. À Espera de Godot, Samuel Beckett, Cotovia, 128p.*****
27. Dez textos mais um para Sophia, A.A. V.V., Asa, 16p.****

Filmes:

30. Viúva rica solteira não fica, José Fonseca e Costa***
31. The Uninvited, Charles Guard e Thomas Guard***
33. Beetle Juice, Tim Burton****
34. Pee-Wee's Big Adventure, Tim Burton***
35. What Happens in Vegas, Tom Vaughan****
36. Valkyrie, Bryan Singer**
37. The Wrestler, Darren Aronofsky****
38. Gremlins, Joe Dante****
39. Aparelho Voador a Baixa Altitude, Solveig Nordlung***
40. In the Land oh Women, Jon Kasdan****
41. Definitely, Maybe, Adam Brooks****
42. Do Começo ao fim, Aluisio Abranches****
43. Alice no País das Maravilhas, Tim Burton****
44. Frequently Asked Questions About Time Travel, Gareth Carrivick****

domingo, março 21, 2010

Dia dela

porque não há amor este ano
porque nada se renovou

não há nada que dizer hoje.


fica apenas a referência a um artigo que li entretanto na revista «Única», «Traga a poesia para a sua vida». A ideia principal é que a poesia salva, a poesia regenera, a poesia é catártica. Tudo bem. É isto e tudo o mais que quisermos que ela seja. Os meus meninos lá da escola que o digam :)
Hoje o Câmara Clara é sobre o assunto.

Pigmalião

Pigmalião e Galateia (1890), de Jean-Léon Gérôme


Estar em estado vegetativo, daquele em que o torpor não me deixa nem assoar, o ranho invade a almofada e humidifica-me (bom, não exageremos...), não me impediu de ir ver Pigmalião. Com óculos 3d, pois então! Posso não ter feito mais nada útil este fim-de-semana, depois da reunião de avaliação, mas não interessa. A inutilidade é-me muito querida, por vezes. E este profundíssimo cansaço dos últimos dias, que me tem feito ir para a cama antes da hora que os meus imaginários e impossíveis filhos tivessem de ir. E o acordar mais cedo que os padeiros para fazer o que devia ter sido feito de véspera...


Mas o Pigmalião é que interessa. Vê/veja se puderes/puder. O texto é de Pedro Mexia, a encenação de Marcos Barbosa, do Teatro Oficina. O público pareceu ficar surpreendido por ser tão pequeno, e ri-me como um TUlinho porque a maior parte das pessoas usou os óculos 3d em todo o espectáculo - quando era só para os dois momentos de vídeo... Eu gostei, e muito. Sobre Pigmalião, e sua Galateia, há mais aqui.

sexta-feira, março 19, 2010

Cansado

de acordar às cinco da manhã espontaneamente, porque me deitei às oito ou assim, para acabar de corrigir testes. das reuniões que começam amanhã. de barcelona, que vem, - ou vou eu - , dia 25. de adiar artigos. de cultura: Auto da Barca do Inferno e Frei Luís de Sousa foram dose. com os alunos. era para ir a um concerto da Gulbenkian na Sé. acho que vou ficar por casa mesmo.

quinta-feira, março 18, 2010

Confissão de ódio

Uma série infinita de livros nas minhas paredes, com as suas mil vidas diferentes de cada vez que se as lêem, não chegam para mitigar a solidão de ti.

domingo, março 14, 2010

Um beijo em forma de letras, Célia

Acordam-me os tempos da morte num sufoco que não controlo até ao fim de dez minutos. Depois, como a vida não me espera, rápida devoradora de instantes que a memória não retém, readormecendo sem saber em que mundo acordarei a seguir. Se é que posso usar «acordar» como metáfora.


Escrevi isto enquanto vigiava teste, sem saber. Quando soube pensei em ti, como sempre. Desculpa não estar aí quando precisas. Mas sabes que tens em mim um pilar, uma concha, o que for preciso. Ainda te falo logo. Embora nestes casos nunca se saiba o que dizer.

Jamie Baum Septet

Foi ontem, no Theatro Circo, em Braga - como vai sendo costume, para mim, agora. E apesar de não conhecer, gostei bastante. Mais ainda por ter sido por convite - bilhete ganho aqui. Fica aqui uma ligação para uma das músicas que tocaram. Venha o seguinte.

quinta-feira, março 04, 2010

Barcelona


é onde me poderão encontrar no final deste mês :)

terça-feira, março 02, 2010

Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal

é um dos meus poemas favoritos, mais que muitos, e ainda não aqui estava. emendo-me. acompanho-o com a ligação a um artigo sobre ele. para ler muitas vezes. a «continuação» de Sena fica para outra oportunidade.


Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia, Mar Novo (1958)

p.s. - é mesmo para colocar numa das paredes, em grande, cá na «casota» de Braga.

segmentos

há um segmento muito bom. Começa com os anjos, segue-se com estes em pranto, depois o desvanecimento (acima) de que talvez nem haja notícia e conclui-se com a dúvida e o desejo.

e depois ainda há isto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

No CDDS, em breve...

Pois está para breve, pelos vistos, a visita de António Paiva para uma sessão de poesia acompanhada de chá. Depois dos momentos com João Aguiar, Ricardo Araújo Pereira, Nuno Crato, Fernando Pinheiro e Richard Zimler (os autores que cá vieram desde que eu cá estou também), avizinham-se também Ana Saldanha e José Luís Peixoto. Uns interessam-me mais do que outros, naturalmente, mas deste António Paiva não tenho qualquer expectativa. Li, com os meus colegas, alguns poemas para ver se valia a pena e a opinião foi unânime: sim. E pronto. Fica aqui o poema, dos poucos que cheguei a ler, de que gostei mais, não pela originalidade, que será pouca, mas pela convocação de elementos muito do meu agrado:
Os meus ouvidos são búzios
onde o mar esconde o rumor das suas ondas.

pseudometenojismos

E já está a recensão. Veremos se sai... nunca fiz uma com este objectivo, ser publicada, muito menos de uma obra de arte. O que saiu em livro, finalmente, foi o livro com as comunicações do congresso de 2008 Mundos em Diálogo - Direito e Literatura. O lançamento é dia 3 de Março, em Lisboa.


Aqui fica o poema que transcrevi na íntegra na recensão:

Há quem dê erros de ortografia da direita para a esquerda e há quem os dê seguindo os ponteiros do relógio. Como havia Ulisses de se enganar na letra, já que os reis podem revogar a ortografia, além de que a tinta (a que havia), era vermelha e não azul, sendo que dez anos mais dez anos são vinte anos, contados gota a gota? Depois que tudo aconteceu, que importa saber se o homem era Ulisses ou Odysseus, ele que usou muitos nomes, dos quais NINGUÉM talvez fosse o verdadeiro?

Arménio Vieira, O Poema, a Viagem, o Sonho, Lisboa: Caminho, 2009, p.54

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Desafio em Fevereiro


aproveitar algum tempo, que não tenho no momento, mas não me apetece ir acabar a recensão crítica a Arménio Vieira, que já devia estar pronta, nem pensar nos artigos e resumos que tenho de fazer e cujos prazos estão a acabar. Apesar de tudo, estou contente porque comprei, por uma pechincha, uma edição especial de/sobre Sophia. e por isso, o desafio aqui fica.

dos livros, voltei a Raul Brandão, que muito aprecio, desta vez a textos apenas publicados em jornais, recolhidos em Sonhos - pena as gralhas... - («o coração batia-me como se me doesse um amor perdido», p.179), segui para o Herbário, que tem poemas muito bonitos, acompanhados de ilustrações de igual teor; com Eugénio de Andrade passei por A Cidade de Garrett, que mostra a genialidade do poeta e da cidade e suas gentes («Um poeta, quando é grande, é sempre o maior para quem faz sua a poesia dele», p.40), demorei os olhos nas aguarelas de Gunter Grass, mergulhei no mundo criado por Rosa Lobato Faria («gosto da ideia de construir a minha morte como construí a minha vida», p.24), que perdemos recentemente, li fascinado O Poema, a Viagem, o Sonho e estou ainda em O Homem Duplicado, entre outros que não acabarei este mês, provavelmente, com tantas actividades que tenho tido :)


9. Sonhos, Raul Brandão, Independente, 192p.*****
10. Herbário, Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, 60p.*****
11. A Cidade de Garrett, Eugénio de Andrade, Fundação Eugénio de Andrade, 76p.*****
12. Com Aguarelas, Gunter Grass, Editorial Notícias, 210p.****
13. O Prenúncio das Águas, Rosa Lobato de Faria, Asa, 216p.*****
14. O Poema, a Viagem, o Sonho, Arménio Vieira, Caminho, 132p.*****
15. O Homem Duplicado, José Saramago, Caminho, 320p.****

filmes:

13. Bruno, de Larry Charles (por favor)**
14. Anticristo, de Lars von Trier (enfim... já fez melhor)***
15. Quem és tu?, de João Botelho (hum...)****
16. Romance, de Catherine Breillat (pois é...)*
17. Precious, de Lee Daniels (finalmente algo bom)*****
18. A Dúvida, de John Patrick Shanley (grandes desempenhos)*****
19. A Bússula Dourada, de Chris Weitz (grande e bela Nicole)****
20. Ágora, de Alejandro Amenábar (vibrante)*****
21. Calígula, de Bob Guccione (por favor outra vez...)***
22. Baise-Moi, de Virginie Despentes (idem aspas mais grave)*
23. Orlando, de Sally Potter (pormenores...)****
24. The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gillian (intrigante)****
25. Premonição, de Mennan Yapo (bom para o género)****
26. Chovem Almôndegas, de Phil Lord e Chris Miller (espectacular)*****
27. Vestida para casar, de Anne Fletcher (K. Heigl, linda)****
28. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (muito bom)*****
29. O Pacto, de Renny Harlin (está bem)***

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O livro do desassossego


já foi há uns dias valentes, mas enfim. e depois de me perder no Porto, mais uma vez (já não conheço a minha cidade de cinco anos), lá cheguei a tempo à Casa da Música.


o concerto, com a M. e o J.P. foi interessante, apesar do sono. a partir de excertos de do livro referido de Pessoa, o espectáculo foi construído com a orquestra Remix Ensemble, que executou uma composição de Michel van der Aa, a representação/voz de João Reis, encarnando Bernardo Soares, e um vídeo, com vários actores, entre os quais o mesmo João Reis, e a presença de Ana Moura, que cantou duas ou três vezes, pasme-se, excertos de O Livro do Desassossego (e lá apareceu no palco, no final, para aplaudir o espectáculo e receber o seu mérito também).


sem haver propriamente um fio condutor, a não ser a tentativa de mostrar as várias vertentes da personalidade de Bernardo Soares, o espectáculo versou reflexões sobre Lisboa, moral e sociedade, amor e solidão, numa espécie de «puzzle» que imita o próprio labirinto que é a obra impressa.


para concluir, uma frase exemplificativa, pessoal: «Que coisa morro quando sou?» ou, como diria eu, mais prosaicamente, «Que coisa sou quando morro?».