terça-feira, agosto 31, 2010

coisas de blog

nova mudança. agora o fundo é azul e as letras brancas, troca por troca. e um rosa de vez em quando. o mesmo cansa às vezes. escuro, agora, como eu (não, não me refiro ao bronze deste verão... ).

What we are

Depois disto, que não tem explicação cabal, a vingança. Em jeito de paródia e de colocação no lugar desses humanos que pensam que nos são donos.


quinta-feira, agosto 26, 2010

Desafio em Agosto



Em tempo de férias, em espaço familiar, multiplicaram-se as ofertas. E aproveitaram-se. Dos Livros, destaque para Arménio Vieira (84 e 85), de que já falei aqui e aqui, a propósito da poesia, e agora na prosa considero-o muito bom: Cabo Verde ao poder. Chiquinho (uma vergonha só ler agora) é bom, mas Raul Brandão (87) mesmo nuns contos menores enche-me a alma, assim como O Doente Inglês - a que se seguiu o filme, para recordar um dos que me ficaram para sempre. Justo Jorge Padrón é um poeta extraordinário e o romance de um outro poeta, Jorge de Sena, Sinais de Fogo, é, sem dúvida, a obra do mês :)

Tempo também para ver um filme por um dia. E grandes surpresas (123, 129, 144, 149), algumas confirmações (124, 126, 127, 150, 151), e tempo de curtas (140, 141, 142, 143) - de que gosto particularmente. Gostava de chamar a atenção ainda para um outro (130) que é tão mau tão mau que chega a ser bom :) é de génio e se não fosse a S. teria desistido de o ver, ou as paisagens humanas.


Livros:

81. O Doente Inglês, Michael Ondaatje, Público/Mil Folhas, 320p.*****
82. Cidade Proibida, Eduardo Pitta, Biblioteca de Verão JN/DN, 96p.***
83. O Fulaninho de Cartago, Plauto, CECH-FLUC/FESTEA, 132p.***
84. O Eleito do Sol, Arménio Vieira, Vega, 148p.*****
85. No Inferno, Arménio Vieira, Caminho, 256p.*****
86. Chiquinho, Baltasar Lopes, Vega, 212p***
87. Antologia do Conto Português – Raul Brandão, Raul Brandão, Correio da Manhã, 46p.*****
88. O Processo, F. Kafka, Revista Visão, 256p.****
89. Obra Poética 1966-1996, Justo Jorge Padrón, Tertúlia, 1002p.****
90. Sinais de Fogo, Jorge de Sena, Público/Mil Folhas, 544p.*****




Filmes:


121. The English Patient, Anthony Minghella (uma vez mais)*****
122. The Invasion, Oliver Hirschbiegel****
123. A Serious Man, Ethan e Joel Coen*****
124. The Young Victoria, Jean-Marc Valée*****
125. O Nome Das Coisas (Doc. sobre Sophia)****
126. Julie & Julia, Nora Ephron*****
127. Bright Star, Jane Campion*****
128. Hancock, Peter Berg**
129. Zombieland, Ruben Fleischer*****
130. The Pit and The Pendulum, David DeCoteau*
131. The Secret Diaries of Miss Anne Lister, James Kent***
132. There Will Be Blood, Paul Thomas Anderson**
133. Splice, Vincenzo Natali***
134. No Country For Old Man, Ethan e Joel Coen***
135. Fantastic Mr. Fox, Wes Anderson*****
136. Jackass, Jeff Tremaine*
137. Resident Evil 2: Apocalipse, Alexander Witt****
138. The Haunting in Connecticut, Peter Cornewell****
139. Love Lies Bleending, Keith Samples***
140. I'll See You In My Dreams, Miguel Ángel Vivas*****
141. Curtas Animação Oscares 2009*****
142. Curtas Animação Oscares 2010*****
143. Curtas da Pixar*****
144. District 9, Neil Blomkamp*****
145. Au Pair 3: Adventure in Paradise, Mark Griffiths**
146. Hulk 2, Louis Leterrier***
147. Two Lovers, James Gray***
148. Godsend, Nick Hamm***
149. The Hurt Locker, Kathryn Bigelow*****
150. The Blind Side, John Lee Hancock****
151. Up in the Air, Jason Reitman*****


Ainda:

Lost - vi a última temporada, muito boa, com grandes momentos. Com alguns póneis, mas faz parte. E vi em dois dias, claro, porque me é viciante. Desmond e Penny, Kate e Jack, Hugo, Sun, Juliet, Richard são personagens que me ficam. E o Jacob, claro - que perfil tão tristinho...*****

sábado, agosto 21, 2010

Away we go, de Sam Mendes

Away I'd go, se pudesse. Fuga. Mas como não posso, fisicamente, vou-me nos filmes, nos livros, no sono, na escrita adiada. Escrever é uma aprendizagem da morte, escreveu, mais ou menos, Maurice Blanchot. Mas talvez morrer não exija uma aprendizagem, só entrega. Entrego-me a este filme como a vida que não vou ter, mas talvez não me incomodasse. É um grande filme, a que já aludi aqui.

Anaquim


Ante - é logo à noite, no Teatro de Vila Real. Soa-me que será muito bom :).


Post - E foi. Genial. Todas as canções, com as exigências do «ao vivo», uns novos arranjos aqui e ali, mas todas elas irrepreensíveis. «O Meu Coração» é que acabou por ficar um pouco estranho quando José Rebola, o vocalista, «encarnou» a voz de Ana Bacalhau, embora o público muito tenha apreciado. Destaque, pessoal, para a emoção de «Bocados de Mim», o ritmo de «As Vidas dos Outros» - de que, no encore, se ensaiou uma versão reggae -, de «Monstros» e «Pobre Velho Louco», entre outras. E além de todas elas, de que podem saber mais aqui ou aqui, houve ainda tempo para Zeca Afonso - «A Morte Saiu à Rua» - e um miminho: o genérico do Tom Sawyer!
E fica também uma brincadeirinha aqui.

E tudo com três das mulheres da minha vida: maninha, priminha R. e amiga da adolescência S.


Ficam dois pedaços do «Bocados de Mim» particularmente profundos (embora falte a preposição «de» que o verbo gostar exige, mas enfim...):


«mas ando pela vida feito placa de auto estrada
que ensina o caminho aos outros mas pouco sabe de si
Mas ando pela vida por ver andar meus amigos
E confesso que por vê-los nem me custa andar ai
(...)

Finjo ser a pessoa que eu quero que os outros gostem
E acabo a não ser nada que valha a pena gostar»

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ruy Duarte de Carvalho, 1941-2010

Conheci-o nas aulas de africanas, enquanto poeta. E depois fui descobrindo alguma da prosa (Como se o mundo não tivesse leste), vi uma adaptação para teatro de Vou lá visitar pastores, descobri-o antropólogo, cineasta, enfim. Conheci-o homem no Correntes D'Escritas. E já em Lisboa, o meu orientador queria que eu o escolhesse para estudo na minha dissertação de mestrado - acabou por ser Arlindo Barbeitos, autor da mesma geração, porque conhecia já melhor e porque a professora do Porto estava a estudar já o Ruy Duarte... Falta-me ler um lista razoável de livros seus (2011 será ano para isso e não só), alguns deles que ainda não comprei, porque não são assim tão fáceis de encontrar... ou não eram - a Cotovia e as livrarias devem tratar disso agora.


R)evolucionador da literatura angolana, é um dos melhores poetas e prosadores de língua portuguesa, sem sombra de dúvidas. Falava do sul, do sal, do sol. Falava das gentes, das falas dos lugares. Falava metatextualmente, também, das palavras, das imagens. E usava os ................................................ quando não sabia mais que dizer, ou quando não era já necessário? Do pouco que li, ainda, fica:


O verão poisa nas coisas e adormece tudo.


O sal, por toda a parte.
Então pequenos lagos se acrescentam
a partir de alguma fenda original. E são taças de mar
que dão conforto ao continente agreste.


Hábito da Terra
, União dos Escritores Angolanos, p.44 e 46



Uma nova geografia se inventava em cada olhar que eu desferia, exacto, para depois consolidar as formas à custa de um moroso entendimento. (...)

Um homem nasce pobre e pobre há-de morrer. De resto nunca sabe o que vai ser. De tudo o que viu na vida, gente boa e gente má, anos bons e anos maus, João Carlos retirou duas ou três conclusões: que um homem nem sempre está onde o corpo lhe impõe estar, e o importante na vida é como estar, não aonde. Na vida de cada um há quatro vidas ao todo: sozinho dentro de si ou perto ou longe dos seus e em contacto com os outros, da mesma forma, conforme. Para além da outra vida que há-de haver depois de morto. Onde se vive uma só sem divisões ou viagens.


Como se o mundo não tivesse leste
, União dos Escritores Angolanos, p.45 e 81

quarta-feira, agosto 04, 2010

últimos escritos

Os meus mortos são mais vivos do que eu.
A ampulheta alimenta a solidão
e não há curva que me devolva.


*


Criámos asas para que o tempo fosse menos breve
inventamos máscaras para escondermos seus caminhos no rosto
e ainda assim vem ao de leve
como a mostrar-nos novo último comum posto.


*


Que o gosto a sal na minha língua
seja o meu gosto na tua.

domingo, agosto 01, 2010

Desafio em Julho


Ah, que bom ter todo o tempo por minha conta, sem dever nada a ninguém dele, ou quase - porque as férias não foram logo em Julho, mas quase. Sem fazer quase nada do que deveria, ainda fui ao Mosteiro de Tibães com os meninos do terceiro ano, passeei por Braga e pelo Porto - mas adiei Lisboa e acabei o mês em Gaia, nas mudanças da C., com uma incursão rápida mas intensa pela Feira Medieval de Santa Maria da Feira, onde adquiri o meu belíssimo pau de chuva.
Óbvio tempo para as coisas culturais. Além do Mimarte, livros e filmes. Destaque para Rui Cardoso Martins (livros 73 e 74), um escritor recente em termos de publicação de romances e que me parece que merece toda a atenção, já que estes dois primeiros títulos são mesmo muito bons e não só pelos títulos geniais. De Jane Austen não há surpresas, bom - mesmo a versão «zombie» tem o seu interesse para quem leu o original sem eles e para quem tem mente aberta para este tipo de paródia (mas gostei mesmo das últimas páginas, onde se esboça um guia de leitura verdadeiramente hilariante). Dos outros, o esperado, o inesperado (67 e 68), o neutro por falta de expectativas. Destaque ainda para o facto de ter atingido os 80 livros, que era o meu desafio deste ano...
Quanto aos filmes, estive numa de restos... Os filmes que restavam nos dvds emprestados então, ou mesmo meus (medo), os que eram mais pequenos, os que iam surgindo na tv... Destaque para Coisa Ruim, um filme invulgar no cinema português, e muito destaque para um dos melhores filmes do ano, para mim, do mesmo realizador de Revolutionary Road, Sam Mendes: Away we Go - Um Lugar para Viver, filme que faz querer ter bebés e assim... lol (hum, quem quero enganar?).

Livros:
61. Orgulho e Preconceito e Zombies, Jane Austen e Seth Grahame-Smith, Gailivro, 360p.***
62. Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen, Europa-América, 236p.*****
63. Baladas Hebraicas, Else Lasker-Schuler, Assírio & Alvim, 104p.***
64. Quatro Cavaleiros a Pé, José Saramago, Padrões Culturais Editora, 48p.***
65. O Herói das Novelas, Lídia Jorge, Padrões Culturais Editora, 48p.***
66. História do Rei Gonzalve e das Suas Doze Princesas e As Memórias de Joséphine, Pierre Louys, Teorema, 100p.**
67. Laços de Família, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 126p.***
68. Contos de Clarice Lispector, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 368p.****
69. Carta ao Pai, Kafka, Quasi, 92p.***
70. Uma Questão de Cor, Ana Saldanha, Caminho, 104p.*****
71. A Sophia, A.A. V.V., Caminho, 148p.****
72. Melancolia, António Pinto Ribeiro, Ambar, 112p.****
73. E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 216p.*****
74. Deixem Passar o Homem Invisível, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 240p.*****
75. Herbert West: Reanimador, H. P. Lovecraft, Quasi, 96p.***
76. Electra, Sófocles, CECH-FLUC/FESTEA, 94p.****
77. O Barco Aberto, Stephen Crane, Quasi, 96p.****
78. O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo, 148p.*****
79. Histórias do Bom Deus, Rilke, Quasi, 104p.***
80. A Canção de Zefanias Sforza, Luís Carlos Patraquim, Porto Editora, 160p.***

Filmes:
97. Slither, de James Gum***
98. Um Amor de Perdição, de Mário Barroso***
99. Final Destination 2, de James Wong***
100. Gremlins 2: The New Batch, de Joe Dante***
101. Transe, de Teresa Villaverde**
102. Cursed, de Wes Craven***
103. Underworld: Evolution, de Len Wiseman***
104. Memórias de uma Gueixa, de Rob Marshall****
105. About a Boy, de Chris Weitz e Paul Weitz****
106. A Minha Falsa Noiva, de Gil Junger***
107. Cidade Baixa, de Sérgio Machado***
108. Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra*****
109. Wanted, de Timur Bekmambetov***
110. In Bruges, de Martin McDonagh*****
111. Away We Go, de Sam Mendes*****
112. Prey, de Darrell Roodt***
113. O Cavaleiro das Trevas, de Cristopher Nolan****
114. Up in Smoke, de Lou Adler***
115. London, de Hunter Richards****
116. Arthur and the Invisibles, de Luc Besson****
117. Princess Protection Program, de Allison Liddi***
118. Confetti, de Debbie Isitt***
119. Miúda Insuportável, de Nick Moore***
120. The Cave, de Bruce Hunt**

domingo, julho 25, 2010

Meu dia


Santiago, meu nome, minha origem, minha cidade-lar. Metaforicamente, claro.
Porque hoje é o dia, e Xacobeo só daqui a 11 anos.




A sério, porquê? Em vez de em Setembro, devia ir já :)


sexta-feira, julho 23, 2010

Declaração

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

em tempos daquilo que podiam ser sete anos juntos, T.
em tempos de dois anos sem ti, C, depois de oito meses.
quase em tempos de dois anos de crença por ti, A.
Com o de sempre - ou quase.
T.A.

sexta-feira, julho 16, 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

De Manuel António Couto Viana nada tenho a dizer, li um ou outro poema, provavelmente, na escola, mas mais nada. Talvez um dia. Mas de Matilde Rosa Araújo ficou-me dos primeiros contactos com poesia de que gostei. Eu sei que tinha um livro dela, de poemas. E deve estar em muitos dos meus manuais escolares do segundo ciclo. Mas nada disto está comigo, aqui, mas em casa dos meus pais. Assim sendo, aproveitando a vontade escrever aqui que me deu agora, não adio mais a homenagem merecida, até porque encontrei na internet algo que não encontraria nesse livro ou manuais. Aqui fica, pela sua própria letra:


Livros que me faltam: sugestões felizes/eficazes de prendas

Na barra à esquerda deste blogue surge uma novidade: uma lista dos livros que me faltam, que me interessam, com os quais dificilmente viverei muitos mais anos :)
Claro que não estou à espera que mos ofereçam todos... nem metade. São os livros que tenciono ir comprando, mas que ficam aí, bem visíveis, para não haver as desculpas comuns: «tens tantos livros, nem sei o que te dar...», «tinha a certeza que já tinhas... por isso já trouxe o talão para ires trocar...» ou «toma o dinheiro e compra o que quiseres... ou compra e depois diz quanto foi».
À medida que os for comprando, vou suprimindo-os, provavelmente acrescentando outros. Assim não deverá haver inconvenientes, nem me comprarão a poesia de A. Ramos Rosa quando o que me interessava era ter os dois últimos livros de Mário de Carvalho, que entretanto estão à espera...
 
Ofício Cantante, Herberto Helder
Poemas, A. Franco Alexandre
O cultivo de flores de plástico, Afonso Cruz
As avós e outras histórias, Doris Lessing



Unibolso:
24, 56, 57, 69, 72, 89, 94, 111, 113.

RTP:
54, 55, 63, 75, 79,  88, 91, 92, 95, 99.


Coleção Vozes de África: n.º 4, 5, 12, 16, 18, 20, 21.

«Ficções»: n.º 1, 2, Férias, 5, Comer,  Filmes, 14, 16

terça-feira, julho 06, 2010

(omni)potência

«Vou à procura de Deus», diz o Castiel ao Dean (Sobrenatural, aos 1.30'', mais coisa menos coisa).

Reacção: «Treta, ele vem à minha procura e eu não fiz a cama... A minha reputação! Mas ainda tenho tempo»

Poema dos jacarandás da Pousada de São Vicente


As flores do jacarandá são bonitas
e ao vê-las retiro-lhes um pouco de azul
não lhes fará falta com o tempo
e com ele pinto o meu olhar de novo
pois talvez assim te veja mais perto.

E de repente neste dia de excessiva luz
são as flores que caem sobre mim
como se me imitassem no movimento.

Livro das Suspeições

domingo, julho 04, 2010

Blimunda posa para a Playboy


Na senda de colocar mulheres de idade avançada na capa, a Playboy acaba de fazer uma proposta milionária a Blimunda, a vidente do romance de José Saramago “Memorial do Convento”. Após a morte de Saramago, Blimunda, que se assume como “solteiríssima” depois de ter enviuvado de Baltasar Sete-Sóis, o soldado maneta da mesma obra de Saramago, começou a ser convidada para sessões de autógrafos, já cobra um cachet superior a Rita Pereira em eventos e até já recebeu uma sms marota de Cristiano Ronaldo. Segundo o director da Playboy, Blimunda revela uma personalidade forte, gosta de transgredir, é dona do seu destino, assume sem tabus os seus impulsos profanos, tem olhos envolventes e um dom particular - a ecovisão - que lhe permite ver no interior dos corpos os males que destroem a vida e também as verdades mais profundas que corroem o mundo e os homens, o que poderá representar um potencial erótico exclusivo e desconcertante.


João Henrique, «Inimigo Público»


Genial. Relacionados com Memorial do Convento ou outras obras de Saramago há mais, aqui.

Amizade (s)

foto da «montra» do Museu da Sé de Braga

Quem disse que a distância não permite a amizade? Eu sei que não somos Sophia e Sena, mas como eles encontramos palavras, gestos e olhares que nos unem. Assim saber-nos-emos sempre. Aprendemos já a distância e, tal como Sophia, «Sei que dificilmente existirá alguém que seja seu igual. E não me consolo destes dezoito anos de ausência que poderiam ter sido dezoito anos de convívio, de encontros, conversas, riso comum, aflições e alegrias comunicadas» (Correspondência, p.156). A distância não é tão definitiva nem tão longa, mas vai pesando já. Sobre ele, Sophia escreveu:


Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho


Sophia, Navegações


p.s. - cantado genialmente por Ana Moura em Aconteceu (cd1 - À Porta do Fado).

Estantes

Já aqui falei da minha paixão por esta estante. E agora encontrei estas. são giras, mais economicamente funcionais. E dá para tirar umas ideias e combinadas devem ficar muito bem :)



Vistas aqui, onde há mais - muito bonitas, mas pouco práticas para quem tem muitos livros, que parece ser o meu caso. Mais exemplos aqui, também. E outros aqui, geniais.


já agora, na Avenida Central, há uma feira do livro da LivroBraga, com promoções interessantes da Asa, Cotovia, D. Quixote, Teorema e Sá da Costa. Ontem comprei 8 livros por 20 euros :). E em Lisboa (rrrrrr) a Assírio & Alvim faz a desejada feira do livro manuseado (até dia 11).

sexta-feira, julho 02, 2010

Mimarte 2010


Começa logo, no Rossio da Sé.
Fica aqui o programa deste ano, que promete ser tão interessante como foi bom o ano anterior :)

2/06. O Coche do St. Sacramento, de Prosper Merimée, pelo Teatro da Rainha (Caldas da Rainha) - no Theatro Circo, por causa da instabilidade do tempo, foi bom, mas enfim. Texto romântico com episódios burlescos que não faz bem o meu género. Cómico, hum... Mas bem feito, parece-me. ***

3/06. O Escurial, de Michael de Ghelderode, pelo Teatro Art'Imagem (Porto) - peça minimalista, psicológica, estranha, teatro para pensar no teatro, bom. ***(*)

4/06. Números Falam Por Si, de Pedro Quintas, pelo PIFH (Braga) - comédia sobre a história do dinheiro, desde a pré-história aos tempos mais recentes. Com pormenores interessantes de cenário, texto, movimentações cénicas - a ovelhinha foi do agrado geral, eu destaco o centurião romano que falava Italiano, grupo musical interessante, e tal. **(*)

5/06. As Guerras do Alecrim e da Mangerona, de António José da Costa, pelo Teatro Ao Largo (Vila Nova de Mil Fontes) - o texto é muito bom e foi melhorado com algumas referências actuais que caíram bem. Gostei, sem demasiada palhaçada - um pouco no início - melhor do que a peça apresentada ano passado. ***
6/06. O 1.º Milagre do Menino Jesus, de Dario Fo, pela Casa da Comédia (Lisboa) - se inicialmente o texto é estranho, com o retrato dos papas, o segundo momento, uma versão alternativa do nascimento e infância de Jesus, é genial. Comédia da boa, com apenas um actor (Filipe Crawford) em palco e sem cenário, assim mesmo, só texto e actor. Nota máxima, e o melhor deste ano, para já, do festival.****(*)

7/06. Cirinéu - Uma Morte Anunciada, de Fernando Palouro Neves, pelo Teatro das Beiras (Covilhã) - uma peça curta, sobre a liberdade e a justiça, sobre a revolta dos subjugados. Apesar de alguns momentos musicais um pouco estranhos, a narrativa é boa, os actores foram muito bons e as opções artísticas valorizaram inegavelmente o espectáculo - o que se pode fazer com um andaime e umas escaditas...****(*)

8/06. Vicent, Van e Gogh, de Noelia Dominguez, Ángel Fragua e Sérgio Agostinho, pelo Peripécia Teatro (Vila Real) - já conhecidos do ano passado, dos melhores no ano passado, a fasquia estava alta. paciência, pois foram novamente geniais! Em Setembro estarão em Vila Real (de onde são, e espero voltar a ver). Uma história sobre o pintor, sua vida, amigos, família, obra. O início é um delirante diálogo entre três girassóis de um dos seus quadros em leilão - e daí se segue tudo, em crescente humor, com alguns momentos para o drama. Actores extraordinários, excelentes soluções cénicas e improvisos brilhantes (devido ao vento que quase destruiu o cenário...) Uma vez mais, genial.*****

9/06. As Obras Completas de William Shakespeare (em 97 minutos), de Adam Long, Daniel Singer e Jesse Borgeson, pela Companhia Teatral do Chiado (Lisboa) - não vi, a única peça a pagar, no Theatro Circo, mas já não havia bilhetes.

10/06. Electra, de Sófocles, pela Calatalifa (Villaviciosa Odón, Espanha) - a colaboração do FESTEA com o Mimarte começou este ano com uma tragédia grega. Gostei, mas por vezes a Electra, hum... enfim. E depois, em castelhano, já se sabe... O bom é que o FESTEA oferece edições das suas peças, em Português, o que ajuda ;), História de solidão, dor, de honra e vingança, em continuação dos sucessos pós-Tróia.****

11/06. O Fulaninho de Cartago, de Plauto, pelo Thíasos (Universidade de Coimbra) - comédia latina, a fechar a tal colaboração e o Mimarte, também. Ambas as peças no Museu D. Diogo de Sousa, não sei bem porquê, uma vez que houve problemas com as luzes nos dois espectáculos, e fica mais longe... Comédia à Plauto, com alguns equívocos, mas sobretudo com muitas coincidências totalmente inverosímeis, com boas prestações (mas enfim, o principal atropelava-se um pouco).***(*)


E venham mais para o ano :) A começar mais a horas, já agora... É melhor escrever uma carta à CMB, com algumas sugestões...

domingo, junho 27, 2010

Desafio em Junho


Eu sei que posts assim enormes não têm sucesso. Whatever. Um bom mês, com as aulas que acabaram, como os exames e a preparação deles, com a sua correcção, com algumas actividades outras pelo meio. Tudo óptimo, tudo perfeito - ou seja, tudo terminado. É bom terminar fases da vida quando já se tem outra programada e já a iniciar-se, assim, fácil. Foi um bom mês também porque rendeu mais um pouco. Depois de Penélope, meu aniversário (e suas prendas geniais, novamente), do Sarau Cultural (sem Pepetela, doente entretanto mas que correu muito bem), da feira romana onde me senti grego - tudo isto ainda em Maio, decidi que ia ser um mês em cheio. E foi. Idas à Feira do Livro (Porto, pobrezita, pareceu-me), com um total de 18 livros comprados e alguns doces consumidos, almoços divertidos de amigos que voltam a ser felizes ;), de umas últimas aulas descontraídas e engraçadas (excepto nono ano, coitados), algumas tardes a dormir ao sol, nu..., discussões vãs em torno de manuais, início da (des)organização da biblioteca escolar, tardes com colegas com que não era normal conversar tanto (A.L., R.M.), concertos outra vez dos Deolinda no Theatro Circo (com direito a autógrafo e beijinhos da Ana Bacalhau) e de Mariza (com Tito Paris e Ricardo Ribeiro) na Régua, junto ao rio, a redescoberta da escrita de poemitos... De tudo isto me abstive de fazer comentários aqui, embora no meu caderninho real, de papel e escrito a caneta, o tenha feito amiúde. Assim como aqui não falei, acho, dos encontros no colégio com os escritores Ana Saldanha e António Paiva, mas isso parece que foi já há tanto tempo...
Agora é tempo de ser «irmão do lírio e da concha», como escreveu Sophia. Porque aí estão «Os dias de verão vastos como um reino».

Livros (Sophia/Sena, Eugénio, Cruz, Zafón, Peixoto - bom voltar a lê-los):

49. Os Afluentes do Silêncio, Eugénio de Andrade, FEA, 204p.****
50. Uma Casa na Escuridão, José Luís Peixoto, Quetzal, 256p.*****
51. O Ano Em Que Eu Nasci – 1983, Editora Ausência, 32p.***
52. Pedro Páramo, Juan Rulfo, Cavalo de Ferro, 120p.*****
53. O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 576p.*****
54. Biblioteca, Gonçalo M. Tavares, Campo das Letras, 200p.****
55. Os Livros que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz, Caminho, 128p.*****
56. À Sombra da Memória, Eugénio de Andrade, FEA, 170p.****
57. Rosto Precário, Eugénio de Andrade, FEA, 218p****
58. Correspondência 1959-1978, Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, Guerra & Paz, 192p.*****
59. Mar (Antologia), Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho, 190p.*****
60. Sobre a Natureza, Parménides de Eleia, Lisboa Editora, 48p.***

Filmes:

81. Craks, de Jordan Scott (um filme a muito ver e ouvir)*****
82. O Libertino, de Laurence Dunmore, ***
83. Munique, de Steven Spielberg*****
84. Elizabeth, de Shekar Kapur (my queen Cate Blanchett)*****
85. Elizabeth: The Golden Age, de Shekar Kapur*****
86. Young Adam, de David Mackenzie (McGregor no seu melhor, como sempre)****
87. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, de Andrew Dominik (que Casey Afleck espantoso!)****
88. Becoming Jane, de Julian Jarrold (porquê Anne Hathaway? Sim a McAvoy!)*****
89. Bridshead Revisited, de Julian Jarrold****
90. The Wings of Dove, de Iain Softley****
91. Reign Over Me, de Mike Binder****
92. A Jangada de Pedra, de Georde Sluizer (Diogo Infante, pois é)****
93. Sideways, de Alexander Payne****
94. Em Nome do Rei, de Uwe Boll****
95. O Rei Escorpião 2, de Russell Mulcahy***
96. Twilight, de Catherine Hardwicke***

sexta-feira, junho 18, 2010

Dos gostos, das memórias, das palavras (José Saramago)

Quem me conhece sabe da minha paixão pela obra de Saramago. E este blogue é testemunha. De como comecei, com receio, pelo Memorial do Convento no primeiro de ano de faculdade, e como de repente, em sete anos, entre muitos outros autores, li todos os seus romances, algumas crónicas e contos, muito por causa da exposição onde fui monitor, mas isso foi apenas um pretexto para ler mais em menos tempo.
Aquele primeiro romance alertou-me para outras possibilidades da narrativa e encantou-me com Blimunda, Baltasar e Bartolomeu e a profunda visão crítica sobre a sociedade religiosa, preconceituosa e fanática. Ensaio sobre a Cegueira foi lido em dois dias, num ápice de devorar o terror que se me abria numa lógica implacável (a que a peça de O Bando e o filme de Fernando Meirelles, em linguagens diferentes, dão o devido valor). Ensaio sobre a Lucidez foi-me estranho inicialmente, por questões mais políticas, mas o humano revelou-se novamente como essencial, e comoveu-me, sobretudo pela relação com o romance anterior. Pelo lado dos afectos, do amor sobretudo, tocaram-me A Caverna, com o seu cão Achado, e um outro, que li enquanto me despedia de Lisboa, História do Cerco de Lisboa, talvez um dos mais complexos, pelos planos temporais distintos, mas com uma semiótica do amor extraordinária. Jangada de Pedra pelo fantástico (também em filme), Levantado do Chão pelo realismo. O Ano da Morte de Ricardo Reis, Todos os Nomes, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, O Homem Duplicado, Caim são livros que me dizem menos, mas de que gostei, pela forma como se dão a ler. Dos últimos, abriram-me a alma A Viagem do Elefante, a fazer recordar tanto o fulgor dos tempos de Memorial, e As Intermitências da Morte, livro que recomendei a alunos e que surtiu efeito positivo, pela forma irónica e interessantíssima do tratamento do tema da morte. De Manual de Pintura e Caligrafia não gosto, e talvez por isso não queria ler Terra do Pecado - ambos antes da «revolução estilística» do autor.
Consti, os livros de poesia e as crónicas não li, só Deste Mundo e do Outro, que tem aquelas «cartas» geniais para/sobre os avós, e O Ano de 1993, que me perturbou. Nem o teatro, nada. Doutros que li, A Maior Flor do Mundo é bonito, as Pequenas Memórias tem passagens interessantes, Os Discursos de Estocolmo e A Estátua e a Pedra são fundamentais para perceber a sua obra. Dos contos, Objecto Quase é interessante, sim, mas O Conto da Ilha Desconhecida enche-me as medidas e trabalhei-o felizmente este ano lectivo com alunos do nono ano. Consti, foi-se-nos o escritor por que esperamos uma tarde no pavilhão Rosa Mota para nos autografar uns quantos livros. E tu tens aquela edição genial da Colóquio/Letras...
Borboletras, foi-se-nos o «olharem-se era a casa de ambos». E o darmos ao mesmo tempo o único autor vivo obrigatório no programa. Ficam-nos as minhas edições: a segunda e a especialíssima do Memorial, para apaixonarmos os piquenos, com o Toninho.
Marta, Patrícia, ficam-nos as memórias daqueles dias em Lisboa de curso livre - e a descoberta da verdade sobre Blimunda -, de visitas guiadas - tantas que fiz à exposição «A Consistência dos Sonhos» e vocês tiveram de ver aquela em que quase era assediado pelas senhoras demasiado atentas e curiosas - de que há provas bonitas em fotos que ainda não me chegaram.
Natacha, Su, tantos outros - o estágio, o seminário...
Rita, ficam-nos agora os livros nas estantes da minha nova biblioteca, e alguns que sei que também foste adquirindo. Gosto de saber que to apresentei e que lhe abriste o teu tempo entre fórmulas químicas e coisas estranhíssimas para mim.
Gosto-o e nada mais há a dizer. Não virão mais livros, ficam-nos estes, e chegam-nos para o que lhe merecemos. Que ela viria um dia, já sabíamos. Como veio já este ano encontrar-se com Miep Gies, Salinger, Alda Espírito Santo, Rosa Lobato Faria, João Aguiar (que ainda esteve no ano passado no colégio). Pena que este encontro seja assim, tão definitivo.