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Tinha orgulho no seu jardim. Havia nele flores de várias espécies, recolhidas por várias gerações de que se sentia a herdeira espiritual. Tratava dele como se fossem filhos que não podia ter e conversava com elas como se houvesse resposta às coisas que lhes dizia. Quando uma planta morria, sepultava-a debaixo de outras, como que a perpetuá-la nelas, de modo a que nunca se faltassem. Eram lindas e toda a gente as elogiava na variedade, nas cores, no perfume, na perfeição. Um dia, acordou e viu que a cada um dos amores-perfeitos faltava uma pétala. Sorriu de ironia, a seguir apeteceu-lhe chorar, mas não o fez. Fechou a janela para não se ver e cismou para não emurchecer.
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