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terça-feira, janeiro 01, 2013

Poesia de Rui Knopfli



Despedida

Tudo entre nós foi dito.
Estamos cansados e tristes
neste Outono de folhas pairando
e caindo.
Entre nós as palavras colocam um mundo
de silêncio e vazio estéril.
Os próprios sonhos se encheram de neblinas
e o tempo os amarelece.
Outono de cismo, de folhas secas
e bancos abandonados de cimento frio
Onde não cantam aves
e o vento desce em brandos rodopios.
Apenas uma vaga angústia presente,
uma saudade sem recomeços,
a lembrança, tépida a gelar como
veios de mármore.
Tudo entre nós foi dito,
olhamos o apodrecer do parque,
o vento, o repicar leve das folhas
e, sem ressentimentos dizemos adeus.

*

Mania do suicídio
 
Às vezes tenho desejos
de me aproximar serenamente
da linha dos eléctricos
e me estender sobre o asfalto
com a garganta pousada no carril polido.
Estamos cansados
e inquietam-nos trinta e um
problemas desencontrados.
Não tenho coragem de pedir emprestados
os duzentos escudos
e suportar o peso de todas as outras cangas.
Também não quero morrer
definitivamente.
Só queria estar morto até que isto tudo
passasse.
Morrer periodicamente.
Acabarei por pedir os duzentos escudos
e suportar todas as cangas.
De resto, na minha terra
não há eléctricos.

*

Estrada

Súbito apercebo-me:
Segue a viagem dos anos.
Passou o tempo das amoras
e das laranjas furtadas,
a flor da chuva de ouro
para sugar o gostinho a açúcar.

Sonho com uma comprida paisagem de cedros
que nunca vi.
Apetece-me deixar o corpo adormecido
junto ao rádio
e ir passear pelos galhos das árvores
e sobre os fios telefónicos.

Nada feito,
pesada de agruras e desertos
segue a viagem dos anos.

**

A uma criança longe
 
Escrevo-te estas palavras
sabendo que as não lerás.
Entanto, o desejo de comunicar
é maior do que essa certeza.
Estamos irremediavelmente longe
de todos os contactos possíveis,
mas tu aconteceste,
encheste
o frio  de nossas vidas
com o calor do teu sorriso
e a graça de teus gestos.
Breve,
como breve paira
a leve folha outoniça,
ou a humilde gota de chuva
que se desprende do beiral,
foi a tua presença entre nós.
Sua lembrança persistente
está no gosto amargo do sorriso,
marcada na fronte,
no brilho empalidecido de nossos olhos.
Intimamente, no mais íntimo
de mim
esquadrinhei todos os ângulos
do improvável. Nunca mais
nos encontraremos. Jamais.
A morte é isso, é acabar
simplesmente, não acontecer mais
jamais.
Nada me auxiliam as lágrimas
que me salgam a face
e o muito que tenho blasfemado
de borco, rente ao teu silêncio gelado.
Esta a lógica prosaica dos factos:
Continuamos a viver, dolorida
a consciência
da tua cada vez maior ausência.
E teu pequeno corpo moreno,
que nem todo o amor aquece,
é um palmo de ternura
que apodrece.

**

O Ladrão de Versos

Uma gargalhada de meu filho
rouba-me um verso. Era,
se não erro, um verso largo,
enxuto e musical. Era bom
e certeiro, acreditem, esse verso
arisco e difícil, que se soltara
dentro de mim. Mas meu filho
riu e o verso despenhou-se no cristal
ingénuo e fresco desse riso. Meu Deus,
troco todos os meus versos
mais perfeitos pelo riso antigo
e verdadeiro do meu filho.

***
O fio da vida
 
Há homens que rezam na penumbra
das catedrais dolentes e há outros
que do alto das pontes olham
a escuridão rumorejante das águas.
Há homens que esperam na orla
marítima e outros arrastando-se
no viscoso esterco dos subterrâneos.
Há homens debruçados em pleno azul
e outros que deslizam sobre densos verdes;
há os desatentos na atenção e os que
espreitam atentamente a ocasião.
Há homens por fora e por dentro
do cimento armado, suspensos
das mil ciladas do quotidiano voraz;
de encontro aos muros, às paredes,
ao sol do meio-dia, ao visco da noite,
às sediças solicitações de cada instante.
Há a impotência poderosa da oração
e a obsessão amarga dos suicidas
e, de permeio, os que, porque hesitam,
porque ignoram, porque não crêem,
não oram, nem se suicidam
e se quedam ante a impossibilidade de destrinça
entre o fio da vida e a vida por um fio.

***

Telegrama

Ao longo destes anos todos
nada temos dito - meia dúzia
de palavras trocadas para o ofício
difícil da vida diária
e quantas delas proferidas com azedume.
Não te roubou, a brancura dos cabelos,
a doçura que nos teus olhos mais
se acentua.
 Mãe,
este silêncio anda cheio de ternura.

****
 
Verso e Anverso
 
Diria palavras altas como amor,
palavras lentas como ternura,
ou duráveis como amizade.
Desceu um véu de luto sobre o amarelo
Esmaecido da savana, lá onde dormem
os corpos mutilados e onde cresta,
rente à terra, o sangue derramado.
Baixou sobre a serenidade das coisas
um sono obscuro e terrível.
Poluiu o teu sorriso, o meu desejo;
intercala os gestos e as vozes ciciadas.
Cerramos os olhos para a penumbra
donde brotam, nítidas, as imagens:
Há uma criança no fogo,
o pavor de um soluço estrangulado,
fulgurantes, rápidas chamas.
Direi palavras insuportáveis como morte.
 
****
 
Progresso
 
Estamos nus como os gregos na Acrópole
e o sol que nos mira também os fitou.
Mas fazemos amor de relógio no pulso.
 
*****
 
Quina - três elegias breves
 
1
 
Na fuga do tempo, breve
foi o trajecto. Nele coube,
porém - pão e vinho -, a intensa
 
alegria que, em redor,
generosamente partilhavas. Na tua,
principia a nossa morte.
 
2.
 
Tínhamo-lo, quiçá, pressentido.
Nunca de forma tão súbita e brutal.
Julguei voltar à alegria do teu convívio.
Engano. Regresso ao teu lugar,
 
irremediavelmente vazio, ao eco
desvanecido dos teus passos, onde os nossos
se perdem também, ao silêncio
que nos legaste. Este, o lugar de encontro.
 
3.
 
Nos caminhos da sua inescrutável
sabedoria, dá Deus com uma mão
o que, com a outra, retira. Da direita
 
colhemos infinita amizade, só para
que a esquerda, encurtando-nos
a vida, exígua de mais a tornasse
 
para que, numa ou noutra, ambas
coubessem. Perca-se, então, a vida.
Só a nossa morte, da tua nos libertará. 
 
Rui Knopfli, Obra Poética, Lisboa: IN-CM, 2003, p.41, 52, 82, 135-6, 208, 226, 258, 267, 275, 522-3.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Anna Karenina e o prazer...


... da leitura e da música!

Ainda por causa desta onda de amor ressuscitado por «Anna Karenina», lembrei-me desta passagem. E lá ainda duas faixas, à sorte, da banda sonora do filme - em «Clerks» ouve-se o comboio ;)
 
 
 
 


Esta aversão à leitura é ainda mais inconcebível, se pertencemos a uma geração, a uma época, a um meio, a uma família em que a tendência era exactamente para nos impedir que lêssemos.
- Para de ler, vais estragar os olhos!
- Vai lá para fora brincar, está um dia lindo.
...
 - Apaga a luz! Já é tarde!
Nesse tempo, os dias estavam sempre demasiadamente bonitos para os desperdiçar com leituras, e as noites eram demasiadamente escuras.
Note-se que, quer se lesse quer não se lesse, o verbo já era conjugado no imperativo. Mesmo no passado já era assim. De certo modo, ler era um ato subversivo. À descoberta do romance acrescia a excitação da desobediência à família. Era um duplo esplendor! Ah, a magnífica recordação de horas de leitura às escondidas, debaixo dos lençóis, à luz da lanterna. Como galopava a Anna Karenina ao encontro do seu Vronski, àquelas horas da noite! Amavam-se um ao outro, o que já era magnífico, mas amavam-se enfrentando a proibição de ler, o que era ainda melhor! Amavam-se contra a vontade do pai e da mãe,contra o trabalho de matemática por acabar, contra a redacção, contra o quarto por arrumar, amavam-se em vez de irem para a mesa, amavam-se antes da sobremesa, preferiam estar um com o outro a irem ao futebol ou a apanharem cogumelos… tinham-se escolhido um ao outro, nada mais queriam que estar um com o outro… meu Deus, como o amor é belo!

E como um romance se lê num instante!

E acima de tudo lemos contra a morte.


Daniel Pennac, Como um Romance

segunda-feira, julho 23, 2012

cinco poemas de Manuel António Pina

LUDWIG W. Em 1951

«As palavras (o tempo e os livros que
foram precisos para aqui chegar,
ao sítio do primeiro poema!)
são apenas seres deste mundo,
insubstanciais seres, incapazes também eles de compreender,
falando desamparadamente diante do mundo.
As palavras não chegam,
a palavra azul não chega,
a palavra dor não chega.
Como falaremos com tantas palavras? Com que palavras e sem
                                                                           [que palavras?
E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
Não temos mais nada, e com tão pouco
havemos de amar e de ser amados,
e de nos conformar à vida e à morte,
e ao desespero, e à alegria,
havemos de comer e de vestir,
e de saber e de não saber,
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo.

Teremos então, enfim, uma casa onde morar
e uma cama onde dormir
e um sono onde coincidiremos
com a nossa vida,
um sono coerente e silencioso,
uma palavra só, sem voz, inarticulável,
anterior e exterior,
como um limite tendendo para destino nenhum
e para palavra nenhuma.»

***


Café do molhe


Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.
****

Uma prosa sobre os meus gatos


Perguntaram-me um dia destes
ao telefone
por que não escrevia
poesia (ao menos um poema)
sobre os meus gatos;
mas quem se interessaria
pelos meus gatos,
cuja única evidência
é serem meus (digamos assim)
e serem gatos
(coisa vasta, mas que acontece
a todos os da sua espécie)?
Este poderia
(talvez) ser um tema
(talvez até um tema nobre),
mas um tema não chega para um poema
nem sequer para um poema sobre;
porque é o poema o tema,
forma apenas.
Depois, os meus gatos
escapam de mais à poesia,
ou de menos, o que vai dar ao mesmo,
são muito longe
ou muito perto,
e o poema precisa do tempo certo
de onde possa, como o gato, dar o salto;
o poema que fizesse
faria deles gatos abstractos,
literários, gatos-palavras,
desprezível comércio de que não me orgulharia
(embora a eles tanto lhes desse).
Por fim, não existem «os meus gatos»,
existem uns tantos gatos-gatos,
um gato, outro gato, outro gato,
que por um expediente singular
(que, aliás, também absolutamente lhes desinteressa)
me é dado nomear e adjectivar,
isto é, ocultar,
tendo assim uns gatos em minha casa
e outros na minha cabeça.
Ora só os da cabeça alcançaria
(se alcançasse) o duvidoso processo da poesia.
Fiquei-me por isso por uma prosa,
e mesmo assim excessivamente corrida e judiciosa.





*****

Sétimo Dia


Voltámos, um a um, da tua morte
para a nossa vida como quem regressa a casa
de uma longa viagem. Para trás ficaram recordações, países,
e agora é como se te tivéssemos sonhado.
A voz que, diante da escuridão, suspendemos
quando se desmoronou o mundo para o fundo de ti
erguêmo-la de novo para os afazeres diurnos
e para as horas comuns.
Ainda ontem estávamos sozinhos diante do Horror
e já somos reais outra vez.
A própria dor adormeceu no nosso colo
como um animal de companhia.
*****

Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos

Manuel António Pina, Todas as Palavras. poesia reunida, Assírio & Alvim, 2012, p. 232-233, 240-241, 270-271, 288, 358

quarta-feira, maio 30, 2012

4 poemas de Vitorino Nemésio

Correspondência ao Mar

Quando penso no mar
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar;

De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória.

Sinto a terra na força dos meus pulsos:
O mais mar, que o remo indica,
E o bombeado do céu cheio de astros avulsos.

Eu, ali, uma coisa imaginada
Que o eterno pica,
Vou na onda, de tempo carregada,

E desenrolo:
Sou movimento e terra delineada,
Impulso e sal de polo a polo.

Quando penso no mar, o mar regressa
A certa forma que só teve em mim -
Que onde ele acaba, o coração começa.

Começa pelo aro das estrelas
A compasso retido em mente pura
E avivado nos vidros das janelas.

Começa pelo peito das baías
Ao rosar-se e crescer na madrugada
Que lhe passa ao de leve as orlas frias.

E, de assim começar, é abstracto e imenso:
Frio como a evidência ponderada,
Quente como uma lágrima num lenço.

Coração começado pelos peixes,
É o golfo de todo o esquecimento
Na mínima lembrança que me deixas,

E a Rosa dos Ventos baralhada:
Meu coração , lágrima inchada,
Mais de metade pensamento.

***

26.
O anoitecer situa as coisas na minha alma
Como as cadeiras arrumadas
Quando os amigos partiram.
Meus degraus ainda têm a passada do adeus,
Lá quando uma palavra cria tudo,
E o resto, fechada a porta,
É posto nas mãos de Deus.
Então, à minha janela,
Tudo repousa e larga o aro dos conjuntos,
Tudo vem, com um gesto secreto e confiado,
Pedir-me o molde e o amor do isolamento,
Como se um desconhecido
Passasse e pedisse lume
E eu, sem reparar, lho estendesse:
Quando quisesse conhecê-lo,
Só a minha brasa ao longe,
Na noite que se faz pelo peso dos rios
E vive de fogo dado.
Assim nocturno, sou
O suporte de quem não tem para consciência,
Que é como não ter para pão:
As coisas cegas
Prendem-se a mim,
Ao meu olhar, que é único na noite
Pelo seu grande alcance de humildade,
E fico cheio delas,
Como estes sítios ermos, junto de uma cidade,
Cemitérios de tudo, lugares para cães e bidons velhos;
Fico cheio da pobreza e do sinal das coisas,
Como um retrato de gente pobre é pobre e gauche
(Vale a recordação),
Mas sinto-me, ao mesmo tempo, seco e cheio de tacto
Como se fosse o seu bordão.
***




Poema de Outra Viagem ao Porto


Noite movida, meu corpo é uma hora antes
Caixa de sangue pronta a amplo socorro.
Eu vou como as manhãs e as sarjas aos doentes:
Sou eu mesmo que morro.
Falto como o menino à vida, escola de ermos.
Quem me dará meus anos, se os perdi?
Só Deus tem paz onde homens gume e fogo,
Do mais não resolvi.
Aqui lá de astro quem
Sobre as águas adusto,
Que nem vendo direi se cumpro ou rego flor?
Tu darás às palavras o que é delas
Como altura com vidros dá janelas
E amor é quando se tem.
Assim te reproduzes.
No redondo das rosas adianto
Como tempo é minha alma por jardim.
Agora não sei mais. Vou para o Porto
Timbre de honra é morar limpo no espanto.
Eu pessoalmente morto.

***

TUBO DE ENSAIO

Árvores do Canadá, uma por uma,
A caminho de Otawa, de autocarro,
Propõem seus galhos hibernais ainda
À minha angústia já primaveril.
Com tão pouca matéria a fotossíntese,
Que oxigénio de amor espero eu delas,
Com que carbono as poderei amar?
Porque, enfim, eu morrendo dou-me aos bosques,
A tal selva de Dante é a dor da espécie,
E o mezzo dei camin aqui passar.
Só é estranho que fracos pensamentos
Eu verta nestes tubos de ensaiar:
Eu, que, por causa de Escherichia Coli,
Quase não sei (como se diz?) — meiar...
A Poesia é um louco laboratório,
E eu dispo a bata para não chorar.

Poesias de Vitorino Nemésio, por Maria Madalena Gonçalves, Lisboa: Comunicação, 1983: p. 83-84, 97, 174, 184

domingo, abril 01, 2012

Desafio 12: 3

Livros:

23. Obra Poética, Federico García Lorca, Relógio D’Água, 694p.****
24. Se eu fosse um Livro, José Jorge Letria e André Letria, Pato Lógico, 60p.*****
25. No Vórtice da Noite, Adalberto Alves, Argusnauta, 128p.***
26. O Jardim das Delícias, Fernando Pinheiro, Calígrafo, 128p.***
27. Contos Gregos, António Sérgio, Sá da Costa, 64p.****
28. Purosexo.com, Dennis Cooper, Bico de Pena, 208p.**
29. Uma Aventura no Sítio Errado, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 180p.***
30. Senilidade, Italo Svevo, Público/Mil Folhas, 192p.***(*)
31. Manual para Amantes Desesperados, Paula Tavares, Caminho, 38p.****
32. A Roma Antiga e o Império Romano, Michael Kerrigan, Livros e Livros/BBC, 96p.****
33. Arte Greco-Romana, Susanna Sarti, Scala, 256p.*****

Filmes:

59. The Girl with the Dragon Tattoo, David Fincher****
60. The Iron Lady, Phyllida Lloyd***(*)
61. Ricky, François Ozon***(*)
62. 50/50, Jonathan Levine*****
63. Kung Fu Panda 2, Jennifer Yuh***(*)
64. Anonymous, Roland Emmerich***(*)
65. Blacklight, Fernando Fragata***(*)
66. The Jane Austen Book Club, Robin Swicord***(*)
67. Bridesmaids, Paul Feig****
68. Barry Lyndon, Stanley Kubrick****
69. A Dangerous Method, David Cronenberg***
70. The Adventures of Tintin, Steven Spielberg****(*)
71. Chico e Rita, Fernando Trueba (...)***(*)
72. The Fall, Tarsen Singh****(*)
73. The Grey, Joe Carnahan**(*)
74. My Week With Marilyn, Simon Curtis*****
75. J. Edgar, Clint Eastwood***(*)
76. Testosterone, David Moreton***
77. Main Street, John Doyle***
78. Stolen Lives, Anders Anderson****
79. Albert Nobbs, Rodrigo García***(*)
80. Delicatessen, Jean-Pierre Jeunet*****
81. Cars, John Lasseter, Joe Ranft****
82. Transporter 3, Olivier Megaton***
83. Tristam Shandy: A Cock and Bull Story, Michael Winterbottom****(*)
84. La Dolce Vita, Federico Fellini****

Outros:
Março foi mês para concertos diferenciados, como o da Banda de la Escuela Municipal de Música de Medina del Campo, a fim de marcar a geminação entre Braga e Medina del Campo em torno das celebrações pascais, o de Os Capitães da Areia, na FNAC, enquanto estava a ver livros e tal, depois parei lá um pouco a ver a atuação, e o genial concerto, no Theatro Circo, de Marco Rodrigues e de Mafalda Arnauth (primeiro ele, depois ela, depois ambos juntos):




Algumas exposições, também. Primeiro, com a minha irmã, fui a Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?, sobre Anne Frank, no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, recriando o espaço de um campo de concentração para, através de painéis, contar a história e o testemunho do Holocausto. Vi ainda O Mundo dos Dinossauros, no Porto, com minha irmã, Milai, Áurea e Ricardo, que nos pareceu um pouco... ridícula... Por fim, Ele vai passar por ti! Olha-O!, uma exposição dos alunos de artes do colégio, na Casa dos Crivos, com fotografia e pintura sobre a Páscoa - muito boa!
Nas séries, vi episódios soltos de  Big Time Rush, uma série juvenil engraçadinha, mas é só isso, engraçadinha. E vi, de enfiada, entusiasmado, mas por vezes a pensar «porquê???», Downton Abbey, de que gostei bastante, não fossem algumas situações excessivas, aparecimentos sem consequências a não ser tornar a série mais longa, como se a ideia inicial de ser uma minissérie não fosse afinal válida. Mas, ainda assim, vale muito a pena!

sábado, fevereiro 04, 2012

gatos


Perante a beleza

O gato não é um simples animal
é um pedaço de Deus mas mais divino
sem aquelas horrendas histórias de incestos
dilúvios punições e outras derivações.
O gato não come nem bebe
ele apenas ingere para não ser notado
pois da última vez que o não fez acharam-no o Diabo
ou que ajudava as bruxas nos seus afazeres.
Quando anda pelos telhados quentes
é um bailado com uma música que só ele escuta
as ondas vêm e vão como num oceano
mas elas são quentes e terminam em garras.
O gato não morre mesmo depois das suas sete vidas
vai para o paraíso rasgar sofás e miar à Lua
e de vez em quando é visível nos raios de Sol
que nos batem no rosto e então
temos de fechar os olhos.

****


Em Roma, os gatos são múltiplos e têm um templo.
Lá, todos lhes levam alimentos como antiga oferenda.
Desconfio que são os deuses todos em forma visível.

sábado, janeiro 21, 2012

5 poemas de João Luís Barreto Guimarães



apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia: acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma

amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.

vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim
mesmo confundir todos os relógios da rota só
apenas para ter mais tempo para ficar. o resto é saber

o alfabeto de cor até ao fim para que as palavras vão
nascendo devagar até ser sonho no sono dos dias
ou ser sono dentro de mim

***

um gato assim era quase um sítio perdido entre
o pelo e o acordar pequena fábula sonhada por
entre as patas quem o enviou quis ensinar ao

mundo o sentimento da inveja. a mãe tirava da
boca para lhe dar assim mesmo o lorde mentia
na hora a que chegava das sete vidas paralelas.
um dia fugiu pela manhã o (in)g(r)ato mesmo

sem se despedir ou pagar o que levou:
a coleira nova e o guizo ................... 150$00
duas latas de comida ...................... 395$00
um saco de areia higiénica ............... 200$00

dá notícias pedaço de deus se acordares desse
intrigante sono repousando de (qual?) cansaço
que pensas tu afinal de Ivan Petrovich Pavlov?


****

deixar assim como que por mistério as
mãos tomarem o atalho do coração como
se os olhos fossem sábios para isso e
nada menos que tudo exigíssemos: sermos

eremitas nos nossos próprios sentimentos
(rasgar desenhos do pôr do sol com um
arpão no coração) e mesmo o céu: trazê-lo

sempre azul sempre muito mais azul. é
dessa cor perfeita que falo por imagens
de dentro é esse o lugar onde as rochas
são grãos de areia no tempo. o pescador

sempre regressa (mil viagens passadas)
para pousar os sentidso e medir rumos
pelo pulso das dunas no coração

****

9 de novembro

O vendedor de castanhas quer duzentos pela dúzia. Embrulha-as de amarelo se a compra é feminina, em folhas telefónicas brancas se quem as descasca é rapaz.
A gata escapa do frio e entra pelo Café. Aproveita o caixilho para afagar todo o pelo, do focinho à cauda ao focinho. Deixa-se ficar ali, circulando entre as mesas, atenta à pressa das mãos que celebram o outono com migalhas já maduras.
O letreiro à entrada diz que bicho algum pode entrar. O mais certo é que a gata ainda não saiba ler.

***

A noite passada enviei um SMS ao meu Pai
mas ele não respondeu. Já kontava kom issu. O
corpo dele baixou faz
outro mês amanhã
nenhum de nós destinou o Sony Ericsson dele
ao rectângulo do caixão. Era
de um género antigo (outrossim
muito estimado)
algumas horas ligado mesmo sem conversação
começava a avisar: bateria esgotada.
Duvido porém que a rede fosse boa
lá no fundo.
Quando descia aos arrumos era o que acontecia.
Sucede que agora se quero falar com ele
tenho de ligar a Deus. E eu não falo com Ele.
Não quero ter de calar (olhando-O
olhos nos Olhos:)
«uma morte nunca é justa»
«foi demasiado cedo» «já agora
passe aí a meu Pai».
Já tenho ligado para Deus
parece dar sempre ocupado.


João Luís Barreto Guimarães, Poesia Reunida, Lisboa: Quetzal, 2011: 31, 53, 89, 112, 274

domingo, setembro 04, 2011

As palavras mais belas do mundo




motivado pelo espírito de «a minha palavra favorita», que vai pontuar o início deste ano letivo dos alunos do secundário (finalmente), fica aqui a lista das palavras mais bonitas do mundo, de acordo com a revista Kulturaustausch, que já tinha até motivado um conto, entretanto perdido...


Em primeiro lugar surge uma palavra turca, YAKAMOZ, que significa: reflexo da lua na água.

Em segundo lugar: hu lu: dormir, respirando profundamente, da China.

A terceira palavra seleccionada é volongoto: caótico; numa língua africana de uma região do Uganda.

Quarto lugar encontra-se oppholdsvaer: a luz do dia depois da chuva; assim se diz na Noruega.

No quinto lugar lê-se madala: graças a Deus; língua africana Hausa.

No sexto, a portuguesíssima saudade: nostalgia (e muito mais que agora não cabe aqui esmiuçar).

No sétimo lugar colocam perekotipole: o corredor do deserto, segundo o que se diz na Ucrânia.


Nota: os critérios eram relacionados com o significado (e a sua intraduzibilidade), mas também com o significante.

segunda-feira, agosto 22, 2011

3 poemas de Arménio Vieira


A máquina do mundo de Os Lusíadas, por Almada Negreiros,
na fachada da FLUL

Graças dou por Luís Vaz,
Ele-Mesmo, varão audaz,
como Ulisses, nadatório,
ululado por ciclópicos
bêbados canibais.

Mas quem pode afogar
tal homem, decepar suas mãos,
liquefazer seu poema?

Se é verdade que o Novo Reino
sucumbiu à foice com que Deus
decepa a espiga ruim, também é certo
que a partir de um bla-bla ruidoso
com que Viriato, mais que a funda,
espantava os filhos de Eneias,
Luís Vaz, pegando nele, criou o poema
e a pátria que deveras conta.



****

Não há guarda-chuva, João,
contra quem não te ama,
já que o amor só se dá
quando alguém, como um rio,
se alonga e entra no mar,
o qual, embora líquido e salgado,
não é teu suor nem teu sangue.


****

Epopeias

Arma virumque cano... Deixemo-nos
de tretas! Versos destes escreviam-se
antigamente, quando Eneias e Ulisses,
em barquinhos de papel, arrancavam
olhos aos cíclopes, rindo nas barbas
de Neptuno, um rei de óculos e bengala
a precisar de viagra. Ezra Pound,
cow-boy e poeta, quis ressuscitá-los.
Pensando em quem? Mussolini via-se
bem que não. era um anão gorduchinho,
parecido aos que andam nos circos
a divertir a garotada. entre um bicho
assim e um homem chamado Aquiles
a distância é de uma légua.
Canto l'arme pietose e 'l capitano...
Deixemo-nos de tretas! Nós, a mor
das vezes, somos tigres a fazer figura
de urso. As armas e os barões...
Isso era antigamente, quando os Lusos
se riam à custa de Baco, rei sem
préstimo, bebedor de vinho.


Arménio Vieira, MITOgrafias, Lisboa: Vega, 2011:p.14, 22, 43.

sábado, agosto 06, 2011

5 poemas de Justo Jorge Padrón





Não sei por quanto tempo

Não sei por quanto tempo seguirei
nesta inútil sucessão de instantes.
Caminho pelas ruas com a morte à espreita.
Ainda que o meu coração o peito pise
e o corpo obedeça
às vezes do azar ou ao instinto,
ainda que sinta qua ainda posso ocupar
um trabalho nas máquinas,
um lugar entre os vivos,
eu já não me pertenço.
Olho o horizonte
e nada me devolve a inquietude aos olhos.
Onde estará aquele fogo feliz?
Já nada tenho e a vida não acaba.
Vou escutando o lento desagregar,
o processo invisível até à ruína.

***

Nova primavera

Com um novo esplendor indeciso e ardente
e uma silvestre exactidão de aromas
chegou a primavera.
Chegou como se jamais pudesse ir-se
e se se julgasse jovem para sempre.
Vi-a instalar-se junto da minha janela,
derramando clamor de pássaros e um sol indecifrável
que estalava no ar as cores.
toda a aura letal do longo inverno
se anulou diante do singelo furor
e da graça sem limites da sua primeira flor.

****


Sapatos para um deus grego

E brindei pelo deus grego e pelos seus pés descalços,
e entre o espesso aroma daquele vinho
e da alada loucura do instante,
para acalmar com o couro os seus belos pés de brisa,
abandonei na sombra os meus sapatos.

A noite abriu a porta e na mansão
ouviram.se comovidos os seus passos de silêncio.
O vento vestiu-se com folhas de penumbra
e bebendo na minha taça passou beijando as frontes.
Os nossos olhos criaram uma estrela
que cruzava a obscuridade e as distâncias.

Nunca mais soube daquele par de sapatos.

*****


Texto para um Anjo

Uma vez escrevi um texto para um anjo.
Um poema invisível semelhante às suas asas.
Ignoro ainda quem voará melhor.
Não sei em que ocasiões me recorda
a por vezes, quando durmo, deposita nos meus lábios
polpa de melão níveo ou solta no meu ouvido
ondulantes arpejos que jamais escutei,
ou sussurra palavras trémulas e remotas
que me abrem com as suas chaves as janelas da água,
enfaroladas luzes de um país atrás das suas sombras.
Com segurança conduz-me pela sua cósmica mão
por todos os espaços que sonharam os livros,
e ao mesmo tempo sou a juventude
e os olhos de tudo o que vive
no pulsar fraterno da brisa.
Sinto o calafrio das flores amando-se,
o pranto de uma estrela afundada num charco.
O meu poema invisível é o meu segredo
e ainda que agora o anuncie e o partilhe,
ele, com as suas asas diáfanas, num traço de luz
porá nos vossos sorrisos o esquecimento.

******


Voo em Chamas

Sobre o resplandecente milagre da orquídea
uma azul borboleta ergue as suas asas.
Por um instante duvido se são ondas ou pétalas,
ou se é a luz a nova flor que se abre
na aparência trémula do voo detido.
Permanece o silêncio olhando fixamente
a vertigem incendiada do espaço,
a irisação suprema, o luxo do unânime.
Uma gota de orvalho golpeia a corola.
A súbita centelha sobressalta
a comovida flor e em espiral ressurge
o voo em chamas de uma luz celeste,
enquanto os olhos torpes se perguntam
onde amanhecerá a borboleta.


Justo Jorge Padrón, Obra Poética 1966-1996, Sintra: Tertúlia, 1998: p. 255, 285, 397, 529, 769

sexta-feira, junho 17, 2011

Os resistentes - o 12.ºD



ou: de como são importantes as aulas de Português

ou ainda: como se faz um texto com fragmentos de alguns textos lidos mais umas sentimentalidades



Todos somos chamados, pelo menos uma vez, a desempenhar um papel que nos supera. É nesse momento que justificamos o resto da vida, perdida no desempenho de pequenos papéis indignos do que somos (FL,89). Por isso escrevo em meio (12,32) de palavras de outros e minhas, agora que é a hora (12,159)!

         Tanto de meu estado me acho incerto (10,191), turma primeira de três anos, em que os resistentes a tudo tão bem e tanto cresceram, que meu coração e os lábios disseram em uníssono (10, 48): a memória é um espelho velho, com falhas no estanho e sombras paradas (10, 159), mas sei que o desgaste será lento e esse comboio de corda que se chama coração (12,30) não me fará esquecer-vos.

Para vos dizer, seriam precisas sagradas palavras e essas não cabem em nossas humanas vozes (10,303): Vos estis sal terrae (11,88). A loucura de alguns, a paixão de outros, a indiferença de alguns tolinhos pela arte das palavras, pelas alusões frequentes a esse desgraçado rei D. Sebastião (11, 133), e outras atitudes e caraterísticas que não vale ou não merece agora a pena referir, ensinaram-me a olhar a cada momento para a eterna novidade do mundo (12,58). Se eu não morresse, nunca! E eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas! (11,273) talvez tudo pudesse ter sido melhor, mais intenso…

Se pouco eu vos ensinei, espero que pelo menos vos fique/surja o carinho pelos livros, pela poesia, porque os livros trazem tantas vidas e tantos conselhos como a vida em si, se vivermos e lermos, quantas vidas teremos vivido? O mito é o nada que é tudo (12,129) dizia o nosso poeta, e mesmo no crepúsculo dos dias de hoje felizmente há luar! (FL,140), por isso, e se Ser descontente é ser homem (12,157), continuemos na busca do Caminho da virtude, alto e fragoso (12,145), para que façam saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal (11,144) – ou catorze! Não iremos dar-nos por satisfeitos (11,103) com o que já alcançámos. Não se esqueçam, e sejamos um poucos deuses [sei que sei, não sei como sei (MC,73)], do Deus quer, o homem sonha, a obra nasce (12,139) – o «Todo Pessoa» lá nasceu!

Depois pensemos, crianças adultas, que (12,74) tudo vale a pena (12,150), mesmo Cada hora a mais que gasta no caminho (10,253) que incomoda como andar à chuva (12,53): saibamos aproveitar não só os fins, mas também os meios; saibamos dizer Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi (10,174); que cada um saiba ser rei de si próprio (12,73).

         Uma superfície branca é como um dia que quer romper (10,135), por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco (10,250), novos alunos me virão, novos professores vos encontrarão, pois muito há a fazer, sempre. Chegou a hora (11,102) e digo-vos mais uma vez: olharem-se era a casa de ambos (MC,149), que também serei uma casa quando me precisarem, como sempre.



Receita: Para ser grande, sê inteiro: nada / teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. / Põe quanto és no mínimo que fazes (12,81).


sexta-feira, março 11, 2011

três poemas de David Mourão-Ferreira

Inscrição sobre as ondas

Mal fora iniciada a secreta viagem,
um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que o deus me segredou.


**

Itinerário Grego

I

Há sempre na vigia uma ilha que oscila
entre a gola do Mar e o turbante do céu

Mas de todas somente a que se chama Ítaca
parece a rapariga à espera de eu ser eu


***

Os Sinais

I

Olhar de frente o Sol Assim se aprendem
as letras iniciais da Solidão


David Mourão-Ferreira, Obra Poética, Lisboa: Presença, 1988: 27, 210, 251

quarta-feira, março 02, 2011

3 poemas de Mário Rui de Oliveira

(imagem retirada daqui)

Vizinho de Deus

Saio de casa para olhar o mundo. Olhá-lo, sem mais. Debaixo do outono, amealhava pinhões, tecia colares de caruma, cruzava um regato, o cheiro da terra molhada. Anotava o geométrico voo dos estorninhos e pensava crer como um corpo adolescente.
Face a face com o mundo. Ou quase. Talvez seja isto que Balthus refere: «pintar o que se tem diante dos olhos é um modo de se tornar vizinho de Deus».


Um Amigo

Num daqueles dias de outono, em que nos queima a vermelha labareda das folhas, um amigo pedia que lhe contasse uma história. «Salva-me a vida, conta-me uma história». E eu recordei aquela mulher das Mil e Uma Noites, que encadeava, com doçura e desespero, uma história na outra, pois ó a história infinita nos permite escapar à maldição da morte.
Um amigo é uma história que nos salva.

Os Padres do Deserto

Os monges do deserto, esses que chegam da vigília do silêncio, diante de um cesto, escolhem os frutos mais apodrecidos. Gestos assim podem parecer-nos insignificantes, até indiferentes, mas, na realidade, revelam aqueles que os cumprem. Os santos sentem-se indignos de receber e preferem reservar, aos outros, o melhor. «Para eles, somente a visão perfumada dos pomares.


Mário Rui de Oliveira, O Vento da Noite, Lisboa: Assírio & Alvim: 20, 29, 31

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

artigos, comunicações, participações...

para não estar a atafulhar a coluna lateral, fica aqui mesmo numa postagem a relação das coisitas que tenho feito, agora menos amiúde, que o tempo não dá para tudo, mas que tenciono ir fazendo crescer com mais textos em revistas e uma ou outra comunicação. link na dita barra, para quem achar interesse, link para os textos disponíveis em rede, ou para os eventos em caso negativo.

em andamento para sair:


«As Fúrias em "sede absurda de ruína": espaços em Agustina Bessa-Luís»
TENREIRO, Francisco e ANDRADE, Mário Pinto de (org.),Poesia Negra de Espressão Portuguesa, Vila Nova de Cerveira: Nóssomos, 2012, 20p.
«Eu quero escrever coisas verdes» - o projeto poético de Arlindo Barbeitos
«Mia Couto: a escrita sobre a mulher, essa canoa, ilha, leoa e tudo o resto» - CLEPUL
«Efeitos da repetição na poesia de João-Maria Vilanova e de Arlindo Barbeitos»
A poesia de João de Araújo Correia
Séchu Sende (Diário do Minho)
Roberto Vidal Bolaño (Diário do Minho)




25. «Arlindo Barbeitos como leitor dos poetas da "Mensagem"» - Colóquio Internacional A Modernidade nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa: António Jacinto e a sua época, CLEPUL - Universidade de Lisboa, novembro de 2013.

24. «A Paisagem (re)escrita por Maria Ondina Braga: de Eu vim para ver a terra e Passagem do Cabo», Paisagem - (I)Materialidade, III Encontro CITCEM - FLUP, novembro 2013.
23. «Narradores abreviados, leitores espicaçados – uma opção constitutiva da narrativa breve de Lygia Fagundes Telles» - Jornadas Internacionales: en el 90 aniversario de Lygia Fagundes Telles, Universidade de Salamanca, outubro de 2013.
22. «Ser e ainda não ser: oscilação e iniciação em "O Belo Adormecido" antecedido de A arte do conto de Lídia Jorge - considerações», Travessias pela literatura portuguesa, estudos críticos de Saramago a Vieira, Eduepb - Universidade Federal de Paraíba, outubro de 2013.

21. «Manuel Rivas - a palavra, como a estrela cadente, tem algum poder» - «Diário do Minho - Suplemento Cultural», 4 de setembro de 2013.

20.  «Álvaro Cunqueiro - mil e um mundos a partir da Galiza» - «Diário do Minho - Suplemento Cultural», Braga, 26 de junho de 2013.

19. «Arlindo Barbeitos», Colóquio «Tinha Paixão», Porto, junho 2013.

18. «A construção da voz poética de Arlindo Barbeitos: as interferências/afinidades orientas», «Forma Breve 9: Conto Interpolado», Universidade de Aveiro, dezembro de 2012.

17. «"Nunca escrevi versos que não fossem de amor": a metapoesia de Rui Knopfli», Colóquio Poesia "ao espelho, vendo-se, pensando-se". Poesia e autorreflexividade, Universidade de Évora, dezembro 2012.

16. «VIEIRA, Arménio. MITOgrafias - recensão crítica», «Navegações» - vol. 5 n.º1, jan/jun 2012.

15. «"Tanto mundo de água para mudar o destino": representação do mar na obra de Manuel Rui», O Mar - patrimónios, usos e representações, II Encontro CITCEM - FLUP, outubro 2011.
  
14. «Lobo, João. Diário da Vida de um Mocho - II (diário) - recensão crítica», «Navegações» - vol.4 no.1, jan/jun 2011 (com Bruna Silva).

13. «Eu Vim para Ver a Terra, de Maria Ondina Braga: a construção do mundo pela crónica», «Forma Breve 8: A Crónica», Universidade de Aveiro, dezembro 2010.


11. «Vieira, Arménio. O Poema, a Viagem, o Sonho (poesia) – recensão crítica», «Navegações» - vol.3 no.1, jan/jun 2010.

10. «Diferentes véus de Penélope ou o tempo é tecido/o tecido do tempo», Colóquio Rostos e Narrativas no Feminino: imagens da antiguidade clássica, FACFIL Braga, maio de 2010 [Sophia, Manuel Alegre, Daniel Faria, Casimiro de Brito,...] (disponível na «Revista Portuguesa de Humanidades - Estudos Literários», Faculdade de Filosofia da U.C.P., Braga, 2010, vol.14-2).

9. «Esse humano que foi como um deus grego: Antínoo entre eros e thanatos na poesia portuguesa», «Forma Breve 7: Homografias: Literatura e homoerotismo», Universidade de Aveiro, dezembro 2009 [Sophia, Albano Martins, Pedro Tamen, Fernando Pessoa,...].

8. Arlindo Barbeitos: poética da concisão, dissertação de mestrado – FLUL, setembro de 2009.

7. «Medo e coragem: travessias em Grande Sertão: Veredas», «Cadernos de Estudos Brasileiros, n.º2», FLUL, setembro de 2009.

6. «Arquitecturas do Abandono: espaço-tempo, ruína e memória em O Outro Pé da Sereia de Mia Couto», «Revista África e Africanidades» – Ano I – n.º 4, fevereiro de 2009.

5. «”O Embondeiro que sonhava pássaros” de Mia Couto: descrição de uma poeticidade», «Forma Breve 6: O Conto em Língua Portuguesa», Universidade de Aveiro, dezembro 2008.

4. «Em Demanda das Santas do Corpo», VIII Encontro de Estudos de Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade de São Paulo, outubro de 2008. [sobre personagens de Eça de Queirós, Raul Brandão e Natália Correia]

3. «Mundos Encostados: Conflito Entre Tradição e Modernidade em Parábola do Cágado Velho de Pepetela», «Revista África e Africanidades» - Ano I – n.º 2, agosto de 2008.

2. «Os direitos e as leis em Os Dois Irmãos de Germano Almeida e Quantas Madrugadas tem a Noite de Ondjaki, Mundos em Diálogo - Colóquio Direito e Literatura – FLUL, fevereiro de 2008 (disponível em edição homónima da Almedina, 2010).

1. «Sophia “do outro lado do mar”», IV Congresso Português de Literatura Brasileira: O Porto e o Brasil – FLUP, novembro de 2005.

terça-feira, dezembro 28, 2010

dois poemas de Else Lasker-Schüler


Reconciliação

Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.

Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.

Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.

E nossos lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?

Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.

Há-de uma grande estrela cair no meu colo.


*****

David e Jónatas

(I Samuel, 18)

Na Bílblia estamos escritos
Num abraço de cores vivas.

Mas os nossos jogos de meninos estão
Vivos também na nossa estrela.

Eu sou David,
Tu, o meu companheiro de brinquedos.

Ah, os dois tingíamos de vermelho
Os nossos corações brancos de carneiro!

Como as flores em botão nos salmos do amor
Sob o céu de um dia de festa.

Mas os teus olhos de despedida, os teus olhos -
Estás sempre a despedir-te no silêncio do beijo.

E o teu coração, que fará
Ainda sem o meu?

A tua noite doce
Sem as minhas canções?


Baladas Hebraicas, Else Lasker-Schüller, Assírio & Alvim, p.45, 69

terça-feira, dezembro 21, 2010

Poema de Natal, 2010


Natal de 1972

Neste comércio festivo que há dois mil anos quase
perdura mal cobrindo remendadamente
o solstício do Inverno e os deuses sempre vivos
de cuja falsa morte o mundo paga em crimes,
como em vileza humana, o medo que escolheu
quando ao claror da aurora rósea e livre
de viver como os deuses e com eles
preferiu a lei e a ordem projectadas
na sombra em sombras da caverna obscura
e desejou o mal em preço de ser-se homem —
tudo o que em milhares de anos é tribal
congrega-se feliz num doce rebolar-se
da traição de que fomos contra a vida.
Tão vil que levou séculos a inventar
um deus assassinado para desculpá-la,
e fez dele o comércio das famílias
que cortam no peru as raivas de existirem,
beijando-se visguentas, comovidas,
tal como têm babado os pés dos deuses,
ah não eles mesmos mas imagens vãs
que não resplendam da grandeza humana.
Alguma vez teremos o dinheiro
para comprar de novo o Paraíso,
em vez de prendas para o sapatinho?
O Paraíso aqui — aquele que venderam
no começar do mundo. E que nos trocam
por outros no futuro ou nos aléns,
agora, aqui, aberto a todos, claro
- um sol sem fim nos bosques ou nas praias,
uma nudez sem morte nos corpos sem alma.


Jorge de Sena, in: Natal... Natais - Oito séculos de Poesia sobre o Natal, antologia organizada por Vasco Graça Moura (Público, 2005:275)

terça-feira, dezembro 14, 2010

Antínoo


Busto de Antínoo de Villa Adriana (Museu do Louvre)


Pois chegou a casa a revista «Forma Breve», n.º 7, onde já publiquei, num número anterior. Desta vez o tema era «Homografias. Literatura e homoerotismo» e, embora pouco percebendo das questões de género e sexualidade na literatura, achei boa altura para estudar a figura de Antinoos na poesia portuguesa contemporânea (muito parecido com o que fiz com a Penélope, para um congresso na FACFIL). Com um ano de atraso, a revista chegou-me mesmo, e com o meu artigo: «Esse humano que foi como um deus grego: Antínoo entre eros e thanatos na poesia portuguesa contemporânea», do qual espero ainda fazer a sequela: Esse humano que ainda é como um deus grego: Antínoo à luz de Sophia e Jorge de Sena» (ou qualquer coisa assim parecida). Fica aqui um excerto:



«Ainda em Dual, na secção V «Arquipélago», encontra-se:

Lamentação de Adriano sobre a morte de Antínoos

Não escreverei mais o meu nome em letras gregas sobre a cera das tabuinhas
Porque estás morto
E contigo morreu o meu projecto de viver a condição divina (Andresen, 2004:64)

O poema, embora parta da mesma história que os anteriores, tem uma construção e temática muito diversa deles. Notavelmente mais breve, aqui o sujeito poético é identificado com Adriano que, em tom de lamentação já anunciado pelo título, assume uma perspectiva de compromisso perante a morte do amado. Esse compromisso revela uma certa negação do futuro. Não está presente a descrição física, mas antes a descrição indirecta do estado psicológico de quem fica vivo e em sofrimento que leva a uma vontade de auto-anulação: o sofrimento provocado pela morte, a solidão provocada pela ausência levam Adriano a desistir do seu «projecto de viver a condição divina», pois a morte física de Antínoo provoca uma espécie de morte espiritual de Adriano, como se morressem ambos com a morte física de apenas um deles. Está subjacente aqui a ideia de que o amor é capaz de pôr em acordo a condição humana e a condição divina, mas que a morte é capaz de destruir esse acordo, pelo menos numa fase inicial (repare-se que o poema permite a leitura de Adriano se dirigir directamente ao corpo morto de Antínoo). A destruição do amado leva à destruição do próprio mundo: amar alguém é amar o mundo em que esse alguém se encontra – e a destruição vai nos dois sentidos».

«Forma Breve 7, Homografias. Literatura e homoerotismo», Universidade de Aveiro, 2009, p.126-127

nota:
já nem me lembrava que também aqui tinham já surgido poemas meus sobre a figura... totinho.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Desafio em Novembro


: isto é cada vez mais difícil, o cansaço instala-se e o descanso não tem sido suficiente para que ele desapareça efectivamente dos espaços que me formam enquanto corpo e ser pensante. Quase exaurido, com uma vontade louca de mandar meia dúzia de outros dar uma curva ao bilhar grande e mudar radicalmente de vida. Mas enfim, há laços e compromissos. E o meu compromisso comigo mesmo em ser bom, o melhor possível, dentro dos meus limites (ilimitados), impele-me a continuar a necessidade de ler, ver filmes, teatro (A Cabeça de Baptista, de que não gostei particularmente), séries, concertos (Rodrigo Leão e Cinema Ensemble), coisas dessas. Mas o décimo segundo é-me exigente, o décimo deixa-me desalentado, o terceiro ciclo sabe-me a coisa sem fim que já se viu e não acrescenta. Mas deixemos as lamúrias - nem me interessam de facto, e aqui ficam sugestões de coisas bonitas e boas que vivi este mês. Destaque muito para Mário de Carvalho, de quem já tinha lido Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto e Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde - que adorei ler há uns anos -, e de quem decidi ler os outros oito livros que tinha, e ainda bem que o fiz: ironia, humor, reflexões metalinguísticas e metaliterárias, uma enorme erudição e profundo conhecimento do humano, escrita(s) admirável(eis), mesmo ao meu estilo. Ainda.

Livros:
111. O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana, Mário de Carvalho, Caminho, 264p.***
112. A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Mário de Carvalho, Bis/Leya, 96p.****
113. Fabulário, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.***
114. Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano, Mário de Carvalho, Caminho, 136p.*****
115. Apuros de Um Pessimista em Fuga, Mário de Carvalho, Caminho, 80p.***
116. Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina, Mário de Carvalho, Caminho, 228p.*****
117. A Sala Magenta, Mário Carvalho, Caminho, 176p.****
118. A Arte de Morrer Longe, Mário de Carvalho, Caminho, 128p.*****
119. Diário da Vida de Um Mocho II, João Lobo, Calígrafo, 172p.**
120. a invenção do amor e outros poemas, Daniel Filipe, Presença, 76p.****


filmes:
190. I Love You, Phillip Morris, Glenn Ficarra e John Requa**** (medinho, Ewan genial)
191. Magnitude Máxima, ???**
192. Scoop, Woody Allen***** (de morrer a rir!)
193. Okuribito - A partida, Yojiro Takita***** (tão belo e comovente)
194. José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes***** (já não tenho mais lágrimas possíveis)
195. Virgin Territory, de David Leland**** (acho bem)
196. Letters to Juliet, de Gary Winick***** (pela beleza de tudo)
197. Harry Potter e os Talismãs da Morte, David Yates***** (óptimo início para o fim)
198. À Noite no Museu 2, Shawn Levy***

séries:
além de continuar (acabou ontem) a ver Chuck, de ver o fim de Sobrenatural, vi de enfiada duas séries estranhas (três temporadas cada), com muitas falhas, mas com pormenores engraçados, Dante's Cove e The Lair. Medinho.

domingo, agosto 01, 2010

Desafio em Julho


Ah, que bom ter todo o tempo por minha conta, sem dever nada a ninguém dele, ou quase - porque as férias não foram logo em Julho, mas quase. Sem fazer quase nada do que deveria, ainda fui ao Mosteiro de Tibães com os meninos do terceiro ano, passeei por Braga e pelo Porto - mas adiei Lisboa e acabei o mês em Gaia, nas mudanças da C., com uma incursão rápida mas intensa pela Feira Medieval de Santa Maria da Feira, onde adquiri o meu belíssimo pau de chuva.
Óbvio tempo para as coisas culturais. Além do Mimarte, livros e filmes. Destaque para Rui Cardoso Martins (livros 73 e 74), um escritor recente em termos de publicação de romances e que me parece que merece toda a atenção, já que estes dois primeiros títulos são mesmo muito bons e não só pelos títulos geniais. De Jane Austen não há surpresas, bom - mesmo a versão «zombie» tem o seu interesse para quem leu o original sem eles e para quem tem mente aberta para este tipo de paródia (mas gostei mesmo das últimas páginas, onde se esboça um guia de leitura verdadeiramente hilariante). Dos outros, o esperado, o inesperado (67 e 68), o neutro por falta de expectativas. Destaque ainda para o facto de ter atingido os 80 livros, que era o meu desafio deste ano...
Quanto aos filmes, estive numa de restos... Os filmes que restavam nos dvds emprestados então, ou mesmo meus (medo), os que eram mais pequenos, os que iam surgindo na tv... Destaque para Coisa Ruim, um filme invulgar no cinema português, e muito destaque para um dos melhores filmes do ano, para mim, do mesmo realizador de Revolutionary Road, Sam Mendes: Away we Go - Um Lugar para Viver, filme que faz querer ter bebés e assim... lol (hum, quem quero enganar?).

Livros:
61. Orgulho e Preconceito e Zombies, Jane Austen e Seth Grahame-Smith, Gailivro, 360p.***
62. Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen, Europa-América, 236p.*****
63. Baladas Hebraicas, Else Lasker-Schuler, Assírio & Alvim, 104p.***
64. Quatro Cavaleiros a Pé, José Saramago, Padrões Culturais Editora, 48p.***
65. O Herói das Novelas, Lídia Jorge, Padrões Culturais Editora, 48p.***
66. História do Rei Gonzalve e das Suas Doze Princesas e As Memórias de Joséphine, Pierre Louys, Teorema, 100p.**
67. Laços de Família, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 126p.***
68. Contos de Clarice Lispector, Clarice Lispector, Relógio d’Água, 368p.****
69. Carta ao Pai, Kafka, Quasi, 92p.***
70. Uma Questão de Cor, Ana Saldanha, Caminho, 104p.*****
71. A Sophia, A.A. V.V., Caminho, 148p.****
72. Melancolia, António Pinto Ribeiro, Ambar, 112p.****
73. E Se Eu Gostasse Muito de Morrer, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 216p.*****
74. Deixem Passar o Homem Invisível, Rui Cardoso Martins, Dom Quixote, 240p.*****
75. Herbert West: Reanimador, H. P. Lovecraft, Quasi, 96p.***
76. Electra, Sófocles, CECH-FLUC/FESTEA, 94p.****
77. O Barco Aberto, Stephen Crane, Quasi, 96p.****
78. O Guarda da Praia, Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo, 148p.*****
79. Histórias do Bom Deus, Rilke, Quasi, 104p.***
80. A Canção de Zefanias Sforza, Luís Carlos Patraquim, Porto Editora, 160p.***

Filmes:
97. Slither, de James Gum***
98. Um Amor de Perdição, de Mário Barroso***
99. Final Destination 2, de James Wong***
100. Gremlins 2: The New Batch, de Joe Dante***
101. Transe, de Teresa Villaverde**
102. Cursed, de Wes Craven***
103. Underworld: Evolution, de Len Wiseman***
104. Memórias de uma Gueixa, de Rob Marshall****
105. About a Boy, de Chris Weitz e Paul Weitz****
106. A Minha Falsa Noiva, de Gil Junger***
107. Cidade Baixa, de Sérgio Machado***
108. Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra*****
109. Wanted, de Timur Bekmambetov***
110. In Bruges, de Martin McDonagh*****
111. Away We Go, de Sam Mendes*****
112. Prey, de Darrell Roodt***
113. O Cavaleiro das Trevas, de Cristopher Nolan****
114. Up in Smoke, de Lou Adler***
115. London, de Hunter Richards****
116. Arthur and the Invisibles, de Luc Besson****
117. Princess Protection Program, de Allison Liddi***
118. Confetti, de Debbie Isitt***
119. Miúda Insuportável, de Nick Moore***
120. The Cave, de Bruce Hunt**

quinta-feira, abril 29, 2010

Desafio em Abril



O desafio continua, sempre. Entre as mil solicitações, as leituras têm andado... com textos pequenos. Faz-se o que se pode. De Penélope (28) - que me irá ocupar em breve (onde aprendi a escarificar e que o «acto perfeito da entrega e do amor, o difícil limite a alcançar, era escrever um livro em comum, um livro de literatura em que romance e mito se fundissem»p.34), à melhor poesia de 2009 reunida numa edição de ajuda humanitária (29), às aventuras que me acompanham desde sempre (30), a um filme que vi e que descobri ser de um livro, onde as linguagens se distanciam e se complementam para contar uma história de esperança, perserverança e amor num longo domingo que se prolonga na memória de Mathilde - e agora na minha (não andará aqui um pouco de Penélope?), para além da guerra (a primeira), dos quadros, dos gatos (31), ao «Bairro» de Gonçalo M. Tavares - os outros livros ainda esperam mas serão em breve, e aqui também se falará deles (33-36) -, à imperfeição assumida que apresentarei na FNAC em breve (32), ao ensaio sobre Cesário (37)... Muitos filmes, sim, que são mais fáceis de incluir no tempo e no intervalo do cansaço. Até breve, que outras coisas me esperam.

livros:
28. O Regresso de Penélope, António Vieira, Colibri, 154p.*****
29. Resumo. a poesia em 2009, Assírio & Alvim e FNAC, 168p.****
30. Uma Aventura no Pulo do Lobo, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Caminho, 212p****
31. Um Longo Domingo de Noivado, Sébastien Japrisot, Asa, 240p.****
32. Livro Imperfeito, António Paiva, Edições Ecopy, 208p.***
33. O Senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 88p.*****
34. O Senhor Henri, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 98p.****
35. O Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
36. O Senhor Juarroz, Gonçalo M. Tavares, Caminho, 72p.*****
37. Um Ramalhete Para Cesário, Stephen Reckert, Assírio & Alvim, 104p.****


filmes:
45. Into the Wild, de Sean Penn***** (profundo, não recomendado a gente sem paciência)
46. O Perfume, de Tom Tykwer***** (belíssima adaptação do livro, vale a pena)
47. À Procura da Felicidade, de Gabrielle Muccino****
48. A Noiva Cadáver, de Tim Burton***** (como demorei tanto tempo para ver este filme? linda visão sobre a morte e sobre o amor)
49. Submerged, de Anthony Hickox**
50. Beowulf, de Robert Zemeckis****
51. Marie-Antoniette, de Sofia Coppola***** (com os sem all stars - eu vi ;), no guarda-roupa dela, um grande filme com Kirsten Dunst)
52. The Condemned, Scott Wiper***
53. Eastern Promises, de David Cronenberg****
54. Caos Calmo, de Antonello Grimaldi****
55. Nine, de rob Marshall**** (menos tempo e mais Nicole, tinha sido bom)
56. Disturbia, de D. J. Caruso***
57. Orgulho e Preconceito, de Joe Wright***** (oh meus Deus, como não tinha visto antes? quase tão bom como Expiação! Keira e Matthew impecáveis)
58. O Véu Pintado, de John Curran***** (como se inveja um homem como Edward Norton assim, aqui)
59. Macht Point, de Woody Allen**** (desilusãozita - mas a minha amiga Scarlett compensa)
60. O Rapaz do Pijama às Riscas, de Mark Herman***** (muito interessante, a ver sem falta)
61. O Laço Branco, de Michael Haneke****
62. Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky***
63. Bem-Vindo ao Norte, de Dany Boon***** (impecável para dar umas boas gargalhadas com nível)

outros:
Ensaio Sobre o Medo, pelo grupo Artes Cénicas (Outurela - Carnaxide).