sábado, agosto 21, 2010

Anaquim


Ante - é logo à noite, no Teatro de Vila Real. Soa-me que será muito bom :).


Post - E foi. Genial. Todas as canções, com as exigências do «ao vivo», uns novos arranjos aqui e ali, mas todas elas irrepreensíveis. «O Meu Coração» é que acabou por ficar um pouco estranho quando José Rebola, o vocalista, «encarnou» a voz de Ana Bacalhau, embora o público muito tenha apreciado. Destaque, pessoal, para a emoção de «Bocados de Mim», o ritmo de «As Vidas dos Outros» - de que, no encore, se ensaiou uma versão reggae -, de «Monstros» e «Pobre Velho Louco», entre outras. E além de todas elas, de que podem saber mais aqui ou aqui, houve ainda tempo para Zeca Afonso - «A Morte Saiu à Rua» - e um miminho: o genérico do Tom Sawyer!
E fica também uma brincadeirinha aqui.

E tudo com três das mulheres da minha vida: maninha, priminha R. e amiga da adolescência S.


Ficam dois pedaços do «Bocados de Mim» particularmente profundos (embora falte a preposição «de» que o verbo gostar exige, mas enfim...):


«mas ando pela vida feito placa de auto estrada
que ensina o caminho aos outros mas pouco sabe de si
Mas ando pela vida por ver andar meus amigos
E confesso que por vê-los nem me custa andar ai
(...)

Finjo ser a pessoa que eu quero que os outros gostem
E acabo a não ser nada que valha a pena gostar»

quinta-feira, agosto 12, 2010

Ruy Duarte de Carvalho, 1941-2010

Conheci-o nas aulas de africanas, enquanto poeta. E depois fui descobrindo alguma da prosa (Como se o mundo não tivesse leste), vi uma adaptação para teatro de Vou lá visitar pastores, descobri-o antropólogo, cineasta, enfim. Conheci-o homem no Correntes D'Escritas. E já em Lisboa, o meu orientador queria que eu o escolhesse para estudo na minha dissertação de mestrado - acabou por ser Arlindo Barbeitos, autor da mesma geração, porque conhecia já melhor e porque a professora do Porto estava a estudar já o Ruy Duarte... Falta-me ler um lista razoável de livros seus (2011 será ano para isso e não só), alguns deles que ainda não comprei, porque não são assim tão fáceis de encontrar... ou não eram - a Cotovia e as livrarias devem tratar disso agora.


R)evolucionador da literatura angolana, é um dos melhores poetas e prosadores de língua portuguesa, sem sombra de dúvidas. Falava do sul, do sal, do sol. Falava das gentes, das falas dos lugares. Falava metatextualmente, também, das palavras, das imagens. E usava os ................................................ quando não sabia mais que dizer, ou quando não era já necessário? Do pouco que li, ainda, fica:


O verão poisa nas coisas e adormece tudo.


O sal, por toda a parte.
Então pequenos lagos se acrescentam
a partir de alguma fenda original. E são taças de mar
que dão conforto ao continente agreste.


Hábito da Terra
, União dos Escritores Angolanos, p.44 e 46



Uma nova geografia se inventava em cada olhar que eu desferia, exacto, para depois consolidar as formas à custa de um moroso entendimento. (...)

Um homem nasce pobre e pobre há-de morrer. De resto nunca sabe o que vai ser. De tudo o que viu na vida, gente boa e gente má, anos bons e anos maus, João Carlos retirou duas ou três conclusões: que um homem nem sempre está onde o corpo lhe impõe estar, e o importante na vida é como estar, não aonde. Na vida de cada um há quatro vidas ao todo: sozinho dentro de si ou perto ou longe dos seus e em contacto com os outros, da mesma forma, conforme. Para além da outra vida que há-de haver depois de morto. Onde se vive uma só sem divisões ou viagens.


Como se o mundo não tivesse leste
, União dos Escritores Angolanos, p.45 e 81

quarta-feira, agosto 04, 2010

últimos escritos

Os meus mortos são mais vivos do que eu.
A ampulheta alimenta a solidão
e não há curva que me devolva.


*


Criámos asas para que o tempo fosse menos breve
inventamos máscaras para escondermos seus caminhos no rosto
e ainda assim vem ao de leve
como a mostrar-nos novo último comum posto.


*


Que o gosto a sal na minha língua
seja o meu gosto na tua.

domingo, agosto 01, 2010

Desafio em Julho


Ah, que bom ter todo o tempo por minha conta, sem dever nada a ninguém dele, ou quase - porque as férias não foram logo em Julho, mas quase. Sem fazer quase nada do que deveria, ainda fui ao Mosteiro de Tibães com os meninos do terceiro ano, passeei por Braga e pelo Porto - mas adiei Lisboa e acabei o mês em Gaia, nas mudanças da C., com uma incursão rápida mas intensa pela Feira Medieval de Santa Maria da Feira, onde adquiri o meu belíssimo pau de chuva.
Óbvio tempo para as coisas culturais. Além do Mimarte, livros e filmes. Destaque para Rui Cardoso Martins (livros 73 e 74), um escritor recente em termos de publicação de romances e que me parece que merece toda a atenção, já que estes dois primeiros títulos são mesmo muito bons e não só pelos títulos geniais. De Jane Austen não há surpresas, bom - mesmo a versão «zombie» tem o seu interesse para quem leu o original sem eles e para quem tem mente aberta para este tipo de paródia (mas gostei mesmo das últimas páginas, onde se esboça um guia de leitura verdadeiramente hilariante). Dos outros, o esperado, o inesperado (67 e 68), o neutro por falta de expectativas. Destaque ainda para o facto de ter atingido os 80 livros, que era o meu desafio deste ano...
Quanto aos filmes, estive numa de restos... Os filmes que restavam nos dvds emprestados então, ou mesmo meus (medo), os que eram mais pequenos, os que iam surgindo na tv... Destaque para Coisa Ruim, um filme invulgar no cinema português, e muito destaque para um dos melhores filmes do ano, para mim, do mesmo realizador de Revolutionary Road, Sam Mendes: Away we Go - Um Lugar para Viver, filme que faz querer ter bebés e assim... lol (hum, quem quero enganar?).

Livros:
61. Orgulho e Preconceito e Zombies, Jane Austen e Seth Grahame-Smith, Gailivro, 360p.***
62. Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen, Europa-América, 236p.*****
63. Baladas Hebraicas, Else Lasker-Schuler, Assírio & Alvim, 104p.***
64. Quatro Cavaleiros a Pé, José Saramago, Padrões Culturais Editora, 48p.***
65. O Herói das Novelas, Lídia Jorge, Padrões Culturais Editora, 48p.***
66. História do Rei Gonzalve e das Suas Doze Princesas e As Memórias de Joséphine, Pierre Louys, Teorema, 100p.**
67. Laços de Família, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 126p.***
68. Contos de Clarice Lispector, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 368p.****
69. Carta ao Pai, Kafka, Quasi, 92p.***
70. Uma Questão de Cor, Ana Saldanha, Caminho, 104p.*****
71. A Sophia, A.A. V.V., Caminho, 148p.****
72. Melancolia, António Pinto Ribeiro, Ambar, 112p.****
73. E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 216p.*****
74. Deixem Passar o Homem Invisível, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 240p.*****
75. Herbert West: Reanimador, H. P. Lovecraft, Quasi, 96p.***
76. Electra, Sófocles, CECH-FLUC/FESTEA, 94p.****
77. O Barco Aberto, Stephen Crane, Quasi, 96p.****
78. O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo, 148p.*****
79. Histórias do Bom Deus, Rilke, Quasi, 104p.***
80. A Canção de Zefanias Sforza, Luís Carlos Patraquim, Porto Editora, 160p.***

Filmes:
97. Slither, de James Gum***
98. Um Amor de Perdição, de Mário Barroso***
99. Final Destination 2, de James Wong***
100. Gremlins 2: The New Batch, de Joe Dante***
101. Transe, de Teresa Villaverde**
102. Cursed, de Wes Craven***
103. Underworld: Evolution, de Len Wiseman***
104. Memórias de uma Gueixa, de Rob Marshall****
105. About a Boy, de Chris Weitz e Paul Weitz****
106. A Minha Falsa Noiva, de Gil Junger***
107. Cidade Baixa, de Sérgio Machado***
108. Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra*****
109. Wanted, de Timur Bekmambetov***
110. In Bruges, de Martin McDonagh*****
111. Away We Go, de Sam Mendes*****
112. Prey, de Darrell Roodt***
113. O Cavaleiro das Trevas, de Cristopher Nolan****
114. Up in Smoke, de Lou Adler***
115. London, de Hunter Richards****
116. Arthur and the Invisibles, de Luc Besson****
117. Princess Protection Program, de Allison Liddi***
118. Confetti, de Debbie Isitt***
119. Miúda Insuportável, de Nick Moore***
120. The Cave, de Bruce Hunt**

domingo, julho 25, 2010

Meu dia


Santiago, meu nome, minha origem, minha cidade-lar. Metaforicamente, claro.
Porque hoje é o dia, e Xacobeo só daqui a 11 anos.




A sério, porquê? Em vez de em Setembro, devia ir já :)


sexta-feira, julho 23, 2010

Declaração

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “ Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

em tempos daquilo que podiam ser sete anos juntos, T.
em tempos de dois anos sem ti, C, depois de oito meses.
quase em tempos de dois anos de crença por ti, A.
Com o de sempre - ou quase.
T.A.

sexta-feira, julho 16, 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

De Manuel António Couto Viana nada tenho a dizer, li um ou outro poema, provavelmente, na escola, mas mais nada. Talvez um dia. Mas de Matilde Rosa Araújo ficou-me dos primeiros contactos com poesia de que gostei. Eu sei que tinha um livro dela, de poemas. E deve estar em muitos dos meus manuais escolares do segundo ciclo. Mas nada disto está comigo, aqui, mas em casa dos meus pais. Assim sendo, aproveitando a vontade escrever aqui que me deu agora, não adio mais a homenagem merecida, até porque encontrei na internet algo que não encontraria nesse livro ou manuais. Aqui fica, pela sua própria letra:


Livros que me faltam: sugestões felizes/eficazes de prendas

Na barra à esquerda deste blogue surge uma novidade: uma lista dos livros que me faltam, que me interessam, com os quais dificilmente viverei muitos mais anos :)
Claro que não estou à espera que mos ofereçam todos... nem metade. São os livros que tenciono ir comprando, mas que ficam aí, bem visíveis, para não haver as desculpas comuns: «tens tantos livros, nem sei o que te dar...», «tinha a certeza que já tinhas... por isso já trouxe o talão para ires trocar...» ou «toma o dinheiro e compra o que quiseres... ou compra e depois diz quanto foi».
À medida que os for comprando, vou suprimindo-os, provavelmente acrescentando outros. Assim não deverá haver inconvenientes, nem me comprarão a poesia de A. Ramos Rosa quando o que me interessava era ter os dois últimos livros de Mário de Carvalho, que entretanto estão à espera...
 
Ofício Cantante, Herberto Helder
Poemas, A. Franco Alexandre
O cultivo de flores de plástico, Afonso Cruz
As avós e outras histórias, Doris Lessing



Unibolso:
24, 56, 57, 69, 72, 89, 94, 111, 113.

RTP:
54, 55, 63, 75, 79,  88, 91, 92, 95, 99.


Coleção Vozes de África: n.º 4, 5, 12, 16, 18, 20, 21.

«Ficções»: n.º 1, 2, Férias, 5, Comer,  Filmes, 14, 16

terça-feira, julho 06, 2010

(omni)potência

«Vou à procura de Deus», diz o Castiel ao Dean (Sobrenatural, aos 1.30'', mais coisa menos coisa).

Reacção: «Treta, ele vem à minha procura e eu não fiz a cama... A minha reputação! Mas ainda tenho tempo»

Poema dos jacarandás da Pousada de São Vicente


As flores do jacarandá são bonitas
e ao vê-las retiro-lhes um pouco de azul
não lhes fará falta com o tempo
e com ele pinto o meu olhar de novo
pois talvez assim te veja mais perto.

E de repente neste dia de excessiva luz
são as flores que caem sobre mim
como se me imitassem no movimento.

Livro das Suspeições

domingo, julho 04, 2010

Blimunda posa para a Playboy


Na senda de colocar mulheres de idade avançada na capa, a Playboy acaba de fazer uma proposta milionária a Blimunda, a vidente do romance de José Saramago “Memorial do Convento”. Após a morte de Saramago, Blimunda, que se assume como “solteiríssima” depois de ter enviuvado de Baltasar Sete-Sóis, o soldado maneta da mesma obra de Saramago, começou a ser convidada para sessões de autógrafos, já cobra um cachet superior a Rita Pereira em eventos e até já recebeu uma sms marota de Cristiano Ronaldo. Segundo o director da Playboy, Blimunda revela uma personalidade forte, gosta de transgredir, é dona do seu destino, assume sem tabus os seus impulsos profanos, tem olhos envolventes e um dom particular - a ecovisão - que lhe permite ver no interior dos corpos os males que destroem a vida e também as verdades mais profundas que corroem o mundo e os homens, o que poderá representar um potencial erótico exclusivo e desconcertante.


João Henrique, «Inimigo Público»


Genial. Relacionados com Memorial do Convento ou outras obras de Saramago há mais, aqui.

Amizade (s)

foto da «montra» do Museu da Sé de Braga

Quem disse que a distância não permite a amizade? Eu sei que não somos Sophia e Sena, mas como eles encontramos palavras, gestos e olhares que nos unem. Assim saber-nos-emos sempre. Aprendemos já a distância e, tal como Sophia, «Sei que dificilmente existirá alguém que seja seu igual. E não me consolo destes dezoito anos de ausência que poderiam ter sido dezoito anos de convívio, de encontros, conversas, riso comum, aflições e alegrias comunicadas» (Correspondência, p.156). A distância não é tão definitiva nem tão longa, mas vai pesando já. Sobre ele, Sophia escreveu:


Através do teu coração passou um barco
Que não pára de seguir sem ti o seu caminho


Sophia, Navegações


p.s. - cantado genialmente por Ana Moura em Aconteceu (cd1 - À Porta do Fado).

Estantes

Já aqui falei da minha paixão por esta estante. E agora encontrei estas. são giras, mais economicamente funcionais. E dá para tirar umas ideias e combinadas devem ficar muito bem :)



Vistas aqui, onde há mais - muito bonitas, mas pouco práticas para quem tem muitos livros, que parece ser o meu caso. Mais exemplos aqui, também. E outros aqui, geniais.


já agora, na Avenida Central, há uma feira do livro da LivroBraga, com promoções interessantes da Asa, Cotovia, D. Quixote, Teorema e Sá da Costa. Ontem comprei 8 livros por 20 euros :). E em Lisboa (rrrrrr) a Assírio & Alvim faz a desejada feira do livro manuseado (até dia 11).

sexta-feira, julho 02, 2010

Mimarte 2010


Começa logo, no Rossio da Sé.
Fica aqui o programa deste ano, que promete ser tão interessante como foi bom o ano anterior :)

2/06. O Coche do St. Sacramento, de Prosper Merimée, pelo Teatro da Rainha (Caldas da Rainha) - no Theatro Circo, por causa da instabilidade do tempo, foi bom, mas enfim. Texto romântico com episódios burlescos que não faz bem o meu género. Cómico, hum... Mas bem feito, parece-me. ***

3/06. O Escurial, de Michael de Ghelderode, pelo Teatro Art'Imagem (Porto) - peça minimalista, psicológica, estranha, teatro para pensar no teatro, bom. ***(*)

4/06. Números Falam Por Si, de Pedro Quintas, pelo PIFH (Braga) - comédia sobre a história do dinheiro, desde a pré-história aos tempos mais recentes. Com pormenores interessantes de cenário, texto, movimentações cénicas - a ovelhinha foi do agrado geral, eu destaco o centurião romano que falava Italiano, grupo musical interessante, e tal. **(*)

5/06. As Guerras do Alecrim e da Mangerona, de António José da Costa, pelo Teatro Ao Largo (Vila Nova de Mil Fontes) - o texto é muito bom e foi melhorado com algumas referências actuais que caíram bem. Gostei, sem demasiada palhaçada - um pouco no início - melhor do que a peça apresentada ano passado. ***
6/06. O 1.º Milagre do Menino Jesus, de Dario Fo, pela Casa da Comédia (Lisboa) - se inicialmente o texto é estranho, com o retrato dos papas, o segundo momento, uma versão alternativa do nascimento e infância de Jesus, é genial. Comédia da boa, com apenas um actor (Filipe Crawford) em palco e sem cenário, assim mesmo, só texto e actor. Nota máxima, e o melhor deste ano, para já, do festival.****(*)

7/06. Cirinéu - Uma Morte Anunciada, de Fernando Palouro Neves, pelo Teatro das Beiras (Covilhã) - uma peça curta, sobre a liberdade e a justiça, sobre a revolta dos subjugados. Apesar de alguns momentos musicais um pouco estranhos, a narrativa é boa, os actores foram muito bons e as opções artísticas valorizaram inegavelmente o espectáculo - o que se pode fazer com um andaime e umas escaditas...****(*)

8/06. Vicent, Van e Gogh, de Noelia Dominguez, Ángel Fragua e Sérgio Agostinho, pelo Peripécia Teatro (Vila Real) - já conhecidos do ano passado, dos melhores no ano passado, a fasquia estava alta. paciência, pois foram novamente geniais! Em Setembro estarão em Vila Real (de onde são, e espero voltar a ver). Uma história sobre o pintor, sua vida, amigos, família, obra. O início é um delirante diálogo entre três girassóis de um dos seus quadros em leilão - e daí se segue tudo, em crescente humor, com alguns momentos para o drama. Actores extraordinários, excelentes soluções cénicas e improvisos brilhantes (devido ao vento que quase destruiu o cenário...) Uma vez mais, genial.*****

9/06. As Obras Completas de William Shakespeare (em 97 minutos), de Adam Long, Daniel Singer e Jesse Borgeson, pela Companhia Teatral do Chiado (Lisboa) - não vi, a única peça a pagar, no Theatro Circo, mas já não havia bilhetes.

10/06. Electra, de Sófocles, pela Calatalifa (Villaviciosa Odón, Espanha) - a colaboração do FESTEA com o Mimarte começou este ano com uma tragédia grega. Gostei, mas por vezes a Electra, hum... enfim. E depois, em castelhano, já se sabe... O bom é que o FESTEA oferece edições das suas peças, em Português, o que ajuda ;), História de solidão, dor, de honra e vingança, em continuação dos sucessos pós-Tróia.****

11/06. O Fulaninho de Cartago, de Plauto, pelo Thíasos (Universidade de Coimbra) - comédia latina, a fechar a tal colaboração e o Mimarte, também. Ambas as peças no Museu D. Diogo de Sousa, não sei bem porquê, uma vez que houve problemas com as luzes nos dois espectáculos, e fica mais longe... Comédia à Plauto, com alguns equívocos, mas sobretudo com muitas coincidências totalmente inverosímeis, com boas prestações (mas enfim, o principal atropelava-se um pouco).***(*)


E venham mais para o ano :) A começar mais a horas, já agora... É melhor escrever uma carta à CMB, com algumas sugestões...

domingo, junho 27, 2010

Desafio em Junho


Eu sei que posts assim enormes não têm sucesso. Whatever. Um bom mês, com as aulas que acabaram, como os exames e a preparação deles, com a sua correcção, com algumas actividades outras pelo meio. Tudo óptimo, tudo perfeito - ou seja, tudo terminado. É bom terminar fases da vida quando já se tem outra programada e já a iniciar-se, assim, fácil. Foi um bom mês também porque rendeu mais um pouco. Depois de Penélope, meu aniversário (e suas prendas geniais, novamente), do Sarau Cultural (sem Pepetela, doente entretanto mas que correu muito bem), da feira romana onde me senti grego - tudo isto ainda em Maio, decidi que ia ser um mês em cheio. E foi. Idas à Feira do Livro (Porto, pobrezita, pareceu-me), com um total de 18 livros comprados e alguns doces consumidos, almoços divertidos de amigos que voltam a ser felizes ;), de umas últimas aulas descontraídas e engraçadas (excepto nono ano, coitados), algumas tardes a dormir ao sol, nu..., discussões vãs em torno de manuais, início da (des)organização da biblioteca escolar, tardes com colegas com que não era normal conversar tanto (A.L., R.M.), concertos outra vez dos Deolinda no Theatro Circo (com direito a autógrafo e beijinhos da Ana Bacalhau) e de Mariza (com Tito Paris e Ricardo Ribeiro) na Régua, junto ao rio, a redescoberta da escrita de poemitos... De tudo isto me abstive de fazer comentários aqui, embora no meu caderninho real, de papel e escrito a caneta, o tenha feito amiúde. Assim como aqui não falei, acho, dos encontros no colégio com os escritores Ana Saldanha e António Paiva, mas isso parece que foi já há tanto tempo...
Agora é tempo de ser «irmão do lírio e da concha», como escreveu Sophia. Porque aí estão «Os dias de verão vastos como um reino».

Livros (Sophia/Sena, Eugénio, Cruz, Zafón, Peixoto - bom voltar a lê-los):

49. Os Afluentes do Silêncio, Eugénio de Andrade, FEA, 204p.****
50. Uma Casa na Escuridão, José Luís Peixoto, Quetzal, 256p.*****
51. O Ano Em Que Eu Nasci – 1983, Editora Ausência, 32p.***
52. Pedro Páramo, Juan Rulfo, Cavalo de Ferro, 120p.*****
53. O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 576p.*****
54. Biblioteca, Gonçalo M. Tavares, Campo das Letras, 200p.****
55. Os Livros que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz, Caminho, 128p.*****
56. À Sombra da Memória, Eugénio de Andrade, FEA, 170p.****
57. Rosto Precário, Eugénio de Andrade, FEA, 218p****
58. Correspondência 1959-1978, Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, Guerra & Paz, 192p.*****
59. Mar (Antologia), Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho, 190p.*****
60. Sobre a Natureza, Parménides de Eleia, Lisboa Editora, 48p.***

Filmes:

81. Craks, de Jordan Scott (um filme a muito ver e ouvir)*****
82. O Libertino, de Laurence Dunmore, ***
83. Munique, de Steven Spielberg*****
84. Elizabeth, de Shekar Kapur (my queen Cate Blanchett)*****
85. Elizabeth: The Golden Age, de Shekar Kapur*****
86. Young Adam, de David Mackenzie (McGregor no seu melhor, como sempre)****
87. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, de Andrew Dominik (que Casey Afleck espantoso!)****
88. Becoming Jane, de Julian Jarrold (porquê Anne Hathaway? Sim a McAvoy!)*****
89. Bridshead Revisited, de Julian Jarrold****
90. The Wings of Dove, de Iain Softley****
91. Reign Over Me, de Mike Binder****
92. A Jangada de Pedra, de Georde Sluizer (Diogo Infante, pois é)****
93. Sideways, de Alexander Payne****
94. Em Nome do Rei, de Uwe Boll****
95. O Rei Escorpião 2, de Russell Mulcahy***
96. Twilight, de Catherine Hardwicke***

sexta-feira, junho 18, 2010

Dos gostos, das memórias, das palavras (José Saramago)

Quem me conhece sabe da minha paixão pela obra de Saramago. E este blogue é testemunha. De como comecei, com receio, pelo Memorial do Convento no primeiro de ano de faculdade, e como de repente, em sete anos, entre muitos outros autores, li todos os seus romances, algumas crónicas e contos, muito por causa da exposição onde fui monitor, mas isso foi apenas um pretexto para ler mais em menos tempo.
Aquele primeiro romance alertou-me para outras possibilidades da narrativa e encantou-me com Blimunda, Baltasar e Bartolomeu e a profunda visão crítica sobre a sociedade religiosa, preconceituosa e fanática. Ensaio sobre a Cegueira foi lido em dois dias, num ápice de devorar o terror que se me abria numa lógica implacável (a que a peça de O Bando e o filme de Fernando Meirelles, em linguagens diferentes, dão o devido valor). Ensaio sobre a Lucidez foi-me estranho inicialmente, por questões mais políticas, mas o humano revelou-se novamente como essencial, e comoveu-me, sobretudo pela relação com o romance anterior. Pelo lado dos afectos, do amor sobretudo, tocaram-me A Caverna, com o seu cão Achado, e um outro, que li enquanto me despedia de Lisboa, História do Cerco de Lisboa, talvez um dos mais complexos, pelos planos temporais distintos, mas com uma semiótica do amor extraordinária. Jangada de Pedra pelo fantástico (também em filme), Levantado do Chão pelo realismo. O Ano da Morte de Ricardo Reis, Todos os Nomes, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, O Homem Duplicado, Caim são livros que me dizem menos, mas de que gostei, pela forma como se dão a ler. Dos últimos, abriram-me a alma A Viagem do Elefante, a fazer recordar tanto o fulgor dos tempos de Memorial, e As Intermitências da Morte, livro que recomendei a alunos e que surtiu efeito positivo, pela forma irónica e interessantíssima do tratamento do tema da morte. De Manual de Pintura e Caligrafia não gosto, e talvez por isso não queria ler Terra do Pecado - ambos antes da «revolução estilística» do autor.
Consti, os livros de poesia e as crónicas não li, só Deste Mundo e do Outro, que tem aquelas «cartas» geniais para/sobre os avós, e O Ano de 1993, que me perturbou. Nem o teatro, nada. Doutros que li, A Maior Flor do Mundo é bonito, as Pequenas Memórias tem passagens interessantes, Os Discursos de Estocolmo e A Estátua e a Pedra são fundamentais para perceber a sua obra. Dos contos, Objecto Quase é interessante, sim, mas O Conto da Ilha Desconhecida enche-me as medidas e trabalhei-o felizmente este ano lectivo com alunos do nono ano. Consti, foi-se-nos o escritor por que esperamos uma tarde no pavilhão Rosa Mota para nos autografar uns quantos livros. E tu tens aquela edição genial da Colóquio/Letras...
Borboletras, foi-se-nos o «olharem-se era a casa de ambos». E o darmos ao mesmo tempo o único autor vivo obrigatório no programa. Ficam-nos as minhas edições: a segunda e a especialíssima do Memorial, para apaixonarmos os piquenos, com o Toninho.
Marta, Patrícia, ficam-nos as memórias daqueles dias em Lisboa de curso livre - e a descoberta da verdade sobre Blimunda -, de visitas guiadas - tantas que fiz à exposição «A Consistência dos Sonhos» e vocês tiveram de ver aquela em que quase era assediado pelas senhoras demasiado atentas e curiosas - de que há provas bonitas em fotos que ainda não me chegaram.
Natacha, Su, tantos outros - o estágio, o seminário...
Rita, ficam-nos agora os livros nas estantes da minha nova biblioteca, e alguns que sei que também foste adquirindo. Gosto de saber que to apresentei e que lhe abriste o teu tempo entre fórmulas químicas e coisas estranhíssimas para mim.
Gosto-o e nada mais há a dizer. Não virão mais livros, ficam-nos estes, e chegam-nos para o que lhe merecemos. Que ela viria um dia, já sabíamos. Como veio já este ano encontrar-se com Miep Gies, Salinger, Alda Espírito Santo, Rosa Lobato Faria, João Aguiar (que ainda esteve no ano passado no colégio). Pena que este encontro seja assim, tão definitivo.

terça-feira, junho 01, 2010

Das coisas que ando a perder...


incerto apenas o teor do espectáculo, não a sua qualidade. linda madrinha :)

Desafio em Maio



Em mês de aniversário e de comunicações, com algum teatro pelo meio, com muitas mini cookies de chocolate consumidas, continuei o meu desafio. Nos filmes é fácil, da pilha que me espera e que vai crescendo apesar dos meus esforços, resgatei 17, alguns já antigos, outros estreados há pouco, dos quais destaco o belíssimo A Single Man (pelas interpretações, banda sonora, direcção artística, argumento... enfim, duas ou três mãos cheias de razões) e ainda os fantásticos Juno e August Rush e The Private Lives of Pippa Lee, num mês com muita Julianne Moore, a «buffy» e Lee Pace. Nos livros, Gonçalo M. Tavares domina, claro. Mas ainda houve tempo para Penélope, por causa do congresso, leituras fáceis, e um livro genial: A Invenção do Dia Claro, que recomendo mais que todos :). E pouco falta já para atingir os 80 livros inicialmente previstos :).

Livros:

38. A Odisseia de Penélope, Margaret Atwood, Teorema, 204p.****
39. O Senhor Kraus, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 124p.****
40. O Senhor Calvino, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 80p.*****
41. O Senhor Walser, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 46p.*****
42. O Senhor Breton, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 66p.*****
43. O Senhor Swedenborg, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 120p.*****
44. Jerusalém, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 256p.*****
45. O Prazer da Leitura (2010), A. A. V. V., FNAC/Teorema, 148p.***
46. O Diário de um Banana 3 – A Última Gota, Jeff Kinney, Vogais & Co., 224p.****
47. A Invenção do Dia Claro, Almada Negreiros, Guimarães/FNAC, 100p.*****
48. PoeMário Cesariny 2010, Assírio & Alvim/FNAC, 328p.***


Filmes:

64. August Rush, de Kirsten Sheridan*****
65. Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig****
66. Kung Fu Panda, de Mark Osborne e John Stevenson****
67. A Single Man, de Tom Ford*****
68. Madagáscar 2, de Eric Darnell e Tom McGrath****
69. Serpentes a Bordo, de David E. Ellis e Lex Halaby***
70. Soundless Wind Chime, de Kit Hung****
71. Verónica Decide Morrer, de Emily Young***
72. Irmãos Dalton, de Philippe Haim****
73. Possession, de Joel Bergvall e Simon Sandquist***
74. 500 days of Summer, de Marc Webb****
75. Chloe, de Atom Egoyan***
76. The Private Lives of Pippa Lee, de Rebecca Miller*****
77. The Women, de Diane English****
78. Juno, de Jason Reitman*****
79. Brothers, de Jim Sheridan****
80. O Sexo e a Cidade, de Michael Patrick King***

E voltou o sol


pelo menos fisicamente, lá fora.

sexta-feira, maio 28, 2010

A Neve

depois da chuva, a neve. em pleno mês de Maio :)
esta noite, enquanto há feira romana (à qual voltarei), recriando contos de Vergílio Ferreira, a saber: «O Encontro», «A Palavra Mágica», «A Fonte», «A Galinha» e «A Estrela». espectáculo pelo Teatro das Beiras, no sítio do costume.

terça-feira, maio 25, 2010

quinta-feira, maio 20, 2010

palavras


As reflexões sobre estes e outros temas/motivos aparecem por vezes eivadas de «lugares-comuns» e caracterizadas como «óbvias» - mas o que é «lugar-comum» e o que é «óbvio» depende tão-só de quem lê e da sua experiência de leitura do mundo. Por vezes, também o «óbvio» tem de ser evidenciado, e quantas vezes não será ele encarado como «óbvnio»? Também o amor, ao de leve, a felicidade, o tempo são temas que vão surgindo. Mas o tema principal, ou o que mais interessa ao narrador, é o da criação artística, associado à leitura. A leitura como salvação e evasão, a escrita como entretenimento (de si, para os outros), como catarse - «A minha vida está cheia de erros que me levam à escrita. Sou dependente das palavras para colmatar um vazio lúcido que me habita» (PAIVA, 2010, p.131), como compromisso, como libertação.


Mas Penélope é ainda uma presença ausente, feita de subtilezas, de retiros, de silêncios. Ela tem um lugar só seu onde se recolhe e se protege de todos, [...]. Parece isolar-se cada vez mais em si mesma ao longo dos anos, não se interessando com o que os homens vão fazendo na sua casa: delapidando a sua fortuna e dormindo com as servas. É quase vagueante, discreta, despojada, reduzida ao essencial, remetida ao seu interior, quase se destruindo perante a contemplação de uma felicidade que já teve e que está agora ausente da sua vida.

terça-feira, maio 18, 2010

sem título

É agora que dizemos os últimos tempos
habituados que estamos a calendários
onde os dias se passam na lentidão da noite
na rapidez trabalhosa das tardes.
Talvez de manhã entre a solidão e a morte
possamos ver-nos inteiros e divididos
do nosso destino de notas comuns
de mão puxando com a outra mão a outra mão
que se desampara entre os números
onde vamos marcando o dia o seguinte
em contínuo antecipar e retomar do tecido
onde nos construímos mão na mão.
É agora que abrimos os pulsos ao vento
para com o seu sangue sabermos de nós
num futuro que se ligará a hoje para sempre.
É agora o tempo de dizermos o interdito
o caroço do pêssego a constituição do gesso
as palavras nele gravadas a cinzel.
Se nos perdemos foi do tempo de chuva
que erodiu os gestos, afogou as palavras.
Que nunca o tempo por ti passe assim
com sua raiz alicerçada na morte e no medo.
Os dias que poderiam ter sido nossos
Sê-lo-ão de leve nas páginas escritas
Mesmo que inventadas pelo imenso tempo
Que - de repente - se abre entre nós.

de Livro das Suspeições

terça-feira, maio 11, 2010

para quem vê


Dizem que de fora se vêem melhor as coisas. Parece que sim. Ou pelo menos os que vivem um pouco mais fora da minha vida viram. É que por vezes torna-se-me difícil disfarçar. Alunos do oitavo ano perguntaram-me se estava doente. Um colega de Português um pouco mais distante preocupou-se e questionou-me se estava tudo bem, e uma outra, da mesma área, se eu tinha dormido bem. Mas aqueles que realmente importam não notam, não se interessam ou não questionam. E ainda bem, porque não gostaria de falar-lhes de vida e morte, estadias e partidas, viagens eternas. Até porque as certezas são tudo o que não tenho.


Estou doente, sim, mas isto passa. E tenho dormido muito bem, estranhamente. Acho que é já uma certa aceitação. Valham-nos os girassóis. Porquê? Não sei, mas são bonitos e gosto de vê-los. Ou talvez porque ver de frente o sol nos cega - embora eu já tenha perdido as pretensões a ser o sol de quem quer que seja.

segunda-feira, maio 10, 2010

Procura-se



companhia da peça de ontem no Theatro Circo, trilogia José Rubem Fonseca.



Tem altura, ficou ao meu lado e pareceu-me bem interessante :)




p.s. - no único momento interactivo da peça, uma personagem pergunta-me, sim - a mim, se não concordava com ele sobre as virtudes e benefícios da masturbação. Eu concordei, pois claro ;)

sábado, maio 08, 2010

súbita audição do eu 6 (final)

«My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I walk alone»

Green Day, «Boulevard of broken dreams»

«There are many things that I would like to say to you
But I don't know how»

Oasis, «Wonderwall»

quinta-feira, maio 06, 2010

súbita audição do eu 5

But I just feel too tired
To be fighting
Guess I'm not the fighting kind

Where will I meet my fate?
Baby I'm a man, I was born to hate
And when will I meet my end?
In a better time you could be my friend

Keane, «A Bad Dream»

terça-feira, maio 04, 2010

Súbita audição do eu 4

«And you already know
Yet you already know
How this will end»

Devotchka, «How it ends»

segunda-feira, maio 03, 2010

dois selos e um carimbo ____ ou ____ Deolinda

Novo disco dos Deolinda. E é lindo - pois do que se esperava? «Um Contra o Outros» é o cartão de visita, embora já se conheçam dos concertos as canções «Quando Janto em Restaurantes» e «Entre Alvalade e as Portas de Benfica» - duas das minhas favoritas, com a outra. Mas gosto de todas, sem excepção. Destaque ainda para «A Problemática Colocação de um Mastro», genial no género «Movimento» com uns traços de música de marcha popular, «Passou por mim e sorriu» ou «Fado Notário» (fala-se me focinho, vale a pena)... «Entre Alvalade e as Portas de Benfica» é a que para já mais me «obriga» a carregar no play. Fica o vídeo original, as outras músicas facilmente se encontram no sítio do costume. Ou à venda - as ilustrações de João Fazenda também convencem :)

quinta-feira, abril 29, 2010

Desafio em Abril



O desafio continua, sempre. Entre as mil solicitações, as leituras têm andado... com textos pequenos. Faz-se o que se pode. De Penélope (28) - que me irá ocupar em breve (onde aprendi a escarificar e que o «acto perfeito da entrega e do amor, o difícil limite a alcançar, era escrever um livro em comum, um livro de literatura em que romance e mito se fundissem»p.34), à melhor poesia de 2009 reunida numa edição de ajuda humanitária (29), às aventuras que me acompanham desde sempre (30), a um filme que vi e que descobri ser de um livro, onde as linguagens se distanciam e se complementam para contar uma história de esperança, perserverança e amor num longo domingo que se prolonga na memória de Mathilde - e agora na minha (não andará aqui um pouco de Penélope?), para além da guerra (a primeira), dos quadros, dos gatos (31), ao «Bairro» de Gonçalo M. Tavares - os outros livros ainda esperam mas serão em breve, e aqui também se falará deles (33-36) -, à imperfeição assumida que apresentarei na FNAC em breve (32), ao ensaio sobre Cesário (37)... Muitos filmes, sim, que são mais fáceis de incluir no tempo e no intervalo do cansaço. Até breve, que outras coisas me esperam.

livros:
28. O Regresso de Penélope, António Vieira, Colibri, 154p.*****
29. Resumo. a poesia em 2009, Assírio & Alvim e FNAC, 168p.****
30. Uma Aventura no Pulo do Lobo, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 212p****
31. Um Longo Domingo de Noivado, Sébastien Japrisot, Asa, 240p.****
32. Livro Imperfeito, António Paiva, Edições Ecopy, 208p.***
33. O Senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 88p.*****
34. O Senhor Henri, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 98p.****
35. O Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
36. O Senhor Juarroz, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
37. Um Ramalhete Para Cesário, Stephen Reckert, Assírio & Alvim, 104p.****


filmes:
45. Into the Wild, de Sean Penn***** (profundo, não recomendado a gente sem paciência)
46. O Perfume, de Tom Tykwer***** (belíssima adaptação do livro, vale a pena)
47. À Procura da Felicidade, de Gabrielle Muccino****
48. A Noiva Cadáver, de Tim Burton***** (como demorei tanto tempo para ver este filme? linda visão sobre a morte e sobre o amor)
49. Submerged, de Anthony Hickox**
50. Beowulf, de Robert Zemeckis****
51. Marie-Antoniette, de Sofia Coppola***** (com os sem all stars - eu vi ;), no guarda-roupa dela, um grande filme com Kirsten Dunst)
52. The Condemned, Scott Wiper***
53. Eastern Promises, de David Cronenberg****
54. Caos Calmo, de Antonello Grimaldi****
55. Nine, de rob Marshall**** (menos tempo e mais Nicole, tinha sido bom)
56. Disturbia, de D. J. Caruso***
57. Orgulho e Preconceito, de Joe Wright***** (oh meus Deus, como não tinha visto antes? quase tão bom como Expiação! Keira e Matthew impecáveis)
58. O Véu Pintado, de John Curran***** (como se inveja um homem como Edward Norton assim, aqui)
59. Macht Point, de Woody Allen**** (desilusãozita - mas a minha amiga Scarlett compensa)
60. O Rapaz do Pijama às Riscas, de Mark Herman***** (muito interessante, a ver sem falta)
61. O Laço Branco, de Michael Haneke****
62. Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky***
63. Bem-Vindo ao Norte, de Dany Boon***** (impecável para dar umas boas gargalhadas com nível)

outros:
Ensaio Sobre o Medo, pelo grupo Artes Cénicas (Outurela - Carnaxide).

quinta-feira, abril 15, 2010

soltos, em viagem...

Tenho pena da perfeição que não tenho - no duplo sentido - de não o ser, de não ter ao meu lado.


****
Fraga

O cheiro é o da terra
que floresce
em árvores brancas
e rosas de apenas cor.


****
O suicida foi quem
não esperou

a vida parecia
ter horas a mais

****
só dois motivos
um que não é o é
outro que o virá a ser

domingo, abril 11, 2010

súbita audição do eu 3

(assim mesmo, a versão longa e não a comercial que também anda por aí...)

«So I hid my soiled hands behind my back
Somewhere along the line I must've gone off track with you
(...)
Well, excuse me, guess I've mistaken you for somebody else,
Somebody who gave a damn,
Somebody more like myself.»

Jewel, «Foolish Games»

sábado, abril 10, 2010

súbita audição do eu 2

«I wonder if this grief will ever let me go
I feel like I am the king of sorrow
(...)
I suppose I could just walk away
Will I disappoint my future if I stay»

Sade, «King of Sorrow»

sexta-feira, abril 09, 2010

Súbita audição do eu 1

«and I'm so lonely I don't even want to be with myself anymore»
Dido, «Honestly OK»

quinta-feira, abril 08, 2010

Anaquim

Uma novidade para mim, uma banda em condições, aí abaixo acompanhada por Ana Bacalhau :), em «O meu coração». Para ouvir com atenção todo o disco, com destaque para «A Vida dos Outros» - tudo tão simples quando é a vida alheia, e eu tão miserável -, «Lusíadas», «Bocados de mim», «Monstros», com algumas referências histórico-literárias interessantes. Muito bom, mesmo em termos musicais - que será talvez o mais importante. A ver em breve :)

quarta-feira, abril 07, 2010

Barcelona

De Tossa del Mar a Barcelona, de Calella a Monserrat. Os primeiros dias de férias da Páscoa. Com os alunos. A minha Barcelona não é a mais conhecida. É esta, na voz de Jewel. Nem sequer esta, como amostra turística. Ainda bem que vi antes o Vicky Cristina Barcelona. E Carlos Ruiz Zafón me esperava ainda com suas histórias de Barcelona no inicio do século XX. Porque não fui para a ver, nem para a viver. Apenas passei por lá. Se houver uma próxima vez, pode ser que com amigos e com tempo as coisas sejam diferentes.

Tossa del Mar

Barcelona

Calella

Monserrat


"But if you could hear the voice in my heart it would tell you
I'm afraid I am alone
Won't somebody please hold me, release me"

Jewel, «Barcelona»

terça-feira, março 30, 2010

Maria Alexandre Dáskalos

Não poderás saber
que foste a breve primavera
depois de um longo inverno.
Não poderás saber
que os deuses repararam em nós
e como pagãos dançámos.
Não poderás saber
que os sonhos se espelharam
...................................em mil sóis.
E, assim não viste as pétalas
.......................da flor na bandeja do chá.

Maria Alexandre Dáskalos, Jardim das Delícias, p.44

V

contra vários indicadores
vontades do momento
e outras descoisas


chegou o quinto aniversário deste sítio.

quinta-feira, março 25, 2010

Desafio em Março


O desafio continua em bem. alguns livros - mas todos bons desta vez. coisas pequenas, pois é a velha história: o tempo voa-me mais nos finais de períodos lectivos, então se seguidos de viagens com os alunos... Ainda assim, voltei aos meus africanos - finalmente a poesia de Ondjaki, que me encheu as medidas mais do que Luandino («E Lengalengenu falou em quimbundo; e Kibaia Kinene tinha falado em latim; então viram todos que isso era sinal para pelejarem» p.12) e M. A. Dáskalos, suave. De Garrett a novidade já não me é grande, mas gostei da organização de Paula Morão e de o reler («Ao infinito não se chega, porque deixava de o ser em se chegando a ele» p.81), tal como do estudo de Carlos Reis, precioso para as aulas que ando a dar, mas nunca tinha lido Adolfo Bioy Casares, e foi uma agradável descoberta («já não estou morto: estou enamorado» p.40 ou «na solidão é impossível estar morto» p.65). Outras boas descobertas foram À Espera de Godot - à espera há imenso tempo («Estragon: E se nos enforcássemos?/Vladimir: Mmm. Depois ficávamos com tesão!/ Estragon: (muito excitado): Tesão?» p.25) e A Sombra do Vento, um livro irrepreensível, sobretudo porque gira em torno do mundo dos livros («Criei-me entre livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.» p.12). Referência ainda para a interessante antologia de Luísa Dacosta, embora as suas introduções, por vezes, façam corar de sentimentalidade infantilizante e para os textos sobre Sophia que acompanham a edição especial que a Asa publicou.
Tempo ainda para ver alguns espectáculos e filmes. Está tudo por aí, no blogue. De desafio a sugestões, é só escolher.

Livros:

16. A Guerra dos Fazedores de Chuva com os Caçadores de Nuvens (Guerra para crianças), José Luandino Vieira, Caminho, 28p.****
17. Flores sem Fruto e Folhas Caídas de Almeida Garrett, Paula Morão, Editorial Comunicação, 132p.****
18. A Invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares, Antígona, 128p.*****
19. De Mãos Dadas, Estrada Fora, Luísa Dacosta, Asa, 160p.****
20. Jardim das Delícias, Maria Alexandre Dáskalos, Caminho, 56p.***
21. Introdução à leitura d'Os Maias de Eça de Queirós, Carlos Reis, Almedina, 184p.*****
22. A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote, 512p.*****
23. actu sanguíneu, Ondjaki, INALD, 20p.(?)***
24. Há prendisajens com o xão, Ondjaki, Visão/Caminho, 72p.*****
25. Materiais para confecção de um espanador de tristezas, Ondjaki, Caminho, 88p.*****
26. À Espera de Godot, Samuel Beckett, Cotovia, 128p.*****
27. Dez textos mais um para Sophia, A.A. V.V., Asa, 16p.****

Filmes:

30. Viúva rica solteira não fica, José Fonseca e Costa***
31. The Uninvited, Charles Guard e Thomas Guard***
33. Beetle Juice, Tim Burton****
34. Pee-Wee's Big Adventure, Tim Burton***
35. What Happens in Vegas, Tom Vaughan****
36. Valkyrie, Bryan Singer**
37. The Wrestler, Darren Aronofsky****
38. Gremlins, Joe Dante****
39. Aparelho Voador a Baixa Altitude, Solveig Nordlung***
40. In the Land oh Women, Jon Kasdan****
41. Definitely, Maybe, Adam Brooks****
42. Do Começo ao fim, Aluisio Abranches****
43. Alice no País das Maravilhas, Tim Burton****
44. Frequently Asked Questions About Time Travel, Gareth Carrivick****

domingo, março 21, 2010

Dia dela

porque não há amor este ano
porque nada se renovou

não há nada que dizer hoje.


fica apenas a referência a um artigo que li entretanto na revista «Única», «Traga a poesia para a sua vida». A ideia principal é que a poesia salva, a poesia regenera, a poesia é catártica. Tudo bem. É isto e tudo o mais que quisermos que ela seja. Os meus meninos lá da escola que o digam :)
Hoje o Câmara Clara é sobre o assunto.

Pigmalião

Pigmalião e Galateia (1890), de Jean-Léon Gérôme


Estar em estado vegetativo, daquele em que o torpor não me deixa nem assoar, o ranho invade a almofada e humidifica-me (bom, não exageremos...), não me impediu de ir ver Pigmalião. Com óculos 3d, pois então! Posso não ter feito mais nada útil este fim-de-semana, depois da reunião de avaliação, mas não interessa. A inutilidade é-me muito querida, por vezes. E este profundíssimo cansaço dos últimos dias, que me tem feito ir para a cama antes da hora que os meus imaginários e impossíveis filhos tivessem de ir. E o acordar mais cedo que os padeiros para fazer o que devia ter sido feito de véspera...


Mas o Pigmalião é que interessa. Vê/veja se puderes/puder. O texto é de Pedro Mexia, a encenação de Marcos Barbosa, do Teatro Oficina. O público pareceu ficar surpreendido por ser tão pequeno, e ri-me como um TUlinho porque a maior parte das pessoas usou os óculos 3d em todo o espectáculo - quando era só para os dois momentos de vídeo... Eu gostei, e muito. Sobre Pigmalião, e sua Galateia, há mais aqui.

sexta-feira, março 19, 2010

Cansado

de acordar às cinco da manhã espontaneamente, porque me deitei às oito ou assim, para acabar de corrigir testes. das reuniões que começam amanhã. de barcelona, que vem, - ou vou eu - , dia 25. de adiar artigos. de cultura: Auto da Barca do Inferno e Frei Luís de Sousa foram dose. com os alunos. era para ir a um concerto da Gulbenkian na Sé. acho que vou ficar por casa mesmo.

quinta-feira, março 18, 2010

Confissão de ódio

Uma série infinita de livros nas minhas paredes, com as suas mil vidas diferentes de cada vez que se as lêem, não chegam para mitigar a solidão de ti.

domingo, março 14, 2010

Um beijo em forma de letras, Célia

Acordam-me os tempos da morte num sufoco que não controlo até ao fim de dez minutos. Depois, como a vida não me espera, rápida devoradora de instantes que a memória não retém, readormecendo sem saber em que mundo acordarei a seguir. Se é que posso usar «acordar» como metáfora.


Escrevi isto enquanto vigiava teste, sem saber. Quando soube pensei em ti, como sempre. Desculpa não estar aí quando precisas. Mas sabes que tens em mim um pilar, uma concha, o que for preciso. Ainda te falo logo. Embora nestes casos nunca se saiba o que dizer.

Jamie Baum Septet

Foi ontem, no Theatro Circo, em Braga - como vai sendo costume, para mim, agora. E apesar de não conhecer, gostei bastante. Mais ainda por ter sido por convite - bilhete ganho aqui. Fica aqui uma ligação para uma das músicas que tocaram. Venha o seguinte.

quinta-feira, março 04, 2010

Barcelona


é onde me poderão encontrar no final deste mês :)

terça-feira, março 02, 2010

Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal

é um dos meus poemas favoritos, mais que muitos, e ainda não aqui estava. emendo-me. acompanho-o com a ligação a um artigo sobre ele. para ler muitas vezes. a «continuação» de Sena fica para outra oportunidade.


Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia, Mar Novo (1958)

p.s. - é mesmo para colocar numa das paredes, em grande, cá na «casota» de Braga.

segmentos

há um segmento muito bom. Começa com os anjos, segue-se com estes em pranto, depois o desvanecimento (acima) de que talvez nem haja notícia e conclui-se com a dúvida e o desejo.

e depois ainda há isto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

No CDDS, em breve...

Pois está para breve, pelos vistos, a visita de António Paiva para uma sessão de poesia acompanhada de chá. Depois dos momentos com João Aguiar, Ricardo Araújo Pereira, Nuno Crato, Fernando Pinheiro e Richard Zimler (os autores que cá vieram desde que eu cá estou também), avizinham-se também Ana Saldanha e José Luís Peixoto. Uns interessam-me mais do que outros, naturalmente, mas deste António Paiva não tenho qualquer expectativa. Li, com os meus colegas, alguns poemas para ver se valia a pena e a opinião foi unânime: sim. E pronto. Fica aqui o poema, dos poucos que cheguei a ler, de que gostei mais, não pela originalidade, que será pouca, mas pela convocação de elementos muito do meu agrado:
Os meus ouvidos são búzios
onde o mar esconde o rumor das suas ondas.

pseudometenojismos

E já está a recensão. Veremos se sai... nunca fiz uma com este objectivo, ser publicada, muito menos de uma obra de arte. O que saiu em livro, finalmente, foi o livro com as comunicações do congresso de 2008 Mundos em Diálogo - Direito e Literatura. O lançamento é dia 3 de Março, em Lisboa.


Aqui fica o poema que transcrevi na íntegra na recensão:

Há quem dê erros de ortografia da direita para a esquerda e há quem os dê seguindo os ponteiros do relógio. Como havia Ulisses de se enganar na letra, já que os reis podem revogar a ortografia, além de que a tinta (a que havia), era vermelha e não azul, sendo que dez anos mais dez anos são vinte anos, contados gota a gota? Depois que tudo aconteceu, que importa saber se o homem era Ulisses ou Odysseus, ele que usou muitos nomes, dos quais NINGUÉM talvez fosse o verdadeiro?

Arménio Vieira, O Poema, a Viagem, o Sonho, Lisboa: Caminho, 2009, p.54

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Desafio em Fevereiro


aproveitar algum tempo, que não tenho no momento, mas não me apetece ir acabar a recensão crítica a Arménio Vieira, que já devia estar pronta, nem pensar nos artigos e resumos que tenho de fazer e cujos prazos estão a acabar. Apesar de tudo, estou contente porque comprei, por uma pechincha, uma edição especial de/sobre Sophia. e por isso, o desafio aqui fica.

dos livros, voltei a Raul Brandão, que muito aprecio, desta vez a textos apenas publicados em jornais, recolhidos em Sonhos - pena as gralhas... - («o coração batia-me como se me doesse um amor perdido», p.179), segui para o Herbário, que tem poemas muito bonitos, acompanhados de ilustrações de igual teor; com Eugénio de Andrade passei por A Cidade de Garrett, que mostra a genialidade do poeta e da cidade e suas gentes («Um poeta, quando é grande, é sempre o maior para quem faz sua a poesia dele», p.40), demorei os olhos nas aguarelas de Gunter Grass, mergulhei no mundo criado por Rosa Lobato Faria («gosto da ideia de construir a minha morte como construí a minha vida», p.24), que perdemos recentemente, li fascinado O Poema, a Viagem, o Sonho e estou ainda em O Homem Duplicado, entre outros que não acabarei este mês, provavelmente, com tantas actividades que tenho tido :)


9. Sonhos, Raul Brandão, Independente, 192p.*****
10. Herbário, Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, 60p.*****
11. A Cidade de Garrett, Eugénio de Andrade, Fundação Eugénio de Andrade, 76p.*****
12. Com Aguarelas, Gunter Grass, Editorial Notícias, 210p.****
13. O Prenúncio das Águas, Rosa Lobato de Faria, Asa, 216p.*****
14. O Poema, a Viagem, o Sonho, Arménio Vieira, Caminho, 132p.*****
15. O Homem Duplicado, José Saramago, Caminho, 320p.****

filmes:

13. Bruno, de Larry Charles (por favor)**
14. Anticristo, de Lars von Trier (enfim... já fez melhor)***
15. Quem és tu?, de João Botelho (hum...)****
16. Romance, de Catherine Breillat (pois é...)*
17. Precious, de Lee Daniels (finalmente algo bom)*****
18. A Dúvida, de John Patrick Shanley (grandes desempenhos)*****
19. A Bússula Dourada, de Chris Weitz (grande e bela Nicole)****
20. Ágora, de Alejandro Amenábar (vibrante)*****
21. Calígula, de Bob Guccione (por favor outra vez...)***
22. Baise-Moi, de Virginie Despentes (idem aspas mais grave)*
23. Orlando, de Sally Potter (pormenores...)****
24. The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gillian (intrigante)****
25. Premonição, de Mennan Yapo (bom para o género)****
26. Chovem Almôndegas, de Phil Lord e Chris Miller (espectacular)*****
27. Vestida para casar, de Anne Fletcher (K. Heigl, linda)****
28. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (muito bom)*****
29. O Pacto, de Renny Harlin (está bem)***

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O livro do desassossego


já foi há uns dias valentes, mas enfim. e depois de me perder no Porto, mais uma vez (já não conheço a minha cidade de cinco anos), lá cheguei a tempo à Casa da Música.


o concerto, com a M. e o J.P. foi interessante, apesar do sono. a partir de excertos de do livro referido de Pessoa, o espectáculo foi construído com a orquestra Remix Ensemble, que executou uma composição de Michel van der Aa, a representação/voz de João Reis, encarnando Bernardo Soares, e um vídeo, com vários actores, entre os quais o mesmo João Reis, e a presença de Ana Moura, que cantou duas ou três vezes, pasme-se, excertos de O Livro do Desassossego (e lá apareceu no palco, no final, para aplaudir o espectáculo e receber o seu mérito também).


sem haver propriamente um fio condutor, a não ser a tentativa de mostrar as várias vertentes da personalidade de Bernardo Soares, o espectáculo versou reflexões sobre Lisboa, moral e sociedade, amor e solidão, numa espécie de «puzzle» que imita o próprio labirinto que é a obra impressa.


para concluir, uma frase exemplificativa, pessoal: «Que coisa morro quando sou?» ou, como diria eu, mais prosaicamente, «Que coisa sou quando morro?».

domingo, fevereiro 14, 2010

sábado, fevereiro 06, 2010

Ana Moura - seguimento

E já foi. Muito bom, na minha estreia no Theatro Circo, que, diga-se, é muito bonito. Pequeno, mas bonito. Ao contrário da fadista´: grande, muito grande, mas igualmente bonita, muito elegante no seu vestido prateado da primeira parte que mudava cores, reflectindo-as, de acordo com as luzes, e no seu vestido vermelho da segunda.
Elogios ao teatro, à cidade, ao clube de futebol (estava presente o guarda-redes). E idas ao palco: duas fãs, que cantaram muito bem, e o tal guarda-redes, que cantou muito mal... Mas foi muito bom.
Cantou, entre outras, com muito sucesso:



E a nova canção também funcionou muito bem. Só faltou mesmo o «Fado das Horas Incertas», mas o espectáculo era mais voltado para o novo álbum, como faz sentido. Simpática, divertida, profunda, extraordinária. Com um voz admirável e interpretações que não querem comover, mas comovem à mesma:


E esta terça, na Casa da Música, lá nos encontraremos outra vez, mesmo que só no vídeo...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Conselho


Corre como o vento;
...........Sê imponente como uma floresta;
Devasta como o fogo;
...........Fica quieto como uma montanha.
Sê impenetrável como a noite;
...........Sê agil como o trovão ou como o relâmpago


Sun Tzu, A Arte da Guerra, Famalicão: Quasi, p.44

Ana Moura

é já amanhã, no Teatro Circo. :)

O que me fez apaixonar à primeira audição:



O que me fez fazer juras eternas (ao vivo, não com muita qualidade, mas enfim):

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Tenho uma Hello Kitty

Isto era a Hello Kitty para mim, desde sempre: horrível. Uma gata que não é gata - e bem se sabe como sou louco por gatos. E sem boca - como lançar então miados ou beber o leitinho? Enfim... uma destas camisolas da Cão Azul ficar-me-ia a matar (a matar não foi escolhido ao acaso):



Agora as coisas não mudaram. Ou só um pouco. Devido à minha paixão por gatos, ofereceram-me uma. Tolinhos, enfim. Mas ao menos escolheram uma que não parece a Hello Kitty: disfarçada de gato amarelo tigrado - os que aprecio mais -, com uma espécie de pele protectora que a envolve quase toda (tapa o laçarote, com um certo jeito), com o carapuço com um focinho de gato também.


Podia ser pior...

A ver

Caramel - grande cena de uma conversa dela e as respostas possíveis dele. Um ele que não é o mesmo com quem ela fala. lindo!

Atonement - a melhor cena final de um filme. De sempre. Quem vir o filme todo percebe melhor. Com casa na praia, T., e tudo. Muito mais paradisíaco do que poderias pensar, o verdadeiro Paraíso: nem sempre o espaço é determinante. Às vezes basta ser.

faz amanhã uma semana

(finalmente)

o Mestre apanhou o comboio de regresso.

domingo, janeiro 31, 2010

Desafio em Janeiro


já escrevi aqui que este ano seria mais modesto nas minhas ambições de leitura este ano. 80 livros. Para poder ver mais filmes, sair mais, fazer outras coisas. Bom, não é interiamente verdade, porque o que se promete nem sempre se cumpre (de 100 previstos li 120, no ano passado), e a quantidade nem sempre é proporcional à qualidade: dos livros e da minha capacidade de os entender... já para não falar de tamanhos. e por outros motivos que não me apetece agora referir.

assim, este mês foi bom. Oito livros lidos, doze filmes vistos. Nada mais (ouvir música em casa, muito, não conta).
a saber, dos livros lidos: Lídia Jorge com um romance muito bom («esse dia glorioso de quase três meses»p.171); insatisfação e paixão crescentes que não levam a nada, no livro de Tom Perrotta («Cada vez mais, os dias da semana pareciam fundir-se como lápis de cera esquecidos ao sol»p.19); por dever escolar, Ana Saldanha, numa relação ficção/verdade muito interessante e com muitas potencialidades de exploração educativa; a brevidade de livros escolhidos para esperas em acções de formação e transportes - Sapho («Medo desse vazio tão cheio»p.7), Blaise Cendrars, Sun Tzu (As Quatro Estações/Não têm/ Estação definitiva»p.40) - ; Os Verbos Auxiliares do Coração como a desilusão de um romance com um título tão promissor (enfim, não é assim mau, mas o título é mesmo bom - «Sinto-me desenraizado, porque eu próprio sou a raiz»p.53); o exagero da vida e da morte em Apollinaire...

1. Pecados Íntimos, de Tom Perrotta, Bico de Pena, 360p.*****
2. O Romance de Rita R., de Ana Saldanha, Caminho, 200p.****
3. Sapho, de António Manuel Esquível, Colares, 32p.***
4. Poesia em Viagem, de Blaise Cendrars, Assírio & Alvim, 180p.***
5. O Vale da Paixão, de Lídia Jorge, BYS/LEYA, 190p.*****
6. Os Verbos Auxiliares do Coração, de Péter Esterházy, Caminho, 136p.***
7. As 11000 Vergas, de Guilhaume Apollinaire, Ramo de Ouro, 192p.**
8. A Arte da Guerra, de Sun Tzu, Quasi, 96p.***

E nos filmes:

1. Admitido, de Steve Pink***
2. Caramel, de Nadine Labaki****
3. A Valsa com Bashir, de Ari Folman*****
4. Letra e Música, de Marc Lawrence***
5. Elas Não Me Largam, de Mark Helrich***
6. Little Children - Pecados Íntimos, de Todd Field (com a fantástica Kate Winslet, Patrick Wilson e Jennifer Conelly)*****
7. Dorian Gray, de Olivier Parker***
8. Entre Lençóis, de Gustavo Neeto Roa****
9. Igor, de Anthony Leondis*****
10. Up, de Pete Docter e Bob Peterson*****
11. A Condessa, de Julie Deply****
12. Perfect Stranger, James Foley,***

segunda-feira, janeiro 18, 2010

dúvidas

Para que me meto nestas alhadas?

Eu, que quero ser um homem simples? Novo?


E porque tenho de comprar 27 livros de uma vez, mesmo que em saldos e tal?