domingo, julho 04, 2010

Amizade (s)

foto da «montra» do Museu da Sé de Braga

Quem disse que a distância não permite a amizade? Eu sei que não somos Sophia e Sena, mas como eles encontramos palavras, gestos e olhares que nos unem. Assim saber-nos-emos sempre. Aprendemos já a distância e, tal como Sophia, «Sei que dificilmente existirá alguém que seja seu igual. E não me consolo destes dezoito anos de ausência que poderiam ter sido dezoito anos de convívio, de encontros, conversas, riso comum, aflições e alegrias comunicadas» (Correspondência, p.156). A distância não é tão definitiva nem tão longa, mas vai pesando já. Sobre ele, Sophia escreveu:


Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho


Sophia, Navegações


p.s. - cantado genialmente por Ana Moura em Aconteceu (cd1 - À Porta do Fado).

Estantes

Já aqui falei da minha paixão por esta estante. E agora encontrei estas. são giras, mais economicamente funcionais. E dá para tirar umas ideias e combinadas devem ficar muito bem :)



Vistas aqui, onde há mais - muito bonitas, mas pouco práticas para quem tem muitos livros, que parece ser o meu caso. Mais exemplos aqui, também. E outros aqui, geniais.


já agora, na Avenida Central, há uma feira do livro da LivroBraga, com promoções interessantes da Asa, Cotovia, D. Quixote, Teorema e Sá da Costa. Ontem comprei 8 livros por 20 euros :). E em Lisboa (rrrrrr) a Assírio & Alvim faz a desejada feira do livro manuseado (até dia 11).

sexta-feira, julho 02, 2010

Mimarte 2010


Começa logo, no Rossio da Sé.
Fica aqui o programa deste ano, que promete ser tão interessante como foi bom o ano anterior :)

2/06. O Coche do St. Sacramento, de Prosper Merimée, pelo Teatro da Rainha (Caldas da Rainha) - no Theatro Circo, por causa da instabilidade do tempo, foi bom, mas enfim. Texto romântico com episódios burlescos que não faz bem o meu género. Cómico, hum... Mas bem feito, parece-me. ***

3/06. O Escurial, de Michael de Ghelderode, pelo Teatro Art'Imagem (Porto) - peça minimalista, psicológica, estranha, teatro para pensar no teatro, bom. ***(*)

4/06. Números Falam Por Si, de Pedro Quintas, pelo PIFH (Braga) - comédia sobre a história do dinheiro, desde a pré-história aos tempos mais recentes. Com pormenores interessantes de cenário, texto, movimentações cénicas - a ovelhinha foi do agrado geral, eu destaco o centurião romano que falava Italiano, grupo musical interessante, e tal. **(*)

5/06. As Guerras do Alecrim e da Mangerona, de António José da Costa, pelo Teatro Ao Largo (Vila Nova de Mil Fontes) - o texto é muito bom e foi melhorado com algumas referências actuais que caíram bem. Gostei, sem demasiada palhaçada - um pouco no início - melhor do que a peça apresentada ano passado. ***
6/06. O 1.º Milagre do Menino Jesus, de Dario Fo, pela Casa da Comédia (Lisboa) - se inicialmente o texto é estranho, com o retrato dos papas, o segundo momento, uma versão alternativa do nascimento e infância de Jesus, é genial. Comédia da boa, com apenas um actor (Filipe Crawford) em palco e sem cenário, assim mesmo, só texto e actor. Nota máxima, e o melhor deste ano, para já, do festival.****(*)

7/06. Cirinéu - Uma Morte Anunciada, de Fernando Palouro Neves, pelo Teatro das Beiras (Covilhã) - uma peça curta, sobre a liberdade e a justiça, sobre a revolta dos subjugados. Apesar de alguns momentos musicais um pouco estranhos, a narrativa é boa, os actores foram muito bons e as opções artísticas valorizaram inegavelmente o espectáculo - o que se pode fazer com um andaime e umas escaditas...****(*)

8/06. Vicent, Van e Gogh, de Noelia Dominguez, Ángel Fragua e Sérgio Agostinho, pelo Peripécia Teatro (Vila Real) - já conhecidos do ano passado, dos melhores no ano passado, a fasquia estava alta. paciência, pois foram novamente geniais! Em Setembro estarão em Vila Real (de onde são, e espero voltar a ver). Uma história sobre o pintor, sua vida, amigos, família, obra. O início é um delirante diálogo entre três girassóis de um dos seus quadros em leilão - e daí se segue tudo, em crescente humor, com alguns momentos para o drama. Actores extraordinários, excelentes soluções cénicas e improvisos brilhantes (devido ao vento que quase destruiu o cenário...) Uma vez mais, genial.*****

9/06. As Obras Completas de William Shakespeare (em 97 minutos), de Adam Long, Daniel Singer e Jesse Borgeson, pela Companhia Teatral do Chiado (Lisboa) - não vi, a única peça a pagar, no Theatro Circo, mas já não havia bilhetes.

10/06. Electra, de Sófocles, pela Calatalifa (Villaviciosa Odón, Espanha) - a colaboração do FESTEA com o Mimarte começou este ano com uma tragédia grega. Gostei, mas por vezes a Electra, hum... enfim. E depois, em castelhano, já se sabe... O bom é que o FESTEA oferece edições das suas peças, em Português, o que ajuda ;), História de solidão, dor, de honra e vingança, em continuação dos sucessos pós-Tróia.****

11/06. O Fulaninho de Cartago, de Plauto, pelo Thíasos (Universidade de Coimbra) - comédia latina, a fechar a tal colaboração e o Mimarte, também. Ambas as peças no Museu D. Diogo de Sousa, não sei bem porquê, uma vez que houve problemas com as luzes nos dois espectáculos, e fica mais longe... Comédia à Plauto, com alguns equívocos, mas sobretudo com muitas coincidências totalmente inverosímeis, com boas prestações (mas enfim, o principal atropelava-se um pouco).***(*)


E venham mais para o ano :) A começar mais a horas, já agora... É melhor escrever uma carta à CMB, com algumas sugestões...

domingo, junho 27, 2010

Desafio em Junho


Eu sei que posts assim enormes não têm sucesso. Whatever. Um bom mês, com as aulas que acabaram, como os exames e a preparação deles, com a sua correcção, com algumas actividades outras pelo meio. Tudo óptimo, tudo perfeito - ou seja, tudo terminado. É bom terminar fases da vida quando já se tem outra programada e já a iniciar-se, assim, fácil. Foi um bom mês também porque rendeu mais um pouco. Depois de Penélope, meu aniversário (e suas prendas geniais, novamente), do Sarau Cultural (sem Pepetela, doente entretanto mas que correu muito bem), da feira romana onde me senti grego - tudo isto ainda em Maio, decidi que ia ser um mês em cheio. E foi. Idas à Feira do Livro (Porto, pobrezita, pareceu-me), com um total de 18 livros comprados e alguns doces consumidos, almoços divertidos de amigos que voltam a ser felizes ;), de umas últimas aulas descontraídas e engraçadas (excepto nono ano, coitados), algumas tardes a dormir ao sol, nu..., discussões vãs em torno de manuais, início da (des)organização da biblioteca escolar, tardes com colegas com que não era normal conversar tanto (A.L., R.M.), concertos outra vez dos Deolinda no Theatro Circo (com direito a autógrafo e beijinhos da Ana Bacalhau) e de Mariza (com Tito Paris e Ricardo Ribeiro) na Régua, junto ao rio, a redescoberta da escrita de poemitos... De tudo isto me abstive de fazer comentários aqui, embora no meu caderninho real, de papel e escrito a caneta, o tenha feito amiúde. Assim como aqui não falei, acho, dos encontros no colégio com os escritores Ana Saldanha e António Paiva, mas isso parece que foi já há tanto tempo...
Agora é tempo de ser «irmão do lírio e da concha», como escreveu Sophia. Porque aí estão «Os dias de verão vastos como um reino».

Livros (Sophia/Sena, Eugénio, Cruz, Zafón, Peixoto - bom voltar a lê-los):

49. Os Afluentes do Silêncio, Eugénio de Andrade, FEA, 204p.****
50. Uma Casa na Escuridão, José Luís Peixoto, Quetzal, 256p.*****
51. O Ano Em Que Eu Nasci – 1983, Editora Ausência, 32p.***
52. Pedro Páramo, Juan Rulfo, Cavalo de Ferro, 120p.*****
53. O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 576p.*****
54. Biblioteca, Gonçalo M. Tavares, Campo das Letras, 200p.****
55. Os Livros que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz, Caminho, 128p.*****
56. À Sombra da Memória, Eugénio de Andrade, FEA, 170p.****
57. Rosto Precário, Eugénio de Andrade, FEA, 218p****
58. Correspondência 1959-1978, Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, Guerra & Paz, 192p.*****
59. Mar (Antologia), Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho, 190p.*****
60. Sobre a Natureza, Parménides de Eleia, Lisboa Editora, 48p.***

Filmes:

81. Craks, de Jordan Scott (um filme a muito ver e ouvir)*****
82. O Libertino, de Laurence Dunmore, ***
83. Munique, de Steven Spielberg*****
84. Elizabeth, de Shekar Kapur (my queen Cate Blanchett)*****
85. Elizabeth: The Golden Age, de Shekar Kapur*****
86. Young Adam, de David Mackenzie (McGregor no seu melhor, como sempre)****
87. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, de Andrew Dominik (que Casey Afleck espantoso!)****
88. Becoming Jane, de Julian Jarrold (porquê Anne Hathaway? Sim a McAvoy!)*****
89. Bridshead Revisited, de Julian Jarrold****
90. The Wings of Dove, de Iain Softley****
91. Reign Over Me, de Mike Binder****
92. A Jangada de Pedra, de Georde Sluizer (Diogo Infante, pois é)****
93. Sideways, de Alexander Payne****
94. Em Nome do Rei, de Uwe Boll****
95. O Rei Escorpião 2, de Russell Mulcahy***
96. Twilight, de Catherine Hardwicke***

sexta-feira, junho 18, 2010

Dos gostos, das memórias, das palavras (José Saramago)

Quem me conhece sabe da minha paixão pela obra de Saramago. E este blogue é testemunha. De como comecei, com receio, pelo Memorial do Convento no primeiro de ano de faculdade, e como de repente, em sete anos, entre muitos outros autores, li todos os seus romances, algumas crónicas e contos, muito por causa da exposição onde fui monitor, mas isso foi apenas um pretexto para ler mais em menos tempo.
Aquele primeiro romance alertou-me para outras possibilidades da narrativa e encantou-me com Blimunda, Baltasar e Bartolomeu e a profunda visão crítica sobre a sociedade religiosa, preconceituosa e fanática. Ensaio sobre a Cegueira foi lido em dois dias, num ápice de devorar o terror que se me abria numa lógica implacável (a que a peça de O Bando e o filme de Fernando Meirelles, em linguagens diferentes, dão o devido valor). Ensaio sobre a Lucidez foi-me estranho inicialmente, por questões mais políticas, mas o humano revelou-se novamente como essencial, e comoveu-me, sobretudo pela relação com o romance anterior. Pelo lado dos afectos, do amor sobretudo, tocaram-me A Caverna, com o seu cão Achado, e um outro, que li enquanto me despedia de Lisboa, História do Cerco de Lisboa, talvez um dos mais complexos, pelos planos temporais distintos, mas com uma semiótica do amor extraordinária. Jangada de Pedra pelo fantástico (também em filme), Levantado do Chão pelo realismo. O Ano da Morte de Ricardo Reis, Todos os Nomes, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, O Homem Duplicado, Caim são livros que me dizem menos, mas de que gostei, pela forma como se dão a ler. Dos últimos, abriram-me a alma A Viagem do Elefante, a fazer recordar tanto o fulgor dos tempos de Memorial, e As Intermitências da Morte, livro que recomendei a alunos e que surtiu efeito positivo, pela forma irónica e interessantíssima do tratamento do tema da morte. De Manual de Pintura e Caligrafia não gosto, e talvez por isso não queria ler Terra do Pecado - ambos antes da «revolução estilística» do autor.
Consti, os livros de poesia e as crónicas não li, só Deste Mundo e do Outro, que tem aquelas «cartas» geniais para/sobre os avós, e O Ano de 1993, que me perturbou. Nem o teatro, nada. Doutros que li, A Maior Flor do Mundo é bonito, as Pequenas Memórias tem passagens interessantes, Os Discursos de Estocolmo e A Estátua e a Pedra são fundamentais para perceber a sua obra. Dos contos, Objecto Quase é interessante, sim, mas O Conto da Ilha Desconhecida enche-me as medidas e trabalhei-o felizmente este ano lectivo com alunos do nono ano. Consti, foi-se-nos o escritor por que esperamos uma tarde no pavilhão Rosa Mota para nos autografar uns quantos livros. E tu tens aquela edição genial da Colóquio/Letras...
Borboletras, foi-se-nos o «olharem-se era a casa de ambos». E o darmos ao mesmo tempo o único autor vivo obrigatório no programa. Ficam-nos as minhas edições: a segunda e a especialíssima do Memorial, para apaixonarmos os piquenos, com o Toninho.
Marta, Patrícia, ficam-nos as memórias daqueles dias em Lisboa de curso livre - e a descoberta da verdade sobre Blimunda -, de visitas guiadas - tantas que fiz à exposição «A Consistência dos Sonhos» e vocês tiveram de ver aquela em que quase era assediado pelas senhoras demasiado atentas e curiosas - de que há provas bonitas em fotos que ainda não me chegaram.
Natacha, Su, tantos outros - o estágio, o seminário...
Rita, ficam-nos agora os livros nas estantes da minha nova biblioteca, e alguns que sei que também foste adquirindo. Gosto de saber que to apresentei e que lhe abriste o teu tempo entre fórmulas químicas e coisas estranhíssimas para mim.
Gosto-o e nada mais há a dizer. Não virão mais livros, ficam-nos estes, e chegam-nos para o que lhe merecemos. Que ela viria um dia, já sabíamos. Como veio já este ano encontrar-se com Miep Gies, Salinger, Alda Espírito Santo, Rosa Lobato Faria, João Aguiar (que ainda esteve no ano passado no colégio). Pena que este encontro seja assim, tão definitivo.

terça-feira, junho 01, 2010

Das coisas que ando a perder...


incerto apenas o teor do espectáculo, não a sua qualidade. linda madrinha :)

Desafio em Maio



Em mês de aniversário e de comunicações, com algum teatro pelo meio, com muitas mini cookies de chocolate consumidas, continuei o meu desafio. Nos filmes é fácil, da pilha que me espera e que vai crescendo apesar dos meus esforços, resgatei 17, alguns já antigos, outros estreados há pouco, dos quais destaco o belíssimo A Single Man (pelas interpretações, banda sonora, direcção artística, argumento... enfim, duas ou três mãos cheias de razões) e ainda os fantásticos Juno e August Rush e The Private Lives of Pippa Lee, num mês com muita Julianne Moore, a «buffy» e Lee Pace. Nos livros, Gonçalo M. Tavares domina, claro. Mas ainda houve tempo para Penélope, por causa do congresso, leituras fáceis, e um livro genial: A Invenção do Dia Claro, que recomendo mais que todos :). E pouco falta já para atingir os 80 livros inicialmente previstos :).

Livros:

38. A Odisseia de Penélope, Margaret Atwood, Teorema, 204p.****
39. O Senhor Kraus, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 124p.****
40. O Senhor Calvino, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 80p.*****
41. O Senhor Walser, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 46p.*****
42. O Senhor Breton, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 66p.*****
43. O Senhor Swedenborg, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 120p.*****
44. Jerusalém, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 256p.*****
45. O Prazer da Leitura (2010), A. A. V. V., FNAC/Teorema, 148p.***
46. O Diário de um Banana 3 – A Última Gota, Jeff Kinney, Vogais & Co., 224p.****
47. A Invenção do Dia Claro, Almada Negreiros, Guimarães/FNAC, 100p.*****
48. PoeMário Cesariny 2010, Assírio & Alvim/FNAC, 328p.***


Filmes:

64. August Rush, de Kirsten Sheridan*****
65. Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig****
66. Kung Fu Panda, de Mark Osborne e John Stevenson****
67. A Single Man, de Tom Ford*****
68. Madagáscar 2, de Eric Darnell e Tom McGrath****
69. Serpentes a Bordo, de David E. Ellis e Lex Halaby***
70. Soundless Wind Chime, de Kit Hung****
71. Verónica Decide Morrer, de Emily Young***
72. Irmãos Dalton, de Philippe Haim****
73. Possession, de Joel Bergvall e Simon Sandquist***
74. 500 days of Summer, de Marc Webb****
75. Chloe, de Atom Egoyan***
76. The Private Lives of Pippa Lee, de Rebecca Miller*****
77. The Women, de Diane English****
78. Juno, de Jason Reitman*****
79. Brothers, de Jim Sheridan****
80. O Sexo e a Cidade, de Michael Patrick King***

E voltou o sol


pelo menos fisicamente, lá fora.

sexta-feira, maio 28, 2010

A Neve

depois da chuva, a neve. em pleno mês de Maio :)
esta noite, enquanto há feira romana (à qual voltarei), recriando contos de Vergílio Ferreira, a saber: «O Encontro», «A Palavra Mágica», «A Fonte», «A Galinha» e «A Estrela». espectáculo pelo Teatro das Beiras, no sítio do costume.

terça-feira, maio 25, 2010

quinta-feira, maio 20, 2010

palavras


As reflexões sobre estes e outros temas/motivos aparecem por vezes eivadas de «lugares-comuns» e caracterizadas como «óbvias» - mas o que é «lugar-comum» e o que é «óbvio» depende tão-só de quem lê e da sua experiência de leitura do mundo. Por vezes, também o «óbvio» tem de ser evidenciado, e quantas vezes não será ele encarado como «óbvnio»? Também o amor, ao de leve, a felicidade, o tempo são temas que vão surgindo. Mas o tema principal, ou o que mais interessa ao narrador, é o da criação artística, associado à leitura. A leitura como salvação e evasão, a escrita como entretenimento (de si, para os outros), como catarse - «A minha vida está cheia de erros que me levam à escrita. Sou dependente das palavras para colmatar um vazio lúcido que me habita» (PAIVA, 2010, p.131), como compromisso, como libertação.


Mas Penélope é ainda uma presença ausente, feita de subtilezas, de retiros, de silêncios. Ela tem um lugar só seu onde se recolhe e se protege de todos, [...]. Parece isolar-se cada vez mais em si mesma ao longo dos anos, não se interessando com o que os homens vão fazendo na sua casa: delapidando a sua fortuna e dormindo com as servas. É quase vagueante, discreta, despojada, reduzida ao essencial, remetida ao seu interior, quase se destruindo perante a contemplação de uma felicidade que já teve e que está agora ausente da sua vida.

terça-feira, maio 18, 2010

sem título

É agora que dizemos os últimos tempos
habituados que estamos a calendários
onde os dias se passam na lentidão da noite
na rapidez trabalhosa das tardes.
Talvez de manhã entre a solidão e a morte
possamos ver-nos inteiros e divididos
do nosso destino de notas comuns
de mão puxando com a outra mão a outra mão
que se desampara entre os números
onde vamos marcando o dia o seguinte
em contínuo antecipar e retomar do tecido
onde nos construímos mão na mão.
É agora que abrimos os pulsos ao vento
para com o seu sangue sabermos de nós
num futuro que se ligará a hoje para sempre.
É agora o tempo de dizermos o interdito
o caroço do pêssego a constituição do gesso
as palavras nele gravadas a cinzel.
Se nos perdemos foi do tempo de chuva
que erodiu os gestos, afogou as palavras.
Que nunca o tempo por ti passe assim
com sua raiz alicerçada na morte e no medo.
Os dias que poderiam ter sido nossos
Sê-lo-ão de leve nas páginas escritas
Mesmo que inventadas pelo imenso tempo
Que - de repente - se abre entre nós.

de Livro das Suspeições

terça-feira, maio 11, 2010

para quem vê


Dizem que de fora se vêem melhor as coisas. Parece que sim. Ou pelo menos os que vivem um pouco mais fora da minha vida viram. É que por vezes torna-se-me difícil disfarçar. Alunos do oitavo ano perguntaram-me se estava doente. Um colega de Português um pouco mais distante preocupou-se e questionou-me se estava tudo bem, e uma outra, da mesma área, se eu tinha dormido bem. Mas aqueles que realmente importam não notam, não se interessam ou não questionam. E ainda bem, porque não gostaria de falar-lhes de vida e morte, estadias e partidas, viagens eternas. Até porque as certezas são tudo o que não tenho.


Estou doente, sim, mas isto passa. E tenho dormido muito bem, estranhamente. Acho que é já uma certa aceitação. Valham-nos os girassóis. Porquê? Não sei, mas são bonitos e gosto de vê-los. Ou talvez porque ver de frente o sol nos cega - embora eu já tenha perdido as pretensões a ser o sol de quem quer que seja.

segunda-feira, maio 10, 2010

Procura-se



companhia da peça de ontem no Theatro Circo, trilogia José Rubem Fonseca.



Tem altura, ficou ao meu lado e pareceu-me bem interessante :)




p.s. - no único momento interactivo da peça, uma personagem pergunta-me, sim - a mim, se não concordava com ele sobre as virtudes e benefícios da masturbação. Eu concordei, pois claro ;)

sábado, maio 08, 2010

súbita audição do eu 6 (final)

«My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone»

Green Day, «Boulevard of broken dreams»

«There are many things that I would like to say to you
But I don't know how»

Oasis, «Wonderwall»

quinta-feira, maio 06, 2010

súbita audição do eu 5

But I just feel too tired
To be fighting
Guess I'm not the fighting kind

Where will I meet my fate?
Baby I'm a man, I was born to hate
And when will I meet my end?
In a better time you could be my friend

Keane, «A Bad Dream»

terça-feira, maio 04, 2010

Súbita audição do eu 4

«And you already know
Yet you already know
How this will end»

Devotchka, «How it ends»

segunda-feira, maio 03, 2010

dois selos e um carimbo ____ ou ____ Deolinda

Novo disco dos Deolinda. E é lindo - pois do que se esperava? «Um Contra o Outros» é o cartão de visita, embora já se conheçam dos concertos as canções «Quando Janto em Restaurantes» e «Entre Alvalade e as Portas de Benfica» - duas das minhas favoritas, com a outra. Mas gosto de todas, sem excepção. Destaque ainda para «A Problemática Colocação de um Mastro», genial no género «Movimento» com uns traços de música de marcha popular, «Passou por mim e sorriu» ou «Fado Notário» (fala-se me focinho, vale a pena)... «Entre Alvalade e as Portas de Benfica» é a que para já mais me «obriga» a carregar no play. Fica o vídeo original, as outras músicas facilmente se encontram no sítio do costume. Ou à venda - as ilustrações de João Fazenda também convencem :)

quinta-feira, abril 29, 2010

Desafio em Abril



O desafio continua, sempre. Entre as mil solicitações, as leituras têm andado... com textos pequenos. Faz-se o que se pode. De Penélope (28) - que me irá ocupar em breve (onde aprendi a escarificar e que o «acto perfeito da entrega e do amor, o difícil limite a alcançar, era escrever um livro em comum, um livro de literatura em que romance e mito se fundissem»p.34), à melhor poesia de 2009 reunida numa edição de ajuda humanitária (29), às aventuras que me acompanham desde sempre (30), a um filme que vi e que descobri ser de um livro, onde as linguagens se distanciam e se complementam para contar uma história de esperança, perserverança e amor num longo domingo que se prolonga na memória de Mathilde - e agora na minha (não andará aqui um pouco de Penélope?), para além da guerra (a primeira), dos quadros, dos gatos (31), ao «Bairro» de Gonçalo M. Tavares - os outros livros ainda esperam mas serão em breve, e aqui também se falará deles (33-36) -, à imperfeição assumida que apresentarei na FNAC em breve (32), ao ensaio sobre Cesário (37)... Muitos filmes, sim, que são mais fáceis de incluir no tempo e no intervalo do cansaço. Até breve, que outras coisas me esperam.

livros:
28. O Regresso de Penélope, António Vieira, Colibri, 154p.*****
29. Resumo. a poesia em 2009, Assírio & Alvim e FNAC, 168p.****
30. Uma Aventura no Pulo do Lobo, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 212p****
31. Um Longo Domingo de Noivado, Sébastien Japrisot, Asa, 240p.****
32. Livro Imperfeito, António Paiva, Edições Ecopy, 208p.***
33. O Senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 88p.*****
34. O Senhor Henri, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 98p.****
35. O Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
36. O Senhor Juarroz, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
37. Um Ramalhete Para Cesário, Stephen Reckert, Assírio & Alvim, 104p.****


filmes:
45. Into the Wild, de Sean Penn***** (profundo, não recomendado a gente sem paciência)
46. O Perfume, de Tom Tykwer***** (belíssima adaptação do livro, vale a pena)
47. À Procura da Felicidade, de Gabrielle Muccino****
48. A Noiva Cadáver, de Tim Burton***** (como demorei tanto tempo para ver este filme? linda visão sobre a morte e sobre o amor)
49. Submerged, de Anthony Hickox**
50. Beowulf, de Robert Zemeckis****
51. Marie-Antoniette, de Sofia Coppola***** (com os sem all stars - eu vi ;), no guarda-roupa dela, um grande filme com Kirsten Dunst)
52. The Condemned, Scott Wiper***
53. Eastern Promises, de David Cronenberg****
54. Caos Calmo, de Antonello Grimaldi****
55. Nine, de rob Marshall**** (menos tempo e mais Nicole, tinha sido bom)
56. Disturbia, de D. J. Caruso***
57. Orgulho e Preconceito, de Joe Wright***** (oh meus Deus, como não tinha visto antes? quase tão bom como Expiação! Keira e Matthew impecáveis)
58. O Véu Pintado, de John Curran***** (como se inveja um homem como Edward Norton assim, aqui)
59. Macht Point, de Woody Allen**** (desilusãozita - mas a minha amiga Scarlett compensa)
60. O Rapaz do Pijama às Riscas, de Mark Herman***** (muito interessante, a ver sem falta)
61. O Laço Branco, de Michael Haneke****
62. Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky***
63. Bem-Vindo ao Norte, de Dany Boon***** (impecável para dar umas boas gargalhadas com nível)

outros:
Ensaio Sobre o Medo, pelo grupo Artes Cénicas (Outurela - Carnaxide).

quinta-feira, abril 15, 2010

soltos, em viagem...

Tenho pena da perfeição que não tenho - no duplo sentido - de não o ser, de não ter ao meu lado.


****
Fraga

O cheiro é o da terra
que floresce
em árvores brancas
e rosas de apenas cor.


****
O suicida foi quem
não esperou

a vida parecia
ter horas a mais

****
só dois motivos
um que não é o é
outro que o virá a ser

domingo, abril 11, 2010

súbita audição do eu 3

(assim mesmo, a versão longa e não a comercial que também anda por aí...)

«So I hid my soiled hands behind my back
Somewhere along the line I must've gone off track with you
(...)
Well, excuse me, guess I've mistaken you for somebody else,
Somebody who gave a damn,
Somebody more like myself.»

Jewel, «Foolish Games»

sábado, abril 10, 2010

súbita audição do eu 2

«I wonder if this grief will ever let me go
I feel like I am the king of sorrow
(...)
I suppose I could just walk away
Will I disappoint my future if I stay»

Sade, «King of Sorrow»

sexta-feira, abril 09, 2010

Súbita audição do eu 1

«and I'm so lonely I don't even want to be with myself anymore»
Dido, «Honestly OK»

quinta-feira, abril 08, 2010

Anaquim

Uma novidade para mim, uma banda em condições, aí abaixo acompanhada por Ana Bacalhau :), em «O meu coração». Para ouvir com atenção todo o disco, com destaque para «A Vida dos Outros» - tudo tão simples quando é a vida alheia, e eu tão miserável -, «Lusíadas», «Bocados de mim», «Monstros», com algumas referências histórico-literárias interessantes. Muito bom, mesmo em termos musicais - que será talvez o mais importante. A ver em breve :)

quarta-feira, abril 07, 2010

Barcelona

De Tossa del Mar a Barcelona, de Calella a Monserrat. Os primeiros dias de férias da Páscoa. Com os alunos. A minha Barcelona não é a mais conhecida. É esta, na voz de Jewel. Nem sequer esta, como amostra turística. Ainda bem que vi antes o Vicky Cristina Barcelona. E Carlos Ruiz Zafón me esperava ainda com suas histórias de Barcelona no inicio do século XX. Porque não fui para a ver, nem para a viver. Apenas passei por lá. Se houver uma próxima vez, pode ser que com amigos e com tempo as coisas sejam diferentes.

Tossa del Mar

Barcelona

Calella

Monserrat


"But if you could hear the voice in my heart it would tell you
I'm afraid I am alone
Won't somebody please hold me, release me"

Jewel, «Barcelona»

terça-feira, março 30, 2010

Maria Alexandre Dáskalos

Não poderás saber
que foste a breve primavera
depois de um longo inverno.
Não poderás saber
que os deuses repararam em nós
e como pagãos dançámos.
Não poderás saber
que os sonhos se espelharam
...................................em mil sóis.
E, assim não viste as pétalas
.......................da flor na bandeja do chá.

Maria Alexandre Dáskalos, Jardim das Delícias, p.44

V

contra vários indicadores
vontades do momento
e outras descoisas


chegou o quinto aniversário deste sítio.

quinta-feira, março 25, 2010

Desafio em Março


O desafio continua em bem. alguns livros - mas todos bons desta vez. coisas pequenas, pois é a velha história: o tempo voa-me mais nos finais de períodos lectivos, então se seguidos de viagens com os alunos... Ainda assim, voltei aos meus africanos - finalmente a poesia de Ondjaki, que me encheu as medidas mais do que Luandino («E Lengalengenu falou em quimbundo; e Kibaia Kinene tinha falado em latim; então viram todos que isso era sinal para pelejarem» p.12) e M. A. Dáskalos, suave. De Garrett a novidade já não me é grande, mas gostei da organização de Paula Morão e de o reler («Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele» p.81), tal como do estudo de Carlos Reis, precioso para as aulas que ando a dar, mas nunca tinha lido Adolfo Bioy Casares, e foi uma agradável descoberta («já não estou morto: estou enamorado» p.40 ou «na solidão é impossível estar morto» p.65). Outras boas descobertas foram À Espera de Godot - à espera há imenso tempo («Estragon: E se nos enforcássemos?/Vladimir: Mmm. Depois ficávamos com tesão!/ Estragon: (muito excitado): Tesão?» p.25) e A Sombra do Vento, um livro irrepreensível, sobretudo porque gira em torno do mundo dos livros («Criei-me entre livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.» p.12). Referência ainda para a interessante antologia de Luísa Dacosta, embora as suas introduções, por vezes, façam corar de sentimentalidade infantilizante e para os textos sobre Sophia que acompanham a edição especial que a Asa publicou.
Tempo ainda para ver alguns espectáculos e filmes. Está tudo por aí, no blogue. De desafio a sugestões, é só escolher.

Livros:

16. A Guerra dos Fazedores de Chuva com os Caçadores de Nuvens (Guerra para crianças), José Luandino Vieira, Caminho, 28p.****
17. Flores sem Fruto e Folhas Caídas de Almeida Garrett, Paula Morão, Editorial Comunicação, 132p.****
18. A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares, Antígona, 128p.*****
19. De Mãos Dadas, Estrada Fora, Luísa Dacosta, Asa, 160p.****
20. Jardim das Delícias, Maria Alexandre Dáskalos, Caminho, 56p.***
21. Introdução à leitura d'Os Maias de Eça de Queirós, Carlos Reis, Almedina, 184p.*****
22. A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 512p.*****
23. actu sanguíneu, Ondjaki, INALD, 20p.(?)***
24. Há prendisajens com o xão, Ondjaki, Visão/Caminho, 72p.*****
25. Materiais para confecção de um espanador de tristezas, Ondjaki, Caminho, 88p.*****
26. À Espera de Godot, Samuel Beckett, Cotovia, 128p.*****
27. Dez textos mais um para Sophia, A.A. V.V., Asa, 16p.****

Filmes:

30. Viúva rica solteira não fica, José Fonseca e Costa***
31. The Uninvited, Charles Guard e Thomas Guard***
33. Beetle Juice, Tim Burton****
34. Pee-Wee's Big Adventure, Tim Burton***
35. What Happens in Vegas, Tom Vaughan****
36. Valkyrie, Bryan Singer**
37. The Wrestler, Darren Aronofsky****
38. Gremlins, Joe Dante****
39. Aparelho Voador a Baixa Altitude, Solveig Nordlung***
40. In the Land oh Women, Jon Kasdan****
41. Definitely, Maybe, Adam Brooks****
42. Do Começo ao fim, Aluisio Abranches****
43. Alice no País das Maravilhas, Tim Burton****
44. Frequently Asked Questions About Time Travel, Gareth Carrivick****

domingo, março 21, 2010

Dia dela

porque não há amor este ano
porque nada se renovou

não há nada que dizer hoje.


fica apenas a referência a um artigo que li entretanto na revista «Única», «Traga a poesia para a sua vida». A ideia principal é que a poesia salva, a poesia regenera, a poesia é catártica. Tudo bem. É isto e tudo o mais que quisermos que ela seja. Os meus meninos lá da escola que o digam :)
Hoje o Câmara Clara é sobre o assunto.

Pigmalião

Pigmalião e Galateia (1890), de Jean-Léon Gérôme


Estar em estado vegetativo, daquele em que o torpor não me deixa nem assoar, o ranho invade a almofada e humidifica-me (bom, não exageremos...), não me impediu de ir ver Pigmalião. Com óculos 3d, pois então! Posso não ter feito mais nada útil este fim-de-semana, depois da reunião de avaliação, mas não interessa. A inutilidade é-me muito querida, por vezes. E este profundíssimo cansaço dos últimos dias, que me tem feito ir para a cama antes da hora que os meus imaginários e impossíveis filhos tivessem de ir. E o acordar mais cedo que os padeiros para fazer o que devia ter sido feito de véspera...


Mas o Pigmalião é que interessa. Vê/veja se puderes/puder. O texto é de Pedro Mexia, a encenação de Marcos Barbosa, do Teatro Oficina. O público pareceu ficar surpreendido por ser tão pequeno, e ri-me como um TUlinho porque a maior parte das pessoas usou os óculos 3d em todo o espectáculo - quando era só para os dois momentos de vídeo... Eu gostei, e muito. Sobre Pigmalião, e sua Galateia, há mais aqui.

sexta-feira, março 19, 2010

Cansado

de acordar às cinco da manhã espontaneamente, porque me deitei às oito ou assim, para acabar de corrigir testes. das reuniões que começam amanhã. de barcelona, que vem, - ou vou eu - , dia 25. de adiar artigos. de cultura: Auto da Barca do Inferno e Frei Luís de Sousa foram dose. com os alunos. era para ir a um concerto da Gulbenkian na Sé. acho que vou ficar por casa mesmo.

quinta-feira, março 18, 2010

Confissão de ódio

Uma série infinita de livros nas minhas paredes, com as suas mil vidas diferentes de cada vez que se as lêem, não chegam para mitigar a solidão de ti.

domingo, março 14, 2010

Um beijo em forma de letras, Célia

Acordam-me os tempos da morte num sufoco que não controlo até ao fim de dez minutos. Depois, como a vida não me espera, rápida devoradora de instantes que a memória não retém, readormecendo sem saber em que mundo acordarei a seguir. Se é que posso usar «acordar» como metáfora.


Escrevi isto enquanto vigiava teste, sem saber. Quando soube pensei em ti, como sempre. Desculpa não estar aí quando precisas. Mas sabes que tens em mim um pilar, uma concha, o que for preciso. Ainda te falo logo. Embora nestes casos nunca se saiba o que dizer.

Jamie Baum Septet

Foi ontem, no Theatro Circo, em Braga - como vai sendo costume, para mim, agora. E apesar de não conhecer, gostei bastante. Mais ainda por ter sido por convite - bilhete ganho aqui. Fica aqui uma ligação para uma das músicas que tocaram. Venha o seguinte.

quinta-feira, março 04, 2010

Barcelona


é onde me poderão encontrar no final deste mês :)

terça-feira, março 02, 2010

Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal

é um dos meus poemas favoritos, mais que muitos, e ainda não aqui estava. emendo-me. acompanho-o com a ligação a um artigo sobre ele. para ler muitas vezes. a «continuação» de Sena fica para outra oportunidade.


Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia, Mar Novo (1958)

p.s. - é mesmo para colocar numa das paredes, em grande, cá na «casota» de Braga.

segmentos

há um segmento muito bom. Começa com os anjos, segue-se com estes em pranto, depois o desvanecimento (acima) de que talvez nem haja notícia e conclui-se com a dúvida e o desejo.

e depois ainda há isto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

No CDDS, em breve...

Pois está para breve, pelos vistos, a visita de António Paiva para uma sessão de poesia acompanhada de chá. Depois dos momentos com João Aguiar, Ricardo Araújo Pereira, Nuno Crato, Fernando Pinheiro e Richard Zimler (os autores que cá vieram desde que eu cá estou também), avizinham-se também Ana Saldanha e José Luís Peixoto. Uns interessam-me mais do que outros, naturalmente, mas deste António Paiva não tenho qualquer expectativa. Li, com os meus colegas, alguns poemas para ver se valia a pena e a opinião foi unânime: sim. E pronto. Fica aqui o poema, dos poucos que cheguei a ler, de que gostei mais, não pela originalidade, que será pouca, mas pela convocação de elementos muito do meu agrado:
Os meus ouvidos são búzios
onde o mar esconde o rumor das suas ondas.

pseudometenojismos

E já está a recensão. Veremos se sai... nunca fiz uma com este objectivo, ser publicada, muito menos de uma obra de arte. O que saiu em livro, finalmente, foi o livro com as comunicações do congresso de 2008 Mundos em Diálogo - Direito e Literatura. O lançamento é dia 3 de Março, em Lisboa.


Aqui fica o poema que transcrevi na íntegra na recensão:

Há quem dê erros de ortografia da direita para a esquerda e há quem os dê seguindo os ponteiros do relógio. Como havia Ulisses de se enganar na letra, já que os reis podem revogar a ortografia, além de que a tinta (a que havia), era vermelha e não azul, sendo que dez anos mais dez anos são vinte anos, contados gota a gota? Depois que tudo aconteceu, que importa saber se o homem era Ulisses ou Odysseus, ele que usou muitos nomes, dos quais NINGUÉM talvez fosse o verdadeiro?

Arménio Vieira, O Poema, a Viagem, o Sonho, Lisboa: Caminho, 2009, p.54

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Desafio em Fevereiro


aproveitar algum tempo, que não tenho no momento, mas não me apetece ir acabar a recensão crítica a Arménio Vieira, que já devia estar pronta, nem pensar nos artigos e resumos que tenho de fazer e cujos prazos estão a acabar. Apesar de tudo, estou contente porque comprei, por uma pechincha, uma edição especial de/sobre Sophia. e por isso, o desafio aqui fica.

dos livros, voltei a Raul Brandão, que muito aprecio, desta vez a textos apenas publicados em jornais, recolhidos em Sonhos - pena as gralhas... - («o coração batia-me como se me doesse um amor perdido», p.179), segui para o Herbário, que tem poemas muito bonitos, acompanhados de ilustrações de igual teor; com Eugénio de Andrade passei por A Cidade de Garrett, que mostra a genialidade do poeta e da cidade e suas gentes («Um poeta, quando é grande, é sempre o maior para quem faz sua a poesia dele», p.40), demorei os olhos nas aguarelas de Gunter Grass, mergulhei no mundo criado por Rosa Lobato Faria («gosto da ideia de construir a minha morte como construí a minha vida», p.24), que perdemos recentemente, li fascinado O Poema, a Viagem, o Sonho e estou ainda em O Homem Duplicado, entre outros que não acabarei este mês, provavelmente, com tantas actividades que tenho tido :)


9. Sonhos, Raul Brandão, Independente, 192p.*****
10. Herbário, Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, 60p.*****
11. A Cidade de Garrett, Eugénio de Andrade, Fundação Eugénio de Andrade, 76p.*****
12. Com Aguarelas, Gunter Grass, Editorial Notícias, 210p.****
13. O Prenúncio das Águas, Rosa Lobato de Faria, Asa, 216p.*****
14. O Poema, a Viagem, o Sonho, Arménio Vieira, Caminho, 132p.*****
15. O Homem Duplicado, José Saramago, Caminho, 320p.****

filmes:

13. Bruno, de Larry Charles (por favor)**
14. Anticristo, de Lars von Trier (enfim... já fez melhor)***
15. Quem és tu?, de João Botelho (hum...)****
16. Romance, de Catherine Breillat (pois é...)*
17. Precious, de Lee Daniels (finalmente algo bom)*****
18. A Dúvida, de John Patrick Shanley (grandes desempenhos)*****
19. A Bússula Dourada, de Chris Weitz (grande e bela Nicole)****
20. Ágora, de Alejandro Amenábar (vibrante)*****
21. Calígula, de Bob Guccione (por favor outra vez...)***
22. Baise-Moi, de Virginie Despentes (idem aspas mais grave)*
23. Orlando, de Sally Potter (pormenores...)****
24. The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gillian (intrigante)****
25. Premonição, de Mennan Yapo (bom para o género)****
26. Chovem Almôndegas, de Phil Lord e Chris Miller (espectacular)*****
27. Vestida para casar, de Anne Fletcher (K. Heigl, linda)****
28. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (muito bom)*****
29. O Pacto, de Renny Harlin (está bem)***

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O livro do desassossego


já foi há uns dias valentes, mas enfim. e depois de me perder no Porto, mais uma vez (já não conheço a minha cidade de cinco anos), lá cheguei a tempo à Casa da Música.


o concerto, com a M. e o J.P. foi interessante, apesar do sono. a partir de excertos de do livro referido de Pessoa, o espectáculo foi construído com a orquestra Remix Ensemble, que executou uma composição de Michel van der Aa, a representação/voz de João Reis, encarnando Bernardo Soares, e um vídeo, com vários actores, entre os quais o mesmo João Reis, e a presença de Ana Moura, que cantou duas ou três vezes, pasme-se, excertos de O Livro do Desassossego (e lá apareceu no palco, no final, para aplaudir o espectáculo e receber o seu mérito também).


sem haver propriamente um fio condutor, a não ser a tentativa de mostrar as várias vertentes da personalidade de Bernardo Soares, o espectáculo versou reflexões sobre Lisboa, moral e sociedade, amor e solidão, numa espécie de «puzzle» que imita o próprio labirinto que é a obra impressa.


para concluir, uma frase exemplificativa, pessoal: «Que coisa morro quando sou?» ou, como diria eu, mais prosaicamente, «Que coisa sou quando morro?».

domingo, fevereiro 14, 2010

sábado, fevereiro 06, 2010

Ana Moura - seguimento

E já foi. Muito bom, na minha estreia no Theatro Circo, que, diga-se, é muito bonito. Pequeno, mas bonito. Ao contrário da fadista´: grande, muito grande, mas igualmente bonita, muito elegante no seu vestido prateado da primeira parte que mudava cores, reflectindo-as, de acordo com as luzes, e no seu vestido vermelho da segunda.
Elogios ao teatro, à cidade, ao clube de futebol (estava presente o guarda-redes). E idas ao palco: duas fãs, que cantaram muito bem, e o tal guarda-redes, que cantou muito mal... Mas foi muito bom.
Cantou, entre outras, com muito sucesso:



E a nova canção também funcionou muito bem. Só faltou mesmo o «Fado das Horas Incertas», mas o espectáculo era mais voltado para o novo álbum, como faz sentido. Simpática, divertida, profunda, extraordinária. Com um voz admirável e interpretações que não querem comover, mas comovem à mesma:


E esta terça, na Casa da Música, lá nos encontraremos outra vez, mesmo que só no vídeo...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Conselho


Corre como o vento;
...........Sê imponente como uma floresta;
Devasta como o fogo;
...........Fica quieto como uma montanha.
Sê impenetrável como a noite;
...........Sê agil como o trovão ou como o relâmpago


Sun Tzu, A Arte da Guerra, Famalicão: Quasi, p.44

Ana Moura

é já amanhã, no Teatro Circo. :)

O que me fez apaixonar à primeira audição:



O que me fez fazer juras eternas (ao vivo, não com muita qualidade, mas enfim):

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Tenho uma Hello Kitty

Isto era a Hello Kitty para mim, desde sempre: horrível. Uma gata que não é gata - e bem se sabe como sou louco por gatos. E sem boca - como lançar então miados ou beber o leitinho? Enfim... uma destas camisolas da Cão Azul ficar-me-ia a matar (a matar não foi escolhido ao acaso):



Agora as coisas não mudaram. Ou só um pouco. Devido à minha paixão por gatos, ofereceram-me uma. Tolinhos, enfim. Mas ao menos escolheram uma que não parece a Hello Kitty: disfarçada de gato amarelo tigrado - os que aprecio mais -, com uma espécie de pele protectora que a envolve quase toda (tapa o laçarote, com um certo jeito), com o carapuço com um focinho de gato também.


Podia ser pior...

A ver

Caramel - grande cena de uma conversa dela e as respostas possíveis dele. Um ele que não é o mesmo com quem ela fala. lindo!

Atonement - a melhor cena final de um filme. De sempre. Quem vir o filme todo percebe melhor. Com casa na praia, T., e tudo. Muito mais paradisíaco do que poderias pensar, o verdadeiro Paraíso: nem sempre o espaço é determinante. Às vezes basta ser.

faz amanhã uma semana

(finalmente)

o Mestre apanhou o comboio de regresso.

domingo, janeiro 31, 2010

Desafio em Janeiro


já escrevi aqui que este ano seria mais modesto nas minhas ambições de leitura este ano. 80 livros. Para poder ver mais filmes, sair mais, fazer outras coisas. Bom, não é interiamente verdade, porque o que se promete nem sempre se cumpre (de 100 previstos li 120, no ano passado), e a quantidade nem sempre é proporcional à qualidade: dos livros e da minha capacidade de os entender... já para não falar de tamanhos. e por outros motivos que não me apetece agora referir.

assim, este mês foi bom. Oito livros lidos, doze filmes vistos. Nada mais (ouvir música em casa, muito, não conta).
a saber, dos livros lidos: Lídia Jorge com um romance muito bom («esse dia glorioso de quase três meses»p.171); insatisfação e paixão crescentes que não levam a nada, no livro de Tom Perrotta («Cada vez mais, os dias da semana pareciam fundir-se como lápis de cera esquecidos ao sol»p.19); por dever escolar, Ana Saldanha, numa relação ficção/verdade muito interessante e com muitas potencialidades de exploração educativa; a brevidade de livros escolhidos para esperas em acções de formação e transportes - Sapho («Medo desse vazio tão cheio»p.7), Blaise Cendrars, Sun Tzu (As Quatro Estações/Não têm/ Estação definitiva»p.40) - ; Os Verbos Auxiliares do Coração como a desilusão de um romance com um título tão promissor (enfim, não é assim mau, mas o título é mesmo bom - «Sinto-me desenraizado, porque eu próprio sou a raiz»p.53); o exagero da vida e da morte em Apollinaire...

1. Pecados Íntimos, de Tom Perrotta, Bico de Pena, 360p.*****
2. O Romance de Rita R., de Ana Saldanha, Caminho, 200p.****
3. Sapho, de António Manuel Esquível, Colares, 32p.***
4. Poesia em Viagem, de Blaise Cendrars, Assírio & Alvim, 180p.***
5. O Vale da Paixão, de Lídia Jorge, BYS/LEYA, 190p.*****
6. Os Verbos Auxiliares do Coração, de Péter Esterházy, Caminho, 136p.***
7. As 11000 Vergas, de Guilhaume Apollinaire, Ramo de Ouro, 192p.**
8. A Arte da Guerra, de Sun Tzu, Quasi, 96p.***

E nos filmes:

1. Admitido, de Steve Pink***
2. Caramel, de Nadine Labaki****
3. A Valsa com Bashir, de Ari Folman*****
4. Letra e Música, de Marc Lawrence***
5. Elas Não Me Largam, de Mark Helrich***
6. Little Children - Pecados Íntimos, de Todd Field (com a fantástica Kate Winslet, Patrick Wilson e Jennifer Conelly)*****
7. Dorian Gray, de Olivier Parker***
8. Entre Lençóis, de Gustavo Neeto Roa****
9. Igor, de Anthony Leondis*****
10. Up, de Pete Docter e Bob Peterson*****
11. A Condessa, de Julie Deply****
12. Perfect Stranger, James Foley,***

segunda-feira, janeiro 18, 2010

dúvidas

Para que me meto nestas alhadas?

Eu, que quero ser um homem simples? Novo?


E porque tenho de comprar 27 livros de uma vez, mesmo que em saldos e tal?

segunda-feira, janeiro 11, 2010

T., ou o eu que se des/en/cobre

Por transmissão . Aqui fica. Com duplos sentidos, claro.



1. O gato não morreu, eu, eu. Ainda cá anda, a miar de manhã à tarde, às vezes parece aos outros que fala Grego ou Árabe, de tal maneira parece dizer coisas estranhas. À noite é mais a cantoria para proquios (bem, alguns vizinhos já deram sinais de ter ouvido).

2. Girassol - mas ao contrário. Ou como um girassol que, no meio dos outros, preferisse ver o espaço subitamente iluminado. Ou, mais linearmente, o girassol que rema contra a maré.

3. Trovoada. Vem poucas vezes, mas quando vem, assusta. E em algumas é devastador. Ter nascido em Maio não foi acidente.

4. Doce-chocolate, com variações: de branco a negro em cinco segundos. Com extras quando necessário, de preferência avelãs, mais pequenas mas certeiras. Não é gémeos de signo por acaso.

5. Livros - a sua vida não daria nenhum, nem nenhum filme. Tentou escrever, e quase fez três livros, entretanto praticamente perdidos pelo gosto do alheio de alguém. Lê-os desalmadamente, tendo noção de que acabarão com ele (atenção ao duplo sentido) - ou talvez se prolonguem numa outra vida. Mas ainda assim. Seus descendentes não serão para os ler.

6. The One - perfume de agora, mostra a sua personalidade egocêntrica, genial, acima da média e, sobretudo, muito modesta.

7. Bartleby - ou a mania da procrastinação, ou do «deixa para amanhã aquilo que podes fazer hoje, o atraso iluminar-te-á». Mas com tudo pronto, investigado e pensado, que depois o fazer se fará.

8. Solitário - aquela jarra para uma flor só. Às vezes dá para duas. Experimente-se o malmequer, é capaz de dar, em vez dos amores-perfeitos... ou vice-versa.

9. Compasso - de um lado marca, do outro pica. Aos círculos, é como gosta de dizer e fazer as coisas, quando elas o incomodam ou vão incomodar alguém. Outras vezes, do nada, acompanha-se de uma régua.

10. Santiago - do nome ao sítio, a marca. Da origem do meu ser: ascendentes, nomes e patronímico. E talvez esta dimensão angelical que muitos lhe atribuem hiperbolicamente. É uma mais uma vertente da sua face criativa.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Frases proibidas este ano - para ser um homem novo


Representar é diferente de apresentar;

Não sei;

Estou enamorado por ti;

Só é tarde quando não chega (a tempo);

Eu sou genial;

O mundo não passa do que já sabemos;

e outras que tais que direi, tal como estas também surgirão ocasional e inadvertidamente. Até porque todas elas são verdades inegáveis, e as verdades são para ser ditas.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

I get along without you very well

Diana Krall. Finalmente encontrei a versão no youtube.

A ironia e o sorriso amargo juntos,
como se só houvesse presente
eterno,
num banco só.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Desafio em Dezembro


Fim do ano, fim de desafio 2009, fim talvez do blogue. Ou talvez não, se verá. Deste ano levo 120 livros nos olhos, que na cabeça não me cabe tanto, e já com lugar prometido na biblioteca em construção na casa de Poiares. Neste mês, leituras para rir (111), para acompanhar programas escolares - desculpa para subirem na lista de espera (113, 114, 116), para enternecer (112), para ler o que se sabe que será bom sempre (117), para ler o que é oferecido (115, 118), para acabar com os livros de Agustina (119), este comprado porque era necessário lê-lo depois de ter lido As Fúrias (devia até ter sido antes...).
Para o ano de 2010 o desafio será mais comedido, com 80 títulos. Espero! E mais filmes, mais saídas, mais vida para além da vida das palavras, a minha favorita...


Livros:

111. Gato Fedorento. O Blog, Cotovia, 320p.*****
112. Gatos e Mais Gatos, Doris Lessing, Cotovia, 168p.*****
113. Evocação de Sophia, Alberto Vaz Silva, Assírio & Alvim, 112p.****
114. A Minha Primeira Sophia, Fernando Pinto do Amaral, D. Quixote, 46p.*****
115. O Resto da Minha Alegria, Valter Hugo Mãe, Cadernos do Campo Alegre, 64p.***
116. Textos Escolhidos, Padre António Vieira, RTP/Verbo, 190p.*****
117. Levantado do Chão, José Saramago, Caminho, 486p.*****
118. Mais Perto do Céu, Maria do Céu Nogueira, ed-AGAL Criaçom, 110p.***
119. A Crónica do Cruzado Osb, Agustina Bessa-Luís, Guimarães, 226p.***
120. Gabo. Memórias da Memória, Carlos Fuentes, Dom Quixote, 48p.****


imagens retiradas daqui


Filmes:

26. Como Sobreviver a Um Coração Despedaçado, Paul Ruven**
27. Avatar, James Cameron****
28. Surf's Up, Ash Brannon e Chris Buck***
29. Eragon, Stephen Fangmeier****
30. Stardust, Matthew Vaughn***
31. Capuchinho Vermelho. A Verdadeira História, Cory Edwards****
32. Ocean's 13, Steven Soderbergh****
Outros:

Mary Bryant, Peter Andrikidis (mini-série)****
Pushing Daisies, de que já falei algures por aqui, vi finalmente, numa noite e numa tarde, sem conseguir parar e com muita vontade de comer tartes daquelas, os 13 episódios da segunda temporada, e é sem sombra de dúvidas a minha série (que me perdoem Anatomia, Sete Palmos de Terra, entre algumas outras)*****.

domingo, dezembro 20, 2009

Poema de Natal 2009




Natal

(à avó)


Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos
que não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas têm a espessura
do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas
a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete
continha engelhado, com a tua ida.
Provavelmente ficará assim para sempre.


Noutro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um dos nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se para voltar a sentir o quente do teu colo.

Maria do Rosário Pedreira
Eis a morte de um amigo: ficar sozinho mais um pouco para sempre.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

quinta-feira, dezembro 10, 2009

sem título

E assim se esgotam as palavras

as imagens

eu.





até a um dia diferente

que chegará.

sábado, dezembro 05, 2009

Desafio em Novembro


(Imagem retirada daqui)

Mudei de casa, em Braga, muitas coisas estranhas aconteceram, entre elas outras menos, como apanhar gripe (talvez A) ou apaixonar-me e voltar a desapaixonar-me e voltar a apaixonar-me sempre da mesma forma parva pela mesma pessoa. Mas enfim, as coisas parecem estar a ficar mais tranquilas, estão também a chegar as férias e tudo se vai orientar.
Mas concluí o meu desafio :)


Aqui ficam, ainda que atrasadas, as sugestões de Novembro:

Livros:

100. Astérix e Obélix - O Livro de Ouro, Uderzo e Gosciny, Asa, 58p.****
101. Os Incêndios de Roma - Cartas, Séneca e São Paulo, Íman Edições, 72p.****
102. Carta Sobre a Felicidade e Da Vida Feliz, Epicuro + Séneca, BI, 90p.****
103. Novas Crónicas da Boca do Inferno, Ricardo Araújo Pereira, Tinta da China, 224p.*****
104. O Segredo de Brokeback Mountain, Anne Proulx, Bico de Pena, 80p.***
105. Contos da Morte Eufórica, Casimiro de Brito, D. Quixote, 140p.***
106. Caim, José Saramago, Caminho, 182p.***
107. Passarinhos, Anais Nin, Bico de Pena, 152p.***
108. A Maior Flor do Mundo, José Saramago, Caminho, 28p.****
109. 90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa, Henrik Lange, 190p.****
110. A Mecânica do Coração, Mathias Malzieu, Contraponto, 144p.*****


Filmes:

24. Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (outra vez, com a Sandra)*****
25. Doce Novembro (na RTP2)****

Mais:

O Luandino é realmente fantástico. Adorei ouvi-lo e conversar com ele um bocadinho na 100ª Página, uma livraria de Braga que está a comemorar o décimo aniversário.

de volta

após as atribulações das últimas três semanas.
Depois conto, ou não.

Agora vou é dormir, que preciso.

quarta-feira, novembro 11, 2009

não te sei a dormir

mas

ouve-me
como se fosse um
sonho

sem possível.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O suficiente para a frente,


não é, Sandra?
(visto em Santiago)

terça-feira, outubro 27, 2009

Santa Margarida

Já tenho as chaves da casa nova. É na rua supracitada.

E só para mim :)

(e os meus milhentos livros e outros eus)

domingo, outubro 25, 2009

desafio em Outubro

Espacio para la lectura, Santiago de Compostela

Em tempo de trocar de casa - finalmente, embora não por ter demorado a procura, pois a única que fui ver me atraiu logo - tempo também para arrumar esta outra casa, a virtual. Não tenciono voltar cá nos próximos tempos, pelo menos para escrever: os testes acumulam-se, a preparação de aulas sobre obras integrais, a mudança e adaptação. Assim, antecipo já o desafio/sugestões, que não são muitas, concedo, porque a viagem, a Diana e o trabalho deixaram-me cansado (que já estava, da conclusão da dissertação). Mas isto vai animar e já só falta um livro para terminar o desafio :)

Livros:

96. Enciclopedia da Estória Universal, Afonso Cruz, Quetzal, 134p.*****
97. Ética Para Um Jovem, Fernando Savater, D. Quixote, 160p.****
98. Anões e Pigmeus da Pátria, Adulcino Silva, Erasmos, 94p.*
99. Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Mário de Carvalho, Caminho, 320p.*****

Santiago de Compostela

Vista geral, a partir do jardim Carlomagno.


Tinha prometido, cumpro em parte: só imagens, sem grande relato. Há coisas ficam mais guardadas do que reveladas na memória pessoal. E para não priveligiar umas em função de outras, ficam no caderno pessoal do tempo. E as imagens, por vezes, falam por si. Algumas, das cerca de 200. Acrescento só que não me importava de morar lá, uns tempos. Mas mesmo nada.


As lojas das recordações e afins... perdição nos doces e nos típicos.


San Martín Pinario - muito interessante.




Catedral do meu Sant'Iago.


Vieira no chão... muitas por todo o lado!
P.S. - mais fotos aqui.