terça-feira, novembro 23, 2010

o que me tem feito chorar

quase nunca choro com nada que a vida me traga de vida, só com a arte mais pura. (sim, blá blá - este gajo deve ter a mania) Mas foram dois dias seguidos de extrema felicidade, ou tristeza, sei lá. Mas choraminguei... chorei... enfim, baba e ranho, praticamente (tenho andado constipado... cof... cof...) E aqui ficam os motivos (mesmo que não costume falar de filmes). Okuribito e José e Pilar. E me quedo.





quinta-feira, novembro 18, 2010

O que eu quero para o Natal

Não é tudo o que eu quero, sou difícil de satisfazer.
Mas com sonhos, lareira, família e o livro de Sophia já está lá quase tudo :)

sábado, novembro 13, 2010

Rodrigo Leão, Coliseu do Porto

LogoRodrigo Leão e eu vou - finalmente.
Muito se espera :)


depois do concerto:

teve uma primeira parte mais «clássica», como:


e uma segunda com canções de mais sucesso comercial, como:



faltou «Rosa», faltou «Deep Blue», mas já teve tanto ;)
Foi de génio, é o que posso dizer. E teve a minha/nossa canção:

sábado, novembro 06, 2010

Esperar/ (to) Wait

Saber esperar é uma virtude. Quem espera sempre alcança, embora também desespere. Esperar é a inutilidade do tempo desperdiçado. Ou então não. Nunca gostei de esperar por nada, nem me faço esperar, normalmente. Mas há momentos em que a espera só torna mais doce o momento da concretização. Estou cansado de te esperar, que se possa acertar o destino entre nós, ou que eu consiga ser outro para outrem que te ocupe parcialmente o lugar.

(a vida que não tenho nem desejo, por Moby - o vídeo oficial também é bonito, bem como este)



(espécie de mensagem em vice-versa, em desistência momentânea, na belíssima voz de Alexi Murdoch, em canção do filme Away we go)

segunda-feira, novembro 01, 2010

3 dos 125 poemas de Joaquim Pessoa


Dos pássaros e dos homens

De pássaros não sei nada.
Também Sócrates diria que dos pássaros nada soube.
Porque um poeta é um filósofo. E um filósofo
é sempre um poeta.
E um poeta não deve saber dos pássaros
mas dos homens.

Eu confesso: de pássaros nada sei.
Sei dos homens. Mas pouco.
Por isso os estudo. Falo deles. Amo-os ou odeio-os.
Aliás, entre os homens raramente há sentimentos intermédios
como a indiferença, por exemplo.
Não consta que os pássaros os conheçam.

Os homens são muito importantes para um poeta.
Tão importantes como as palavras.
Direi mesmo mais importantes.
Porque não poderão existir palavras e poetas sem homens
mas os homens já existiam sem palavras e sem poetas.
E mesmo as palavras e a poesia sem homens não serviriam para nada.

Portanto temos
primeiro o homem
depois a palavra
e por fim o poeta.

Na poesia, é pois, fundamental, o homem.
Sendo assim, é natural que eu fale dos homens
e me recuse a falar dos pássaros
porque, também, para falar de um assunto
é preciso estudá-lo
conhecê-lo
e, como eu já disse, de pássaros não sei nada
prefiro falar dos homens embora deles não saiba tudo
mas vou analisando-os
tentando conhecê-los melhor
em vez de analisar e tentar conhecer os pássaros
porque me parece
não poder haver uma relação por aí além
entre o pássaro e o homem
nem os pássaros poderão resolver os problemas dos homens
(habitação, ensino, desemprego, etc.)
num um homem só que seja pode ser explorado
por um ou mais pássaros
nem os os pássaros fizeram explodir nunca uma bomba atómica
ou se juntaram em bandos para discutir
se hão-de construir centrais nucleares para matar alguns homens
em benefício de qualquer pássaro
ou ainda para conferenciar sobre a bomba de neutrões
que pode ao mesmo tempo matar os pássaros e todos os homens.

Por todas estas razões proponho que
a poesia fale do homem para o homem

porque:

a) falando dos pássaros a poesia fala só dos pássaros;

b) falando dos homens, a poesia fala de tudo
(até dos pássaros);

c) os pássaros nunca poderão entender a poesia nem os poetas nem os outros homens;

d) a poesia falando dos homens fará com que os homens possam entendê-la e entender não só os poetas como também os pássaros e, sobretudo, o que é fundamental, entenderem-se entre si o mais depressa possível.


*****
Tu ensinaste-me a fazer uma casa

Tu ensinaste-me a fazer uma casa:
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti os meus versos procuraram
voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo. Construí
a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos. Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como um cemitério de beijos.

Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás de tudo
para saudar o vento.

E vejo ainda o teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome.

****
Perguntas

Onde estavas tu quando fiz vinte anos
e tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
ao mesmo tempo que víamos Música no Coração
mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
retalhados na Coreia e no Vietname
nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylan
virando também as costas quando arrasaram Wiriammu e enterraram vivas
mulheres e crianças em nome
de uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
ou Allende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
que ninguém te encontrou em lugar algum?


125 Poemas. Antologia Poética, Lisboa: Litexa, 1989 (90-92, 123, 161)

quarta-feira, outubro 27, 2010

As mãos inteiras

Quem mas dera agora
inteiras e cheias com as minhas
ou com o meu corpo
água ou vento que nos leve ao encontro do outro mundo.

As mãos que eram andaime e guindaste
cofre do tesouro que era o próprio tesouro sem fim.

As mãos ambas
dextra e sinistra perfeitamente idênticas
onde o sopro do meu ser
pode encontrar abrigo.

Desafio em Outubro


Pois coloquemo-nos naquilo que amamos. Corpos, livros, filmes, teatro, música... E vivamos deles, como se fosse impossível ao contrário. É assim que faço, ou quase. E por isso tenho tempo ainda para os poemas irreverentes e apaixonados de Joaquim Pessoa (102), atravessar a ponte cheia de histórias fantásticas (103), apreciar escritas tão díspares e interessantes (104, 105, 106, 108), mergulhar numa especial Barcelona (107), confirmar gostos (109, 110)... E ver filmes - sozinho ou acompanhado, sempre de um modo tão subjectivo como ser - já cheguei aos 183 que tinha projectado, continuemos pois. Menos no teatro, claro, mas O Fim foi a peça deste mês.

livros:
102. 125 poemas. Antologia Poética, Joaquim Pessoa, Litexa, 224p.*****
103. A Ponte Sobre o Drina, Ivo Andrić, Cavalo de Ferro, 418p.*****
104. dentro de mim faz sul seguido de acto sanguíneo, Ondjaki, Caminho, 128p.***
105. Solte os Cachorros, Adélia Prado, Cotovia, 128p.****
106. Contos Cruéis, Villiers de L’Isle-Adam, Estampa, 152p.*****
107. Alicia, ao Amanhecer e outros contos, Carlos Ruiz Zafón, Planeta, 40p.*****
108. Contos do Mal Errante, Maria Gabriela Llansol, Rolim, 240p.****
109. A Feira dos Assombrados e Outras Estórias Verdadeiras e Inverosímeis, José Eduardo Agualusa, BIS/LEYA, 144p.*****
110. Lenin Oil, Pedro Rosa Mendes, D. Quixote, 160p.****

filmes:
168. O Reino Perdido, Rob Minkoff***
169. Crank, Mark Neveldine e Brian Taylor***
170. CrankItálico 2, Mark Neveldine e Brian Taylor****
171. Shelter, Mans Marlind e Bjorn Stein*****
172. Shutter Island, Martin Scorcese*****
173. A Casa das Coelhinhas, Fred Wolf***
174. He's just not into you, Ken Kwapis****
175. Remember Me, Allen Coulter*****
176. Burn After Reading, Ethan e Joel Cohen*****
177. The men who stares at goats, Grant Hesloy*****
178. Les Herbes Folles, Alain Resnais***
179. Les Chansons d'amour, Christophe Honoré****
180. 21: A última cartada, Robert Luketic***
181. Filme do Desassossego, João Botelho****(*)
182. Zoom, Peter Hewitt***
183. Beautiful Kate, Rachel Ward*****
184. A Lenda de Zorro, Martin Campbell***
185. La Journée de la jupe, Jean-Paul Lilienfeld*****
186. Padrinho... mas pouco, Paul Weiland***
187. Regresso a Halloweentown, David Jackson**(*)
188. A Nightmare on Elm Street (2010), Samuel Bayer***
189. Devil's Diary, Farhad Mann**(*)

terça-feira, outubro 19, 2010

sábado, outubro 16, 2010

filme do desassossego




vi ontem, no Theatro Circo, com apresentação breve do realizador, João Botelho, na companhia de colegas e/ou amigos. Para além dos óbvios textos extraordinários, uma imagem e uma banda sonora deslumbrantes, grande elenco, tudo em conformidade, melhor do que esperava. Gostei (menos da "ópera").





«Que coisa morro quando sou?»
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego



nota: a visualização do filme não dispensa a leitura. mesmo.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Alberto Caeiro certeiro

Caeiro certeiro é um pleonasmo, uma verdade lapalissada. Mas ainda assim - não só na verdade geral, mas na minha. Comecei a folhear (e não desfolhar, como vejo por aí) edições, a recordar poemas e versos em que não pegava bem desde o ano de estágio (2006!) e deparei-me com este. Assim, logo de repente. E não me lembrava dele. Pronto, as lágrimas não chegaram, mas quase, porque cair a água é natural, mesmo sem saber teorias de gravidade nem razões.


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos (7-11-1915)

segunda-feira, outubro 11, 2010

Desejo II (disfarçado de música)

Rebel Heart, The Corrs

quarta-feira, outubro 06, 2010

Tomai lá (não do O'Neill) do Cesariny

O Álvaro gosta muito de levar no cu
O Alberto nem por isso
O Ricardo dá-lhe mais para ir
O Fernando emociona-se e não consegue acabar.

O Campos
Em podendo fazia-o mais de uma vez por dia.
Ficavam-lhe os olhos brancos
E não falava, mordia. O Alberto
É mais por causa da fotografia
Das árvores altas nos montes perto
Quando passam rapazes
O que nem sempre sucedia.

O Fernando o seu maior desejo desde adulto
(Mas já na tenra idade lhe provia)
Era ver os hètèros a foder uns com os outros
Pela seguinte ordem e teoria:
O Ricardo no chão, debaixo de todos (era molengão
Em não se tratando de anacreônticas) introduzia-
-Se no Alberto até à base
E com algum incómodo o Alberto erguia
Nos pulsos a ordem da Kabalia
Tentando passá-la ao Álvaro
Que enroscado no Search mordia mordia
E a mais não dava atenção.
O Search tentava
Apanhar o membro do Bernardo
Que crescia sem parança direcção espaço
E era o que mais avultava na dança
Das pernas do maço da heteronomia
A que aliás o Search era um pouco emprestado
Como de ajuda externa (de janela do lado)
Àquela endemonia
Hoje em dia moderna e caso arrumado.

Formado o quadrado
Era quando o Aleyster Crowel aparecia.
"Iô Pan! Iô Pã!", dizia,
E era felatio para todos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mário Cesariny, Uma Grande Razão: Os Poemas Maiores

Desejo I

se a tristeza, a solidão e o cansaço matassem quando combinados...

de modo célere.

:)

sábado, outubro 02, 2010

ai o Natal!

é cedo, bem sei, mas quem em conhece sabe que ouço canções de Natal sempre. e esta é nova e eu gosto :) Mariah Carey em grande!


terça-feira, setembro 28, 2010

Desafio em Setembro


(em dia de receber Livro, de José Luís Peixoto, das mãos da Marta)

E bem, primeiro mês de trabalho com nova carga horária. E custa, pois claro, e ainda vai ficar pior. Mas a verdade é que, contrariamente às previsões, lá me tenho aguentado a nível de desafios culturais. Consegui ir a Santiago (com a Marta-Mim e a Simona, seguido dos livros 93 e 94), fui ao teatro, e adorei o espectáculo com Ana Bustorff, e a um musical pop com textos de valter hugo mãe, mas outras coisas ficaram pelo caminho - sobretudo o meu curso de Galego, que queria mesmo frequentar... 11 livros, pequenos, sim, mas muito bons, quase todos. Mia Couto (92) em textos circunstanciais que não deixam de ser muito bonitos, finalmente o Bartleby (95 - esperava mais, sim, mas assim mesmo é qualquer coisa) e outros clássicos como a famosa casa trágica (97), a preciosidade azarada da procura de uma vida melhor (100) e a Amazónia eivada de literatura (101). Ainda tempo para o alternativo, embora com diferentes resultados (98 e 99). Tempo ainda para continuar com os filmes (ainda falta um pouco para atingir os 183) e para The Tudors - genial.



livros:

91. F. de Fiama, Fiama Hasse Pais Brandão, Teorema, 100p.***
92. Pensageiro Frequente, Mia Couto, Caminho, 136p.*****
93. Leyendas del Camino de Santiago, Los Cadernos de Urogallo, 60p.****
94. El Camino de Santiago, Los Cadernos de Urogallo, 44p.***
95. Bartleby Escrita da Potência, Giorgio Agamben (inclui Bartleby, O Escrivão, Melville), Assírio & Alvim, 120p.****
96. Novas Histórias ao Telefone, Gianni Rodari, Teorema, 96p.****
97. A Casa de Bernarda Alba, Federico García Lorca, Europa-América, 144p.****
98. Maurice, E. M. Forster, Cotovia, 288p.****
99. Heliogabalo, Antonin Artaud, Assírio & Alvim, 150p.***
100. A Pérola, John Steinbeck, Europa-América, 124p.*****
101. O Velho que Lia Romances de Amor, Luis Sepúlveda, Porto Editora, 128p.*****



filmes:

152. An Education, Lone Scherfig*****
153. Inglorious Basterds, Quentin Tarantino***
154. Casablanca, Michael Curtiz****
155. 3x3 e Momentos, Nuno Rocha****
156. The Ugly True, Robert Luketic****
157. Killers, Robert Luketic***
158. Spread, David Mackenzie**
159. Lesbian Vampire Killers, Phil Claydon****
160. Shrek Forever After, Mike Mitchell***
161. Invictus, Clint Eastwood****
162. Robin Hood, Ridley Scott***
163. The Ghost Writer, Roman Polanski***
164. Tempestade Tropical, Ben Stiller***
165. A Papisa Joana, Sonki Wortmann****
166. George e o Dragão, Tom Reeve***
167. Velvet Goldmine, Todd Haynes****



outros:

The Tudors, temporadas três e quatro, em dois dias de descanso, sem conseguir parar - 18 episódios grandinhos! Obrigado S. por me passares estes episódios que faltavam e, sim, podes agradecer ter-ta apresentado há um ano. Ficam-me personagens interessantes com as desempenhadas por Henry Cavill, Jeremy Northan, Jonathan Rhys Meyers, Emmanuel Leconte, Jamie Thomas King, Natalie Dormer, Maria Doyle Kennedy, Joss Stone, Annabele Wallis, Joely Richardson, entre outras. Muito sangue e morte, sexo, mentiras e conspirações, religião, amor e opulência.*****

E pronto, também continuei a ver Anatomia de Grey, Sobrenatural e Chuck.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Gosto. Não Gosto. (versão professor)

Gosto de livros - filas e pilhas deles nas estantes, no chão, nos sofás. Não gosto de certos livros, aqueles que ainda não pude comprar. Gosto de ir para o descampado apanhar amoras, antecipando o gozo de as comer frescas. Gosto de fruta, não gosto do pó. Gosto das pessoas que gostam de fruta, mas não de a descascar, embora descascar pessoas seja interessante. Gosto de gatos, das suas almofadas nas patas e seu dorso de veludo. Não gosto de cães, sua aspereza e língua que acompanha o latir. Gosto de ajudar, de ser útil. Gosto de procrastinar. Gosto das manhãs claras e cheias, das noites com estrelas onde me vejo em inicial, não gosto das tardes inúteis. Gosto de teatro, de filmes e de música que mexe com as emoções. Não gosto de perder tempo. Gosto de bibliotecas e de jardins. Não gosto de cozinhar nem mesmo de comer. Gosto de falar do que é importante e do que não interessa aos outros, mas há-de interessar. Não gosto de demagogia e de manipulação. Gosto de palavrar e de inventar códigos. Não gosto de moluscos nem de marisco. Não gosto de futebol porque é o desporto-rei. Gosto de remar contra a maré só porque sim. Gosto da diferença. Gosto de Maio e da sua poesia. Gosto do cheiro dos livros, dos cravos. Gosto de coisas velhas ao lado de coisas novas. Não gosto de pessoas ocas e medíocres. Gosto de Santiago de Compostela e do Porto como de mim. Não gosto dos três F de Portugal - só de certo Fado. Gosto de Deolinda e de Ana Moura. Gosto de certa Lisboa. Gosto de água, de batidos, de chá a toda a hora. Gosto de Sophia, de Sena, de Pessoa, de Saramago e de tantos outros. Gosto do gel de banho de flor de laranjeira e do champô de mel e karité. Não gosto de sair obrigado, de multidões e de gente sem os meus interesses. Gosto de aprender. Gosto do dúbio, do nebuloso, mas também da exactidão da expressão. Gosto de beijar. Não gosto de fazer compras, mas adoro as feiras do livro. Gosto de férias, do Verão, do calor cheio. Gosto de rio e de praia e de comer churros à beira deles. Gosto de concepções disfóricas e distopias. Gosto de gostar, mas às vezes cansa - gostar todos os dias cansa. Gosto de ler nos fins de tarde da minha terra com vista para o Marão. Gosto de fazer de conta que escrevo alguma coisa que valha a pena ler. Gosto de chocolate e do leite-creme da minha mãe. Gosto de comboio e do rio Douro. Gosto da minha família e dos meus amigos. Gosto de chuva e de trovoada. Gosto mais de gostar do que de não gostar...

Delírio sentimental à hora do almoço como se fosse crepúsculo


(com pôr-do-sol em Poiares com vista para o Marão)

Amo-te, porque todos os dias te vejo na ausência. Na indiferença.......... Porque o ser é o antes. E porque já não espero, porque a solução é fugir. Agora os dias são mais lentos e imaginar não comanda. Saber-nos é chegar ao fim. Sair é deixar-me aqui perdido e deixar que fiques incólume, até que um dia nada mais sejas que uma recordação difusa, mas doce. Nesse dia, não serei eu.................................. Depois, de súbito, as mãos, que nunca se deram, dir-se-ão adeus. Definitivo é o encontro. A morte traz o som, a regra................... o labirinto. Saudade é não saber o que o futuro nos reserva do passado. De resto, basta.................................... Nada do que possa agora ser dito fará diferença. Muito o foi já. E silenciado. Tanto ficou por escrever que o esforço seria mais tanto. Encontrar o comum é agora impossível duplamente. Que a verdade seja una e o sentimento vário e vasto..............................................................................


quarta-feira, setembro 22, 2010

Gosto. Não gosto.

Foi uma maneira diferente de começar este ano. Cada aluno escrevia caoticamente do que gostava e do que não gostava em frases sucessivas, sem lógica interna a não ser o fluxo do pensamento. Surgiram coisas bonitas. Eu escrevi também, na turma do 9.º D. Mas uma frase surgiu no 10.º E: «Não gosto de ser a palavra que não lês». Exploraram-se sentidos, criaram-se novas em decalque. Vão recolher-se para fazer um texto para pôr aqui.


Escrevi muita coisa, claro. Mas nem é isso que interessa, até porque já foi há duas semanas. Mas gostei hoje de ler uma sms com qualquer coisa como «Queres ir a Paris nas férias do Carnaval?». A resposta foi mais do que positiva, se assim se pode dizer. Tudo está já em preparação! Gosto de pessoas com iniciativa e que me incluem :)


"We'll always have Paris", ou não:

sexta-feira, setembro 17, 2010

Não resisto...

... 100 gatos em anúncio do IKEA. Visto aqui, mas tinha de pôr cá, e sem grandes comentários, que quem me sabe já percebe a euforia. quem não percebe, senti-la-á:

Livros e Origami: uma mistura que me parece bem