terça-feira, maio 31, 2011

Desafio: 05

Zeus, o que foi este mês... Tantos testes, Sarau Cultural, apresentações de manuais, os Stomp, a escrita de dois artigos, as aulas pelo meio, a Feira Romana, uma peça de teatro (Transit)... Foi um mês esgotante, para além do meu aniversário. Feio, porco e mau, é assim que me sinto agora :) Mas Junho vai ser melhor!
Aqui fica, como sempre, o que de cultural me passou pelos olhos, destacando a beleza das crónicas de Miguel Sousa Tavares (42), do reconto de uma história popular por Alice Vieira (45), a ironia e brincadeiras literárias Urbano Bettencourt (50), e os ensaios, os meus livros favoritos deste mês, de Michael Onfray sobre a viagem (43) e de Sophia sobre o nu na arte clássica (51).

Livros:

39. Astérix – O Pesadelo de Obélix, R. Goscinny e A. Uderzo, Meribérica/Liber, 50p.***
40. Efeito Borboleta e Outras Histórias, José Mário Silva, Visão, 172p.***
41. O Prazer da Leitura (2011), vários, Teodolito/FNAC, 122p.*****
42. Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, Miguel Sousa Tavares, Bis/Leya, 192p.*****
43. Teoria da viagem (uma poética da geografia), Michael Onfray, Quetzal, 128p.*****
44. Onde Estás, Fátima Rolo Duarte, Oficina do Livro, 140p.**
45. Leandro, Rei da Helíria, Alice Vieira, Caminho, 116p.*****
46. Entre lençóis, Cândido de Figueiredo, Tinta da China, 120p.***
47. O pauzinho do matrimónio, Anónimo, Tinta da China, 176p.***
48. 351 Tisanas, Ana Hatherly, Quimera, 132p.***
49. O Mestre, Ana Hatherly, Quimera, 136p.***
50. Que paisagem apagarás, Urbano Bettencourt, Publiçor, 192p.****
51. O Nu na Antiguidade Clássica, Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho, 130p.*****

Filmes:

81. Predators, Nimród Antal***(*)
82. Megamind, Tom McGrath***(*)
83. Holy Water, Tom Reeve****(*)
84. Wild Target, Jonathan Lynn****
85. A maior flor do mundo, Juan Pablo Etcheverry*****
86. Dia Triunfal, Rita Nunes****(*)
87. Uncertanty, Scott McGehee e David Siegel****
88. Buried, Rodrigo Cortés****
89. Winter's Bone, Debra Granik***(*)
90. Monsters, Gareth Edwards****
91. Monster House, Gil Kenan*****
92. 9 Songs, Michael Winterbottom**

domingo, maio 29, 2011

Stomp no Porto


fica aqui um vídeo que mostra um pouco do que vi ontem à tarde, aqui em contexto informal de backstage. vassouras, caixas de fósforos (amei), tubos de borracha, areia, jornais, lava-loiças, contentores, cadeiras, isqueiros, bolas de basquete, paus - e até uma banana -, tudo serviu para se juntar aos pés e às mãos do fabulosos performers. muito bom :)

domingo, maio 22, 2011

IV Sarau Cultural

E assim foi o IV Sarau Cultural, organizado pelo departamento de Língua Portuguesa e Latim. Com alguns nervos à mistura, mas sobretudo com vontade de fazer o melhor. O tema era o AMOR e foi de facto uma noite inspiradora :)


Sarau Cultural

21 de Maio de 2011

Parte I

21h00 – Receção aos convidados
21h30 - «Meu amor querido», António Lobo Antunes - 10.º C

21h35 – Convidadas: Inês Pedrosa e Patrícia Reis


Tema: O afeto

Parte II

22h15 - «O Amor na Poesia» –  12.º A
22h25 - «Lisbon Revisited», Fernando Pessoa –  12.º B

22h30 – «Tudo o que te dou», Pedro Abrunhosa - Raquel Guimarães, Carolina Gomes, Teresa Lacerda - 11.º A


22h35 - «Questiona se são estas frias neves», Diogo Ribeiro - Flávia Ramos e José Miguel Sousa - 11.º B
22h40 - «Todo Pessoa» – 12.º D

22h45 - Dança Clássica - Bárbara Henriques (antiga aluna), Fernanda Machado (12º F), Isabel Paiva (11.º E), Maria Miguel Gomes (11º A)
22h55 – «Aos Amores!», Sérgio Godinho – Maria João Silva - 11.º A

22h50 – «Só mais uma volta», Tiago Bettencourt – Pedro Mello - 12.º A
23h00 - Romeu e Julieta, William Shakespeare (adaptação de Diogo Ribeiro) – 11.º B

Apresentadores: Joana Barros (12.º D) e João Louro (12.º B).

terça-feira, maio 10, 2011

Deolinda, outra vez


porque é tempo dela, porque (ainda) gosto de Lisboa, porque é uma grande canção. e são os Deolinda, claro. porque de tão triste acaba por me animar :)

«só resta esperar...»

sábado, abril 30, 2011

Rabbit Hole e Never Let Me Go

«The Cookout», Anton Sanko


«The Boat», Rachel Portman

nota: para desgraçar os olhos com lágrimas...

quinta-feira, abril 21, 2011

quarta-feira, abril 20, 2011

Desafio: 04

Que extraordinário mês para as coisas da mente e da alma. Decidi-me finalmente a ler os seis livros de Lobo Antunes (29 a 34) que me aguardavam (já havia lido Manual dos Inquisidores há uns anos, mas ontem comprei mais um, aproveitando um preço fantástico na FNAC, Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, para breve). E Orwell (28), no seguimentos das distopias literárias, mas não apreciei muito, embora tenha gostado dos textos teóricos que acompanham a edição. Destaque ainda para a poesia (35 e 37), vale a pena :). Nos filmes, coisas muito boas, imperdíveis: para rir muito (70, 72), para ver bem (54, 55, 60, 62, 65, 71), para chorar muito - e os meus favoritos de todos estes - (67, 73). O meu destaque vai, sobretudo, para o Rabbit Hole, pelas interpretações extraordinárias, pela música, pela fotografia, argumento, tudo - grande Nicole  Kidman que me faz chorar sempre que vejo determinadas cenas!

Livros:

27. As Magias, Herberto Helder, Assírio & Alvim, 80p.**
28. A Quinta dos Animais, George Orwell, Antígona, 160p.***
29. D’este viver aqui neste papel descripto. Cartas de guerra, António Lobo Antunes, D. Quixote, 432p.*****
30. Memória de Elefante, António Lobo Antunes, Booket, 192p.****
31. Auto dos Danados, António Lobo Antunes, RBA, 272p.*****
32. A Morte de Carlos Gardel, António Lobo Antunes, D. Quixote, 394p.****
33. As Naus, António Lobo Antunes, D. Quixote, 192p.***
34. Terceiro Livro de Crónicas, António Lobo Antunes. D. Quixote, 292p.*****
35. Resumo – a poesia em 2010, Assírio & Alvim, 184p.****
36. Fernando Pessoa, João Gaspar Simões, Texto Editores/Expresso, 112p.***

37. Luz Indecisa, José Mário Silva, Visão, 52p.****
38. Uma Aventura na Ilha de Timor, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 234p.***

Filmes:

54. Paris, Cédric Klapisch*****
55. Gru, Pierre Coffin e Chris Renaud*****
56. Katalin Varga, Peter Strickland****
57. Sophia de Mello Breyner Andresen, João César Monteiro****
58. Sinais de Fogo, Luis Filipe Rocha****
59. True Grit, Ethan e Joel Cohen****(*)
60. Drillbit Taylor, Steven Brill**(*)
61. Opera n.º1, Hal Hartley***
62.
Relatório Kinsey, Bill Condon*****
63. The Aviator, Martin Scorsese***(*)
64. Somewhere, Sofia Coppola***
65.
The Virgin Suicides, Sofia Coppola*****
66. Just Visiting, Jean-Marie Poiré***
67.
Never Let Me Go, Mark Romanek*****
68. Nights in Rodanthe, George C. Wolfe***
69. Carriers, David Pastor e Alex Pastor****

70. Hot Fuzz, Edgar Wright*****
71. Tudo sobre a minha Mãe, Pedro Almodóvar*****
72. Burke & Hare, John Landis*****
73. Rabbit Hole, John Cameron Mitchell*****
74. Smiley Face, Gregg Araki***(*)
75. The last house on the left, Dennis Iliadis***(*)
76. The Resident, Antti Jokinen***
77. Princess of Thieves, Peter Hewitt***(*)
78. Embargo, António Ferreira****
79. Wake Wood, David Keating****
80. Four Lions, Christopher Morris****

terça-feira, abril 12, 2011

já um mês depois (ainda sem as fotos)

entrada do caderno de Paris, no dia 7/Março:
Até onde nos leva o querer continuar perante a imensidade de olhos que devíamos ter, e mãos, e bocas, e narizes, para que Paris fosse mais nossa intimamente, mesmo intimamente nossa, em cinco dias de chegar e partir? Voragem, querer ver, querer provar e saber uma parte grande do todo que sabemos ser impossível. Paris é impossível.



e o poema para a Milai:

Vitória de Samotrácia, no Louvre

Pese não correr aqui o vento
conservas a pose e o gesto
e nada em ti se altera com o tempo.

domingo, abril 03, 2011

terça-feira, março 29, 2011

Desafio: 03

devia estar a corrigir testes, mas acabei agora uma turma e não me apetece pegar em mais nada. mês daqueles, de fugir e regressar a Paris e não voltar (mas nunca de autocarro, coitados dos meus meninos!!!).


livros:

17. O que vai acontecer?, José Alberto Oliveira, Assírio & Alvim, 112p.**
18. O Instante da Minha Morte, Maurice Blanchot, Campo das Letras, 32p.***
19. A Génese do Amor, Ana Luísa Amaral, Campo das Letras, 64p.****
20. Missa in Albis, Maria Velho da Costa, Planeta deAgostini, 466p.*****
21. Um Homem Singular, Christopher Isherwood, Quetzal, 160p.****
22. A Função do Geógrafo, Rui Coias, Quasi, 48p.**
23. Indignai-vos!, Stéphane Hessel, Objectiva, 52p.****
24. Davy Crockett, Enid Lamonte Meadowcroft, JN/DN, 96p.***
25. A Laranja Mecânica, Anthony Burgess, Planeta, 160p. ****
26. O Contrabaixo, Patrick Süskind, DN/JN, 96p.*****



filmes:
49. La vie en rose, Olivier Dahan***
50. Paris, je t'aime, (vários)*****
51. Lucky Luke, James Huth****
52. A Zona, Sandro Aguilar**
53. A Outra Margem, Luís Filipe Rocha*****

sábado, março 26, 2011

Confusão esclarecida


é a minha, nos últimos tempos. mas quem manda ser superior e genial para me aperceber de que tudo gira desconcertado e as pessoas nem se aperceberem da trágica patetice de serem?



(a imagem é uma brincadeira, as juro que é assim que está no sítio da loja, com aquele pequeno erro...)


(pena não saber discutir/insultar como os meus alunos do 9D: Olha o nível de discussão e insulto no 9D: «eu sou insurrecto, sim, mas tu é ignóbil e vil»)

quinta-feira, março 24, 2011

um poema de Rui Coias

São os olhos que aproximam os lugares do coração.
Agora que regressamos é nisto que penso
enquanto fazemos sinais uns para os outros com as luzes
dos carros, na rápida estrada, ao anoitecer.
Olha-se devagar para a vida e sobretudo assim
damos conta dos silêncios,
dos nomes devolvidos ao tão de leve silêncio.
A casa vincada pela névoa, a
aldeia imobilizada ao passearmos em grupos,
o café que me conforma quando o recebo entre as mãos.
Como dizer que são estas as mais secretas regiões da alma
a que voltamos sempre
nos maiores frios de dezembro?
Se de repente dizem que estamos a uma eternidade
frágil dos dias inquietos,
cruzas uma palma da mão sobre a outra e olhas para as
unhas, rindo de quando em vez para mim, que fico tão feliz.
e no regresso, quando os sobressaltos se repetem
e anoitece nas estradas vazias e o mundo adormece,
há uma solidão que estremece as bermas e nos aflige debaixo da
língua, como uma chuva miudinha.
Como falar depois da tua inclinada casa a meu lado
e do recanto mais longínquo dos pinhais?
Como acreditar que o tempo não tratá aos olhos a maior
solidão
em que ficámos?

Rui Coias, A Função do Geógrafo, Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2000, p.15-6

segunda-feira, março 21, 2011

Primavera e Poesia ou como fazer dois em um :)

rimam, são verdades e lindas.


aqui, na interpretação poderosa de uma poesia em primavera que parece não me querer chegar. e aqueles que nos escrevem e a quem recorremos sempre.



«Primavera», David Mourão-Ferreira, Mariza


«Poetas», Florbela Espanca, Mariza

domingo, março 20, 2011

acordo ortográfico

Depois do castanho e do branco, e do azul com apontamentos rosa, um castanho-laranja e cinza. Cada vez menos tempo duram as escolhas que faço. Mudança, variação, não sei por quanto tempo. A paciência é uma chata. Depois do casamento em Santarém, depois de Paris, com peças de teatro em breve e muito por fazer, vou assim procrastinando a correção de testes...


(a partir de agora em diante, com o AO em mente, espero)
:)

quinta-feira, março 17, 2011

Japão e os eixos do mundo

o sismo deslocou lá a terra 2,5 metros.
o eixo da terra também, em 10 cm.

mas tu aproximaste-te 10.000 km, mais ou menos, que isto do tempo e do espaço é tudo menos matemático quando manda o coração. São apenas agora 2515km que marcam a distância real.
trago-te agora até aqui, na voz de Ryan Tedder. Pessoa encontrada e nunca perdida.



«Missing Persons 1 & 2», OneRepublic (versão acústica e bastante alternativa)

sexta-feira, março 11, 2011

três poemas de David Mourão-Ferreira

Inscrição sobre as ondas

Mal fora iniciada a secreta viagem,
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que o deus me segredou.


**

Itinerário Grego

I

Há sempre na vigia uma ilha que oscila
entre a gola do Mar e o turbante do céu

Mas de todas somente a que se chama Ítaca
parece a rapariga à espera de eu ser eu


***

Os Sinais

I

Olhar de frente o Sol Assim se aprendem
as letras iniciais da Solidão


David Mourão-Ferreira, Obra Poética, Lisboa: Presença, 1988: 27, 210, 251

excerto de um poema de Ana Luísa Amaral



Topografias em quase dicionário


(...)

Não interessa onde
estou

Diz-se que os gregos
tinham cinco formas para falar
de amor.
Nós temos uma só, onde não cabe
o quase paradoxo
de que amor é tudo o que dele sabemos.
Nada mais.

(...)

Não sei se os gregos tinham várias
formas para falar da morte,
nem mesmo sei se o amor
foi buscar alguma dessas formas
para se definir

Há literatura que fala do que está
a montante do amor,
mas não lhe está - eros, tanatos,
a sua ligação, o seu estar-
entre-estar

(...)


Ana Luísa Amaral, A Génese do Amor, Porto: Campo das Letras, 2005:10-1

sexta-feira, março 04, 2011

Mensagem

Se eu não voltar, é porque fiquei por lá, mas bem.
Não prometo que não aconteça :)

Encontro marcado com a Vitória de Samotrácia, a Vénus de Milo, a Padeira de Tanagra... (e outras damas do mesmo teor - nem todas mutiladas) e até com o Antínoo!

para além da Amélie, do Moulin, dessas coisas que todos sabemos ;)


à bientôt!

Paris

como me conhece bem quem tratou dos bilhetes :)



quarta-feira, março 02, 2011

3 poemas de Mário Rui de Oliveira

(imagem retirada daqui)

Vizinho de Deus

Saio de casa para olhar o mundo. Olhá-lo, sem mais. Debaixo do outono, amealhava pinhões, tecia colares de caruma, cruzava um regato, o cheiro da terra molhada. Anotava o geométrico voo dos estorninhos e pensava crer como um corpo adolescente.
Face a face com o mundo. Ou quase. Talvez seja isto que Balthus refere: «pintar o que se tem diante dos olhos é um modo de se tornar vizinho de Deus».


Um Amigo

Num daqueles dias de outono, em que nos queima a vermelha labareda das folhas, um amigo pedia que lhe contasse uma história. «Salva-me a vida, conta-me uma história». E eu recordei aquela mulher das Mil e Uma Noites, que encadeava, com doçura e desespero, uma história na outra, pois ó a história infinita nos permite escapar à maldição da morte.
Um amigo é uma história que nos salva.

Os Padres do Deserto

Os monges do deserto, esses que chegam da vigília do silêncio, diante de um cesto, escolhem os frutos mais apodrecidos. Gestos assim podem parecer-nos insignificantes, até indiferentes, mas, na realidade, revelam aqueles que os cumprem. Os santos sentem-se indignos de receber e preferem reservar, aos outros, o melhor. «Para eles, somente a visão perfumada dos pomares.


Mário Rui de Oliveira, O Vento da Noite, Lisboa: Assírio & Alvim: 20, 29, 31

domingo, fevereiro 27, 2011

Poema das evidências

Ao contrário do vento encontro
as ruas em que nos perdemos.

A gaivota na pedra
nada diz da minha condição.

A solidão é menor
quando me estendo ao sol.

Desafio: 02

Poesia mais, desta vez (11, 12, 14?, 16). Mas a revelação deste mês, em termos de epifania e tal, é A Biblioteca de Zoran Živiković, um livro em torno dos livros em conjunto (isto é, bibliotecas) que nos mostra de uma forma fantástica como eles podem ser uma obsessão, uma paixão, uma tortura, a salvação. Menos filmes, o mês é curto :), mas muitos deles nomeados para os prémios mais badalados.

livros:

11. Obra Poética, David Mourão-Ferreira, Presença, 428p.***
12. O Bebedor Nocturno, Herberto Helder, Assírio & Alvim, 192p.****
13. A Biblioteca, Zoran Živiković, Cavalo de Ferro, 104p.*****
14. Medeia, recriação poética da tragédia de Eurípides, Sophia de Mello Breyner
Andresen, Caminho, 80p.*****
15. Razões de Coração, Álvaro Guerra, Planeta deAgostini, 312p.****
16. O Vento da Noite, Mário Rui de Oliveira, Assírio & Alvim, 56p.*****

filmes:

35. In the Cut, Jane Campion**
36. The King´s Speech, Tom Hooper*****
37. Black Swan, Darren Aronofsky*****
38. Toy Story 3, Lee Unkrich***(*)
39. 127 Hours, Danny Boyle*****
40. Head On, Ana Kokkinos***(*)
41. The kids are all right, Lisa Cholodenko***(*)
42. Love and other drugs, Edward Zwick****
43. The Social Network, David Fincher****
44. A Perfect Getaway, David Twohy*(*)
45. Persepolis, Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi*****
46. Blue Valentine, Derek Cianfrance***
47. The Last Airbander, M. Night Shyamalan***
48. Blood Night, Frank Sabatella**


outros:

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

artigos, comunicações, participações...

para não estar a atafulhar a coluna lateral, fica aqui mesmo numa postagem a relação das coisitas que tenho feito, agora menos amiúde, que o tempo não dá para tudo, mas que tenciono ir fazendo crescer com mais textos em revistas e uma ou outra comunicação. link na dita barra, para quem achar interesse, link para os textos disponíveis em rede, ou para os eventos em caso negativo.

em andamento para sair:


«As Fúrias em "sede absurda de ruína": espaços em Agustina Bessa-Luís»
TENREIRO, Francisco e ANDRADE, Mário Pinto de (org.),Poesia Negra de Espressão Portuguesa, Vila Nova de Cerveira: Nóssomos, 2012, 20p.
«Eu quero escrever coisas verdes» - o projeto poético de Arlindo Barbeitos
«Mia Couto: a escrita sobre a mulher, essa canoa, ilha, leoa e tudo o resto» - CLEPUL
«Efeitos da repetição na poesia de João-Maria Vilanova e de Arlindo Barbeitos»
A poesia de João de Araújo Correia
Séchu Sende (Diário do Minho)
Roberto Vidal Bolaño (Diário do Minho)




25. «Arlindo Barbeitos como leitor dos poetas da "Mensagem"» - Colóquio Internacional A Modernidade nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa: António Jacinto e a sua época, CLEPUL - Universidade de Lisboa, novembro de 2013.

24. «A Paisagem (re)escrita por Maria Ondina Braga: de Eu vim para ver a terra e Passagem do Cabo», Paisagem - (I)Materialidade, III Encontro CITCEM - FLUP, novembro 2013.
23. «Narradores abreviados, leitores espicaçados – uma opção constitutiva da narrativa breve de Lygia Fagundes Telles» - Jornadas Internacionales: en el 90 aniversario de Lygia Fagundes Telles, Universidade de Salamanca, outubro de 2013.
22. «Ser e ainda não ser: oscilação e iniciação em "O Belo Adormecido" antecedido de A arte do conto de Lídia Jorge - considerações», Travessias pela literatura portuguesa, estudos críticos de Saramago a Vieira, Eduepb - Universidade Federal de Paraíba, outubro de 2013.

21. «Manuel Rivas - a palavra, como a estrela cadente, tem algum poder» - «Diário do Minho - Suplemento Cultural», 4 de setembro de 2013.

20.  «Álvaro Cunqueiro - mil e um mundos a partir da Galiza» - «Diário do Minho - Suplemento Cultural», Braga, 26 de junho de 2013.

19. «Arlindo Barbeitos», Colóquio «Tinha Paixão», Porto, junho 2013.

18. «A construção da voz poética de Arlindo Barbeitos: as interferências/afinidades orientas», «Forma Breve 9: Conto Interpolado», Universidade de Aveiro, dezembro de 2012.

17. «"Nunca escrevi versos que não fossem de amor": a metapoesia de Rui Knopfli», Colóquio Poesia "ao espelho, vendo-se, pensando-se". Poesia e autorreflexividade, Universidade de Évora, dezembro 2012.

16. «VIEIRA, Arménio. MITOgrafias - recensão crítica», «Navegações» - vol. 5 n.º1, jan/jun 2012.

15. «"Tanto mundo de água para mudar o destino": representação do mar na obra de Manuel Rui», O Mar - patrimónios, usos e representações, II Encontro CITCEM - FLUP, outubro 2011.
  
14. «Lobo, João. Diário da Vida de um Mocho - II (diário) - recensão crítica», «Navegações» - vol.4 no.1, jan/jun 2011 (com Bruna Silva).

13. «Eu Vim para Ver a Terra, de Maria Ondina Braga: a construção do mundo pela crónica», «Forma Breve 8: A Crónica», Universidade de Aveiro, dezembro 2010.


11. «Vieira, Arménio. O Poema, a Viagem, o Sonho (poesia) – recensão crítica», «Navegações» - vol.3 no.1, jan/jun 2010.

10. «Diferentes véus de Penélope ou o tempo é tecido/o tecido do tempo», Colóquio Rostos e Narrativas no Feminino: imagens da antiguidade clássica, FACFIL Braga, maio de 2010 [Sophia, Manuel Alegre, Daniel Faria, Casimiro de Brito,...] (disponível na «Revista Portuguesa de Humanidades - Estudos Literários», Faculdade de Filosofia da U.C.P., Braga, 2010, vol.14-2).

9. «Esse humano que foi como um deus grego: Antínoo entre eros e thanatos na poesia portuguesa», «Forma Breve 7: Homografias: Literatura e homoerotismo», Universidade de Aveiro, dezembro 2009 [Sophia, Albano Martins, Pedro Tamen, Fernando Pessoa,...].

8. Arlindo Barbeitos: poética da concisão, dissertação de mestrado – FLUL, setembro de 2009.

7. «Medo e coragem: travessias em Grande Sertão: Veredas», «Cadernos de Estudos Brasileiros, n.º2», FLUL, setembro de 2009.

6. «Arquitecturas do Abandono: espaço-tempo, ruína e memória em O Outro Pé da Sereia de Mia Couto», «Revista África e Africanidades» – Ano I – n.º 4, fevereiro de 2009.

5. «”O Embondeiro que sonhava pássaros” de Mia Couto: descrição de uma poeticidade», «Forma Breve 6: O Conto em Língua Portuguesa», Universidade de Aveiro, dezembro 2008.

4. «Em Demanda das Santas do Corpo», VIII Encontro de Estudos de Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade de São Paulo, outubro de 2008. [sobre personagens de Eça de Queirós, Raul Brandão e Natália Correia]

3. «Mundos Encostados: Conflito Entre Tradição e Modernidade em Parábola do Cágado Velho de Pepetela», «Revista África e Africanidades» - Ano I – n.º 2, agosto de 2008.

2. «Os direitos e as leis em Os Dois Irmãos de Germano Almeida e Quantas Madrugadas tem a Noite de Ondjaki, Mundos em Diálogo - Colóquio Direito e Literatura – FLUL, fevereiro de 2008 (disponível em edição homónima da Almedina, 2010).

1. «Sophia “do outro lado do mar”», IV Congresso Português de Literatura Brasileira: O Porto e o Brasil – FLUP, novembro de 2005.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O Bebedor Nocturno

Divisa

Conhecem-me os cavalos e a noite e os desertos
traiçoeiros e a guerra e as feridas e o papel e a pena.

(poema árabe, Al-Moutanabbi)


*

Nascemos para o sono

Nascemos para o sono,
nascemos para o sonho.
Não foi apenas para viver que viemos sobre a terra.
Breve apenas seremos erva que reverdece:
verdes os corações e as pétalas estendidas.
Porque o corpo é uma flor muito fresca e mortal.

(poesia mexicana do ciclo nauatle)


*

Conduz o teu cavalo sobre o fio de uma espada,
oculta-te como puderes no meio das labaredas.

(poema zen)
O Bebedor Nocturno, poemas mudados para Português por Herberto Helder,
Assírio & Alvim, Gato Maltês, 2010:101, 65, 82

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A.


É no teu corpo lento que se esperam as eras
se deseja o movimento
o crescer da verticalidade do horizonte.

O branco é apenas a ausência do medo
e eu vejo-te enfrentando o mundo.

Não há dúvida quando o amor é acerto
cindindo as margens do caos.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

O Conto dos Três Irmãos



«O Conto dos Três Irmãos», do último filme de Harry Potter (parte um), uma curta-metragem de animação que funcionaria bem assim, isoladinha. vale a pena ver :)

domingo, fevereiro 13, 2011

Porque há mais e há regressos e homens extraordinários como o Colin Firth

já agora, porque também gosto destas outras bandas sonoras nomeadas para o óscar, de filmes de que gostei muito, ficam aqui as minhas faixas favoritas:



«If I Rise», Dido e A. R. Rahman de OST 127 Hours (filme de Danny Boyle)
- para melhor canção original, sem dúvida.



«Coming back around», de John Powell, de OST How to train tour dragon (filme de Dean Deblois e Chris Sanders, merecia melhor filme de animação). Ótima canção, com excelente vídeo aqui.



«Fear and suspicion», de Alexandre Desplat, de OST The King's Speech (filme de Tom Hooper) - menos extraordinária a música, mas brilhantes interpretações!

sábado, fevereiro 12, 2011

Tempo dentro de um sonho

«Time», de Hans Zimmer, para a OST de Inception (filme de Christopher Nolan)
um grande filme, uma grande banda sonora. dos meus favoritos deste ano.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Dança Folclórica da China



Hoje foi no Colégio, amanhã no PEB. Foi bonito, com muita luz, ritmo, energia, suavidade, cor, graça e tudo o mais - pela Academia de Dança de Pequim.


terça-feira, fevereiro 01, 2011

Não sei se chore, não sei se ria________ ou ___________ o post das antíteses...



«Que parva que eu sou», Deolinda


«Julliet is happy», Niall Byrne, OST - Cairo Time

domingo, janeiro 30, 2011

Desafio: 01

(se não fosse pelo muito trabalho que tenho, já tinha concluído este post há muito. e fica assim, sem introdução, sem reflexão, sem foto. não há tempo para tudo quando se tem tanto para fazer!)

livros:

1. Romance do Grande Gatão, Lídia Jorge, D. Quixote, 46p.*****
2. Antologia, Arnaldo Antunes, Quasi, 264p.*****
3. Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, Rui Costa e André Sebastião, Exodus, 144p.****
4. A Catedral do Mar, Ildefonso Falcones, Bertrand, 832p.*****
5. Marina, Carlos Ruiz Zafón, Planeta, 260p.*****
6. Superfície. Toda Poesia, Maria Ângela Alvim, Assírio & Alvim, 160p.**
7. Noites Brancas, Fédor Dostoievski, Europa-América, 144p.****
8. A Caminho de Santiago, Ana Saldanha, Caminho, 92p.***
9. O Pobre de Santiago, Graça Pina de Morais, Antígona, 168p.****
10. Pessoa, Wordsong, 101 noites, 112p.****


filmes:

1. Corrida para a Montanha Mágica, Andy Fickman***
2. Anjos e Demónios, Ron Howard****
3. Adaptation, Spike Jonze****
4. O Dia em que a Terra Parou, Scott Derrickson***
5. Capote, Bennett Miller****
6. Micmacs, Jean-Pierre Jeunet*****
7. Frozen, Adam Greene***(*)
8. Run! Bitch Run!, Joseph Guzman*
9. Not Forgotten, Bror Soref*
10. Ligeia, Michael Staininger**
11. Nine Dead, Chris Shadley***
12. Sherlock Holmes, Guy Ritchie****
13. A Town Called Panic, Stéphane Aubier e Vincent Patar****
14. Vertige, Abel Ferry***(*)
15. Trick'r Treat, Michael Dougherty***
16. The Unborn, David S. Goyer***
17. The Reeds, Nick Cohen***(*)
18. Legion, Scott Charles Stewart****
19. Os Amores de Astrea e Celadon, Eric Rohmer****
20. Red Victoria, Tony Brownrigg***(*)
21. Doghouse, Jake West****
22. All the Boys Love Mandy Lane, Jonathan Levine***
23. How to Train Your Dragon, Dean DeBlois e Chris Sanders*****
24. Centurion, Neil Marshale***(*)
25. Prince of Persia: the sands of time, Mike Newell****
26. Terra Sonâmbula, Teresa Prata****
27. Clash of Titans, Louis Leterrier****(*)
28. Percy Jackson and the olimpians, Chris Columbus***(*)
29. Vantage Point, Pete Travis***(*)
30. Cairo Time, Ruda Nadda*****
31.The Road, John Hillcoat****(*)
32. 9, Shane Acker****(*)
33. Shortbus, John Cameron Mitchell***
34. Sete dias e uma vida, Stephen Herek***

outros:
mini-série Sherlock (RTP2)*****
teatro: Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente, Salomé, de Oscar Wilde****
concerto: Manuel Cruz - Foge Foge Bandido

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Originalidade e Demência

(não, não era suposto ser um trocadilho com Orgulho e Preconceito ou Sensibilidade e Bom Senso, apenas o reflexo da preparação dos testes de amanhã... medo)


«Fim de semana já não é uma palavra composta, é lexicalizada... Quero lá saber... Adoro-a na mesma» (Virgínia)


«Vou morrer para o mundo moderadamente (repare-se bem nos modificadores do grupo verbal)» (Eu)

«Apetecia-me agora um palíndromo fresquinho» (Eu)

«Já deixavas o modificador de nome restritivo em paz e percebias que é um modificador de nome apositivo» (Eu, para um aluno)

«Stôr, o modificador de frase é aquele que serve para coisar... hum... certo?» (um aluno, para mim), «Sim, N., é isso mesmo... tu lá sabes da tua vida...» (Eu, em resposta).

terça-feira, janeiro 25, 2011

O Desterrado

O Desterrado, de Soares dos Reis (pormenores)

Nada em ti se exagera ou falta
a harmonia é um círculo incompleto -
- o mar na rocha é no cabelo
e verga e afasta para a imensidão.

Os dedos são texto à margem
Com eles não escreverás com sangue nas paredes.
Nem verás teu branco corpo italiano -
- o olhar perdeu-se já no longe.

Um segredo te concedo:
perder-se é fácil.

domingo, janeiro 23, 2011

2 poemas de Maria Ângela Alvim


As papoulas são estrelas que caíram de sono.
Elas têm o segredo.



Vitória de Samotrácia


Não aqui, - além existes. Teu vôo
demais amplo na extensão dos olhos
se tão curto olhar,
em tempo de pausa acompanhamos.

Mito
anjo
graça
alma de dança
teu corpo era paixão na pedra.

... Param os passos,
espraia-se o mar
onde arrebatas as vestes do vento,
ó vortigem de ser e de estar!


Maria Ângela Alvim, Superfície. Toda Poesia, Assírio & Alvim, 2002:24, 77

sexta-feira, janeiro 14, 2011

14 de Janeiro

«14 de Janeiro», Wordsong a partir de Al Berto

porque hoje o é - e inacreditavelmente, apesar de continuar a adorar, precisamente hoje, não me identifico muito... estou contentinho hoje, tenho de fazer um esforço para mudar isso!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

ocupar os tempos livres com genialidade

visto no Felizes Juntos, mas não resisto a pôr por cá também :)
somos ou não geniais? (nós, os gatos, entenda-se)

Manuel Cruz - Theatro Circo - Braga

Foi ontem. Momento favorito acima, «Canção da Canção Triste».
Gosto dele também aqui, «Ouvi Dizer«, ainda nos Ornatos Violeta. Tem qualquer coisa lembra Radiohead ou é só impressão minha? E a melhor música dos Da Weasel, para mim, é «Casa», também com ele, claro. Ainda assim, algo faltou - ou sobejou - ontem.



segunda-feira, janeiro 10, 2011

O deserto, Mariza



em forma de remix, já que o original não aparece aqui (a não ser ao vivo, e não gosto tanto do vocal). atenção especial à última estrofe. linda.

Deserto
Império do Sol
Tão perto
Império do Sol
Prova dos nove
Da solidão
Cega miragem
Largo clarão
Livre prisão
Sem a menor aragem
Sem a menor aragem


Que grande mar
De ondas paradas
Que grande areal
De formas veladas
Vitória do espaço
Imensidão
Ponto de fuga
Ampliação
Livre prisão
Anfitrião selvagem
Anfitrião selvagem


No deserto
Ouço o fundo da alma
E, se a areia está calma,
O bater do coração
É que tanto deserto
Tão de repente
Faz-me pensar
Que o deserto sou eu
Se não me vieres buscar

Carlos Maria Trindade

domingo, janeiro 09, 2011

Azul

imagem vista aqui


Quando sai, de manhã, ele fica a dormir. Ao fim da tarde, não é raro encontrá-lo a um canto do sofá, a cama ainda por fazer.
As janelas quase não são abertas. Há uma luz cheia de sombras, um odor saturado, uma acidez morna, de paredes que não respiram. Já não há quem a acompanhe a casa, quem a visite, quem ela convide. Pouco a pouco, até os telefonemas se fazem raros, secretos, como conspirações breves.
Com as amigas, mostrava-se de um indecoro insinuante, roçando a inconveniência. Com os amigos, tornava-se uma presença castradora, corpo de silêncio ou de insónia, subindo de debaixo do sofá ou da cama.
Por vezes, todas as estações, uma estação qualquer, ela regressa com um cheiro que ele não reconhece. Quando se despe, olha-a como se a não visse. A perseguição silenciosa dos passos, eis tudo o que acontece.
Enquanto ela se lava, toda a atenção dele se concentra no fascínio do jorro tombando, no nível da água subindo. Ele sabe: só depois ela lhe servirá o prato e lhe poderá tocar o pulso com a humidade do focinho.
(Num gato, diz-se azul a cor que em tudo o resto se diz cinzenta.)


Rute Mota, in Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, V. N. de Gaia: Exodus, 2008:132

quarta-feira, janeiro 05, 2011

o anti-epopeias portuguesas

descobri a minha aversão à Mensagem e a Os Lusíadas. Não é estética, não é por dificuldades ou coisa que o valha, que isso resolve-se em dois tempos. É ideológica. Raios partam el-rei que nunca mais morre, perdido que está há tantos séculos. como vou ensinar eu isto, assim, se bem que goste muito de alguns poemas que por lá andam?

voltarei a este post em breve

regresso 1 (09/01)
talvez tenha a ver com o facto de ter de preparar, ler, dar, em paralelo, em conjunto. mas eu gosto disso, dos paralelos, das comparações e muito mais das intertextualidades. hum...

regresso 2 (13/01)
ai «D. Dinis», «Ulisses» e companhia. Que poemas tão bonitos e tão significativos. Mas isso não é novidade, o pior está para vir, é a terceira parte e aquele horrível penúltimo poema da segunda parte... rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr


regresso 3 (25/01)
desisto...

sábado, janeiro 01, 2011

O Amor

O amor, sem palavras. Ou. A palavra amor, sem amor. Sendo
amor, ou. A palavra ou. Sem substituir nem ser substituída por.
Si, a palavra si, sem ser de si gnada ou gnificada por. O amor. En-
tre si e o que se. Chama amor, como se. Amasse (esse pedaço de
papel escrito amor). Somasse o amor ao nome amor, onde ecoa.
O mar, onde some o mar onde soa. A palavra amor, sem palavras.

Arnaldo Antunes, Antologia, Quasi, 2006:123

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Desejo de meia-noite

«Midnight Swim», Javier Navarrete (ost Cracks)


2011 aproxima-se.
tempo de fazer votos, promessas, compromissos
todos eles de vidro, mais cedo ou mais tarde.

saibamos vivê-lo bem
e a meia-noite sirva ao menos como símbolo para uma vida melhor.
sem medos, como quando se mergulha de olhos abertos.
é o que desejo para todos nós.

Pensamento mais ou menos luxurioso

Porque não há-de o teu coração fazer fronteira com o meu,
quando nos trocam os nomes
e nos pensam o mesmo?


Que será do teu quando me desp(ed)ir em morte?


«Lustful Thoughts», Javier Navarrete (ost Cracks)

terça-feira, dezembro 28, 2010

dois poemas de Else Lasker-Schüler


Reconciliação

Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.

Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.

Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.

E nossos lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?

Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.

Há-de uma grande estrela cair no meu colo.


*****

David e Jónatas

(I Samuel, 18)

Na Bílblia estamos escritos
Num abraço de cores vivas.

Mas os nossos jogos de meninos estão
Vivos também na nossa estrela.

Eu sou David,
Tu, o meu companheiro de brinquedos.

Ah, os dois tingíamos de vermelho
Os nossos corações brancos de carneiro!

Como as flores em botão nos salmos do amor
Sob o céu de um dia de festa.

Mas os teus olhos de despedida, os teus olhos -
Estás sempre a despedir-te no silêncio do beijo.

E o teu coração, que fará
Ainda sem o meu?

A tua noite doce
Sem as minhas canções?


Baladas Hebraicas, Else Lasker-Schüller, Assírio & Alvim, p.45, 69

domingo, dezembro 26, 2010

Desafio em Dezembro


Dezembro. Além de recuperar Gonçalo M. Tavares, que adoro, a (re)descoberta de Manuel Jorge Marmelo (já tinha lido O Profundo Silêncio das Manhãs de Domingo), de que gosto muito também e que li de enfiada, como fiz com Mário de Carvalho no mês anterior e espero repetir com outros autores em breve, e Nuno Markl e sua fantástica viagem pelos anos 80 (os 70 não me dizem nada, claro). do resto não falo, por desilusão.
e eis que o desafio de 2010 chega ao fim. com balanço positivo, claro. 130 livros (tinha previsto este ano só 80, pois ia dedicar-me a encontrar tema e corpus para um doutoramento - o que não fiz), ou seja, 21336 páginas - o meu melhor de sempre, além de 220 filmes (o objectivo era de apenas 183, um de dois em dois dias). como tudo correu muito bem e eu não tenho vida mesmo, mantenho os desafios com os números: 100 livros e 200 filmes, mais coisa menos coisa. 21 peças de teatro, 7 concertos - quiçá chegarei a estes números em 2011, mas este ano foi bom :)

livros:
121. O Senhor Eliot e as conferências, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 84p.*****
122. Histórias Falsas, Gonçalo M. Tavares, Bis/Leya, 96p.*****
123. O Homem que Julgou Morrer de Amor, Manuel Jorge Marmelo, Campo das Letras, 104p.****
124. Os Fantasmas de Pessoa, Manuel Jorge Marmelo, Asa, 128p.***
125. Oito Cidades e uma Carta de Amor, Manuel Jorge Marmelo, Campo das Letras, 120p.***
126. O Silêncio de um Homem Só, Manuel Jorge Marmelo, Campo das Letras, 120p.*****
127. Aonde o Vento me Levar, Manuel Jorge Marmelo, Campo das Letras, 160p.*****
128. Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach, Europa-América, 106p.**
129. Novela Lírica, Annemarie Schwarzenbach, Granito, 112p.**
130. Caderneta de Cromos, Nuno Markl, Objectiva, 224p.*****

filmes:
199. The Day of The Triffids, Nick Copus**
200. Duplicity, Tony Gilroy**
201. Alvin and the Chipmunks, Tim Hill***
202. Confessions of a Shopaholic, P. J. Hogan****
203. Holiday in Handcuffs, Rob Underwood***
204. Love in time of cholera, Mike Newell***
205. A lenda de Despereaux, Sam Fell e Robert Stevenhagen****
206. Bedtime Stories, Adam Shankman****
207. Corrida Mortal, Paul W. S. Anderson*
208. O Chihuahua de Beverly Hills, Raja Gosnell**
209. Uma Casa na Pradaria, David L. Cummingham**
210. Creation, Jon Amiel*****
211. Jumper, Doug Liman****
212. Hostel, Eli Roth*
213. A Educação das Fadas, José Luís Cerda****
214. The Raspberry Reich, Bruce La Bruce*
215. Inception, Christopher Nolan*****
216. Leap Year, Anand Tucker****(*)
217. As Crónicas de Spiderwick, Mark Water***
218. Sexo com Amor, Wolf Maya**
219. Four Christmases, Seth Gordon****
220. The Last Station, Michael Hoffman*****

terça-feira, dezembro 21, 2010

Poema de Natal, 2010


Natal de 1972

Neste comércio festivo que há dois mil anos quase
perdura mal cobrindo remendadamente
o solstício do Inverno e os deuses sempre vivos
de cuja falsa morte o mundo paga em crimes,
como em vileza humana, o medo que escolheu
quando ao claror da aurora rósea e livre
de viver como os deuses e com eles
preferiu a lei e a ordem projectadas
na sombra em sombras da caverna obscura
e desejou o mal em preço de ser-se homem —
tudo o que em milhares de anos é tribal
congrega-se feliz num doce rebolar-se
da traição de que fomos contra a vida.
Tão vil que levou séculos a inventar
um deus assassinado para desculpá-la,
e fez dele o comércio das famílias
que cortam no peru as raivas de existirem,
beijando-se visguentas, comovidas,
tal como têm babado os pés dos deuses,
ah não eles mesmos mas imagens vãs
que não resplendam da grandeza humana.
Alguma vez teremos o dinheiro
para comprar de novo o Paraíso,
em vez de prendas para o sapatinho?
O Paraíso aqui — aquele que venderam
no começar do mundo. E que nos trocam
por outros no futuro ou nos aléns,
agora, aqui, aberto a todos, claro
- um sol sem fim nos bosques ou nas praias,
uma nudez sem morte nos corpos sem alma.


Jorge de Sena, in: Natal... Natais - Oito séculos de Poesia sobre o Natal, antologia organizada por Vasco Graça Moura (Público, 2005:275)

o Natal já anda aí



Mariah Carey, Christmas time is in the air again (ao vivo)

Mariah Carey, When Christmas Comes (ao vivo, inc.)

terça-feira, dezembro 14, 2010

Antínoo


Busto de Antínoo de Villa Adriana (Museu do Louvre)


Pois chegou a casa a revista «Forma Breve», n.º 7, onde já publiquei, num número anterior. Desta vez o tema era «Homografias. Literatura e homoerotismo» e, embora pouco percebendo das questões de género e sexualidade na literatura, achei boa altura para estudar a figura de Antinoos na poesia portuguesa contemporânea (muito parecido com o que fiz com a Penélope, para um congresso na FACFIL). Com um ano de atraso, a revista chegou-me mesmo, e com o meu artigo: «Esse humano que foi como um deus grego: Antínoo entre eros e thanatos na poesia portuguesa contemporânea», do qual espero ainda fazer a sequela: Esse humano que ainda é como um deus grego: Antínoo à luz de Sophia e Jorge de Sena» (ou qualquer coisa assim parecida). Fica aqui um excerto:



«Ainda em Dual, na secção V «Arquipélago», encontra-se:

Lamentação de Adriano sobre a morte de Antínoos

Não escreverei mais o meu nome em letras gregas sobre a cera das tabuinhas
Porque estás morto
E contigo morreu o meu projecto de viver a condição divina (Andresen, 2004:64)

O poema, embora parta da mesma história que os anteriores, tem uma construção e temática muito diversa deles. Notavelmente mais breve, aqui o sujeito poético é identificado com Adriano que, em tom de lamentação já anunciado pelo título, assume uma perspectiva de compromisso perante a morte do amado. Esse compromisso revela uma certa negação do futuro. Não está presente a descrição física, mas antes a descrição indirecta do estado psicológico de quem fica vivo e em sofrimento que leva a uma vontade de auto-anulação: o sofrimento provocado pela morte, a solidão provocada pela ausência levam Adriano a desistir do seu «projecto de viver a condição divina», pois a morte física de Antínoo provoca uma espécie de morte espiritual de Adriano, como se morressem ambos com a morte física de apenas um deles. Está subjacente aqui a ideia de que o amor é capaz de pôr em acordo a condição humana e a condição divina, mas que a morte é capaz de destruir esse acordo, pelo menos numa fase inicial (repare-se que o poema permite a leitura de Adriano se dirigir directamente ao corpo morto de Antínoo). A destruição do amado leva à destruição do próprio mundo: amar alguém é amar o mundo em que esse alguém se encontra – e a destruição vai nos dois sentidos».

«Forma Breve 7, Homografias. Literatura e homoerotismo», Universidade de Aveiro, 2009, p.126-127

nota:
já nem me lembrava que também aqui tinham já surgido poemas meus sobre a figura... totinho.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Prefacio-te





Como não tenho foto tua, nem fui escolhida pelo David, faço o que posso e ... toma.


"They don't understand..."


Gireza is in the building

sábado, novembro 27, 2010

Cansado de tanta morte de amigos

Canto e Lamentação na Cidade Ocupada, de Daniel Filipe (fragmento)

4.
Não basta estender as mãos vazias para o corpo mutilado,
acariciar-lhe os cabelos e dizer: Bom dia, meu Amor.
Parto amanhã.

Não basta depor nos lábios inventados a frescura de um beijo
doce e leve e dizer: Fecharam-nos as portas. Mas espera.

Não basta amar a superfície cómoda, ritual, exacta nos con-
tornos a que a mão se afeiçoa e dizer: A morte é o caminho.

Não basta olhar a Amante como um crime ou uma injúria
e apesar disso murmurar: Somos dois e exigimos.
Não basta encher de sonhos a mala de viagem, colocar-lhe as
etiquetas e afirmar: Procuro o esquecimento.

Não basta escutar, no silêncio da noite, a estranha voz dis-
tante, entre ruídos de música e interferências aladas.

Não basta ser feliz.

Não basta a Primavera.

Não basta a solidão.


quinta-feira, novembro 25, 2010

Desafio em Novembro


: isto é cada vez mais difícil, o cansaço instala-se e o descanso não tem sido suficiente para que ele desapareça efectivamente dos espaços que me formam enquanto corpo e ser pensante. Quase exaurido, com uma vontade louca de mandar meia dúzia de outros dar uma curva ao bilhar grande e mudar radicalmente de vida. Mas enfim, há laços e compromissos. E o meu compromisso comigo mesmo em ser bom, o melhor possível, dentro dos meus limites (ilimitados), impele-me a continuar a necessidade de ler, ver filmes, teatro (A Cabeça de Baptista, de que não gostei particularmente), séries, concertos (Rodrigo Leão e Cinema Ensemble), coisas dessas. Mas o décimo segundo é-me exigente, o décimo deixa-me desalentado, o terceiro ciclo sabe-me a coisa sem fim que já se viu e não acrescenta. Mas deixemos as lamúrias - nem me interessam de facto, e aqui ficam sugestões de coisas bonitas e boas que vivi este mês. Destaque muito para Mário de Carvalho, de quem já tinha lido Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto e Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde - que adorei ler há uns anos -, e de quem decidi ler os outros oito livros que tinha, e ainda bem que o fiz: ironia, humor, reflexões metalinguísticas e metaliterárias, uma enorme erudição e profundo conhecimento do humano, escrita(s) admirável(eis), mesmo ao meu estilo. Ainda.

Livros:
111. O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana, Mário de Carvalho, Caminho, 264p.***
112. A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Mário de Carvalho, Bis/Leya, 96p.****
113. Fabulário, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.***
114. Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano, Mário de Carvalho, Caminho, 136p.*****
115. Apuros de Um Pessimista em Fuga, Mário de Carvalho, Caminho, 80p.***
116. Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina, Mário de Carvalho, Caminho, 228p.*****
117. A Sala Magenta, Mário Carvalho, Caminho, 176p.****
118. A Arte de Morrer Longe, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.*****
119. Diário da Vida de Um Mocho II, João Lobo, Calígrafo, 172p.**
120. a invenção do amor e outros poemas, Daniel Filipe, Presença, 76p.****


filmes:
190. I Love You, Phillip Morris, Glenn Ficarra e John Requa**** (medinho, Ewan genial)
191. Magnitude Máxima, ???**
192. Scoop, Woody Allen***** (de morrer a rir!)
193. Okuribito - A partida, Yojiro Takita***** (tão belo e comovente)
194. José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes***** (já não tenho mais lágrimas possíveis)
195. Virgin Territory, de David Leland**** (acho bem)
196. Letters to Juliet, de Gary Winick***** (pela beleza de tudo)
197. Harry Potter e os Talismãs da Morte, David Yates***** (óptimo início para o fim)
198. À Noite no Museu 2, Shawn Levy***

séries:
além de continuar (acabou ontem) a ver Chuck, de ver o fim de Sobrenatural, vi de enfiada duas séries estranhas (três temporadas cada), com muitas falhas, mas com pormenores engraçados, Dante's Cove e The Lair. Medinho.

Diário de um Mocho - II, João Lobo


Sábado, no CDDS, lá estaremos, eu e a minha digníssima colega e amiga Bruna Silva, a apresentar o livro mais recente de João Lobo - se alguém se dignar a achar mais interessante literatura do que futebol ou coisas que tais :)


Post factum (correu tudo bem, como seria de esperar... ou não)



«Mas porque uma viagem é sempre um mundo de surpresas e porque, não raro, ninguém dá conta da verdade quando ela se nos põe diante dos olhos.» (p.72)

«Nunca saberemos se a vida é feita de mortes ou se a morte é feita de vidas!» (p.108)

«Dos gatos colhi as mais surpreendentes confissões e, através do seu olhar comiserativo e de pedinte a quem não se pode dizer não, as solicitações mais inesperadas. “Já fomos deuses!” - assim começavam quase sempre as duas falas. – “E, com os nossos amos, atravessámos as portas do Mais-Além” – prosseguiam.» (p.163)

terça-feira, novembro 23, 2010

o que me tem feito chorar

quase nunca choro com nada que a vida me traga de vida, só com a arte mais pura. (sim, blá blá - este gajo deve ter a mania) Mas foram dois dias seguidos de extrema felicidade, ou tristeza, sei lá. Mas choraminguei... chorei... enfim, baba e ranho, praticamente (tenho andado constipado... cof... cof...) E aqui ficam os motivos (mesmo que não costume falar de filmes). Okuribito e José e Pilar. E me quedo.





quinta-feira, novembro 18, 2010

O que eu quero para o Natal

Não é tudo o que eu quero, sou difícil de satisfazer.
Mas com sonhos, lareira, família e o livro de Sophia já está lá quase tudo :)

sábado, novembro 13, 2010

Rodrigo Leão, Coliseu do Porto

LogoRodrigo Leão e eu vou - finalmente.
Muito se espera :)


depois do concerto:

teve uma primeira parte mais «clássica», como:


e uma segunda com canções de mais sucesso comercial, como:



faltou «Rosa», faltou «Deep Blue», mas já teve tanto ;)
Foi de génio, é o que posso dizer. E teve a minha/nossa canção:

sábado, novembro 06, 2010

Esperar/ (to) Wait

Saber esperar é uma virtude. Quem espera sempre alcança, embora também desespere. Esperar é a inutilidade do tempo desperdiçado. Ou então não. Nunca gostei de esperar por nada, nem me faço esperar, normalmente. Mas há momentos em que a espera só torna mais doce o momento da concretização. Estou cansado de te esperar, que se possa acertar o destino entre nós, ou que eu consiga ser outro para outrem que te ocupe parcialmente o lugar.

(a vida que não tenho nem desejo, por Moby - o vídeo oficial também é bonito, bem como este)



(espécie de mensagem em vice-versa, em desistência momentânea, na belíssima voz de Alexi Murdoch, em canção do filme Away we go)

segunda-feira, novembro 01, 2010

3 dos 125 poemas de Joaquim Pessoa


Dos pássaros e dos homens

De pássaros não sei nada.
Também Sócrates diria que dos pássaros nada soube.
Porque um poeta é um filósofo. E um filósofo
é sempre um poeta.
E um poeta não deve saber dos pássaros
mas dos homens.

Eu confesso: de pássaros nada sei.
Sei dos homens. Mas pouco.
Por isso os estudo. Falo deles. Amo-os ou odeio-os.
Aliás, entre os homens raramente há sentimentos intermédios
como a indiferença, por exemplo.
Não consta que os pássaros os conheçam.

Os homens são muito importantes para um poeta.
Tão importantes como as palavras.
Direi mesmo mais importantes.
Porque não poderão existir palavras e poetas sem homens
mas os homens já existiam sem palavras e sem poetas.
E mesmo as palavras e a poesia sem homens não serviriam para nada.

Portanto temos
primeiro o homem
depois a palavra
e por fim o poeta.

Na poesia, é pois, fundamental, o homem.
Sendo assim, é natural que eu fale dos homens
e me recuse a falar dos pássaros
porque, também, para falar de um assunto
é preciso estudá-lo
conhecê-lo
e, como eu já disse, de pássaros não sei nada
prefiro falar dos homens embora deles não saiba tudo
mas vou analisando-os
tentando conhecê-los melhor
em vez de analisar e tentar conhecer os pássaros
porque me parece
não poder haver uma relação por aí além
entre o pássaro e o homem
nem os pássaros poderão resolver os problemas dos homens
(habitação, ensino, desemprego, etc.)
num um homem só que seja pode ser explorado
por um ou mais pássaros
nem os os pássaros fizeram explodir nunca uma bomba atómica
ou se juntaram em bandos para discutir
se hão-de construir centrais nucleares para matar alguns homens
em benefício de qualquer pássaro
ou ainda para conferenciar sobre a bomba de neutrões
que pode ao mesmo tempo matar os pássaros e todos os homens.

Por todas estas razões proponho que
a poesia fale do homem para o homem

porque:

a) falando dos pássaros a poesia fala só dos pássaros;

b) falando dos homens, a poesia fala de tudo
(até dos pássaros);

c) os pássaros nunca poderão entender a poesia nem os poetas nem os outros homens;

d) a poesia falando dos homens fará com que os homens possam entendê-la e entender não só os poetas como também os pássaros e, sobretudo, o que é fundamental, entenderem-se entre si o mais depressa possível.


*****
Tu ensinaste-me a fazer uma casa

Tu ensinaste-me a fazer uma casa:
com as mãos e os beijos.
Eu morei em ti e em ti os meus versos procuraram
voz e abrigo.
E em ti guardei meu fogo e meu desejo. Construí
a minha casa.
Porém não sei já das tuas mãos. Os teus lábios perderam-se
entre palavras duras e precisas
que tornaram a tua boca fria
e a minha boca triste como um cemitério de beijos.

Mas recordo a sede unindo as nossas bocas
mordendo o fruto das manhãs proibidas
quando as nossas mãos surgiam por detrás de tudo
para saudar o vento.

E vejo ainda o teu corpo perfumando a erva
e os teus cabelos soltando revoadas de pássaros
que agora se recolhem, quando a noite se move,
nesta casa de versos onde guardo o teu nome.

****
Perguntas

Onde estavas tu quando fiz vinte anos
e tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
nas camisolas das teen-agers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
ao mesmo tempo que víamos Música no Coração
mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
retalhados na Coreia e no Vietname
nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylan
virando também as costas quando arrasaram Wiriammu e enterraram vivas
mulheres e crianças em nome
de uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
ou Allende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
que ninguém te encontrou em lugar algum?


125 Poemas. Antologia Poética, Lisboa: Litexa, 1989 (90-92, 123, 161)

quarta-feira, outubro 27, 2010

As mãos inteiras

Quem mas dera agora
inteiras e cheias com as minhas
ou com o meu corpo
água ou vento que nos leve ao encontro do outro mundo.

As mãos que eram andaime e guindaste
cofre do tesouro que era o próprio tesouro sem fim.

As mãos ambas
dextra e sinistra perfeitamente idênticas
onde o sopro do meu ser
pode encontrar abrigo.